Tio Chico – Claudia Roberta Angst

Chamava-se Francisco. Como o santo, como o papa, como o rio. Não carregava alcunha alguma. Seus olhos cinzentos confundiam-se com o céu coberto daquela tarde. Se alguém prestasse atenção, notaria neles o tormento de uma tempestade em formação.

Francisco nunca sorria. Achava desperdício mostrar os dentes. Mesmo porque alguns deles já lhe faltavam pelo gastar do tempo e a pouca serventia dos conselhos do tio dentista. Um rosto forte, arado pelos anos que lhe comiam a carne e a boa vontade.

─ Sentimos sua falta na missa de domingo.

Ele virou-se surpreso com a voz feminina que lhe subia pelas costas. Ana Maria, vestida de chita e boas cores, tinha as mãos na cintura como a tomar satisfações.

─ Não sei qual a surpresa, menina. Sabe que não me dou com esses negócios de igreja.

A moça aproximou-se como quem se achega a uma onça brava, com vagar e cautela. Aquele homem era mesmo um burro dos mais teimosos, uma mula preta empacada.

─ Mas e o batizado do menino?

Francisco sacudiu os ombros demonstrando sua franca indiferença. O batizado tinha acontecido por insistência de Doralice. A ele, tanto fazia, o pobre ser pagão ou cristão.

─ Seu filho, homem!

Ele era alto e forte o bastante para impor certo temor se não lhe cabia bem qualquer respeito. A fisionomia tornou-se ainda mais carrancuda. Os olhos piscaram de forma nervosa. Sem pensar, Ana Maria deu dois passos para trás.

─ Não falo sobre isso, peste. Desista de tentar me contagiar com essa sua baboseira sentimental.

O assunto sempre o incomodava. Não entendia a razão de tanto alvoroço em torno de fraldas sujas. Por ele, nem falaria mais sobre isso. Doralice parira o menino, que o embalasse. Francisco tinha outros planos para os próximos anos e nenhum deles incluía criar rebentos de uma prostituta.

Estava certo de que Doralice, moça nascida no seio de uma família tradicional, teria sido uma boa esposa. Talvez para algum fazendeiro abastado e cansado de colecionar ninfetas e achaques. Sim, com certeza, enfeitaria a cama de qualquer homem bem intencionado que soubesse apreciar sua beleza morena. No entanto, não foi este o destino que a vida lhe havia reservado.

Aos olhos do povo, Dora era apenas mais uma mulher perdida da noite. Francisco nunca soubera o trajeto percorrido pela mulher que, um dia, aparecera aos prantos, colara-se ao seu peito, jurando- lhe fidelidade.

Não haviam trocado mais do que cumprimentos breves, um abonar de cabeças e simpatia. Daí a começar um romance, era estrada por demais a se rodar. O passado desconhecido de Dora parecia a Francisco um caos sem revelações. Por mais que dali tivesse retirado terra e algumas explicações, nada vinha à luz da verdade. Ela continuaria a mentir como se houvesse nascido no bordel.

Francisco lembrava-se da Dora das festas de São João, com o seu vestido colorido rodado e as tranças enfeitadas com pequenas flores. As pernas morenas aparecendo quando girava e o riso fácil de menina que ainda se dizia anjo. Depois, só os rumores pela estrada e as carolas mais devotas a virarem o rosto para aquela que, já excomungada, pedia auxílio. Francisco sentiu pena. Não, não havia sido só pena. O desejo afrouxara sua guarda e ele cedia a cada vez que Dora molhava seu peito com lágrimas. Assim, fizeram o que ela chamou de amor e ele de alívio. A barriga não tardou a crescer e a cidade logo apontou possíveis responsáveis. Mas sendo Dora agora uma qualquer, os suspeitos e dúvidas reuniam-se como gado. Ela jurava que só com ele se deitara naquela lua e agora crescia nela o seu legado.

─ Não faria mal algum, você visitar Dorinha e o menino. Está cada vez mais parecido com você, Chico.

