O Espeleólogo – Paula Giannini

(de Paula Giannini)

Quando crescesse, queria ser espeleólogo, como o avô, um rapaz de apenas 38 anos. Jovem demais para ser avô. Velho demais para ser considerado um jovem. Sempre suado, visivelmente exausto, mas disposto a contar o seu dia ao neto, com um estudado sorriso e pormenores dignos da mais emocionante aventura. Assim havia sido a sua jornada de trabalho, escavara em busca de tesouros e embrenhara-se em obscuras cavernas. Sempre iluminando os buracos com a inseparável lanterninha de cabeça, igual à que dera ao menino quando este completara dez anos.

– Agora você já é quase um homem.

E descansava sua carrocinha de espeleologista na porta da pequena casa. Para o avô, um local provisório, de onde, assim que a vida permitisse, tiraria sua família. Para o garoto, um castelo, com seu portal adornado com imagens aladas e figuras de longas orelhas esculpidas em pedra.

Coisa para gente muito rica.

Coisa para os heróis.

E o avô-herói retirava maravilhas do carrinho. Latinhas, anéis, medalhas com fotos de reis e rainhas, e dentes de ouro de antigos sábios que passaram por aquela terra em um tempo em que as cavernas ainda eram habitadas pelos homens da pré-história. E roupas, e sobras de comidas já provadas pelos ancestrais, e até, uma vez, um sapato que coube bem certinho em seu pé.

– Está furado, vovô…

– Estas coisas contam a história dos antigos. Você tem que usá-las com respeito. – Dissera, com os olhos cheios de lágrimas.

E o pequeno acreditou no poder de tal calçado, pois nunca vira o pai de sua mãe chorar. E, para falar a verdade, nunca, nunquinha mesmo, calçara nesta vida, um único sapato. Estava mesmo virando um homem.

***

Quando morresse, queria que o neto lembrasse dele com orgulho. Era o que dizia aos companheiros, enquanto enfiava a pá no buraco a ser aberto, com a pressa e o vigor que só aqueles que sabem que não há tempo a perder com o passado conseguem fazer.

Coisas mortas.

Era com isso, no final das contas, que trabalhava. Recolhia cuidadosamente relíquias deixadas para trás. Limpava-as uma a uma, e separava o que iria vender, daquilo que iria “catalogar”. Era assim que dizia, do que ia guardar para si e para os seus.

Os amigos riam alto, entre um gole e outro de uma cerveja artesanal fabricada ali mesmo, sob as ruínas. E, debochando das loucuras de tão precoce avô, contabilizavam o lucro que tirariam com os miúdos, que era como chamavam aquelas quinquilharias. Ninharias esquecidas, como se faz, aos poucos, com aqueles que já se foram. Os antigos donos daquelas coisas. E a soma do todo, invariavelmente, resultava em nada. Ou quase isso.

– É o que se tem para hoje. – Bradavam, arrotando cevada azeda e, espantando as moscas que teimavam em não os deixar em paz, preparavam-se para “levantar acampamento”.  As patroas os esperavam em casa.

Casa.

Não o lar idealizado por aquele jovem senhor para o filho de sua filha.

Mas o real.

Estruturas armadas dentro de jazigos, camas montadas ao lado de túmulos e caixões e pequenos fogareiros, improvisando cozinhas, dentro das campas onde se guardavam os defuntos. Para alguns, aqueles que haviam chegado mais recentemente, as gavetas eram o único refúgio que sobrava. O cemitério de Thmor San estava superlotado. Era o que tinham para hoje.

– Mas não para o amanhã.

***

O menino abriu os olhos.

O campo-santo estava especialmente silencioso.

Era hoje.

A única ocasião em que os antepassados eram lembrados. Durante os próximos quinze dias, todos os ocupantes da invasão tratariam de “virar fantasmas”.

E desapareceriam.

