Segredos de Vida e Morte – Amanda Gomez

A vida era perfeita, ela gostava de correr pela campo verde e cheio de flores. O vento batia em seus cachos dourados e fazia seu vestido de babados rodopiar. Sua risada era contagiante…assim como a dele. Costumavam juntar as mãos e adoravam o belíssimo contraste que elas faziam. A risada das duas crianças era o único som naquele momento. Até que outro, rápido e seco, sobressaiu-se.

A roda parou, o riso cessou. Elisa olhou para os olhos grandes e negros de Elias, assustada. Sentiu que o mundo congelava enquanto o corpo dele precipitava-se  para frente, tentou segurá-lo, mas logo os dois estavam no chão. Foi apenas quando viu seu imaculado vestido tingir -se de vermelho que gritou.

Depois daquele momento as lembranças eram  um borrão, fora erguida por braços fortes e jogada sobre os ombros de alguém. Não conseguia desviar da figura de Elias caído no chão. Em frente à casa grande estava um menino não muito mais velho que ela, nas mãos segurava firmemente uma arma, suas bochechas estavam tão vermelhas…seu corpo parecia tremer, mas seus olhos… nunca poderia esquecer o que viu neles.  Naquele momento sentiu o véu que cobria seus olhos cair, e então o mundo se mostrou assustador.

                                                             ****

   – Ele deseja vê-la – disse sua tia Elvira, enxugando as lágrimas. Elisa Levantou-se, ajeitando a saia do vestido e entrou no quarto.

Aproximou-se até estar diante dele, seu rosto magro e ossudo estava branco como os lençóis que o cobriram.

   – Sente-se, minha Elisa.

Ela obedeceu.

   – Estou partindo, filha…. mais cedo do que pensei que partiria. Me dói saber que não vou vê-la crescer. Você…minha única filha. Sei que nossa relação mudou desde…

   – Meu pai, poupe a si e a mim de explicações tolas para o que nos afligiu no passado. Use o que lhe resta de fôlego para rezar e pedir perdão por seus pecados.

   – O único perdão que necessito é o seu.

– Palavras vazias, o que nos resta é apenas obrigações de sangue. Vá em paz, eu ficarei aqui, vivendo a sina a qual me condenou.

Levantou – se, sentia  tristeza pela figura do homem moribundo, e nada mais.

   – Elisa…

Virou-se para ele.

   – Perdoe-me o senhor, pelo que farei.

Alguns anos depois…

O batuque era alto, Elisa vestia um vestido simples e dançava com eles, uma garrafa de vinho nas mãos. Eles riam da sua forma desajeitada de dançar. Em certo momento ela apenas os observava. A dança era sensual, mais  que qualquer história que tenha lido às escondidas.Passou a  noite movendo-se e ouvindo histórias de terras distantes,  famílias perdidas, de sonhos impossíveis.

Os primeiros raios de sol apontavam no horizonte, e com ele a realidade.

Uma voz ao longe despertou sua atenção.

   – É Jorgito – disse alguém.

O menino corria como se o demônio estivesse ao seu encalço. Elisa percebeu que era exatamente isso que acontecia.

   – Saiam todos! – ordenou.

Mas já era tarde, minutos depois ele estava diante dela.

Os anos fizeram uma grande diferença em sua aparência. Não era mas o menino esguio e branquelo de antes. Ele encarou cada um, como se quisesse decorar seus rostos. Depois olhou pra ela, para sua roupa inapropriada, seus pés descalços,  cabelos desgrenhados e sua aparente embriaguez.

   – Venha – ordenou. 

Em outra ocasião jamais o obedeceria daquela forma, o medo porém, comandava seus movimentos. Num instante estava com ele cavalgando de volta à casa grande.

Ele quebrou o silêncio.

   – Quando tinha pouco mais de seis anos meu pai deu-me de presente um escravo, um menino da minha idade.Foi o melhor presente do mundo,  o verão mais divertido. Certo dia ele ficou doente, corri para meu pai pedindo que o  consertasse. Ainda lembro de sua risada

‘’ Não seja tolo, Felipe. Se morrer  arranja-se outro, ele são todos iguais.”

Um frio percorreu a espinha de Elisa.

Ele sorriu.

   – Quando eu fiz aquilo que você faz tanta questão de me lembrar, queria apenas eliminar algo descartável, você tinha a mim não precisava dele, e se por acaso você ficasse muito brava. – ele sorriu docemente – Era só arranjar outro.