Aquele olhar coberto de certezas e doçura. Ana Maria sorriu como a calar um segredo que lia nos olhos do primo. Francisco tomaria sua cintura e a beijaria se não fosse ela a prometida do seu melhor amigo. Prima, tudo bem, mas trair tal amizade seria além da sua confissão. Sentiu falta do descaso que às vezes se abrigava em seu coração. Amaria a prima, talvez amasse também Dorinha. Do seu jeito bruto, de quem sabe que na manhã seguinte o lixo não deve mais pertencer à casa.

As sardas de Ana Maria faziam com que ele se lembrasse dos olhos de Dora, do tremular de cores que havia em suas íris desenhadas com capricho. Não é que não se importasse com ela, até lhe queria bem, mas o menino não lhe interessava. Parecia resultado enganoso de contas que ele não fizera. Era parecido com ele? Pois, sim! Deitara com mais da metade da cidade e nenhuma das mulheres, sendo jovens ou quase senis, arredondaram o ventre. Agora, vinha essa moça de olhos pincelados com ferrugem e pernas de jambo dizer que lhe dera um filho. Francisco julgava-se seco, estéril como a terra sob seus pés.

─ Mas se você prefere negar entrada à felicidade, que assim seja, Seu Chico.

Ele acendeu um cigarro com a intenção de afastar a prima com a fumaça que ela considerava nociva, pois encardia os seus pulmões. Ana Maria apenas afastou-se um pouco, mas continuou a fitá-lo com a sua insistente ternura.

─ Suma daqui, garota!

A voz parecia tão áspera quanto a barba que começava a lhe sombrear o rosto. Francisco lixava as palavras para que chegassem mais límpidas aos ouvidos dos dissimulados. Aninha era uma deles. Sonsa, doce, cheia de boas intenções, mas perigosamente gentil e delicada com ele.

─ Sabe que não tenho medo de você, não sabe?

Os olhos, aqueles olhos de encerrar tempestades. A cintura fina pedindo um abraço, os quadris desenhando convites noturnos. Francisco olhou a prima com firmeza como se assim pudesse apagar os pensamentos febris que lhe vinham.

─ Pois devia ouvir o que dizem por aí de mim, menina.

Ela já ouvira. Todas as lendas contando sobre o primo arruaceiro, metido a justiceiro, sempre pronto para descartar uma amizade. No entanto, para ela, o moço rude era somente Chico, seu primo. Com o tempo, seria conhecido como o velho e bom Chico. Só ele não enxergava isso, essa bondade que esperavam dele.

O jeito que Ana Maria olhava para ele, tornava as coisas confusas. Por mais que Francisco tentasse manter-se distante de qualquer sentimento de apego, a confiança da prima moldava seu caráter em minutos. Espinhentas sensações lhe vinham pela garganta. Pensou em Doralice, no menino e no rio. Se fosse fluir como a natureza lhe convidava a fazer, Francisco faria de Dora uma mulher honesta e acolheria o pequeno como seu filho.

─ E o menino, como se chama afinal?

Ana Maria sorriu, divertindo-se com a mudança súbita no semblante do homem bronco. De repente, tudo se encaminhava como Doralice havia previsto. Chico cederia, afinal.

─ Francisco como você, é claro.

Se ele fosse capaz de sorrir, teria feito isso, mas não era. A ideia da possível paternidade parecia-lhe agora um pouco mais atraente. Talvez fosse mesmo um caminho sem volta, o único caminho, afinal. Assumiria o menino como seu filho e, assim, teria Doralice em sua cama. Mais do que isso, Ana Maria também seria sua, se a quisesse de verdade. O amigo não precisava saber disso, é claro. Estava seguro de que ela se desmancharia em segundos assim que ele desse o primeiro passo em sua direção. O jeito como ela o olhava dizia tudo.

A moça brincava com a barra do seu vestido de chita, mostrando um pouco mais das pernas fornidas, esculpidas em delícias. Dora ficaria satisfeita com o resultado da sua conversa com Francisco.

Ana Maria sabia que o menino Francisco não era filho do homem à sua frente. Não podia ser por razões quase óbvias, mas isso não importava. Doralice ficaria agradecida e talvez cedesse aos seus sorrisos de menina. Amava aquela mulher desde os quinze anos e perceber a paixão de Dorinha pelo seu primo havia sido difícil, quase impossível de suportar.