Virariam pó, imiscuídos, talvez, às centenas de peregrinos que ocupariam o local. Era finados, o primeiro dia da peregrinação do Pchum Ben. Dia de louvar, ofertando comida e pequenos regalos às almas dos falecidos em todo o país. Dia de pavor para as famílias que viviam ali, ao lado dos cadáveres. Também elas esquecidas. Mas teimando em tocar a vida em frente, como se uma espécie de mortos já não fossem.

– Às vezes, viver com os fantasmas é melhor do que viver com as pessoas. – Sussurrava-se à boca pequena.

Não que a cerimônia em si guardasse algo de violência ou perigo. Ao contrário. O festival era uma oportunidade para júbilo e redenção. Uma forma de, através de oferendas, aliviar um pouco o peso dos pecados, carregados com sacrifício, por aqueles que já se foram. Mas, para os habitantes da necrópole, a paz, ao menos durante o “Festival dos Fantasmas Famintos”, era inversamente proporcional àquela com a qual os falecidos eram abençoados.

Abriam covas, estrategicamente posicionadas sob seus lares, e ali guardavam seus pertences. Sob as tumbas. Não que as autoridades locais não soubessem deles. O Governo do Camboja tinha pleno conhecimento das centenas de famílias obrigadas a morar no cemitério. Mas faziam vista grossa, como se faz para tudo que é “invisível”. O problema mesmo eram os parentes dos verdadeiros donos daquelas catacumbas. Ninguém queria confusão com eles. Ninguém queria perder a única dignidade a que se acreditava ainda ter direito.

Tinham medo.

Mas não o meninote.

Para ele, esse era o dia do herói. A festa em que se homenageava o grande espeleólogo conquistador. O maior que jamais houvera, o mais corajoso, o mais forte. Dia de brincar de esconde-esconde e de espiar, por um buraquinho, a beleza dos touros coloridos, enfeitados com flores e perfumados com incensos só para render homenagens a seu avô.

Quando crescesse, queria compartilhar da alegria dos adultos. E também ele, já não mais menino, dançaria e cantaria ao lado dos monges. E na porta de sua casa, também seriam depositados presentes, e muitos potinhos com bolinhos de arroz e borboletas coloridas. O pequeno sonhava alto.

***

O jovem senhor abriu os olhos.

Era hora de sacudir a poeira e sair da toca.

Percorreu o campanário.

Entre as baixas da quinzena de festejos, a senhora sua vizinha perdera seu refúgio. Recusando-se a se esconder, não percebeu quando o filho da finada que ali jazia chegou escoltado e, armando a maior confusão, instalou grades, lacrando aquilo que chamou de profanação ao sagrado descanso de sua mãezinha. A polícia devolveu os pertences da ocupante. Talvez temendo a fúria dos fantasmas ou, quem sabe, tocados de alguma forma pelo espírito das comemorações, jogaram tudo em frente ao portão do ossuário. Uma panela, duas camisetas e um copo que lhe servia de penico. Recusava-se a fazer as necessidades no chão. Era uma mulher decente.

Os demais estavam bem.

Acostumados ao constrangimento anual.

Podiam sair aos poucos de seus abrigos e respirar aliviados. Ao menos ainda tinham, de uma forma ou de outra, direito a um teto. E pelo resto da semana, teriam comida. E de sobra.

Finalmente, o Pchum Ben terminara. Agora era a hora da festa dos esquecidos.

***

O menino foi o primeiro a sair.

Pulando e puxando o avô pela manga da camisa, não queria perder um segundo sequer. Era hora de recolher os presentes deixados pelo povo. Bolinhas de arroz, bananas, frutas, macarrão colorido. Pratinhos variados com as mais doces iguarias. Batatas. Velas que serviriam para iluminar os cubículos por muitas noites. E, entre todos os brindes, o preferido do rapazinho, refrigerante cor-de-rosa, que pintava a língua de quem o provava.

