A segunda natureza de Adriano – Elisa Ribeiro

 

Os olhos levemente estrábicos de Letícia brilharam ao ver sua imagem refletida no espelho. Vestido novo, cabelo arrumado, maquiagem perfeita. A festa era em uma embarcação, navegando pelo lago Paranoá noite adentro. Fazia tempo que estava sozinha, estava na hora de encontrar um novo parceiro.

Marcou com as amigas mais cedo num bar ao lado do ancoradouro. Tomava uma Margarita quando o coração disparou. O despertar de um antigo medo. Percebeu que não teria coragem de navegar sequer por uma hora, ainda que na tranquilidade daquele lago em noite de ventos calmos.

Uma sombra escondeu o brilho dos seus olhos pequenos. Gotas de suor geladas umedeceram as costas e as coxas, a boca ficou seca. À dor aguda na mandíbula e na cabeça seguiu-se uma sensação de perda de forças no braço e na mão esquerda. Tomou quase de um gole só a água que acompanhava sua bebida sobre a mesa.

Mariana, sua melhor amiga da vez, notou-lhe a súbita palidez.

– Você está bem, Letícia? Aconteceu alguma coisa?

– Pede um carro pra mim, amiga. A festa vai ter que ficar pra outra vez.

Nessa mesma noite recomeçaram os pesadelos. Enchentes, maremotos, correntezas que a arrastavam, sensação de ar faltando,  de não conseguir respirar. Águas invadindo-lhe os ouvidos, as narinas, descendo-lhe pela garganta. Águas contra as quais não conseguira reagir quando levaram o pequeno Adriano, seu irmão caçula, antes de ele completar cinco anos.

Acordava alvoroçada, um aperto na garganta, a lembrança dolorosa do irmão sacudindo os bracinhos, a cabeça afundando e emergindo. Depois, apenas o cabelo castanho claro flutuando.

Após cada pesadelo, o medo de voltar a dormir e quase sempre o resto da noite em claro. Conhecia bem o tormento, já passara antes por aquilo. Pela manhã, arrastar-se até o trabalho e passar o dia inteiro tentando sem sucesso se concentrar.

– Que cara é essa, amiga?

Mariana era colega de sala de Letícia.

– Tenho dormido mal. Ansiedade, insônia.

– Eu tenho uns remédios em casa. Trago amanhã e você experimenta.

No dia seguinte Mariana trouxe-lhe, além dos comprimidos, o nome de uma terapeuta.

– Deu jeito na minha amiga. Por que você não tenta?

Os comprimidos, não os tomou. Não gostava de tomar remédios, sobretudo calmantes, tinha medo de se tornar dependente. Já para a terapeuta, ligou e, mesmo sem grandes expectativas, agendou uma consulta.

Os desenhos

Não foi fácil para Letícia entregar-se à terapia. Além de muito fechada, precisava confrontar-se com seus próprios preconceitos. Achava que terapia era coisa de pessoas fracas e carentes.

Já havia sofrido uma crise de ansiedade antes e saíra dela sem a ajuda de ninguém. Acreditava que a melhora havia sido fruto do aumento dos treinos na academia e de uma espécie de meditação, aprendida num livro de ioga tomado emprestado de uma amiga, que praticava antes de dormir ou quando os pesadelos a despertavam no meio da noite.

Mas dessa vez a crise parecia ser mais forte, como costumam ser as recaídas de doenças mal curadas. Além disso, não estava disposta a lidar de novo com o mesmo tipo de sequela que a ansiedade havia legado em sua vida da primeira vez.  Perdera o emprego por causa dos atrasos e da letargia causada pelo sono ruim. Perdera também o marido, exasperado com seu mau humor diurno e as noites interrompidas por seus gritos madrugadas adentro.

Marido não tinha mais, mas o emprego novo, o havia conquistado a duras penas depois de muitos concursos públicos em Brasília. Vivia sozinha, tinha uma boa meia dúzia de amigas, um ou outro namorado de vez em quando. Era onde sua vida estava, quando decidiu iniciar a terapia.

Orientada pela psicóloga, aprendeu a domar a insônia e os pesadelos. Ao invés de ficar rolando na cama, coração acelerado, vendo os minutos escorrerem, levantava-se e, sentada diante de um bloco de desenho, lápis coloridos à mão, punha-se o desenhar o que lhe vinha à mente.

No princípio desenhava apenas um cenário parecido com aquele onde havia acontecido o acidente com Adriano. Um rio, um poço, algumas corredeiras. Depois o cenário transformou-se em uma caverna sinistra povoada de criaturas aquáticas inventadas, espécie de monstros, misto de homem, lagarto e serpente.

Letícia não tinha ideia de onde lhe vinha aquela inspiração ou aqueles seres. A psicóloga explicou que eram imagens do seu inconsciente e que colocá-las no papel ajudava a esvaziar os sonhos. De fato, quando Letícia dava por finalizados os desenhos , voltava a dormir tranquila, sem pesadelos.

Com a ajuda da psicóloga, descobriu também que a razão do seu tormento era a culpa que sentia pela morte do irmão. Não um sentimento intangível, que pudesse ser tratado em sessões de terapia, mas algo concreto, que havia feito errado ou deixado de fazer para evitar o afogamento de Adriano, para o que não conseguia enxergar qualquer possibilidade de redenção.

Quando chegou a essa conclusão, caiu em um pranto inconsolável que em décadas de prática a psicóloga jamais havia visto. Esgotadas as lágrimas, relatou com todos os detalhes, pela primeira vez em sua vida, o acontecido.

Um buraco no peito

A família passava alguns dias no sítio de um tio na Chapada dos Veadeiros, perto de Brasília. Letícia tinha dez anos, a irmã mais nova, oito, o mais velho, treze e o caçula ainda não havia completado cinco anos. Perto da propriedade passava o braço de um rio que bem mais adiante encontrava o Tocantins.

Logo no segundo dia, o primo, que regulava de idade com o irmão mais velho, o chamou para pescar numa parte desse rio onde havia um poço, antes de umas corredeiras. Porque estava um dia muito quente, Letícia quis ir também e chamou a irmã para lhe fazer companhia. Sem avisar nada à mãe, trocaram-se as duas, puseram os biquínis, enquanto os meninos preparavam as linhas e os anzóis para a pescaria.

Nem se lembraram do caçula, que brincava sozinho, distraído, empurrando uma bicicleta velha em volta da casa, passando pelo jardim, o canil e o galinheiro. Quando o menino os viu saindo pelo portão, largou a bicicletinha e foi até eles correndo, queria ir também. O mais velho falou que não, que ele era muito pequeno e fechou a porteira de madeira dando por encerrada a questão. O garoto começou a gritar e Letícia, um pouco com pena do irmão outro tanto por medo de a gritaria chamar a atenção do pai e da mãe e estragar o passeio, disse ao pequeno que viesse junto e ao mais velho que tomaria conta dele.

Assim foram-se todos, caminhando, cerca de dez minutos, por um caminho de terra até o ponto onde o rio formava o pequeno poço. Havia algumas pedras na parte mais alta para a pesca dos mais velhos e uma prainha de areia onde as meninas entraram com o irmão.

Letícia logo se entediou do banho e da companhia dos mais novos e foi juntar-se aos maiores, recomendando à irmã que mantivesse os olhos atentos em Adriano, que nessa hora se entretinha fazendo montinhos sobre uma pedra com a areia grossa do fundo do rio.

O primo ensinava-a a colocar a isca no anzol, quando ouviram o grito da irmã. Adriano afastava-se, arrastado por uma mão invisível, para o centro do poço. Ainda boiava e talvez sorrisse nesse momento, mas quando os três chegaram à prainha, a correnteza que o puxava já se tornara mais forte e ele olhava assustado, com cara de choro, na direção dos irmãos.

Letícia sabia nadar, assim como o irmão mais velho, mas o comando do primo dizendo que tomassem um atalho para pegá-lo mais abaixo, congelou-lhes o mergulho e o nado que talvez tivesse salvado o pequeno.

Quando chegaram à parte de baixo do rio, depois do atalho, o irmão já afundava e subia, os bracinhos descontrolados num pedido mudo de socorro, fora do alcance deles. Entraram na água, as pernas e os pés se ferindo nas pedras, num desespero, mas já sem qualquer possibilidade de influenciar o desfecho que guardariam para sempre na lembrança. Os cabelinhos espalhados do irmão na superfície da água, descendo rio abaixo, como mais uma pedra, um tronco ou uma folha.

O que se seguiu a isso foi um desespero impossível de narrar.

Primeiro, a exasperação dos adultos após o relato das crianças. Aos gritos e sem acreditar no que ouviam, responsabilizavam os mais velhos pela desatenção com o pequeno e se penitenciavam por terem deixado as crianças, todas elas, sem supervisão.

Depois, a esperança de encontrar o menino vivo, preso por um milagre em algum acidente do rio ou salvo por algum pescador ou colono.

Nos meses que se seguiram, tentativas de achar o corpo que, frustradas, alimentavam a expectativa de que o menino estivesse a salvo, vivendo com alguma família ribeirinha.

Passado mais um tempo, enfim, a aceitação, um enterro simbólico, mas no coração dos familiares o desejo, mais que a esperança, de que o pequeno Adriano estivesse vivo em algum lugar real e não apenas no buraco que deixara no peito de todos.

Embora durante as buscas tivessem tomado conhecimento de um grande número de crianças e jovens afogados nos rios da região, cujos corpos jamais haviam sido encontrados, aos mais cartesianos, continuou parecendo improvável um afogamento sem que se tivesse encontrado o corpo. Mas principalmente a mãe de Letícia queria enterrar seu sofrimento e pediu que não se falasse mais em casa na hipótese de o menino estar vivo. E assim encerrou-se o assunto do afogamento de Adriano, passando todos a evitar falar dele, como se o menino nunca tivesse existido.

Indícios consistentes

Foi justamente essa hipótese mais cartesiana de, na ausência de corpo, haver uma probabilidade de Adriano estar vivo, que preencheu o espaço vazio que restou na vida de Letícia depois que recebeu alta da terapia.

Como a mãe já havia falecido, procurou os irmãos e o pai, que se não a apoiaram como ela esperava, também não a impediram de retomar a procura do caçula desaparecido.

Recuperaram fotos da época e com a ajuda da polícia foram feitas imagens que projetavam a aparência de Adriano aos dezessete, vinte e cinco e na idade atual de trinta e quatro anos. Em todas elas estavam os lábios finos, traço comum da família, o nariz reto do irmão, os olhos escuros e estrábicos de Letícia.

Letícia divulgou em seu perfil na internet as imagens em uma postagem comovente que relatava a história do afogamento e falava do desejo e da fé que ela, o pai e os irmãos tinham de estar com ele novamente. Ao final do texto, dizia que ao encontrá-lo só desejava dele um abraço, mas seria capaz de dar a ele tudo o que tinha.

A publicação teve centenas de compartilhamentos. A polícia também ajudou distribuindo as imagens e espalhando cartazes nos povoados  próximos ao local do acidente.

Passados quatro meses da postagem, depois de algumas pistas falsas e meia dúzia de trotes disparatados, Letícia recebeu, enfim, uma mensagem com indícios consistentes.

Uma pessoa chamada Pedro, de Alto Paraíso do Goiás, dizia haver um homem muito assemelhado às imagens vivendo num sitio em um local ermo, na Chapada dos Veadeiros.

Achou estranho o perfil, não que parecesse falso, mas era muito recente. Tinha meia dúzia de amigos, todos também com perfis precários e criados há pouco tempo. Seu irmão achou que era mais um trote, mas Letícia se apegou à esperança e continuou conversando com Pedro até, enfim, combinarem um encontro.

Para onde você está me levando?

Sábado, pouco antes de meio dia, Letícia saiu de Brasília rumo à Alto Paraíso. Registrou-se na pousada e cochilou até às quatro da tarde, horário que havia combinado encontrar-se com Pedro na pizzaria em frente.

Sentou-se, o lugar estava vazio, pediu água com gás e esperou. Mexia no celular, quando o rapaz entrou. Trajava jaqueta de couro, luvas e calças jeans. Na cabeça, um capacete que não retirou ao entrar, tampouco ergueu a viseira ao dirigir-se a ela.

– Você é a Letícia? – perguntou, soprando-lhe um pouco de ar na direção do rosto.

Letícia pensou por um instante ver dentro de sua boca entreaberta, por entre os dentes, uma língua bipartida. Mas assim que o hálito com cheiro de planta do rapaz a atingiu, esqueceu-se instantaneamente da língua e do quanto achara estranho que ele tivesse entrado no restaurante sem tirar o capacete.

– Sim. E você deve ser o Pedro.

Também não lhe pareceu esquisito o rapaz, sem sequer sentar-se à mesa, dizer-lhe que iria levá-la imediatamente à presença de uma pessoa. Crédula e dócil, como se tomada por um encantamento, pagou a água no balcão e partiu na garupa de Pedro.

Entorpecida, via a paisagem do cerrado suceder-se, os olhos quase fechados por causa do vento e da poeira, o caminho tornando-se cada vez mais estreito, ora subindo, ora descendo, corujas por todo lado, barulho de maritacas, árvores retorcidas, espinhos, folhas secas.

Por fim chegaram ao fim da trilha e a moto entrou em uma caverna, o leito subterrâneo de um rio descendo. Letícia estremeceu assustada com o escurecimento súbito e o deslizar da moto no chão úmido da gruta.

– Para onde você está me levando? – perguntou, desperta do transe, quase desabando da garupa.

Pedro apenas virou-se e soprou-lhe novamente o hálito no rosto, fazendo o súbito espanto de Letícia transformar-se novamente em deslumbramento com o passeio.

Chegaram ao fundo da caverna em menos de dois minutos. Nesse ponto, o teto muito alto tinha no topo uma fenda larga por onde entrava a luz externa que iluminava de forma difusa o ambiente. Desceram os dois da moto, Letícia em completo êxtase naquele cenário fantástico. Depois que o sopro de Pedro apagara novamente seus medos, maravilhava-se com o reflexo azul e verde da luz externa na água que escorria pelas paredes.

Com um movimento ágil, Pedro encostou a boca nos lábios de Letícia e sugou todo o ar que havia em seus pulmões, fazendo-a desfalecer imediatamente. Amparou-a com um braço e com o outro finalmente retirou o capacete, deixando livre o cabelo verde escuro e as escamas acinzentadas do rosto. Depois, levou-a nos braços até uma das cabanas, que havia na beira do poço que o rio formava no fundo da gruta.

– Aqui está ela, Adriano – disse, e entregou-a.

A segunda natureza

Adriano deitou-a em sua cama e sentou-se ao lado dela. Tocou-lhe o rosto, os braços, as mãos, sentindo-lhe o calor da pele em contraste com a frieza de seu próprio corpo. Alisou seus cabelos finos e castanhos, aspirando-lhes o cheiro doce, humano. Foi tomado pelas lembranças.

Ela, a irmã e o irmão ao longe, embaçados pela água e a aflição, depois as pedras, o fundo do rio, a falta de ar e o nada – um silêncio sem qualquer sensação – antes do despertar dentro de um abraço, uma espécie de boca sugando a água, depois soprando ar para dentro de seus pulmões.

A criatura que o salvou também cuidou dele. Apresentou-lhe seus novos irmãos, de pele cinzenta e cabelos grossos e duros, variando entre o verde e o azul. Tinham a língua bipartida e nos pés e nas mãos, não mais cinco dedos, mas três garras em cada um. Garras que se alongavam ou diminuíam, tornando-se mais grossas ou mais estreitas, conforme a necessidade, o que as fazia muito mais funcionais do que meros dedos.

Aprendeu sua nova natureza, misto de homem, serpente e dragão. Desenvolveu seus poderes, de hipnotizar com um sopro e roubar a energia, fazendo desfalecer a vítima apenas com uma profunda aspiração. Era assim que interagiam com os humanos sempre que precisavam deles.

Salvou algumas crianças e jovens afogados, dando também a eles aquela segunda natureza. Acumulou uma boa quantia em dinheiro, sempre roubado, de fazendeiros, comerciantes e até de pobres famílias ribeirinhas. Nisso se resumiam seus vinte e nove anos daquela existência reptiliana. Estava pronto e sedento para recuperar sua antiga vida humana.

Notou uma mudança no ritmo da respiração de Letícia e um leve tremor por baixo de suas pálpebras fechadas. Acordava do transe. Aproximou seu rosto do dela e soprou.

Ao despertar, a primeira coisa que Letícia viu foi um par de olhos escuros, pequenos, levemente estrábicos como os seus.

– Adriano, meu irmão, é você?

Hipnotizada pelo sopro não enxergava o ser repugnante que ele se tornara, mas seu irmão desaparecido, idêntico às imagens que a polícia projetara dele. Sentou-se e agarrou-se a ele num abraço dizendo palavras de amor e de saudade, enquanto de seus olhos escorria um choro abundante que lavava toda a sua culpa guardada por quase trinta anos.

Ia começar a fazer-lhe perguntas quando ele a calou com uma espécie de beijo. Com a boca encostada na dela, aspirou profundamente enquanto as doze garras, das mãos e dos pés, alongavam-se por baixo e por dentro dela, empurrando em direção à boca as entranhas que encontravam pela frente. Sugou tudo que havia dentro da irmã e quando ela jazia seca e murcha ao seu lado, ainda comeu-lhe os olhos escuros e pequenos que permaneciam abertos mirando-o, agora já sem vê-lo.

Reassumiu a forma humana, conforme lhe haviam dito e ele próprio vira acontecer uma única vez. Ingerir todo o sangue e as vísceras de um parente era a única maneira de recuperar sua antiga natureza humana e livrar-se para sempre daquele destino de serpente.

Epílogo

O carro de Letícia permaneceu parado em um terreno vazio que servia de estacionamento à pousada onde se hospedara. Passados dois dias, o pessoal da pousada achou estranho, procurou-a em seu quarto e não a encontrou. Sobre a cama levemente desarrumada, estava a pequena bolsa de viagem fechada. A chave do carro, presa à de casa num chaveiro com uma foto antiga do irmão pequeno, estava sobre o criado, ao lado da bolsa de mão.

A polícia local foi chamada e também não a tendo encontrado nem na cidade, nem em seu endereço em Brasília ou no local de trabalho, notificou à família.

Os irmãos estiveram na cidade por mais de quinze dias tentando descobrir algum indício do que acontecera com Letícia. Nada encontraram além do testemunho pouco convincente do rapaz da pizzaria que dissera lembrar-se vagamente de tê-la servido, uma água com gás apenas, alguns dias antes.

Em nenhum momento notaram a presença de um homem, sempre de boné desbotado e óculos escuros disfarçando-lhe o rosto, que os observava, como um réptil, de longe.

Passado mais algum tempo, conformados porque não havia outra solução, deram a irmã como morta. Mais um corpo insepulto, um enterro simbólico, uma dor revivida. Mais um buraco aberto no coração dos que restaram e uma história.

Adriano

18 comentários em “A segunda natureza de Adriano – Elisa Ribeiro

Adicione o seu

  1. OI, Elisa!
    Já conhecia este texto, acho que lá do dtrl, nao é?
    Gosto dele. Embora eu gostasse mais se focasse mais na historia dos reptilianos, pq a introdução achei um pouco longa, queria ir direto para os finalmentes.. talvez pq eu já conhecia a historia? rsrs
    Seria engraçado ver o comentario q fiz da outra vez, acho q a cada leitura a gente tem uma observação diferente dos textos!
    Abração

    Curtido por 2 pessoas

    1. Oi Kinda! O texto foi do DTRL, muito bem recebido lá, o que me deixou muito feliz na época. Por causa dos comentários, lá, provavelmente o seu entre eles, tentei escrever mais sobre as criaturas, mas ficou uma porcaria…hahahah
      Criá-las já foi desafiador demais pra mim, engordá-las, impossível…Beijos, querida. Obrigada pela leitura e comentário, mais uma vez.

      Curtir

  2. Adoro este conto, já o tinha lido antes e foi um prazer ler de novo. A escritora, uma amiga de outras plataformas, sempre me surpreende com histórias escritas com segurança e despertando o interesse dos leitores. Adoro estes contos insólitos, mesclados entre a fantasia e o terror, e este foi mais um excelente achado. Um beijão, menina.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Iolandinha! Obrigada pelo comentário. Sem muito tempo para escrever – duas historinhas de terror inacabadas – acabei reprisando essa por aqui. Beijo, querida.

      Curtido por 1 pessoa

  3. O título não me foi estranho, e a história veio logo em seguida. Me deliciei relendo este conto, e ainda me pergunto o que será da vida de Adriano dali para frente, como ele aproveitará sua nova chance? Acredito que para a irmã dele, a morte tenha sido um alívio, assim, desfez de toda a culpa que sentia e tanto a atormentou. Ótimo conto.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Um prazer reler esta narrativa com o tema da morte suposta, do enterro simbólico. Há suspense, mostra o mistério do mundo aquático e o medo pelas criaturas desconhecidas.

    O amor familiar bem construído é o que leva a protagonista ao sumidouro; os sonhos são premonição desse futuro e vão justificando o título que fica bem explicado no epílogo. Encontrou a solução perfeita para o sentimento de culpa de Letícia e a ânsia de vida de Adriano.

    Gostei muito do conto quando o li pela primeira vez e mais ainda agora; leitura fluente e agradável; a divisão em partes ficou pertinente, os subtítulos são sugestivos, as cenas de terror são assustadoras.

    Enfim, Elisa, está de parabéns pela segurança ao conduzir essa trama que atirou o leitor dentro de águas de fel, carnes, sangue e ossos.

    Bom trabalho. Beijos.

    Curtir

  5. Olá,
    Eu não conhecia o texto e me surpreendi positivamente com essa narrativa que trata, em última instância de sobrevivência. Letícia não consegue sobreviver carregando o remorso que se apodera dela de tal forma que a impede de prosseguir com sua vida. Por outro lado, Adriano também não consegue prosseguir com sua vida em forma reptiliana e, em sua busca pela sobrevivência com a forma original, ele tem de colocar o remorso de lado. Assim, os personagens trocam de lugar. A pergunta é: será que consegue viver sem carregar o remorso que se apoderou da irmã? Essa é sua vingança por ter vivido muitos anos feito um bicho entocado? É uma metáfora ou ele se transformou mesmo em um bicho raivoso? Muito boa premissa.

    Curtir

  6. Olá Elisa. A nossa natureza é-nos inata. Se Adriano tinha uma segunda natureza, isso significa que nasceu com ela. Se for esse o caso, não houve acidente, antes apelo. Adriano foi atraído pelo poço e claro que se assustou e teve medo. No entanto, não creio que tenha sido essa a história que você escreveu, mas o título torna essa leitura possível. O sentimento de culpa da irmã é excessivo, tanto pelas circunstâncias acidentais, quanto pela afirmação de que a psicóloga nunca vira nada assim. E quem é Pedro? donde surge e como vive? em que mundo? qual a sua natureza?
    Gostei do conto, mas penso que lhe faltam muitos elementos fundamentais. Se você se debruçar sobre ele, decerto irá encontrar matéria para uma novela.
    Assim, gostei muito, mas achei demasiado incompleto.
    Um beijo.

    Curtir

  7. Oi, Elisa,

    Tudo bem?

    Um conto interessante e que daria um belo romance jovem, com a vida dos reptilianos em seu submundo na floresta, a vida da irmã na cidade, a infância de ambos antes e após o acidente.

    Quando uma família perde uma criança, o dano é irreparável. Pais jamais se recuperam e a dificuldade de lidar com as crianças vivas é um obstáculo de dor a ser vencido. Em seu texto, sob o ponto de vista da irmã, a dor da perda estendeu seus braços também aos mais jovens. E, o sentimento de culpa, principal premissa do conto, não só é extremamente pertinente, como muito bem explorado (a meu ver). A culpa é nossa própria consciência nos perseguindo eternamente.

    Me pergunto se você explorou alguma lenda de sua região, ao optar por dar ao irmão uma segunda pele. Uma segunda natureza que, se por um lado foi a mão amiga que o manteve vivo, por outro é algo que o privou dele toda e qualquer natureza humana. Seja na aparência, seja naquilo que sente.

    Ao encontrar o irmão, a vida de sua protagonista, ao contrário do esperado pelo leitor, não passa por uma espécie de catarse, salvando-a de sua culpa, de si mesma. Não. O encontro resulta em sua própria morte. Assim, ao que parece, a culpa funciona como uma espécie de engrenagem que a mantinha viva. Sem ela, a moça já não tem por que viver.

    Por outro lado, o irmão parece reclamar aquilo que foi tirado dele. Dessa forma, a autora oferece ao leitor uma série de chaves para a interpretação. O bem e o mal, o feio e o belo, o que se doa e o que recebe, e, em uma interpretação talvez ainda mais radical, o feminino e o masculino. Assim, a segunda natureza de Adriano, seria a da irmã, em uma espécie de morte onde apenas ao se aceitar e se transformar em quem se quer ser, é que nos tornamos nós mesmos.

    Parabéns pelo trabalho.

    Beijos

    Paula Giannini

    Curtir

  8. Oi Elisa, nossa que conto legal!! Gostei muito de como você conduziu a história. Me emocionei com o relato do acidente e fiquei admirada com a parte fantástica do texto, me pegou de surpresa, nunca imaginei que o texto fosse por esse caminho… Muito original e bem escrito! Me serpreendeu! Parabéns!!

    Curtir

  9. Eu adorei o conto porque ele surpreende o leitor. A gente começa achando que é um conto realista, e depois se vê surpreendido por essa loucura do irmão-réptil. Muito criativa sua versão de MORRER! Minha única crítica é que o miolo do texto, na minha opinião, podia ser resumido. Não vejo necessidade para a trama daquele trecho enorme sobre a terapia, nem a descrição tão detalhada do acidente e da busca da irmã pelo Adriano. Como destaque, achei que vc constrói muito bem o clima de suspense, a partir do momento do encontro dela com Pedro, e isso é coisa difícil de fazer. Parabéns!

    Curtir

  10. Um conto excepcional! Amei! Gostei de como a leitura foi fluindo, foi acontecendo e como eu mergulhei na vida de Letícia e no passado sempre presente. E que surpresa o final! Perfeitamente encaixado dentro do gênero fantástico que eu amo! Uma mistura de surpresa e medo.
    Parabéns!
    Um grande e carinhoso abraço!

    Curtir

  11. Oi, que contaço, hein?
    Não conhecia, e li num fôlego, louca para saber o que aconteceria (já imaginei que Adriano havia escapado da morte), e de repente me surpreendi com a fantasia muito bem explorada, com a presença de seres reptilianos que salvaram a vida de Adriano, com a condição de que para que ressurgisse em vida humana, outra vida como a outrora sua fosse tomada.
    Enquanto isso, a reflexão da “não vida” de Letícia, o pesar eterno, a dor por imaginar qe não fizera tudo para salvar o irmão, e afinal, a redenção, o reencontro com o irmão, a morte.
    seria mais um salto para uma nova vida, uma vida sem a dor, apenas aguardando a oportunidade, quem sabe um outro irmão, ou uma amiga, até mesmo a psicóloga, vindo em sua procura?
    São várias possibilidades, excelente conto.
    Amei!

    Curtir

  12. Bom conto. Fiquei achando que ela ia encontrar o irmão e viveriam, os dois juntos, felizes para sempre.Mas vejam só! Foi exatamente isso que aconteceu, mais juntos que isso impossível 🙂

    Curtir

  13. Olá Elisa,
    De um singelo drama psicológico, lentamente evoluído para um terror macabro. O que mais gostei foi o fantástico invadir uma história do cotidiano sem dó e nem piedade. Terrivelmente bom!

    Curtir

  14. Não tinha lido ainda este conto e me surpreendi com a sua carga dramática, de suspense e algo de terror também. Pior terror não deve haver do que não poder sepultar um ente querido, pois a dúvida e a culpa ficam sempre a vagar em volta dos que ficam.
    Fiquei com medo da tal natureza reptiliana de Adriano. Devorou a irmã com lembranças, raiva, culpa, tudo mais. Será que teve indigestão?
    Parabéns por esta narrativa surpreendente. 🙂

    Curtir

  15. Elisa, a imagem do conto lembrou a capa de Nevermind do Nirvana, e a narrativa seguiu uma pegada Nirvaniana. Gostei muito das questões psicológicas abordadas no texto, a culpa, a ansiedade, o quanto ela corrói as mentes humanas, vc. fez isso com propriedade ao compor a Letícia, o que justificou a sua saga em busca do irmão desaparecido nas águas. Depois veio a reviravolta, com a introdução da fantasia ao descrever o novo mundo de Adriano. Ficou bacana esse contraponto. Só que me apeguei à Letícia, deu dózinha quanto a forma desalmada com que o irmão sugou a sua vida. Ah, esse mundo reptiliano, sem amor, sem compaixão. Muito bom, um dos contos que mais me prendeu a atenção, parabéns. bjs.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: