Os olhos de Maria – Rose Hahn

O diagnóstico precoce, e o avanço esfomeado da doença, não desvaneceram a minha determinação e a alegria de viver. Passei dois anos enxergando manchas esbranquiçadas, enquanto seguia titubeando pelas paredes e confiante na lista de espera.  A nebulosidade do meu olhar enxergava as cores do arco-íris impressas nas recordações da mente.

Quando abri os olhos, vi um mundo desconhecido. Agora só tenho olhares para a negritude da sua alma.

 

O doutorzinho disse que a lacrimação era normal. A normalidade se esvaiu ao constatar que a vida passou a ser ausente de cores. Algo deu errado. Voltei para casa munida de um arsenal de colírios, recomendações assépticas e a promessa de que voltaria a enxergar, outra vez, o mundo colorido.

Passado um mês, continuava entregue à prostração e a vontade de chorar. Passei a sonhar com uma mulher desconhecida, era sempre a mesma cena, ela, em súplicas, chamando por alguém. Noite passada, ouvi o nome de Maria.

Retornei ao médico. Ele jogou a toalha. Coçou os parcos fios de cabelo, franziu o cenho. Cogitou do meu retorno à lista de espera. Falou em rejeição. Algo dentro de mim rejeitava essa possibilidade.

Peguei um táxi na saída do consultório, desci do carro irritada com a ventania. O vento do outono resgatou-me dos pensamentos maus. Já não me conhecia. O redemoinho de folhas na calçada avançou em labaredas sobre mim, e então escutei de novo: Maria.

Depois de seis meses, recebi alta do tratamento e segui na letargia de um mundo preto e branco. Afastei-me dos amigos, passei a levar uma vida reclusa − casa-trabalho-psicólogo. Mãezinha ansiava pelo retorno da sua menina sorridente, e tudo o que eu desejava ver, eram seus olhos azulados de alegria.

Em mais um dia cor de chumbo, acordei com a gastrite a um passo da promoção para tornar-se úlcera. A acidez da raiva impulsionou-me a tomar uma atitude.

Detesto homem pegajoso, porém enfiei o orgulho goela abaixo junto com o café com leite na cafeteria do hospital. O gerente da administração hospitalar babava diante das minhas lamúrias saltando do peito na blusa decotada.

Bem que tentei ceder aos seus cortejos, contudo a sua boca recheada de gengivas em caixa alta me dava asco. Incrível como as paixões suplantam a ética. Ele investigou nos arquivos do hospital, cruzou informações. Havia na ficha a informação expressa da família para manter sigilo sobre os dados do doador. Não precisei de mais nenhuma confirmação. Era ela, Maria Eugênia.

Jurei ao amigo que não procuraria a família e de que sairíamos para uns drinques, no inferno, dada a ojeriza em fazer agradinhos naquele corpo humano. O grau elevado de autismo pela mulher dos sonhos, não permitiram dimensionar as prováveis consequências negativas ao amigo-carrapicho.

 

Mãezinha bufou, bateu o pé, esticou o beiço para eu não ir.

− Mãezinha, já sou mulher feita.

− Mulher nunca se faz.

− Tu tá falando dos homens.

− Também.

Ela insistiu para ir junto, neguei. O seu excesso de zelo atrapalharia a empreitada. Desobedeci as ordens médicas para não dirigir. A avenida estava apinhada de automóveis nervosos e pedestres idem. O semáforo amarelou. Parar ou seguir? Segui o fluxo com a embreagem tremendo e a testa ensopada de suor.

Cheguei à cidadezinha, distante 100 quilômetros da metrópole, antes das dez da manhã. O lugar tinha cara de cidade-clichê do interior: uma avenida principal, ladeada por uma praça, em frente à igreja guardadora de todos os segredos das bocas ociosas que circulam na praça.

Entrei no bar da esquina, desses onde vendem pastel dormido e café requentado. Pedi um café e puxei prosa com o senhor do balcão. Perguntei sobre Maria Eugênia, falecida de câncer no início do ano.