   – Ele era meu irmão.

Felipe assentiu.

   – Quando me olhou naquele dia, soube que nunca me amaria, não importava o que eu fizesse. Eu entendo e aceito isso, não significa que não há regras, e você quebrou várias esta noite. Tenho dúvidas quanto a sua fidelidade… minha vontade é constatar isso agora mesmo, como bem sabe, agora sou médico.

   – Não se atreveria…

  – Eu poderia – ameaçou.

   – Se tocar em mim…

   – Algumas vez eu toquei? – perguntou.

Não, ele nunca nem mesmo a beijou.

Ele ficou pensativo.

   – Todos os negros que participaram, serão açoitados um por por um até o final no dia.

   – Não! – ela gritou.

   –Amanhã um médico de minha confiança irá examiná-la, se for confirmada sua índole…bem, eu não faço ideia do que irei fazer.

   – Não tem direito de fazer isso,  ainda não somos casados, não irá tocá-los, Felipe. Nem a mim.

Ele se aproximou até estar diante dela, quase tocando-a.

   – A partir de agora chega de festas com os escravos, chega de retirar dinheiro do caixa para dar mimos a eles. – diante do olhar assustado de Elisa ele continuou. – Acha que não sei? Se não fosse por mim, você não teria nem mesmo um teto sobre sua cabeça. Seu pai estava falido.

O silêncio ocupou os pensamentos de Elisa.

   –  Preciso ir, alias, você está belíssima, não imaginei que fosse possível ficar ainda mais. – falou antes de sair.

Ela tentou, mas ainda assim conseguiu ouvir o som dos gritos e do chicote. Passou o dia no quarto como uma covarde.  Recebeu várias flores de Felipe depois da visita do médico.  Os dias se passaram, e logo tornaram-se  semanas e meses. Sua tia Elvira, retornou  para prepará-la para o título que ela herdaria um dia. Ensiná-la os mistérios da sociedade.

Foi assim que conheceu José Alonso, ele entrou no salão de festas como se fosse o dono do mundo, sua pele morena denunciava claramente suas origens, ainda assim ninguém ousou refutá-lo. Era um mestiço, bastardo, mas também um homem rico.

Para fascínio de Elisa, era um liberal abolicionista que gastava um pouco de sua fortuna misteriosa comprando escravos e dando-lhes a liberdade. Aprofundou-se mais na causa, isso a distraia, passou a usar seu status como algo útil. Com o tempo, além da admiração por José Alonso, Elisa sentia curiosidade que ia além do bom senso. Quanto mais convivia com o Barão e seu filho, mais queria puní-los. Ao menos um deles, ela sabia como.

Em um dos vários saraus que passou a participar, Elisa convidou José Alonso para ficarem a sós. Despiu-se diante dele, não era a primeira vez que ficava nua na frente de um homem, costumava banhar-se no riacho, sabendo que os escravos a observavam. O toque dele a liberou de seus devaneios. Sua mão cobriu um de seus seios, seu coração acelerou. No impulso tentou afastá-lo mas ele apenas se aproximou mais.

   – Não me toque – ordenou.

   – Tudo bem, amor. Farei de uma forma que ele não irá notar – disse.

Do lado de fora, a escrava cantava uma canção para abafar os gemidos vindos do quarto.

Sua pele estava vermelha, esfregava com força a sujeira invisível que cobria seu corpo. Diante do espelho contemplou-se nua, passou os dedos nos lábios ao constatar que era o único lugar em que ele não a beijara.

Passou a manhã no pomar, Felipe estava em casa, temia que descobrisse o que fez, apenas ao olhá-la.

   – Patroinha! – chamou Jorgito

   – Oi – disse surpreendida por ele estar falando com ela.

   – Mãe joana está morrendo! – chorou.

A mulher contorcia-se de dor. O semblante da parteira era de desesperança. Elisa correu como nunca antes. 

   – Preciso de um favor – disse sem fôlego invadindo o escritório onde estava Felipe.

   – Isso é uma novidade.

Ela se aproximou, encarando-o intensamente. Notou que ele engolira em seco.

   – Preciso do Doutor Felipe.

Elisa observou Felipe parado diante da mulher,  claramente em um conflito interno.

   – Por favor –  Implorou.

Era um casal de gêmeos, um deles nascera morto. Felipe pegou a criança sem vida e observou-a longamente antes de cobri-lo com um lençol. A menina estava nos braços de Elisa, que chorava de tristeza e alegria.

Voltaram os dois para a casa grande, lado a lado, em silêncio, a leve chuva lavando suas roupas manchadas de sangue, de vida e morte.

Se ao menos aquela sujeira sumisse de sua pele.

                                                                                    ****

Acordou com um grito preso na garganta, aquele som tão familiar repetia-se várias vezes.Correu até a janela e viu a fazenda em chamas. Desceu as escada mas foi impedida de sair por José Alonso, que surgiu na sua frente.

A fazenda estava sendo assaltada. Os escravos libertos. Elisa olhou sem acreditar para a cena que via.

   – Por que ainda estão aqui? Por que simplesmente não fogem? – perguntou ofegante.

   – Alguns escravos estão mais ressentidos e querem dar um prejuízo maior.

   – Destruindo as plantações? Comida? Eles precisam parar – disse indo em direção aos conflitos.

   – Está louca? Eles não irão lhe ouvir… apenas fique aqui e logo tudo irá passar. – falou segurando-a. –  Tentei lhe avisar, mas tens me evitado há semanas

Ela se livrou de seu toque, como se lhe doesse. Ele percebeu, mas nada disse. Foram interrompidos por mais sons de tiros. José praguejou, o que significava que aquilo não fora planejado. Dos portões principais surgiu  o Barão em pessoa com vários homens armados.

Foi com horror que Elisa viu vários escravos sendo alvejados como animais de caça. José já não estava mais ao seu lado. Elisa correu até o escritório onde seu pai guardava suas armas, não sabia o que tinha em mente, apenas que precisava fazer algo.

A fazenda tinha cerca de duzentos escravos, esperava que boa parte deles tivessem fugido. As senzalas estavam todas em chamas, mas ainda ouvia-se gritos ao longe. A intensa troca de tiros entre os homens do Barão e os de José Alonso intensificou-se. Ouviu gritos de socorro e correu em direção a eles.  Encontrou a escrava Joana escondida nos estábulos com a criança que chorava em seus braços, e Jorgito.

   – O que estão fazendo aqui?  Porque não fugiram?

   – Mataram o Zé, senhorinha… não conseguimos fugir, precisava encontrar meu menino – falou em desespero.

A perna da criança tinha um enorme corte. Elisa rasgou um pedaço do vestido e amarrou no ferimento.

   – Certo, precisamos sair daqui, leve-os para a casa grande. Pelos fundos, anda!

Guiou os dois pelo caminho, logo ouviu seu nome gritado com fúria atrás de si, virou-se e lá estava o Barão, com a roupa manchada de sangue, seus olhos alucinados. Elisa já o vira daquele jeito uma vez, ele fazia questão de açoitar seus escravos, lembrou-se do prazer que seu rosto demonstrava a cada golpe.

   – Achou que eu não saberia? Achou que não reconheceria a cobra que  estava alimentando? – rugiu ele.

   – Exijo que acabe com isso, agora!

Rapidamente ele desceu do cavalo e veio em sua direção, a surpresa impediu que ela reagisse. Ele agarrou-a pelo pescoço e jogou seu corpo contra a parede do estábulo.  

   – Me solte, maldito! Será preso pelo que está fazendo!

De repente algo o atingiu. Elisa caiu, buscando ar,  Joana preparava- se para dar mais uma investida com o pedaço de madeira quando ele a alvejou. Um tiro direto no peito

   – Negra imunda. – vociferou ele.

Jorgito observava tudo com a irmã nos braços, estático.

   – Corra! – gritou ela, quando percebeu as intenções do Barão.  Mas Jorgito nada fazia. Com as mão trêmulas. Elisa pegou a arma e atirou. Ele caiu, contorcendo- se de dor, e proferindo blasfêmias.

   – Você atirou em mim, sua meretriz suja! Tens ideia do que farei com você por causa disso?

Ele tinha razão, estava condenada. O Barão nunca seria denunciado por matar escravos revoltos, nem mesmo por atacá-la. Os que restassem seriam açoitados até a morte, aqueles que por acaso sobrevivessem estariam condenados a um vida de sofrimento.

Só lhe restava uma opção.

Ele não viu acontecer, ela supôs, estava tão concentrado  na dor e no ódio que não percebeu quando ela ergueu a arma novamente, ceifando sua vida, atingindo-o na cabeça.

Estava feito.

Levantou a cabeça rapidamente quando ouviu alguém se aproximar. Apenas alguns metros os separavam. Queria dizer-lhe algo, mas nada saia de seus lábios.Ele não se aproximou do corpo sem vida do pai.

Seus olhares se encontraram e havia reconhecimento.

                                                                                ****

Não conhecia a maioria dos rostos ali. No altar o novo Barão esperava por ela. Ele parecia diferente. Seu olhar era intenso, provocador, como se soubesse todos os seus segredos, até mesmo aqueles mais sujos. Lembrou de Elias, se fechasse os olhos ainda podia ouvir o som de sua voz, e o eco dos seus sonhos perdidos. 

”Perdão…”

Segurou a mão do seu futuro marido e ficaram os dois lado a lado no altar, juntos e condenados. Prontos para mais segredos de vida…e de morte.

 

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34 comentários em “Segredos de Vida e Morte – Amanda Gomez

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  1. Ai, guriazinha.. tem tanta coisa ae, que eu nao sei se apanhei tudo ou caiu alguma flor pelo caminho…rsrs Muito tocante a amizade e morte de Elias, sabe o q eu queria? q no finalzinho tivesse uma filha loirinha de Elisa de maos dadas com um amiguinho negro ❤
    Mas acho mesmo q tem muita coisa ae pra um conto 'pequeno', vc precisava de mais espaço. Eu nao entendi a cena com a morte do pai de Elisa (alias adorei os nomes Elisa e Elias, um anagrama, é assim q se chama?) o pai diz q nao a veria crescer.. mas ela falou como uma adulta ali e pelo q entendi, o matou.? Acredito que ali já havia se estabelecido o futuro casamento dela com Felipe, o menino q matou Elias. É tudo muito denso e bem construído, mas insisto precisava de espaço, eu queria, inclusive descrições do lugar e tudo, dá uma novela e tanto!! Uma dó imensa da morte da mae de Jorgito, mas achei desnecessária justamente pq no conto vc precisaria focar em alguns pontos, assim vc dispersou o enredo e detalhes bacanas até pareceram desnecessários como falei. Enfim, desenvolva isso, guria! põe fermento e faça crescer!! hahha
    Abraços

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Anorkinda. Eu sempre Preciso de mais espaço rs, eu ainda não escrever um conto com cara de conto, sempre nasce romance ou novela. Eu pretendia fazer muitas cosias, inclusive por ser de época gostaria de ter colocado datas e principalmente feito uma ambientação, mas acabou que ela foi inteira pelo ralo, pq..como já disse eu não consigo ainda simplificar algo que vem pra mim grande. Depois da morte do Elias, eu coloquei os asterisco para dar a noção de uma passagem de tempo. Ele morreu de doença mesmo, ela não teve nada a ver com isso. rs. Eu confesso que me perdi um pouco na história, sobretudo no final, não era o que eu tinha imaginado, mas foi o que saiu faltando poucas horas pra terminar o prazo, pensei muito se deveria postar, acabei optando por sim, e e isso ai que saiu kkk perdoe-me.

      Não dá pra escrever uma boa história de época sem uma ambientação, descrições mas elas custam muitas palavras 😞. Enfim, foi o que deu rsrs… Talvez eu esteja um pouco arrependida, eu deveria ter feito mesmo uma novela, é escrever livremente sem limites. Mas tbm queria participar!!! 😁 . Obrigada pelo comentário!

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      1. sem problemas.. é só continuar trabalhando em cima dele, nao é pq postou aqui q o texto perdeu a capacidade de crescer… hehe lembrei q vc treme com este limite de 2000 palavras… vamos reivindicar um desafio especial de 5000, q tal? 🙂

        Curtido por 2 pessoas

  2. Eu tenho manias demais, acabo deixando de lado pra fazer outras coisas e vai se criando um grande cemitérios de histórias. Mas eu tenho uma segunda intenção pra essa história sim. Eu detesto esse limite, mas entendo o motivo de tê-lo. Seria incrível 5 mil palavras!! 😍 Obrigada, novamente. … Aiiii que vontade de apagar kkk.

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  3. Eita! Eu me vi assistindo uma novela. Drama que não faltou aqui. Acho que pra um conto tem muitos personagens e muita coisa que poderia ser cortado, (essa é só minha opinião de leitora, viu? Não leve muito em conta) mas para uma novela esse texto ficaria ótimo.
    Parabéns
    Um abraço.

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  4. Olha menina… me arrepiei todinha aqui. É difícil escrever um conto de época inovador. A profundidade das palavras traduzindo pura emoção, mas, eu mesmo tempo recheado de ação. Acho que este foi o conto mais belo que já li seu. Olha essa construção, onde encontramos toda a trama a ser desenrolada: “Naquele momento sentiu o véu que cobria seus olhos cair, e então o mundo se mostrou assustador.”
    Parabéns!
    OBS: Precisa de uma revisão básica.

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    1. Poxa, Catarina! Ganhei meu dia com seu comentário. Fico feliz que tenha gostado de verdade, sempre espero ansiosa por sua opinião!

      Queria ter feito mais e melhor, justamente por ser um conto de época e exigir muito mais detalhes e etc. Não deu, mas é gratificante que ainda assim tenha lhe agradado.

      Obrigada!

      Ah! E sim, precisa de uma revisão rsrs, desde que postei ainda não encontrei uma oportunidade de fazê-la.

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  5. História, ação e romance – assunto não falta, muitos detalhes e execução bem trabalhada. Gostei. Construiu bem a questão do preconceito, da abolição e, sobretudo da rebeldia. Alguns trechos estão meio confusos, mas é só lapidar. Parabéns! Beijo.

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  6. Olá, menina escritora amiga. Então. Um conto de época, com uma protagonista ativa e à frente do seu tempo. Já gostei. A menina tinha uma queda pelos negros, não a culpo de modo algum… Eu gostei do conto de uma maneira geral, mas acho que além de uma revisão quanto aos plurais (coisa simples) ainda precisa dar uma enxugada. Tem subtramas sobrando, e estão sobrando porque iniciam mas não influem na trama. Vou dar dois exemplos. A família do Jorgito, por exemplo. Só deixou o conto maior mas a trama sobreviveria sem ela. O envolvimento com o José Alonso, também não precisava, ela podia se envolver com os escravos da fazenda por uma questão de vingança. Pensei que ela ficaria grávida do cara, aí sim, teria todo sentido o envolvimento. Mas são só pitacos meus, use se quiser. Um abraço, linda.

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    1. Oi, Iolanda!
      Obrigada pela leitura e apontamentos, eu errei a mão sim inclusive pensei bastante se eu deveria enviar ou não, pq sabia que além de não tem revisão mínima ( nunca da) a história foi projetada sem minha intenção, para algo maior, sempre é na verdade, mas eu as vezes tento controlar isso, mas dessa vez eu deixeis pretendo refazê-lo sem essas amarras de limites, mas foi bom ter postado , primeiramente pra eu poder participar, e segundo pra aperfeiçoamento mesmo, no sentido de perceber que eu preciso saber escrever contos. Obrigada mais uma vez. Ainda não tive disponibilidade de reler e revisar , mas o farei em breve.

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  7. Amanda, gostei do seu conto meio abolicionista. Durante a leitura veio na mente a novela Escrava Isaura – putz, não deve ser do seu tempo, rsrs. Sugiro dar uma revisada na construção dos parágrafos, na sequencia deles, construção frasal, essas coisas, eu me perdi em algumas cenas do seu novelão de época. A Sandra Werneck é fera nisso, ela deu uns pitacos legais no meu, acho que consegui botar a casa em ordem. Sei que vc. consegue também, prova disso é o estrago que fez no meu coração com a Dora (sorry, continuo apegada na Doralice). Bjs amada.

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    1. Oi, Rose!

      Obrigada pela leitura. Tem uma versão mais recente de escrava Isaura que eu lembro um pouco sim kk É, precisa de muita revisão, farei isso no devido tempo. Desculpe por isso, e pelos entraves.

      Obrigada pelo carinho com Dora também! É gratificante 😀

      Curtido por 1 pessoa

  8. Olá, querida!
    Eu vejo muita emoção no seu texto e, concordo com as meninas, tem que ser mais enxuto para o texto se compor como um conto, sem tantas subtramas, sem tantos conflitos. Um conto requer um conflito só (podendo ter implicações a nível pessoal ou extrapessoal) que vai se desenvolvendo até atingir um clímax e uma solução (que leve a um questionamento, reflexão etc).
    Os parágrafos te ajudam a construir esse emaranhado de ideias. Onde o parágrafo anterior termina é a origem de outro. Você tem muito material bom no seu conto para fazer isso. Tem material também para desenvolver um romance ou novela. Tem emoção de sobra que nos sensibiliza e nos comove em busca do ‘quero mais’. Volte a ele e aprimore. Está no caminho certo.

    Curtido por 1 pessoa

  9. A história é incrível! Uma saga, digna de O Vento Levou, mas com limite de 2 mil palavras… Elisa cresceu bastante, mas talvez tenha crescido cedo. Na cena da morte do pai, q é logo no início, ela já está adulta, ou pelo menos mocinha. Acho que esse conto q vc postou ainda é um rascunho para o que ele tem potencial de ser e de crescer (sem trocadilho). Eu não faço nenhuma questão de grandes descrições e ambientações, mas gosto de me envolver mais profundamente com os personagens e senti um pouco de falta disso. Achei q são personagens fortíssimos, mas ainda superficiais. Talvez, revisando o texto mais vezes vc encontre a voz de cada personagem, a estrutura mais enxuta pra caber no limite de palavras sem maiores problemas. Mas no geral, curti muito a história e essa sua protagonista, mulher forte, destemida, determinada! Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Juliana!

      Muito obrigada, como gosto muito de histórias de épocas eu sempre tive vontade de escrever algo nesse universo, mas acho que errei a mão, uma história assim não cabe em um conto, foi boeira minha tentar colocar, e é como você falou tudo ficou com pouquíssima profundidade e uma das coisas que mais prezo em meus textos é um bom desenvolvimento de personagem.

      Mas a gente vai aprendendo, estou aqui pra isso, novamente muito obrigada pela leitura atenta! 🙂

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  10. Querida Amanda,

    Concordo com Kinda e acho que deveríamos, mais que impor um limite de 5.000 palavras, esquecer os limites. Vou levantar a questão no grupo.

    Seu conto é um romance. Ou, ao menos, poderia ser um se não houvesse o tal limite.

    Admiro muito essa capacidade de escrever dando ao texto uma cara de clássico. Eu não sei fazer isso. Ficou muito bom. Tem cara de filme, de novela, de romance, enfim. Um conto que faz lembrar o estilo de grades obras como o “Terra Vermelha” de Domingos Pellegrini, ou mesmo “O Tempo e o Vento”. Obras que passeiam por toda a vida dos personagens.

    O tema, embora tratado em um contexto “de época” é pertinente e extremamente atual. É incrível como a humanidade caminha a passos lentos, não é? Ainda estamos longe da “abolição do racismo”, estamos, igualmente longe da igualdade de direitos pois os escravos modernos estão mascarados, muitas vezes, sob a alcunha de trabalhadores.

    Parabéns pelo trabalho.

    Beijos
    Paula Giannini

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Paula!

      Quero me especializar nisso kk, um dia vou escrever uma história de época que seja digna de ser comparada a esses clássicos ( Hihi), ainda não é o momento mas foi um bom teste drive, nunca tinha escrito nada parecido.

      Muito obrigada pelos comentário sempre tão calorosos e estimulantes 🙂

      Curtido por 1 pessoa

  11. Olá. Um conto forte, extremamente realista e triste. É difícil imaginar quantas atrocidades aconteceram na época dos escravos, e infelizmente, o racismo ainda continua… Se resolver mexer no texto e alongá-lo, não esqueça de nos avisar, para que a gente possa reler, dessa vez, sem limites!!! Abç ❤

    Curtido por 1 pessoa

    1. OI Vanessa!
      Pretendo sim mexer e não penso em lugar melhor pra mostrar que não aqui, espero conseguir em breve.

      Muito obrigada pelo comentário generoso. 🙂

      Curtido por 1 pessoa

  12. Eita! Tem coisa demais nesse conto. Não. Não estou dizendo coisa negativa, não. Ter muita coisa é coisa boa nesse caso. Significa que ele poderia ser maior, que você pode dar, com tempo, voz para todos os personagens dessa história, especialmente para Elisa, porque ela merece. O começo me cativou e também me jogou para dentro da agonia. E é tanta coisa que tem aí! Mas já disse isso, eu sei. É um conto diferente e maravilhoso. Precisa de uma revisão, e isso só vai deixar melhor o que já existe. Parabéns.
    Um grande e carinhoso abraço!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Evelyn!

      Puxa, muito obrigada é muito gratificante quando a gente recebe comentários entusiastas e que dão o impulso necessário para que a gente vá além, que se arrisque, obrigada por isso.

      Pretendo sim garimpar o conto e transformá-lo no que ele deveria ter sido desde o inicio.

      Obrigada!

      Curtido por 1 pessoa

  13. Oi, Amanda!!
    Menina….eu amo o que você escreve, já te falei isso antes e digo outra vez: sou tua fã!
    Que baita conto, hein? li num f^lego só e imaginando qual seria a vingança de Elisa, o que aconteceria na próxima frase, qual a tristeza/drama maior que aconteceria e seria o gatilho para explorar ainda mais esse tão rico quanto devastador cenário de escravidão.
    Com certeza dá um belo romance, aprofundando mais ainda os conflitos de Elisa, as histórias paralelas, enfim, magnífico.
    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Renata!

      Ahhh eu adoro seus comentários, me sinto ótima depois deles rss, fico aguardando ansiosa e temerosa sua opinião.

      O que dizer? Muito obrigada pelo carinho,estímulo, generosidade, fico feliz demais que eu consiga de cativar com minhas histórias, é esse nosso maior presente, né mesmo?

      Obrigada, obrigada!

      Curtido por 1 pessoa

  14. Oi Amanda!
    Putz! Que história!! Parece uma novela de época. Muito bom, garota! A minha opinião é que você deveria investir nele e transformá-lo num mini romance, uma novela. Acho que bastaria apenas estender um pouco as cenas, não sei se concorda comigo, mas algumas delas me pareceram mais como uma sinopse. O enredo está perfeito, nada a acrescentar, nada a subtrair. Parabéns pelo trabalho! Muito bom te ler. Beijo grande, querida.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Elisa!

      Foi uma tentativa que ganhou fôlego depois da ajuda de todas vocês, sempre que eu começar a desanimar vou vir aqui reler os comentários.

      Concordo sim, eu tirei tantas coisas, tantos diálogos, cenas que gostei tanto para que ele coubesse, não faço mais isso, temos que deixar nossas histórias voarem livres até onde eles querem, não é?
      Obrigada.

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  15. Olá Amanda. Não queria repetir o que todas já disseram, mas é verdade. E se era para escrever um conto talvez fosse boa ideia ficar pela cena inicial e partir para o que viria após a última fala da protagonista para o pai: ” – Perdoe-me o senhor, pelo que farei.” E então? O que fez ela?
    E você não diz…
    Vai daí, acrescenta-lhe mais uma montanha de histórias paralelas e continuações que dariam um montão de contos.
    Em minha opinião teria ficado melhor a amostragem do que ela faria após a morte do pai (isto sem prejuízo de, noutro contexto, partir para um drama de maior porte).
    As colegas também já falaram das questões com a revisão. É importante. Também é difícil, sei, mas muito importante. E ao publicarmos “neste” blog em particular, mais ainda. O blog é um projeto literário, mas também a nossa carta de apresentação ao mundo. Um beijo.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Ana

      Concordo com tudo, foi mais um aprendizado para mim, não repetirei os mesmos erros e anotei todas as críticas para o melhoramento do texto, tanto no enredo quanto na estética. Não quero deixar o blog com cara de desleixado por conta dos meus erros de principiante, não mesmo.

      Obrigada!

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  16. Amandinha, o que eu gosto mais nos seus textos é que você planeja uma historia forte e cheia de detalhes e mesmo com os limites impostos você consegue passar essa historia para os leitores, talvez não como você gostaria, mas eu como leitora posso te garantir que seus textos são incríveis, cheios de sentimento e uma força enorme. Você é uma escritora de alma, nunca esqueça disso e continue praticando até conseguir escrever o seu romance!

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    1. Oi, Priscila!

      Menina, tens me ajudado tanto, você sabe né? é muito bom contar contigo, com seus estímulos, sua teimosia em me obrigar a continuar rsrs.

      Fico muito feliz com suas palavras, pois sei, são sinceras, é bom saber que gosta das minhas histórias e que torce por mim.

      Vamos continuar, aprendendo, juntas.

      Obrigada, sempre.

      Curtido por 1 pessoa

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