Tanta mulher para pegar e se esfregar, e o idiota tinha que escolher Doralice. Mesmo sendo a razão de seus anseios e paixões, Ana sabia que a moça era mesmo uma perdida, vadia, sem classe, carregando o filho de qualquer um nos braços como um troféu. Até quando Francisco resistiria aos seus apelos de fêmea? Por isso, Ana resolveu colaborar com Dorinha e convencer o velho Chico, o bom Chico, a formar uma família feliz.

Francisco terminou o cigarro e observou a prima com novos olhos. Não tinha mesmo muito a perder. Não precisava ficar no prejuízo ao assumir uma família, pelo menos não se casaria com Doralice de graça. A família da moça, mesmo afastada, ficaria feliz por saber que ela encontrara alguém para lhe dar um nome e um teto decente. Que fosse ele, então. Nada mudaria em sua vida, talvez só sua conta bancária. Se Aninha pensava que o enganava com seu sorriso e suas pernas, cometera um grave erro. Nem todos os Franciscos são santos, nem todos os Chicos são broncos.

─ Diga à Doralice que quero falar com ela.

Ana Maria largou a barra da saia e quase pulou nos braços do primo. Conseguira, afinal. Tinha sido fácil, mais fácil do que imaginara.

O abraço dos primos aconteceu em quase solene silêncio. Francisco sentiu o coração da moça bater com força, aos pulos como o pinote de um garanhão. Por que tanta alegria? A menos que…

─ Mas o menino vai ter que me chamar de tio.

O sorriso desmanchou-se no rosto de Ana Maria por alguns segundos. Logo entendeu o que o primo dizia com as palavras e o olhar duro. Não havia ali dúvidas ou ressalvas.

─ Será como quiser, primo. ─ Disse ao estender a mão miúda para ele ─ Tio Chico?

Francisco cuspiu no chão o resto de dúvidas e nicotina, expelindo o gosto ruim dos dias passados. Deu as costas para a prima, ignorando sua mão estendida e exalando um desejo frustrado. Entre dentes, os poucos que lhe restavam, repetiu como um eco distante:

─ Tio Chico.


Conto que obteve o segundo lugar na seleção para a Coletânea V da Academia Literária do Vale do Taquari -ALIVAT -2015.

 

33 comentários em “Tio Chico – Claudia Roberta Angst

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  1. Que incrível esse conto! O jeito como vc descreve as cenas e constrói os personagens é tão bom que eu fiquei aqui, literalmente ‘vendo’ tudo se passar na minha frente. O jeitão bronco do Chico é perfeito, a maneira como Ana Maria seduz o primo para conseguir o que quer é perfeita. A surpresa se dá quando descobrimos que o interesse dela é pela outra e não pelo Chico. Todos enganando todos. Coitado do menino… rsrs Parabéns!

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  2. Oi, Claudia
    Esta historia me lembrou a quadrilha de Drummond.. João q amava Teresa…
    Chico q amava Ana que amava Doralice nao amava ninguém..
    Gostoso de acompanhar mas senti falta de algo acontecer além da conversa entre os primos.
    Parabéns pela conquista que o conto alcançou!
    Abraço

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  3. Obrigada pela leitura e pelo comentário, Kinda. Nem pensei em algo a mais que uma conversa mesmo. Sabe como é, os personagens foram me levando e ficamos por ali mesmo. Tio Chico é assim, meio paradão mesmo…rs.

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  4. Cláudia, esse conto é dos bons mesmo!!! A forma como você construiu os personagens foi estraordinária, todos ficaram tão reais que consegui quase interagir com eles. Perfeito!! Parabéns!!