O homem disse não saber de nada, com cara de quem sabia. Retorceu o canto da boca, se entregou. Uma mulher sentada num canto do bar, mastigando um pastel dormido, acordou com a conversa.

− Cê tem modos de moça da capital – disse a mulher do pastel.

− Sou sim, senhora.

− Tá fazendo o quê nesse fim de mundo?

− Preciso saber da história de Maria.

A mulher e o vendedor sem sorrisos trocaram olhares espremidos, em preto e branco.

− Era a mulher do inspetor, o da polícia.

− Não te mete nisso ­– ordenou o homem do balcão à mulher com os dedos encharcados de óleo de soja.

Agradeci a informação e saí do boteco, decidida a encontrar a delegacia de polícia. A senhora do bar alcançou-me na calçada esburacada.

− Moça, vou te dar um conselho, esquece isso.

− Por quê?

− Não se mete com esse homem. É melhor deixar o passado no lugar dele, pra não assombrar a sua vida.

− Já tá assombrando.

Não foi preciso perguntar o endereço da delegacia, tinha uma placa incolor apontando ao final da rua, atrás da igreja. Segui a passos firmes ruminando a conversa com a mulher do bar.

O escrivão me atendeu e apontou a sala do inspetor. Bati na porta e entrei. Apresentei-me e disse ser a receptora da doação. O homem fechou a cara. Encarou o meu olhar com indiferença, como se nunca o tivesse visto. Segurei a lágrima que não era minha, era de Maria.

− Vim agradecer.

− Tá agradecido.

− Por que fez isso?

− Foi um pedido dela. Vida ruim não precisa de olhos pra ver a morte. Já tá visto.

Senti uma punhalada no coração; cada vez mais, incorporava as dores de Maria.

− Vou processar o hospital, pedi pra não revelarem os dados do doador.

− O hospital não tem responsabilidade nenhuma. Talvez o senhor não acredite, mas…hu-hum…sonho com ela todos as noites, me disse em sonho o nome dela e onde morava. – Rezei para ele não perceber a face ruborizada, detesto mentir.

A indiferença do homem deu lugar ao mal-estar. Ele sentou, arqueou as sobrancelhas, enxugou o suor escorrido no rosto. Estendi a visão até o porta-retratos na mesa; vi o homem bronco abraçado numa mulher de dentes alvos esbanjando estrogênio. Tive certeza de que não era Maria.

− Quem é você? – perguntou o homem.

− Sou amiga de Maria.

− Ela não tinha amigos.

− Agora tem.

Fui embora da delegacia com a confirmação de que havia angu-de-caroço naquela história. Fiz o caminho de volta até o boteco. Bingo! A mulher do pastel continuava no mesmo lugar, era a esposa do dono.  O dono era o vendedor sem sorrisos.

Por sorte, ele havia saído. Insisti com a dona. A mulher me pegou pelo braço, puxou-me para um canto da cozinha, e disse para ir procurar o homem da cabana. Só isso. Tentei argumentar, perguntei onde ficava a cabana. Ela me disse “não te falei nada, vai”.

Segui em direção a outro comércio, tive a sensação de alguém estar me seguindo. Perguntei pela cabana, recebi caras e bocas de reprovação. Uma alma gentil me ensinou o caminho. Fui de carro, peguei a estradinha de chão batido, a mesma de acesso ao cemitério. Não rezava mais desde a cirurgia; no caminho, rezei por Maria. Encontrei a cabana encravada na encosta do morro. Bati palmas. Ninguém. Ondas de calafrio subiram pela espinha, ouvi barulhos no meio da mata.

A porta rangente se abriu. Um homem, de uns cinquenta e poucos anos, de testa vincada, apareceu na porta. Quando o vi, o coração bateu em solavancos; ele ficou ali parado me olhando, como se já me conhecesse. A voz empacou, a dele também. Ele desengasgou primeiro:

− Moça, vá embora, é perigoso estar comigo.

