Mousse de Maracujá – Paula Giannini

Que acreditava em Deus.

É o que responderia se acaso um dia alguém lhe perguntasse.

Que sim.

É o que diria se tivesse o senso para responder questões.

Sim, acreditava. Ora, e como não?

Como, afinal, se chamaria aquilo em que habitava?

Deus.

Aquilo constituía toda a sua curta vida. Comer no momento em que desejasse e beber do néctar daquelas flores que povoavam o jardim. Seu jardim. O único que conhecera e, igualmente, o único que jamais um dia viria a conhecer.

Flores de maracujá.

Ingredientes

1 lata de leite condensado

1 lata de suco de maracujá, medida pela lata de leite condensado

1 lata de creme de leite sem soro

Era ali que sua mãe, ou ao menos aquela que assim chamaria se soubesse como fazê-lo, colocara seus ovos. Local fértil e húmido, e vasto o suficiente para ser consumido com a voracidade da lagarta que há poucos dias fora. Mas hoje não. Hoje, já não mais lagarta, esticava-se ainda húmida e desajeitada sob a imensidão azul que, se acaso houvesse em seu mundo isso de nominar as coisas, chamaria céu.

Azul.

Assim era todo o universo que a circundava. E já ousava um tremilicar ligeiro, com suas asas amarelas-escuro, típico da beleza das Dryas Julia, borboleta que jamais suspeitaria ser.

Amarela.

Cor perfeitamente oposta àquele dia azul e solar.

Sobre a cabeça, o céu.

E sob seus pés, outro céu.

Ali, da haste onde se apoiava, via algo novo e desconhecido. Algo para o que jamais prestara a mais leve atenção. Mas agora, sim, percebia os céus infinitos que a cercavam por todos os lados. Insinuando-se escancarados. Convidando-a para o voo.

Outro céu.         

Como poderia supor? Como poderia imaginar que havia um ou que outros céus? Ou que, nesse momento, seria ela obrigada à inevitabilidade da escolha. Não. Nada havia de escolhas ou discernimentos em sua vida. Nada disso. Para ela, bastava o bater ligeiro de asas já prontas, rumo ao mais convidativo daqueles céus. O mais próximo. E bonito. Aquele que, de seu ângulo de voo, assim em sua inexperiência de primeira vez, lhe parecia mais fácil atingir. O mais brilhante. E ondulante.

E molhado.   

Sentiu o frio e inesperado toque daquele outro céu em suas asas. Pesado. Não imaginara assim. Não. Presa na superfície, como em uma fina e gelatinosa película, sentia-se vítima de armadilha. Não. Não era assim que via as outras em suas piruetas amarelas e bailados azuis de idas e vindas orquestradas pela sedução da passiflora.

Deus.

Era o que agora pensaria se em sua ingenuidade houvesse um como.

Deus.

Lutava girando no pequeno redemoinho formado pela força de seu desespero. E debatendo-se, percebeu outras duas que ali jaziam próximas. Uma delas, estática, boiava sua beleza amarela como que pregada a vidro de exposição. Da outra, em misto de horror e descrença percebeu, só se via a asa. Uma só. Apêndice inútil separado de um pequeno corpo que não conseguia divisar.

Deus.

Choraria se soubesse como fazê-lo. E rezaria para aquele em quem cria, com a inocência de quem nem mesmo imagina a necessidade de existir essa coisa de fé. Mas não. Naquele instante era instinto e só. Sobrevivência impressa em seu DNA ancestral, algo que tampouco imaginaria possuir.

Arregalou os pequenos olhos.

Em sua direção, firme, rápido, resoluto, Ele vinha.

Sim.

Ou melhor, não.

Ao menos não Aquele que imaginaria se a ela fosse permitido o dom de imaginar coisas. Não o imponente Senhor de barbas brancas com seu cajado de luz. Não.

Era amarelo.

Ou ao menos seus cabelos assim o eram. Madeixas de asas de borboleta sacolejando ao vento, sob o contraste de dois imensos olhos. Dois outros céus plantados bem ali, no meio daquele rosto solar. Não. A Divindade não era um velhinho, tampouco possuía barba ou túnica. Vestido, porém, isso tinha. Estampado com pequeninas flores azuis.

Cajado, por outro lado, também possuía. E passeava os dedos pelo jardim, parecendo buscar por algo.

Maracujás.

Maduros.

Amarelos.

Grandes.

Por uns instantes, esqueceu-se do peso de asas encharcadas em um líquido céu. A visão estarrecia seu incrédulo ser. Aquele Deus Menina se comunicava com a passiflora que recuava suavemente a seu toque. Não um recuar notável a olhos quaisquer. Não. Mas um movimento leve, um reflexo discreto que somente os que flutuam em um tempo já sem tempo, seriam capazes de perceber.

Deus.

Todo o seu minúsculo corpo de inseto tremia. Reverência, pavor, súplica, jamais saberia dizer o porquê.