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    1. Obrigada pela leitura e pelo comentário gentil, Priscila. A ideia foi surgindo assim que fui escrevendo, os personagens tomaram conta do enredo e seguiram o caminho sozinhos. 🙂

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  5. Claudia, seu texto engana, de propósito, claro. A surpresa revela-se desenhando um sorriso nos lábios de quem lê – e isso justifica o mérito da autora.
    Não estava mesmo à espera que a danada da Ana Maria estivesse a querer “dar a volta” ao primo no intuito de cair nas boas graças (e nos braços e sabe-se o quê mais) da amiga.
    Apenas senti o primo, talvez pela descrição pesada, como bastante mais velho, pois logo de início ele é descrito como alguém já bem entrado nos anos, enquanto o comportamento da prima é próprio de uma jovem. Mas existem primos com grandes diferenças de idades, talvez afirmá-lo, não viesse a despropósito neste caso.
    Fiquei na dúvida quanto a esta frase: “um abonar de cabeças”. Seria “abanar”, ou vocês usam a expressão assim no Brasil? Existem muitas nuances na forma como usamos o idioma e desconheço quase todas.
    Quanto ao resto, tudo fluiu muito naturalmente. Não senti necessidade de mais.
    Ficou muito bem. Não admira que tenha sido premiado.
    Parabéns e um abraço.

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    1. Obrigada pela leitura e pelo comentário abrangente e generoso.
      Você tem razão quanto a apresentação de Francisco. Ele parece ser mais velho do que realmente é, pelo desgaste do tempo (nem tão longo, mas pesado) e pouco cuidado consigo mesmo. Ana Maria era a prima caçulinha, nem tão jovem quanto demonstrava ser, mas com atitudes bem adolescentes. Chico já imaginei por volta dos 30 anos.
      Eu tenho mesmo essa “mania” de usar as palavras, sobretudo os verbos, com um sentido inesperado. Eu quis dizer com o abonar de cabeças que houve um acordo,algo se apresentou como bom, válido, verdadeiro; declarou-se confiável, merecedor de crédito.
      Os personagens acabaram me enganando também. 🙂 Levadinhos.

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  6. Menina, início primoroso que dita o tom da narrativa; “Seus olhos cinzentos confundiam-se com o céu coberto daquela tarde. Se alguém prestasse atenção, notaria neles o tormento de uma tempestade em formação”. A ideia do triângulo amoroso que vai se desnudando aos poucos, foi muito boa. Destaco tb. a criação dos personagens, principalmente o protagonista, foi fiel a narrativa. Parabéns. bjs.

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    1. Obrigada pela leitura e pelo comentário tão generoso. Também gostei do efeito causado pela descrição dos olhos de Francisco, comparando-os ao céu cinzento sujeito à tempestade.
      O personagem apresentou-se a mim, só tratei de tentar descrevê-lo da forma mais fiel possível. Beijo.

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  7. Admiro o jeito com que você construiu os personagens, num linguajar despretensioso e inovando nos sentidos dos vocábulos, evitando os clichês. Parabéns. Texto muito gostoso de ler!

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    1. Obrigada pelo comentário e pela leitura atenta.Procuro não complicar muito no uso das palavras, mas sempre tento dar uma nova versão do sentido empregado. O que mais me deixou contente foi que você achou o texto muito gostoso de ler. 🙂

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  8. Uma ciranda de amor não correspondido. Essa história cativa primeiro pela linguagem. Ela flui. É inteligente, de palavras escolhidas com propriedade. Cada uma exercendo sua força dentro do enredo. Depois, pelo próprio enredo, ele é simples, mas não é raso. É amplo e complexo. Não é possível sair da leitura sem construir bons e intrigantes significados. Finalmente, ela cativa pela surpresa das relações que vão se mostrando e pelas histórias de vidas que ficam saltando das entrelinhas. Parabéns.
    Grande e carinhoso abraço!

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  9. Querida Cláudia,

    Tudo bem?

    Seu conto me ganhou já na primeira frase. Eu pensei, “puxa, que lindo”.

    Gostei do conto e da história, mas o que mais me agradou foi a construção do personagem Francisco.

    Li aqui nos comentários que ele veio para a autora, que o “deixou fluir”. Isso acontece muito comigo. Muitas vezes o conto se revela para mim, inesperado, de um jeito que eu nem imaginava que seria. Parte de um personagem, de uma primeira frase, enfim.

    O ponto alto, para mim, é uma frase de um lirismo que vai além das palavras – “Nem todos os Franciscos são santos, nem todos os Chicos são broncos.” Uma construção cheia de camadas.