− Não vou embora enquanto o senhor não me contar a história de Maria.

− É pro jornal? Suma daqui, tô cansado de vocês.

− Recebi os olhos dela, preciso saber da vida e da morte dessa mulher.

Falei a palavra mágica, o semblante do homem cansado se desanuviou, convidou-me para entrar. A negligência dele para consigo mesmo estava exposta nas feridas abertas da sujeira espalhada na cabana. Nessas horas é melhor não enxergar as cores da tristeza.

− Por favor, fale logo, preciso ir embora ainda hoje − supliquei.

− Nós dois nos apaixonamos, esta cabana era o nosso paraíso. Não se assuste moça, naqueles tempos não era assim bagunçado. Um vendaval derrubou os nossos planos – disse o homem antes de fugir para algum lugar dentro dele.

− Senhor, continue…

Ele retomou o fôlego.

− O marido era um boçal, batia nela – falou enrugando ainda mais o rosto vincado – planejamos fugir, ele descobriu o nosso caso, no dia da fuga apareceu aqui armado. Discutimos, trocamos empurrões e depois não me lembro de mais nada. Quando acordei, estava no chão com um revólver na mão, o corno deitado, berrando de dor, com a perna ensanguentada. Maria estava em pé, olho vidrado, em estado de choque.

− Atirou nele?

− Vontade não faltava, não sei se peguei a arma dele na briga, acho que armaram pra mim. Nunca vou saber. A polícia me levou, fui condenado a quinze anos, sem direito à apelação, um absurdo, o desgraçado nem morreu.  Ela nunca me procurou, nenhuma visita, telefonema, podia ter mandado algum recado, nada. Ela viu se atirei ou não, podia testemunhar a meu favor, não fez nada. Acho que atirei mesmo, Maria deve ter me culpado porque estraguei tudo.

À medida que a narrativa avançava, o estômago embrulhava, sentia dificuldades de respirar, estava difícil manter a atenção, a tontura provocava náuseas.

− Quando saí da cadeia soube que estava muito doente, morreu no mês seguinte. Não me perdoei pela mágoa que sentia dela. Agora a visito todos os dias, mas o maldito mandou arrancar os seus olhos pra ela não me ver mais.

A vertigem veio do abdômen e subiu em cascatas até o alto da cabeça, massas de ar quente e frio se fundiram como um ciclone à minha volta, rodopiei nos pés sem sair do lugar e sem desmanchar um fio sequer do cabelo castanho-claro-chapado. Segurei firme na mão dele, falei num sussurro emocionado:

− João, eu te vejo ….

Ele olhou extasiado dentro dos meus olhos e viu, na íris esverdeada, o marido de Maria empurrá-lo contra a janela e um capanga do lado de fora dar uma coronhada na sua cabeça. Ele se viu desmaiado no chão enquanto o sujeito alcançava uma espingarda de chumbinho e uma bolsa de sangue para o patrão. Enxergou a surra de cinta em Maria, até o seu couro sangrar, e a ameaça de mandar matar o amante, caso ela abrisse o bico ou fosse visitá-lo na cadeia. Viu o corpo de Maria apodrecendo no leito do hospital, chamando por ele, enquanto os olhos resistiam à dor e a solidão.

João caiu de joelhos aos meus pés, libertou o pranto trancafiado no coração. Enlacei-o num abraço e de mim também verteu uma enxurrada de lágrimas, num misto de compaixão e perplexidade.

Recompomo-nos; sorrisos miúdos, gratidão, abraços. O cuidar de pessoas estava impresso no meu DNA, fazia parte do ofício na área da saúde, porém nada se comparava ao resgate da alma daquele homem. O que eu não sabia, era que também estava sendo resgatada.

Perguntei a João o que ele faria com a revelação. Ele me disse que nada, pois a lei estava sempre do lado dos mais fortes, e ter a sua Maria de volta, já lhe bastava. Apressei-me em sair dali, permanecia a sensação desagradável de alguém na mata.