Os vizinhos falavam alto. Cantavam. Chamavam-se uns aos outros, para ver as excentricidades multicolores recolhidas nas portas de suas casas-túmulo. Para os adultos, até cigarros. Muitos. E objetos que renderiam bem demais como moeda de troca, quando toda aquela comilança terminasse e as cores do cotidiano voltassem ao habitual ocre e negro da necrópole.

E nesse dia, o espeleólogo dava-se ao luxo de relaxar, baixar a guarda e suspirar aliviado.

– Mesmo em meio à morte, podemos encontrar vida… – Dizia aos companheiros que, francamente, acreditavam que o amigo era completamente lunático. Um visionário sem reparação.

Mas não era.

Fazia o neto sonhar.

E, dessa forma, também ele, avô, sentia-se no direito de crer que um dia as coisas poderiam melhorar.

***

A brincadeira ainda corria solta quando o dia terminava. Demarcando a lápide com giz, uma das meninas desenhava o enforcado aos poucos. Primeiro um braço, a perna, e uma cabeça, no laço, para quem não conseguisse adivinhar a palavra. Poucos sabiam ler. Mas se divertiam com a brincadeira, cuspindo coisas desconexas e sem sentido.

– C-A-V-E-I-R-A. – O menino acertara o enigma. Agora era a sua vez.

– Pode dar uma pista?

– Vou escrever aqui a profissão mais bonita do mundo.

– Espeólogo?

Todos riram. Tentando falar difícil, o menorzinho do grupo errara a palavra charada.

– Não. Coveiro.

Sentou-se no chão e, baixando os olhos para encarar os sapatos que começavam a apertar, sussurrou aos outros o que não queria que nenhum adulto escutasse.

Quando crescesse, queria, mais que tudo nessa vida, ser coveiro.

– Igualzinho ao meu avô.

***

*Este texto faz parte do livro Pequenas Mortes Cotidianas e já foi publicado inicialmente no desafio do site EntreContos.

30 comentários em “O Espeleólogo – Paula Giannini

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  1. Indaguei a você, Paula, sobre o título do conto, no EC. A resposta: “Sobre a profissão do avô, ele era coveiro, mas “vendia” a ideia de espeleólogo (alguém que trabalha com cavernas, no fim das contas buracos, como os do cemitério) para que o pequeno sonhasse e tivesse esperança em um futuro melhor.” e mais as frases do conto: “Agora você já é quase um homem” e “O pequeno sonhava alto” justificam a sua escolha dele para este projeto, esta etapa.

    Se a trama amplia nossos horizontes, a narrativa amplia nossa sensibilidade, incentiva a ver o mundo por um ângulo diferente, expande nossa visão sobre a vida. Parabéns, Paula! Beijos.

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  2. Paula… Sempre uma ótima leitura vinda de você. Esse texto é fluído, tem uma leveza que nos carrega até o fim e nos mostra que precisamos, sim, mudar nosso ângulo de ver o mundo. É preciso, porque o mundo gira e se não nos atermos em olhá-lo de outras maneiras, ele nos arrasta para o fim, sem podermos apreciar o que é mais bonito nele.
    Parabéns!
    Um grande e carinhoso abraço!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Seu conto me lembrou um filme italiano que muita gente conhece chamado A Vida é Bela, porque nele, assim como no seu conto, um adulto cria uma fantasia agradável para tornar melhor a vida de uma criança. No caso do filme o pai faz o filho crer que morar num campo de concentração não é tão terrível como de fato era, e no seu conto, o truque é fazer o garotinho não perceber a vida tão miserável que todos têm, e que seu avô é um saqueador de cemitérios. Aliás, amiga. Parabéns pela cuidadosa pesquisa que vc deve ter feito sobre a vida destas famílias cambojanas, e sobre as tradições do lugar. Não sabia de nada destas coisas. A gente acaba se alheando daquilo que não é nosso interesse imediato, tendo a vida tanta coisa para nos mostrar.O texto é muito detalhado e isso passa uma sensação de que o narrador testemunhou estes fatos, não apenas falou sobre eles, mas os viu acontecendo. Não sei se vc já esteve no Camboja, ou se já assistiu alguma reportagem sobre pessoas que habitam cemitérios de lá, mas a firmeza da escrita me passou esta impressão. É isso, achei fofo o menininho querer ser como o avô, criança é só pureza e sentimento, mesmo. Muitos beijos, e vamos para frente.