    Outro ponto a se destacar são os inúmeros pontos de vista da trama. O leitor é convidado a enxergar com os olhos de Francisco, mas, no final, ainda que a narrativa seja dele, enxergamos através dos olhos da prima.

    Parabéns pela bela escolha para sua estreia por aqui. Parabens também pelo prêmio. Merecido.

    Beijos

    Paula Giannini

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    1. Obrigada pelo seu comentário, Paula. Essa coisa de vários pontos de vista da trama não é proposital,mas acaba acontecendo quase sempre nos meus contos. Como sempre digo, os personagens tomam conta do jogo e eu fico ali, só recebendo suas ordens. Beijos.

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  10. Parece que temos aqui um empasse, cada um com a particularidade dos seus interesses – o mal do sabido é julgar os outros por bobo. 🤣

    Cláudia, você tem uma coisa linda no jeito de esculpir seus personagens: quando nos dá as características físicas, elas também conversam com a personalidade. Uma coisa vai moldando a outra nesse vai e vem. E o resultado não poderia ser diferente, seus personagens vão além do texto – já disse isso –, empatia desde o primeiro parágrafo. 💘

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    1. Obrigada pelo seu comentário, menina Lee.
      De fato, os três personagens tinham objetivos diferentes, mas o mesmo propósito: o poder. E o menino Chiquinho que se salve, né?
      Que bom que os personagens provocaram empatia. Isso me deixa muito orgulhosa e feliz. Beijos.

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  11. Oi Claudia,

    Que conto encantador. O destaque para mim são as mudanças de perspectiva do narrador. Você faz isso com muita categoria. Ninguém é o que parece ser no seu conto, isso foi bastante instigante. Mudaria só uma coisinha: daria dentes perfeito ao Francisco. Ele me pareceu um cara atraente, mas com dente faltando, nenhum glamour. Beijão! Parabéns!

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    1. Obrigada pelo seu comentário, Elisa.
      Como já expliquei para a Paula G. , essas mudanças de perspectiva do narrador acontecem sem que eu me dê conta disso. Acho que já virou um vício, ou parte do meu estilo, sei lá.
      Adorei saber que o conto apresentou-se instigante para você.
      Quanto aos dentes de Francisco… Olha, para mim, dentes são bem importantes. Tenho certa aflição em relação a falhas muito perceptíveis. Digamos que Francisco não era desdentado,mas que lhe faltavam alguns dentes.Ele é mais atraente pela postura e virilidade do que pela aparência. Sem nenhum glamour, mesmo.Sniff…
      Beijão.

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  12. A gente consegue enxergar os personagens de tão bem delineados. O conto é todo bom (descrições, trama, lirismo) mas o grande investimento é na profundidade dos atores. nos pensamentos de Chico, nos ardis de Ana Maria, na condução da trama que joga com as impressões que temos sobre Doralice. Nem precisava da surpresa sobre as intenções da prima, o texto já havia me ganhado, mas não estou aqui para dispensar a cobertura de doce de leite, né? Beijos.

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    1. Obrigada pelo comentário, Iolandinha. Realmente, Doralice só aparece mesmo traduzida segundo o entendimento de Francisco e Ana Maria. O que será que ela acharia da conversa desses dois, hein?
      Espero que a cobertura de doce de leite não tenha ficado pesada ou doce demais.
      Beijos.

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      1. Mas, nunca! Doce de leite é o meu doce preferido, e o docinho é quindim. Pode carcar doce de leite em cima de qualquer coisa que eu estou gostando. O seu conto não é doce, o seu conto é BOM. O doce de leite foi para não falar a cereja do bolo. E foi o que aconteceu com a surpresa. Nem precisava, mas deu um charme à mais ao conto. Cheiro. Acabei de comer uma tortinha improvisada de biscoito com banana e cobertura (adivinha de quê?) de doce de leite.

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  13. Olá! Danadinho este Francisco, hein? Nem tinha todos os dentes da boca, mas namorou que é uma beleza! A figura de um matuto foi muito bem representada por Chico, do jeitinho que é mesmo no interior, muito bom!

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    1. Obrigada pelo seu comentário, Vanessa.
      Sim, Tio Chico é um homem sedutor à sua maneira rústica,mas mesmo assim tem lá seus encantos. Virilidade sempre faz sucesso, né? Mesmo sem todos os dentes… arghhh..Isso me dá uma aflição.
      Beijos.

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  14. Ah, Não sei nem como começar. Que conto incrível!

    Eu gosto tanto desse tipo de escrita, nem sei descrever como ela é… as escolhas de palavras que você faz é impressionante, as descrições os pensamentos. Tudo é impecável, eu poderia continuar lendo por um bom tempo ainda, até gostaria de saber mais sobre esses três personagens tão peculiares e verdadeiros.

    Os diálogos a ambientação fez com que todas as cenas torna-sem nítidas na mente, dava até pra sentir o calor e o cheiro de cigarro, o sotaque e o tom da voz de cada um. Os jogo de palavras entre os dois, cada um querendo ser mais esperto que o outro. E a certeza de que estavam fazendo isso era bem clara.

    És uma escritora muito talentosa, sabe usar muito bem as palavras.

    Eu concordo com Elisa, dê dentes bons a ele, durante o texto minha mente ia e vinha do atraente para o velho sem dentes rsrs, foi difícil evitar, não dá pra sentir esse charme quando imaginamos um sorriso banguela rsrs. É só uma observação >.<

    Parabéns.

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    1. Obrigada pelo seu comentário tão generoso.
      Realmente, há uma clara disputa pelo poder nesse trio de personagens. Um querendo ser mais esperto que o outro e todos se fazendo de bobos.
      Não imagine Francisco sorrindo, porque ele não sorri, lembra? E ele não perdeu todos os dentes, só alguns. Vamos providenciar um implante para ele?
      Beijos.

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  15. Literatura é língua, são palavras e, aqui, estilo e assunto se fundem perfeitamente Um triângulo amoroso, um triângulo a procura do poder. Doralice só apareceu na conversa, mas pelo que entendi, ela pode estar enganando o Chico quanto à paternidade, para tê-lo. Toda a narrativa está orientada pelo ritmo interior no agrupamento das imagens captadas pela sensibilidade e projetadas pela sugestão. Parabéns, Cláudia, pela originalidade, pela fluidez. Essa conversa sobre dentes está me dando aflição. Em casa são três dentistas, mande o Tio Chico para cá que darão um jeito.

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    1. Obrigada pela leitura e pelo seu comentário. Doralice só é falada (em todos os sentidos), mas sabe muito bem o que quer. Também tenho aflição quanto a dentes. Tenho ainda todos os 32(incluindo os de siso) e tento cuidar bem deles. Sorriso é uma arma subestimada,não acha? 🙂

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  16. Oi, Cláudia!
    Tudo bem?
    Maravilha de conto! Gosto muito da tua escrita, é realmente brilhante, cada palavra remete a um sentimento que leva à possíveis caminhos para os conflitos criados com perfeição.
    Nossa, essa de Aninha me pegou distraída rss, quanto de humanidade nesse possível triângulo amoroso….e as surpresas com tio Chico, primeiro imaginei que fosse um sexagenário, depois concluí que ele é moço, ainda, embora “gasto” pela vida.
    Enfim, ótimo conto, parabéns pelo prêmio, muitíssimo merecido!
    Beijos

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigada pela leitura e pelo seu comentário gentil, Renata.
      Sim, a ideia era mesmo pegar o leitor distraído e surpreender com as reais intenções de Aninha. Ela surpreendeu até a mim,viu?
      Chico não é velho, mas a postura dele é de homem vivido, gasto pela vida, como você disse.
      🙂

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  17. Claudia, meus parabéns mesmo! Conto ótimo.
    Ao terminar a leitura, fiquei parada imaginando… ‘como seria essa família? Ana Maria que amava Doralice e seria até capaz de concordar com um triangulo amoroso para satisfazer sua amada, que amava chico, este não amava ninguém, mas só sendo doido pra dispensar algo que lhe daria muito prazer.
    Um abraço, querida.

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  18. A aparente inocência dos personagens (Ana e Chico) criou um clima lúdico, muito bem destroçado pelo desenrolar da trama.

    Este é um daqueles contos em que a gente curte cada palavra e torce para que não acabe.

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