Entrei no carro, engatei o caminho de volta, peguei-me assobiando uma canção. Na estrada, colhi flores, parei no cemitério, precisava cumprir a última etapa da missão.

Não foi difícil encontrar a sua morada, o mármore ostentação denunciava a necessidade de remissão dos pecados do marido algoz. Reconheci os olhos opacos na foto amarelada. Chorei. Quanta dor naquele olhar.

Rezei baixinho: “Agora te vejo com os teus olhos para que você possa se ver”.

Neste instante, uma borboleta pousou no túmulo, sugou o néctar da florzinha, alçou voo, e então testemunhei o renascimento do inseto alado por meio da metamorfose de suas asas, de um insosso cinzento para um azul majestoso. Arregalei os olhos, gritei de emoção. Vi as letras douradas na lápide de Maria, e as flores multicoloridas, e a terra vermelha, e o céu azul claro se despedindo no poente. Eu vi as cores do mundo.

Sim, agora nós vemos. Descanse em paz, Maria.

 

33 comentários em “Os olhos de Maria – Rose Hahn

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  1. Querida Rose,

    Tudo bem?

    Renascer através do olhar. Uma bela escolha.

    Existe uma teoria, não sei se pode-se chamar isso de teoria, sobre o transplantado e o doador. Uma espécie de memória celular, restaria no órgão doado e o receptor, obviamente, receberia tal carga e poderia até sentí-la, lembrando de sua “vida anterior”. Uma premissa que me atrai muito, talvez pelo fato de eu ser casada com um transplantado de córnea, talvez pelo fat de eu adorar os mistérios do imponderável.

    Meu marido, após o transplante diz ter-se modificado. A enfermeira nos contou, sem querer, que a córnea era de uma moça jovem e, talvez por isso, talvez pela dita memória celular, talvez por algum mistério espiritual, ele diz possuir um certo olhar feminino.

    Quanto ao conto, gostei muito da história que me prendeu do inicio ao fim. Quando a trama tem início, não imaginamos que se tornará uma bela narrativa de amor e mistério. Mas o texto tem muitos outros ingredientes, como o fantástico por exemplo.

    Parabéns.

    Beijos

    Paula Giannini

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  2. Paula, obrigada pela leitura atenta, onde eu imaginaria que haveria no grupo alguém com essa experiência, realmente esse grupo é fantástico! Bjs.

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  3. Olá! Este conto, para mim, é muito bom. Bem narrado, construído. A trama muito me agrada, como adoro um suspense, me fixei a leitura até acabá-la. O fim, muito belo e profundo.
    O conto me lembrou um filme que eu adoro, chamado The Eye (O Olho do Mal- em português), que gira em torno de uma trama parecida e com um final maravilhoso também.
    Só o que posso dizer é isto, adorei muito, sem acrescentar e nem tirar nada!

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  4. Amei o conto. O movimento, as palavras, o ritmo. E gostei do tema. Minha irmã, porque ela é espírita, talvez teria muita coisa para falar sobre Maria, sobre o sonho, sobre esse sentimento de estar presente com o outro. Acho que tudo é tão crível! Mas renascer através da generosidade de outro é uma benção. Apontou algo muito nobre. Obrigada. Grande abraço!

    Curtido por 1 pessoa

  5. Olá Rose. Gostei muito do seu conto,particularmente a partir do momento em que a protagonista parte para a cidade-clichê, pois até esse momento tive alguma dificuldade em apanhar a sequência duns parágrafos para os seguintes. Poupou no início para conseguir não exceder as 2000 palavras, imagino. A partir daí, a história desenrola-se maravilhosamente aos olhos do leitor, surpresa após surpresa, até um final luxuriante de cor e criatividade. Maria renascida e a protagonista renascendo para a alegria de ver/viver. Parabéns. Um beijo.