Foi então que se encararam. Deus a ela e ela a Ele. Ou melhor, ela a Ela. E ao imenso cajado que a Entidade insinuava rápida em sua direção. Sim, a Divindade possuía um. Gigantesco. De prata. E em sua extremidade desenhava-se, azul, uma espécie de moldura sustentando em seu centro uma rede branca, finíssima trama da Providência divina.

A tudo assistia sem pensar. Sentia apenas. Seu modo de raciocínio em um mundo onde palavras eram algo inexistente, assessórios de cuja utilidade jamais poderia suspeitar.

Sentia o êxtase de ser tocada pela mão que supunha ser a de sua Criadora.

Era resgatada, por algo de que tampouco poderia supor a nomenclatura.

Era tocada, nesse momento, pelo coletor de sujeira da piscina.

Estava salva.

Recolhida das águas. Poupada do cruel destino de suas duas e desconhecidas irmãs. O milagre colhia-a da terrível dor do afogamento da precoce morte do primeiro voo.  

Estava segura.

E estenderia seus braços em súplica e agradecimento, acaso nessa hora os tivesse. Não os tinha. Não nessa hora, jamais em outra alguma. Não possuía braços, ou mãos, ou dedos. Não. E no desequilíbrio frágil do cajado que agora a depositava com cuidado sobre a folha da passiflora, sentiu-se tombar para o lado. Possuía asa, isso sim. Asa, assim mesmo, no singular.

Asa.

E uma só.

Pode perceber quando sua segunda irmã foi recolhida das águas. Depois, com incredulidade, custou a compreender que o pequeno pedaço de escamas amarelas na ponta do indicador Divino, era seu.

Sua asa.

Sua metade.

Seu instrumento para o voo.

Para a vida.

Passaporte para a sua salvação.

Acompanhava, atenta, cada movimento da Criadora. Um sopro apenas e Ela certamente devolveria ao lugar, aquilo que seu de direito. Sim. Nada sabia dessas coisas de milagres, ou de vida. Ou morte. Mas sentia-se, com toda a força de seu ser, inundada por aquele olhar de céu e uma expressão que não saberia como explicar, mas que compreendia. E era piedade.

Deus era piedoso, e bom, e entendia todas as suas necessidades.

Não seriam necessárias palavras, ou súplicas, ou orações. Não. Em um passe de mágica tudo se resolveria pois, se porventura sonhasse, tampouco saberia discernir.   

Em um suspiro, sentiu o sopro da Deusa sobre ela. E pode acompanhar os olhos celestes seguindo a asa perdida em um voo leve por entre às folhas do maracujazeiro.                   

— Onde estão as frutas, Lila? — A língua divina era bela.

E viu a Deusa, que saberia chamar-se Lila se entendesse algo daquele som, voltar-se apressada para longe da passiflora carregada de maracujás maduros.  

Deus.

A seu lado, percebeu que algo se movia. Uma formiga, duas, três. Enfileiravam-se em sua direção. Um mundo novo para o qual nunca atinara, caminhava por sobre os caules, as flores, os frutos de seu jardim. Zangões, besouros, e formigas, mais e mais formigas aproximando-se resolutas e em marcha. Não. Não era a única das criaturas a habitar o Éden. Ao seu redor, um mundo vivo há instantes imperceptível, descortinava-se com toda a sua maravilha.

A primeira picada roubou-a do momentâneo deslumbre. E a dor aguda fez com que seu corpo tombasse mais uma vez. Agarrou-se com firmeza ao caule. Não tinha asa, mas sim, oh sim, patas. Dessa vez, enxergava o mundo a partir do lado debaixo da folha. Grudados no avesso, ovinhos amarelos de outras centenas de suas irmãs. Quantas sobreviveriam ao voo? Não saberia contar.

Apenas sentia. E intuía um novo ser camuflando-se sorrateiro na caça dos pequenos ovos. Este era verde. E era terrível.

De cabeça para baixo, podia enxergar o azul se pintando em tons de amarelo-escuro. Aquilo era o céu. O verdadeiro. O único.  

Já não entendia seu mundo.

Já não era jardim.

Apenas selva.  

As novas picadas abençoaram-na com o entorpecimento. E na impossibilidade de atingir aquele céu já quase escuro, soltou seu corpo no movimento último. E permitiu-se cair em pirueta, quase em voo. A primeira escolha consciente de toda a sua vida era a de se deixar. Deixar de ser.      

Jamais pensara e já não sentia. Existia e apenas isso, boiando grudada à fina película das águas de uma piscina.

Azul.

Antes de dessentir, pode ouvir ao longe que os Deuses conversavam algo que, se acaso falasse aquela língua, gostaria de conhecer.

Modo de Preparo

— Em um liquidificador, bata o creme de leite, o leite condensado e o suco concentrado de maracujá. Depois, despeje a mistura em uma tigela e leve à geladeira por 4 horas.

Doces quatro horas.

Apenas isto.  

Uma pena, sua vida durara somente seis. 

          

34 comentários em “Mousse de Maracujá – Paula Giannini

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  1. Paulinha, eu amoooo essa sua capacidade de se colocar no lugar do outro, de outra pessoa e até de outro ser vivo. Acho que vc seria capaz até de se colocar no lugar de uma pedra e escrever sobre isso! rs Parece tão fácil pra vc, mas isso é um exercício muito difícil. Por essas e outras é q eu sou tão fã dos seus contos. E além do mais, vc é uma pessoa tão leve, alegre, viva, que me lembra muito uma borboleta amarela! Mas ainda bem que nós humanos vivemos bem mais!

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  2. Olá, Divina.

    Seu conto é, ao mesmo tempo, ingênuo e cruel. Você nos faz sentir uma identificação pela pequena borboleta que caiu na piscina, vc nos dá esperança quando Lila resgata a jovem borboleta, e aí, no processo, a gente percebe que ela perdeu uma das asas (pensei que só estavam coladas pela água) e aí vc faz a protagonista sucumbir devorada pelas formigas. A beleza alimentando o ordinário. No meio de tudo a vida pelos olhos de um ser tão puro, inocente, tão ignorante de tudo, seus pensamentos, a dedução que faz de cada coisa através de seus saberes tão limitados. Será que elas nos acham deuses? Talvez sejamos demônios destruidores, quem saberá. Há um livro da Virgínia Woolf que fala sobre um inseto que vive apenas seis horas. Nasce pela manhã e morre antes do por do sol, então qual será a definição deste inseto sobre a noite? Lendo seu conto eu me recordei deste questionamento. São tão frágeis e suas vidas são tão curtas… Têm o entendimento mínimo para sobreviver e ainda os chamamos de pragas. Algo a se pensar… Beijos.

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    1. Obrigada, minha linda, por seu comentário.
      “Há um livro da Virgínia Woolf que fala sobre um inseto que vive apenas seis horas. Nasce pela manhã e morre antes do por do sol, então qual será a definição deste inseto sobre a noite?” Amei isso. Vou ler.
      Beijos
      Paula Giannini

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  3. Eh! Paula! Receitas, poesia, beleza e efemeridade,Que combinação! Um profundo labor artesanal é o que se observa em todos os seus trabalhos, mas isso acontece sem prejuízo da sensibilidade aguçada que se evidencia a cada linha que vai compondo uma história densa e emocionante, repleta de simbologia. Tirar a borboleta da piscina para deixá-la à mercê das formigas foi muita malvadeza…
    Parabéns pelo texto! Beijos.

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    1. Oi, querida,
      Formigas também são vidas e fazem parte dessa nossa triste cadeia de selva e sobrevivência, não é?
      Obrigada por ler e comentar com tanto carinho.
      Beijos
      Paula Giannini

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  4. A triste história da borboleta amarela em seus devaneios agonizando em sua quase morte na piscina e por sorte logo resgatada nos faz acreditar que em nossos piores momentos podemos encontrar uma solução para nossos problemas, mas logo ela se depara com outro na qual não consegue escapar( formigas) sem uma de suas Asas ficou impossível alçar vôo. Tudo isto envolvido com uma deliciosa receita de mouse de maracujá. Adorei ,em especial a descrição do minúsculo universo desses seres que muitas vezes nos passa despercebido.

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  5. Tudo tem seu tempo. Borboletas são preciosidades desse mundo, no meu entendimento. Têm um significado intenso e profundo para mim. E você misturou um pouco de poesia, com um pouco de vida, de crueldade e de morte. Mas não existe mesmo saída, acreditando ou não em Deus, em acaso, em fatalidade. Só existe uma saída e ela não está em nosso poder. Nada está em nosso poder, além do agora, do que fazemos nesse instante. Nós vivemos, nós percebemos o mundo, sonhamos… Nós amamos, sofremos, lutamos. Mas a vitória só pertence àqueles que acreditam terem absorvido essa enorme metamorfose que é a vida. Parabéns.
    Um grande e carinhoso abraço!

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    1. Sabe, Evelyn, vou responder aos comentários depois. Mas não resisti ao seu. rsrsrs Este conto é um desabafo. Não foi crueldade, mas uma bronca com “Deus” (nós Deuses) (ou o outro mesmo, se houver. O que fez do mundo uma selva) mesmo. Todos os dias eu resgato borboletas da minha piscina. Muitas se salvam. Outras não… Passam por tudo que minha protagonista passou… Fico refletindo sobre o desperdício de algumas vidas. Tão rápidas, tão “sem armas” para a sobrevivência. Todos os dias, penso nisso e sofro por cada uma delas. Beijos

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      1. Entendo o que diz. Eu passo dias sem ler notícias porque o mundo é cruel com os desavisados. O mundo é cruel com os sensíveis. O mundo é uma morte que ser repete todos os dias. Eu não vejo saída, não para a morte real, entende? Mas para a morte da alma. Todos os dias existe uma morte cruel para a humanidade, porque o ser humano perde dia após dia sua alma, sua essência, aquele grande e eterno ponto divino. As pessoas estão se perdendo. As borboletas que caem na sua piscina estão fora de contexto porque perdem espaço para a ostentosa e cinza edificação do homem. Não é justo. Não digno ver os seres desse enorme jardim de Deus serem dizimados. Porque o mundo é grande e seria possível viver em harmonia. Mas o homem é um destruidor por natureza. