Devoção – Rose Hahn

A vidinha pachorrenta entrou cambaleante no mês de abril. Aguardo o milagre da profundidade empanturrando-me de chocolate. Os botões do suéter xadrez estão gastos do ruminar melancólico de uma existência imponderável. Amizades rasas, casamento raso, tal qual o prato raso remexido de garfadas apáticas. O menino Jesus bem que podia me inspirar com esse negócio de ressureição.

As amigas vivem no mundo dos sapatos e bolsas, há cumplicidade entre elas. Agarro-me à borda das frivolidades, esperando por migalhas de relevância.

– Que tal, Flora? Combina com a blusa rendada?

– Aham.

A agonia penetra noite adentro, derramo-me nos lençóis simulando orgasmos, enquanto penso em dar um fim no marido ordinário. Repudio os sussurros obscenos, sinto o seu desprezo velado arfando na minha alma, respiro o seu deboche diante da letargia do meu abraço, espreito o olhar dissimulado; ele não percebe que finjo não perceber porra nenhuma.

O safado não sabe que eu sei que as discussões bestas são tão somente pra ficarmos de birra por vários dias. É a senha mágica pra procurar as putas na rua. Tolinho, isso já virou clichê. Porém, estava escrito, de tanto a pedra dura entranhar em águas moles, o previsível se tornou galhada anunciada. Uma vadia abocanhou o seu coração, com mais frequência, suores, palpitações, pulsações.

As mudanças não passam despercebidas: o perfume da Ferrari, o CD do Victor & Leo, as novas cuecas boxer, a matrícula na academia. Não suporto a exclusividade dada à quenga, jogo tudo na sua cara, faço escândalo, estico o beiço. O canalha tem a desfaçatez de insinuar que estou vendo coisas, por causa do cartão de crédito estourado, da TPM, da visita da mãe dele, o escambau. Deveria haver exame de contraste a fim de diagnosticar a malignidade do caráter das pessoas. O diagnóstico de César seria o de proliferação celular de câncer enraizado, e em metástase.

Escovo os cabelos castanhos chapados e pergunto, ao fio solitário eriçado, como acabar com esta indolência. A resposta surgiu em forma de sonho, a metáfora da minha infância. Provavelmente pela influência de júpiter, o regente do ano. Li na internet que esse planeta entrou no meu signo, câncer, estimulando as mudanças e transformações profundas. Ou será a metástase do César em conjunção com júpiter? Ou será porque está na hora de tomar vergonha na cara? Arre égua, sei lá.

 

A horda de crianças caminhava sem rumo, entregues à própria sorte numa paisagem árida; cavalos enfileirados trotavam ao lado delas – felizes equinos em oposição às desgraçadas e maltrapilhas crianças. Enxerguei-me, de roupas imundas, entre as crianças desafortunadas e os pocotós saltitantes. Fixei a visão embaçada nos cavalos, eles não combinavam com a aridez do cenário. O meu rosto miúdo, de sobrancelhas arqueadas, espantou-se quando enxergou um deles sorrindo pra mim.

A surpresa maior ficou reservada à Voz, que disse de modo solene e imponente, igual ao homem do jornal da noite: “Pegue o seu cavalo”. Estranhei ouvir vozes nos sonhos, pois geralmente as imagens noturnas rodam sem cores e sem sonoplastia, na tentativa de arremedo sem sucesso dos filmes de Chaplin. Estiquei o franzino pescoço e procurei a Voz, mas não havia ninguém a arrebanhar os desamparados pirralhos. Não satisfeita, Ela se manifestou novamente: “Monte no cavalo”. Num lampejo, vi uns moleques, exuberantes, a galope nos potros. A inspiração veio dos abençoados, força incomum me possuiu, jubilosa alegria se fez presente, Papai Noel escolheu a minha cartinha. Em fração de segundos galopava em cima do alazão, de espada em punho. Em relação à espada, surgida do nada, Freud diria tratar-se de manifestação latente do símbolo fálico representando o desejo reprimido da mulher mal amada, ou a vontade de trucidar o atributo do poder masculino.

Encilhada no animal encarei, de queixo empinado, o desértico pano de fundo. Impossível não ter confiança em cima de um cavalo, improvável ter medo abraçada na crina do corcel − o meu pai deveria saber, tal a soberba montado no Corcel I ano 1973.

Partimos a galope por campos verdejantes, montanhas pastosas, planícies caudulentas, a lâmina afiada de grosso calibre em riste, fauna e Flora em afinada comunhão. Rapidamente a cena mudou, agora cavalgava em estrada íngreme e rochosa, o céu desanuviado nublou em matizes grisalhos enervantes, mas nada me perturbava, a não ser quando avistei o marido entojado.

A ação inusitada aconteceu em slow motion: César cruzou a pé por mim, os olhos molhados mendigando clemência. Escutei outra vez a Voz de Jornal Nacional: “Não olhe para trás”. É claro, no mesmo instante, olhei. A Voz, paciente e metódica, repetiu: “Não olhe para trás”. Okay, não precisa desenhar, chegou o momento da libertação. Incorporei entidade superior e esnobei o cretino com movimento de desprezo gracioso com a cabeça. O Silverado, em perfeita sintonia comigo, deu uma rabanada cinematográfica; afaguei o lombo do bichano e saímos majestosamente a trote, inundada de coragem e de confiança, revelada na criança refeita.

 

Tomei o café e abocanhei a fatia de pão, emplastada de geleia. O sonho da noite anterior desfilava em 3D, a um palmo da cafeteira. As imagens, plenas de sentido, pipocavam na cabecinha de porongo. A criança insegura e solitária, mãe austera, pai omisso – a mais pura tradução da minha infância.  Freud ficaria orgulhoso de tanta profundidade.

Perguntava-me, contudo, sobre a Voz que ordenava: “Pegue o seu cavalo”. Mastigava os pensamentos quando o César irrompeu na cozinha e tirou-me dos devaneios matutinos. Chegou por trás, fez gabolices na minha nuca e amarrou no meu dorso uma corrente com pingente de duas crianças de mãos dadas.

– Não quis te acordar ontem, dormia como anjo.

– Tava onde?

– Fui beber umas cervas com os rapazes.

– Sei.

Não gasto mais chongas em discussões com o bastardo, sempre finjo, por instantes, que as suas mentiras são verdades. Cravei o olhar no desenho das crianças na corrente. Deus do céu, só pode ser sinal de júpiter. E onde está o diacho do cavalo? Ri por dentro do meu humor ácido ao pensar que o cavalo, daqui a pouco, vai implicar com alguma coisa, dar patadas, dizer que me dá tudo, que não dou valor, sair porta afora e voltar somente depois do jantar.

Ele tascou-me um beijo com gosto de gengibre.

– Vô no mercado.

– Tá.

Puxa, lembrei, hoje é sábado, dia de brincar de papai e mamãe. O eco da sua fala viajou apressado, do corredor da sala até a cozinha:

– O Rafa vai comigo.

Fiquei imersa nos devaneios noturnos, as visões ainda singram na mente, tantas perguntas, nenhuma resposta. Algo dentro de mim fervilha como água no fogo, é a deixa pra colocar o feijão de molho. Separo os grãos com cara de mau, enquanto espremo as ideias e matuto o motivo de tanto devotamento a uma existência abestalhada. Devoção ao esposo, aos filhos, ao trabalho. Trabalho que me viu entrar na faculdade, sair, voltar e, por fim, abandonar os estudos; casar, ter filhos, chorar pelo marido; perder o pai, chorar pelo pai, chorar pelo marido; perder a mãe, chorar pela mãe, chorar pelo marido. Trabalho acelerado que nunca parou de trabalhar, que nunca parou pra consolar o meu pranto, quanta ingratidão!

O apito da panela de pressão me trouxe de volta à realidade. Alguém falou. Choquei! Não era possível. Ouvi a Voz de novo. Esquadrinhei toda a cozinha a fim de confirmar que não estava sonhando. Enxerguei tudo em cores: os azulejos floreados demodê, o piso bege salpicado de suor da chuva engasgada há vários dias, a geleia vermelha, a geladeira supermoderna cor de grafite – está sim, um verdadeiro sonho, comprado em seis parcelas.

Não tendo mais aonde olhar, olhei para dentro de mim, e a Voz interior sabiamente repetiu: “Você não teria sobrevivido sem os seus devotamentos”. Uma lágrima solitária rolou do olho direito amendoado, cor de anis, e da mesma cor do outro.

A Voz tem razão. Por motivos óbvios foi a maneira mais sensata para viver na superfície – pela dedicação cega a tudo e a todos. Ninguém pediu esta servidão, nem família, nem trabalho, ninguém, “fi-lo porque qui-lo“, e a fim de suportar tanta babaquice ganhei o dom da criação de um universo particular, povoado de ilusões.

Rafa voltou à cozinha, abriu a geladeira dos sonhos, pegou o litro de guaraná e fechou a porta num coice com o Nike embarrado, igualzinho o pai faz. Tremi por dentro de vontade de esbofetear a cara dos dois.

– Ué, não foram ainda?

– Não, tô esperando o pai.

– Onde ele tá?

– Lá na rua, no celular.

Então, se você tem a oportunidade de consertar as escolhas de merda que fez, se o céu assinala um cadinho de redenção, se os planetas estão alinhados, então, dona Flora, encilha o teu alazão, empunha com brio o punhal reluzente e vai sobrepujar o inimigo, sem olhar para trás.

Fui à batalha dotada da valentia de um general, da altivez de uma princesa, pronta pra consumar a derradeira justiça: “Dai, pois, a César o que é de César“.

A lâmina fria escorreu vigorosa no robusto peito de Chester. Na primeira estocada fluiu sangue quente, em contraste à lâmina fria. O corpo agonizante cambaleou em espasmos com a lâmina cravada em protestos aos refestelamentos do glutão. Ele caiu sentado em frente à porta da área de serviços − melhor assim, mais perto da lixeira. O pescoço pendeu à direita, sem força pra qualquer reação e ereção, as bolitas opacas clamaram por piedade, o rosto lívido escureceu feito pano de prato encardido. Bem feito. Eu cansei de avisá-lo pra não secar as mãos nos panos de prato branquinhos de alvejante.

Desceu-me às narinas o cheiro forte de sangue, igual o cheiro das galinhas degoladas da infância. Maldito, até na morte causa-me enjoo. Tirei silenciosamente a faca, desdenhei o modorrento, estava me lixando pro seu desespero. A lâmina agora era quente; o sangue, gélido. Enfiei a segunda estocada, ele soltou um grunhido de porco, enquanto eu sorria por dentro diante do definhamento do impávido colosso em queda retumbante. Sei que vou pro inferno, tudo bem, juramos que era pra sempre mesmo, né Césinha?

Empunhei a lâmina e escarafunchei a carne, do mesmo modo no qual ele esgaravatou as entranhas da amante, profundo tal qual o rasgo no peito, sentindo-me poderosa a punhetear a espada no estrebuchado, montada triunfante no cavalo.

Todo o deboche e a empáfia finalmente vingados. Regozijai-vos, putas da zona fétida! Todos os ânus de abuso e os anos de poder desse cidadão contra vossas senhorinhas de fino trato também foram revidados. Não precisam agradecer, depois mando a conta.

De um jeito torto tomei posse do protagonismo cobiçado. Intenso, denso, visceral. Ufa! Chega de realidade rasa, chega de fragilidades, chega de frivolidades, chega de…

– Mãeeeeeeeee…

– Ahmmmm…

– Mãeeeeeeeee???

– Ahmmm? O que foi, hein?

– O pai tá chamando.

 

 

 

28 comentários em “Devoção – Rose Hahn

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  1. Olá, Rose!
    Uma narrativa com gosto de confissão, onde a protagonista vagueia entre o sonho e a realidade, entre as escolhas feitas e as ainda por fazer. Um imaginário de promessas ainda a se cumprir, mas que não se cumprem, então ela definha, então ela define, então ela se projeta na fantasia de matar aquilo que a está matando e oprimindo. Ela delira com sua devoção a um marido, filhos e trabalho sem encontrar neles o sentido de sua realização. Um texto sensível, uma ode à liberdade de escolha, nem que elas venham erradas ou tardias. Muito bom.

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  2. Rose! Que conto louco! No começo, cheguei a temer q a leitura ficasse cansativa, de tão “comum” que era essa mulher que vc criou. Comum que nada! Ela vai num crescendo até chegar no momento mais surpreendente, a grande quebra de expectativa, quando ela enfia a faca no peito do marido. Mas confesso que eu odiei que tudo aquilo fosse devaneio. Porque seria muito mais forte em termos de narrativa se ela realmente matasse o marido. E ainda fico curiosa com o que essa mulher faria com o filho, depois de matar o pai de forma tão violenta. Será que ele viu o crime? Será que ela vai matar o filho também? Pra mim, vc perdeu essa oportunidade. Não topa montar naquele cavalo e arriscar fazer uma segunda versão, com final diferente? Fica o desafio. De qualquer forma, eu adorei, adorei essa personagem, q vc construiu de forma espetacular! Super parabéns!

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    1. Oi Juliana, gratidão por ter curtido a leitura e ter entrado de cabeça no mundo da protagonista. Talvez na próxima páscoa ela monte no cavalo e consuma de vez a sua ressurreição. Por enquanto ela continua no mundo dos devaneios. Bjs.

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  3. Narrativa repleta de emoção! Construções bonitas e uma boa apresentação psicológica da personagem. Mesmo a trama sendo simples, a voz do personagem ganha destaque e é possível sentir toda a sua angústia através de um desabafo que contém certa crítica social ao casamento. A protagonista revela seu desejo mais recôndito — matar o marido e envolve o leitor de tal forma que este se torna um cúmplice.

    A linguagem, quase coloquial é adequada ao foco narrativo e ao assunto, e o CAVALO tornou-se a metáfora perfeita para a liberdade, a ousadia.

    Li em uma reportagem que o marido abusivo tem duas caras: ora amável, simulado, ora violento, estuprador — assim é o seu César. Você soube captar e desvendar todos as nuances necessárias daquela relacionamento, para prender o leitor e conquistá-lo para esse assassinato de ficção.

    Parabéns! Beijos.

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    1. OI Flenuany, gratidão pela leitura sensível; realmente os narcisistas perversos estão por aí, e infelizmente ainda há muitas “Floras” permissivas, sem força para saírem de relacionamentos abusivos. Bjs,

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  4. Bebê, que conto maneiro! Adorei ela misturar devaneios empoderados (e até assassinos) com a sua rotina com a família folgada. As soluções dela são criar caminhos dentro da imaginação para conseguir aliviar as próprias frustrações. Esta “válvula de escape” deixou o conto divertido e com muita ação. Gostei de tudo, principalmente dos devaneios e do trabalho com as palavras. Acho que foi um dos que mais gostei. Beijão.

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  5. Oi, Rose,

    Tudo bem?

    Estou rindo aqui com o comentário da Iolanda… Devaneios empoderados. 😉

    Agora, falando sério, vamos ao conto.

    Existe algo de muito particular para as mulheres, ou talvez, para quem se entrega de fato a um relacionamento, mas, ao que me parece, mulheres mergulham muito mais fundo e completamente nessa aposta de vida que é vida-a-dois. Ela abre mão de tudo, mesmo as empoderadas, pois, ao nos empoderarmos, driblamos obstáculos arraigados demais em nossa sociedade e, secretamente, todas sabemos disso.

    É interessante notar como a autora constrói o sentimento de frustração da protagonista. Assim, ela vive essa tal vida secreta, onde pode montar cavalos (ainda que em sonho) e, tomando de uma espada (ou faca), fazer justiça com as próprias mãos. Para que o(s) outro(s) seja(m) feliz(es), ela se anula, mas, ainda assim, ainda que lá no fundinho, ela continua sendo ela mesma. Com seus sonhos de amor, e paixão, e liberdade, fidelidade, enfim.

    Quando você falou em chester matei a charada. Na mina peça Casal TPM a personagem chama o marido de chester, fazendo bullying devido à barriguinha protuberante que ele carrega. rsrsrsrs

    Um belo texto. Feminino e, ainda que trabalhe com o imaginário, extremamente real. Quem não tem seu mundo imaginário que atire a primeira pedra. 😉

    Parabéns.
    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Paulinha, grata pela leitura atenta, quanto ao Chester a ideia era de peitão mesmo, motivo de ter citado a matrícula na academia, no início, mas gostei da sua interpretação, de barriguinha imensa, faz todo o sentido. bjs.

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  6. Um conto carregado de agonia. Por que ela não decide usar aquela faca? Por que as escolhas passam por tantos filtros?
    Sua protagonista é uma mulher forte e, apesar de não concluir seus desejos, é uma mulher dominante. Gostei das reflexões que me proporcionou.
    Parabéns!
    Um grande e carinhoso abraço!

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  7. Rose, eu estava torcendo pra não ser um devaneio…. Ahhhh, kkkk mas falando sério, muito legal esse conto!! Amei a brincadeira com as palavras!! Muito gostoso de ler, leve e muito bem humorado! Gostei muito! Parabéns!!

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  8. Oi, Rose!
    Sensacional essa mistura de loucura e realidade, fuga de tantos tormentos (até mesmo desconhecidos) e a ironia quase cômica , tudo muito bem elaborado, como sempre, presente nos seus trabalhos.
    Gostei muito , muito mesmo do seu conto.
    Bjokas!

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  9. Oi, Rose…
    Achei o texto meio lugar-comum, sabe… claro, intimista, entrando na mente e coração de uma mulher que vive um casamento artificial, sempre tem que ficar meio parecido os textos de quem se aventura nesse campo…
    Por isso mesmo, eu esperei por um diferencial, infelizmente, não achei… mesmo o devaneio do trucidamento, já li tantos por ae…
    E mais uma críticazinha.. tem muito adjetivo, guria… rsrs
    Mas o teu estilo é legal, gosto do teu jeito bem-humorado de escrever. A historia é que não me pegou mesmo, sorry…
    Abração

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    1. Nossa Kinda, achei que estava no Entrecontos, rsrs. Obrigada pela leitura, quanto aos adjetivos foram propositais, pois a história é contada pela protagonista, que destila sarcasmo e ressentimentos contra o marido. Beijos no coração.

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  10. Oi Rose,

    Gostei bastante do conto. Li com interesse da primeira à última linha, de um fôlego só. Gostei bastante da linguagem, as metáforas bem distribuídas, na medida, sem sobrecarregar o texto. O sonho no meio do conto também me agradou pela quebra que deu na rotina da moça e na história. Também gostei bastante do final com a surpresinha de ser uma fantasia o assassinato pelo qual você havia habilmente nos feito torcer. Aliás, o assassinato ficou muito bom…Achei muito boa essa ideia de matar com esse requinte e depois ressuscitar. Aliás, seu conto começa falando de ressurreição. Só percebi a conexão escrevendo agora…..

    Um conto excelente! Parabéns! Beijos.

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  11. Olá Rose,
    Delícia de humor negro. Babei. Kkkkk. Acho explosiva essa combinação que você faz de humor e dor profunda.
    Olha que preciosidade: “Agarro-me à borda das frivolidades, esperando por migalhas de relevância.”

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  12. Espetacular esse delírio da devotada Flora. Uma loucura que, de fato, aFLORA em todas as mulheres algum dia. Eu imaginei a moça assassinando um chester pronto para ir ao forno. Ela sonha dormindo e até mesmo acordada com a liberdade, com uma vida nova cuja estreia seria ideal se fosse na Páscoa.
    Quanto à influência de Júpiter, acho que ficou meio fora do contexto. Júpiter é planeta de expansão, que traz abundância, considerado como um benfeitor. Melhor seria citar Plutão (transformação profunda, ligado à morte, ao sexo, ao oculto) ou mesmo Urano (revolução, liberdade, inovação).
    Parabéns por construir uma narrativa que prende a atenção e vai nos conduzindo como um mergulho nas reflexões e surtos de Flora. 🙂

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    1. Oi Cláudia, gratidão pela leitura e comentários. Quanto a Júpiter, ótimo o seu comentário. Escrevi esse conto em 2014, ano regido por Júpiter, daí a mocinha da história leu na internet as influências de Júpiter no seu signo, e Júpiter em câncer acentua ainda mais a imaginação e devaneios, tudo a ver com Flora, né? Bjs.

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  13. Uma mulher frustrada pelas escolhas que fez na vida e decepcionada com o marido folgado e traidor. Ela deixa os pensamentos voarem, vivendo mais na imaginação que na realidade, sem se dar conta que um dia todos aqueles pensamentos podem se tornar realidade sem que ela se dê conta. Pessoas assim existem e precisam de tratamento psicológico. Um conto intenso e bem contado, a personagem ficou tão real que deu vontade de ajudá-la, rsrsrs, de tão comum (infelizmente) que é essa realidade.

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  14. Olá Rose. Essa Flora, que em sonhos sintonizou com a fauna, é muito freudiana, muito analítica… “Fi-lo porque qui-lo”. Quantas Floras se tentam convencer disso. E depois têm devaneios, claro. Como evitá-los? No geral, as mulheres são educadas para esse retrato aí pintado e optam por ele, acreditam que optam. Vi que algumas colegas teriam preferido o marido realmente morto mas, em minha opinião, ficou bem mais verosímil assim. Parabéns pelo
    bom conto, muito bem escrito e conduzido. E que, com o tempo, seja cada vez mais fantasia – em toda a parte.

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    1. Oi Ana, gratidão pela leitura. Sim, infelizmente, existem Floras às pencas. Quem sabe em Devoção parte 2 ela consuma o ato, por ora, ela continua em devaneios. Bjs.

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