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  6. Obrigada Ana pela leitura atenta e perspicaz. Realmente tive que rebolar, literalmente, para me encaixar nas 2000 palavras, tanto que passou um pouquinho. O seu comentário é muito pertinente, e foi mesmo a minha dificuldade em encaixar as cenas na 1a parte do conto, tive que cortar muito. Reli o conto, vou dar uma invertida na frase que ela sai do médico e pega o táxi para melhor coesão e fluidez na leitura. Bjs

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  7. Olá Roselaine! Seu texto agrega à história de amor o realismo fantástico, o que chama a atenção. Usando de criatividade, vc mescla a ternura do casal apaixonado pela amargura do desenlace infeliz entre os amantes. Só chamo a atenção para a mistura de dois registros no texto: O formal (com palavras como ladeada, apinhada, vincado, desvaneceram, esvaiu etc) com o coloquial (com palavras como espraguejando, tentei dar pra ele, caras e bocas, matutando o diacho, puxei prosa, chispei, etc). Mesmo que a voz dos personagens sejam informais, o corpo do texto deve manter a unidade. Fora isso, perfeito!

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  8. Werneck, obrigada pela leitura atenta e pelas considerações, revisarei o texto de acordo com as suas dicas. Super valeu! Abçs.

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  9. Oi, Rose!
    A história é boa mas… acho que ela precisava ser maior! Porque toda esta situação envolve um drama, uma tensão, uma série de descobrimentos e sentimentos que eu acho que merecem maior espaço. Senti que foi tudo muito rápido.
    Eu, de você, desenvolveria esta novela ae! ehehe
    Embora o tema seja um clichê, realmente ele mexe com nossas imaginações e daqueles q são transplantados, talvez inclusive mexa a nível celular,não é mesmo? vai saber…
    Abração

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  10. Método TFI – Trama – Fluidez – Impacto

    Trama: História bonita sobre transplante com pinceladas espíritas, resgate do passado, e o renascimento através da libertação das cores, em um mundo em preto e branco. O conto nos instiga a continuar, compramos a ideia e seguimos com a protagonista pela estrada em busca de Maria e seus mistérios. Achei muito bem escrito. Um fluxo de pensamentos que não aborrece, mas conquista, faz a gente gostar da moça e querer que ele volte a enxergar colorido.

    Fluidez: Sem problemas ou entraves. A história conquista com seus mistérios.

    Impacto: Muito bom. O final coroa com chave de ouro um conto que está sempre em alto nível.

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  11. Kinda, Iolandinha, obrigada pela leitura e comentários gentis. Concordo com você Anorkinda, tanto que a história era bem maior, tive que cortar e cortar, e olha que passou das 2000 palavras. De qualquer forma, merece uma revisão para ver o que pode ser suprimido, para agregar mais sentimentos e drama. Valeu meninas! bjs.

    Curtido por 2 pessoas

  12. O mundo cresce para quem sabe ver melhor. A descoberta de outros ângulos sempre acrescentam. A trama traz duas histórias que se cruzam, surpreendentes e curiosas. Gostei da ideia e da construção, além da realidade narrativa , é despertado um estado de espírito que se alimenta pelo ritmo interior no agrupamento das imagens captadas pela sensibilidade e projetadas pela sugestão.

    Parabéns pela conto tão lindo! Abraços.

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  13. Oi Rose,

    O tipo de conto que gosto de ler. O estilo de narrar, em que a trama vai ganhando intensidade ao longo dos parágrafos, se revelando aos poucos, é o mais efetivo em capturar minha atenção e no caso do seu conto funcionou muitíssimo bem.
    O enredo está muito bem organizado e o final ficou primoroso. Parabéns!

    Notei que nos diálogos ocorre um coloquialismo em algumas falas, não em todas. Minha sugestão seria uniformizar esse registro ou para a fala de alguns personagens ou no texto como um todo.

    É isso, garota. Parabéns pelo trabalho. Beijo grande.

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  14. Fheluany e Melisa, grata pela leitura e comentários amáveis, e agradeço a sugestão Melisa, uniformizarei sim. abçs.