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    1. Querida Iolandinha,

      Obrigada por ler e comentar.

      Pesquisando para o desafio cemitérios, me deparei com essas pessoas que moram neles. Uma vida tão triste, tão desperdiçada… Me chocou ainda mais ver crianças vivendo nestes locais, brincando como se ali fosse suas casas. E de fato é.

      Em contraponto, descobri essa festa onde a fartura é dada aos que já se foram. Nosso mundo é mesmo muito estranho.

      Beijos
      Paula Giannini

      Curtido por 1 pessoa

  4. Querida!
    Que conto emocionante, não? Quantas vezes relê-lo, emocionará.
    Acho que entendi que o fato de o menino ‘saber’ q seu avô é um coveiro e não um espeleólogo foi a demonstração de que ele cresceu.Já entendia as sutilezas q seu avô lhe pintara para abrandar a vida.
    É muito lindo tudo, como a arte, a verdadeira, pode tirar ensinamento e beleza de uma situação tão horrível e deprimente. Você é demais!
    Bjão

    Curtido por 1 pessoa

  5. Olá, Paula!

    Eu li seu conto, esperei mais alguns dias e o li novamente para comentá-lo. Um texto pungente. Pungente é a palavra que me vem à mente, apesar de uma palavra apenas não ser suficiente para descrever a miríade de emoções com as quais nos deparamos ao lê-lo.

    O que falar das pessoas que padecem, vivendo em cemitérios à mercê da insensibilidade do mundo?
    O que falar da fartura aos que já se foram quando os que ficam nada têm e nada lhes é dado?
    O que falar da crueza da vida que nos encabula e nos remete a uma válvula de escape? Um espeleólogo, uma fantasia para tornar a realidade menos dorida, menos violenta, menos cruel.
    Concordo com a colega quando diz que o texto remete a “A vida é bela”. A vida não é bela, ou melhor, a vida só é bela para aqueles que conseguem ver poesia em situações normais que passariam tão corriqueiras e nebulosas quanto uma cova para um defunto. Escrever é também encantar. Você me encantou. Parabéns!

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    1. Obrigada, Sandra,
      Por suas palavras sempre generosas.
      “O que falar das pessoas que padecem, vivendo em cemitérios à mercê da insensibilidade do mundo?
      O que falar da fartura aos que já se foram quando os que ficam nada têm e nada lhes é dado?”
      É isso… O que mais dizer?
      Beijos
      Paula Giannini

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  6. Oi Paula, arrebatador o seu conto, e o termo espeleólogo foi uma novidade pra mim. No parágrafo: “o avô-herói retirava maravilhas do carrinho. Latinhas, anéis, medalhas com fotos de reis e rainhas, e dentes de ouro de antigos sábios que passaram por aquela terra em um tempo em que as cavernas ainda eram habitadas pelos homens da pré-história”, fiquei viajando na cabecinha do menino, incrível como basta apenas alguns caquinhos, moedinhas, latinhas, para nascer histórias de heróis na mente de uma criança. A narrativa trouxe-me a recordação de meus manos, num tempo em que se vendia ossos e garrafas para os carroceiros, eles se empenhavam na catação nas redondezas onde morávamos, os manos já batalhavam desde cedo. Enfim, o seu texto pra mim foi inspirador e nostálgico. Bejão.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Rose,

      Obrigada por ler, por comentar, por me acarinhar…

      Talvez eu devesse usar arqueólogo, já que o espeleólogo cuida de cavernas, mas, após muito refletir, pensei que cavernas seria algo mais apropriado ao modo de vida tão triste ao qual são condenadas as pessoas que vivem desse modo.

      Beijos
      Paula Giannini

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  7. Olá. Este conto é bem nostálgico e triste, principalmente quando nos damos conta de que o menino na verdade já entendeu a realidade. Fiquei imaginando essas pessoas na época do Pchum Ben, se não me engano dura 15 dias, não é isso? Passar necessidade e até fome, tendo de olhar para tanta fartura. A pobreza extrema é um mal que atinge todo o mundo. Por outro lado, também acho que devemos respeito aos mortos e não acho legal essa profanação dos túmulos e saqueio dos objetos do cemitério, portanto, ninguém deveria viver em um lugar desses, mas aí entramos em outro assunto. Parabéns por mais um belo conto. Abç ❤

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    1. Oi, Vanessa,
      Obrigada por ler e comentar com cuidado e gentileza.
      Você pensou exatamente o que pensei quando, na pesquisa, descobri esse terrível modo de vida.
      Algumas vidas parecer ser desperdiçadas nesse mundo, não é?
      Beijos
      Paula Giannini

      Curtido por 1 pessoa

  8. Já tinha te falado como gosto do q vc escreve. E dessa sua capacidade aparentemente infinita de se transmutar, de se colocar no lugar dos outros. Provavelmente vem da sua alma de atriz. Não tenho o q dizer sobre a delicadeza da sua trama, q é de uma beleza comovente. A relação do menino com o avô e com o pequeno mundo do cemitério é muito bem elaborada. Emocionante.
    Se tenho alguma crítica, e se é q posso chamar assim, é uma coisa q tb falaram do meu conto do Aviador e o Javali. Sobre a questão das idades. Achei q o menino ter 10 anos é muito. Pra uma criança q foi criada nessa miséria tremenda, chegar aos 10 ainda capaz de fantasiar tanto assim a realidade pareceu demais. No caso do meu conto, acho q fiquei na cabeça com os tempos da minha mãe criança, e pensei q naquela época, ter 15 anos e ser um rapazote bobão era normal. Mas as pessoas acharam muito velho. E depois eu tb achei. Não sei se é o seu caso, mas eu imaginei o menino com uns 5 ou 7 no máximo. Também achei um pouco estranho as crianças saberem ler e jogar forca. Criadas nessas condições, teria como serem alfabetizadas assim?
    Esse conto se encaixa tão bem com o verbo CRESCER quanto com o verbo MORRER, tema da próxima etapa.
    Eu AMEI MUITOOO!

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    1. Oi, Juliana,
      Nem sei como agradecer tanto carinho…
      Sobre as idades do menino, você está certa. Talvez a vida dura deixe essas crianças maduras antes do tempo. Talvez, isso seja só uma imaginação boba dos autores.
      Pensei no avô alfabetizando o menino, mas vc está certa, talvez um outro jogo…
      Vou pensar, embora o conto já esteja publicado no livro. Mas vale a reflexão para os próximos trabalhos.
      Muitos beijos.
      Paula Giannini

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  9. Olá Paula!
    Um conto maravilhoso, com todas as suas marcas como autora. Surpresinhas no enredo, uma doçura meio amargosa, parágrafos entremeados com frases curtas. Muito bom. Nesse travo amargo misturado com doçura, você me soa Alice Munro. Alguém já te disse isso? Beijo, amiga.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, querida,
      Já li o comentários há tempos, mas só parei aqui agora.
      Obrigada pela doçura!
      😉
      Beijos
      Paula Giannini

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  10. Olá, Paula querida,tudo bem?
    Finalmente, resolvi ler o seu conto com a calma necessária e atenção merecida.
    Muito bom! Como a Iolandinha, também me lembrei do filme A Vida é Bela, devido à intenção do personagem de aliviar um pouco a dura realidade para o neto. Tocante essa sensibilidade em poupar a criança e romantizar o dia a dia para que a sobrevivência se tornasse menos árdua.
    Quanto à questão da idade dos personagens, fiquei aqui fazendo contas. O avô com 38 e já tinha um neto de 10 anos. 38-10 = 28. Ele foi avô aos 28. Então 28 divido por 2 (ele e a filha) = 14. Que ele tivesse 15 quando foi pai e ela 13 quando foi mãe. Sim, é possível e muito provável naquelas circunstâncias. Mas como a Juliana, também achei o menino deveria ser mais novinho, talvez pouca coisa, uns 6 ou 7 anos, talvez. Já teria maturidade o suficiente para perceber a realidade e ainda fantasiar.
    É um conto lindo e, como tudo o que você escreve, me conquistou.
    Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Cláudia,
      Você é sempre amorosa com meus textos. Nem sei o que dizer.
      Sobre a matemática, fico devendo muitooooo. 😉
      Beijos
      Paula Giannini

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  11. Oi, Paula!
    Já conhecia esse conto, e o reli com o mesmo sentimento de tristeza, misturada com perplexidade, pela constatação de que, sim, a felicidade é metafísica, não necessita-se de nada para encontrá-la, se assim for desejado.
    A imensa capacidade humana de em meio ao caos encontrar razões para o crescimento, nem sempre por desconhecer a tal “vida boa”, mas por entendimento do sentido real do existir.
    você é mil!
    Beijos

    Curtido por 1 pessoa

  12. Olá Paula. Você comenta que esse conto já participou num desafio do EC,mas como eu não tinha lido ainda, deduzo que seja duma fase anterior à minha entrada. Para mim foi novo. E li dois contos. Um, com toda a doçura da infância espelhada no encantamento do menino e na admiração pelo avô (seria mais credível e igualmente belo se, em lugar do avô ter 38 anos, você tivesse afirmado “um rapaz que foi avô com apenas 38 anos”, seriam quatro palavras que teriam dado ao relato a veracidade que ficou um pouco posta em causa). Mas o brilho da narrativa logo ofusca esse exercício de matemática inicial e nem sequer impossível, considerando as circunstâncias em que tudo se desenrola, contadas no outro conto, o tal que o segue em linha paralela. Sem entrar na culinária (desta vez) você criou um paladar extremamente agridoce. A realidade sempre supera a ficção, não é? quem imaginaria que a vida se pode desenvolver em semelhante cenário? e no entanto ela acontece. Você consegue transmitir-lhe uma beleza extrema, mas acredito que assistir a essa realidade deva ser avassalador. Como lhe disse, li duas histórias mescladas e entrelaçadas com grande mestria (maestria existe em Portugal, mas não faz parte do nosso vocabulário, excepto se estivermos a falar literalmente de maestros).
    Ainda não li muitos trabalhos seus, talvez uns cinco ou seis,mas parece-me que você possui essa característica: a de emprestar beleza ao horrível. Tenho encontrado isso. Fruto da arte cénica? Não sei, mas é algo que noto. Acredito que seja a sua marca.
    Essa capacidade de ver e realçar a beleza em meio ao horror é maravilhosa e, quando transportada para a vida quotidiana, permite manter o brilho no olhar. Não a conheço pessoalmente, mas, mentalmente, você se me representa como uma pessoa cujos olhos brilham.
    A sua escrita brilha.
    Um beijo.

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    1. Obrigada, minha querida, por um comentário tão generoso.
      Se meus olhos brilham, é por ter amigas como você.
      Beijos
      Paula Giannin

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  13. Oi Paula, eu amei esse texto seu, tão real e ao mesmo tempo tão mágico… Você tem um dom especial de tocar os sentimentos com as palavras. É muito difícil escrever sobre uma cultura tão distante da nossa realidade, mas você faz isso com maestria. Esse menininho é um tesouro, você deveria fazer uma saga sobre as experiências dele!! Parabéns querida! Ótimo conto!!

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    1. Oi, Priscila,
      Deixei esse comentário passar… hahaha Mas, (re)descobri hoje.
      Obrigada pelo carinho. Não havia pensado na saga, mas… Quem sabe. rsrsrs
      Beijos
      Paula Giannini
      (11)982497839

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