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  15. Muito Bom! O conto prende a atenção do começo ao fim. A habilidade com as palavras e imageno é notável. Uma história com seus mistérios, encontros e desencontros, tudo entrelaçado com poesia. Lindo final. Parabéns!

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  16. Oi, Rose.

    Uma história que realmente precisaria de mais pra se encaixar melhor nos acontecimentos. E digo isso porque é uma dificuldade minha, minhas histórias sempre pedem pra ser uma novela ou mesmo um romance, eu que as obrigo virar um conto, e nisso ela se perde no meu do caminho. No seu caso, acho que vc conseguiu segurar bem isso, apesar de ficar bem nítido alguns cortes, ou mesmo necessitar de mais explicações, o texto ficou redondo.

    Mas falando da história em si, também lembrei de algumas outras com essa mesma temática, mas conseguiu ser original em alguns pontos, o breve resumo deu um deslumbre nítido de como foi a história de Maria, do marido ruim e do amante. Mesmo que não tenha sido escrito da pra imaginar muito bem o antes e como ele chegou até o fatídico dia que deveria ter sido a liberdade dos dois.

    Gostei da sua escrita e das belas descrições, o final amarrou bem o texto, a cena foi bonita.

    Parabéns.

    Curtido por 1 pessoa

  17. Olá Rose, eu demorei pra entender que ela não enxergava as cores. Pensei que ela estivesse cega. Eu gostaria de saber melhor qual era o problema dela. Essa estória merecia mais do que 2 mil palavras. Eu achei bem interessante o rumo que as coisas foram tomando e gostei do verbo nascer sendo utilizado para um homem receber redenção, uma mulher morta receber a paz e a protagonista recobrar as cores da vida. Parabéns!!

    Curtido por 1 pessoa

  18. Oie, Rose!

    Gosto de contos que flertam com o insólito. Essas pinceladas sutis deram um sentido maior a trama.

    Olha, no início, senti a necessidade de uma melhor ligação entre os parágrafos, o que pode ser apenas uma necessidade minha, e não propriamente a ausência deles.

    Achei bacana o cruzamento de dramas distintos. O fechamento foi maravilhoso, porque eu já tinha até esquecido que ela só estava enxergando em preto e branco. Aí você traz isso novamente, dando cor, leveza e emoção ao texto.

    Curtido por 1 pessoa

  19. Ola´amanda, Priscila e Lee,obrigada pelos comentários atentos, realmente a história era maior, encolhi o que deu, tentei não quebrar a coesão. Priscila ela fez transplante de córneas, por isso perdeu a capacidade de enxergar o mundo colorido. Bjs.

    Curtido por 1 pessoa

  20. Olá Colega,

    O estilo, extremamente feminino e moderno ficou bacana. Costumo escolher uma frase que mais me agrada, mas aqui está difícil, são muitas. Mas esta é um exemplo da profundidade alcançada pela autora, em mostrar o quanto a visão é importante para a personagem: “Bem que tentei ceder aos seus cortejos, contudo a sua boca recheada de gengivas em caixa alta me dava asco.”

    Sugestão:

    Enxugar um conto é difícil. É como cortar na carne. Eu prefiro arrancar logo o braço a ficar arrancando os dedos aos poucos. Você priorizou cortar palavras e não parágrafos ou frases desnecessários para a trama. O que prejudicou um pouco o começo do conto com frases fixas. A partir do meio se torna maravilhoso. Só a título de exemplo, a trama não depende desta frase e você teria mais espaço para conquistar o leitor de primeira e explorar mais este talento para retratar:

    “Voltei para casa MUNIDA DE UM ARSENAL DE COLÍRIOS, RECOMENDAÇÕES ASSÉPTICAS E a promessa de que voltaria a enxergar, outra vez, o mundo colorido.”

    Tiraria tudo ou o que está em maiúsculas poderia ser substituído por COM. Eu costumo ler meu conto e se alguma frase não diz a que veio é degolada. Fica a dica.

    Curtido por 1 pessoa

  21. Socorro, é um conto melhor do que o outro!
    Mas que bela história, que boa ideia.
    Teu conto é super bem conduzido, Rose, é cheio de metáforas e personificações que encantam e poetizam.
    A leitura é fluida, a história prende e o enredo é muito original.

    Destaco:
    “Rezei baixinho: “Agora te vejo com os teus olhos para que você possa se ver”.

    Extremamente sensível! Parabéns.

    Curtido por 1 pessoa

  22. Olá, doce Roselaine!
    Boa noite.
    Eis aqui um conto que me levou às lágrimas….um conto que fala de nascimento, morte, renascimento – crime e castigo, perdão e redenção.
    A mediunidade da protagonista/receptora, ou mesmo a proável memória genética presente nas córneas de Maria Eugênia, e todo o caminho de amor e entrega, os passos para que os olhos de Maria não se perdessem (inclusive literalmente, e não sem razão), são fruto de uma coincidência escrita por alguém que não sabemos quem, nem por quê (bm, o conto eu sei, é da Rose).
    Magnífico desfecho para um conto de suspense e que tem potencial para um romance.
    Eu acredito muito na memória genética, se herdamos tanto em nosso DNA, por que não seria assim em casos de doação?
    além disso, muito bem escrito, denso e envolvente.
    Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

  23. Oi Renata, tb. fiquei mt emocionada com o seu comentário, daquelas que dá vontade de correr pro teclado e continuar escrevendo. Vc tem razão, está tudo na nossa memória genética, principalmente a cura das nossas dores, precisamos aprender a acessar essas memórias. E te digo que é bem acessível. Tiver um tempinho, e se o tema te interessar, leia sobre Terapia Transgeracional da Dra. Eleanor Luzes. Bjs

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  24. Um conto que emociona, leitura fácil sem nenhum entrave. Gostei muito. Apenas fiquei boiando em ela achar que está sendo vigiada, deixou-me a sensação de que ela estava sendo seguida pelo inspetor e isso seria válido se tivesse um desenrolar de um drama, tipo o inspetor querer matá-la para sumir com provas. Como você não desenvolveu isso (e não fez nenhuma falta no conto) talvez fosse melhor arrancar essa parte. Mas isso é só minha opinião, longe de mim querer meter o nariz na sua escrita.
    Parabéns pelo belo texto.

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    1. Oi Neusa, obrigada pela leitura e comentários atentos. Aceito sim que meta o nariz, faz sentido as suas observações. Tb pensei nisso durante o desenvolver da trama, mas por fim achei importante manter, já que ela deu a entender ao inspetor que sabia da vida de Maria, então ficou o suspense dele estar vigiando ela, ainda mais pelo fato dela ter procurado o homem da cabana. Ficou o suspense, pois achei que ficaria estranho o inspetor ignorar os passos dela na cidade. Abçs.

      Curtido por 1 pessoa

  25. Oi Catarina, obrigada pela leitura atenta e recomendações, farei os cortes necessários com precisão cirúrgica. Abçs.

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  26. Poxa, Roselaine! Seu conto é muito tocante e consegue a façanha de ser sensível e não soar piegas. Parabéns! Gostei da aura mística que você deu ao texto e das sentenças que você criou :
    A nebulosidade do meu olhar enxergava as cores do arco-íris impressas nas recordações da mente.
    A normalidade se esvaiu ao constatar que a vida passou a ser ausente de cores.
    Um ótimo recurso para ajudar a repassar sentimentos.
    Aqui eu achei que o conto pedia um pouco mais de explicação, porque as coisas passaram rápido (quando a receptora das córneas foi até a cidade para buscar explicação). Um nascer, ou renascer muito tocante.
    Um abraço!

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  27. Obrigada MaSantino pela leitura e comentários amáveis. Concordo com vc,, o início pedia mais informações, mas espremi ao máximo para qtd. de palavras do blog. bjs.

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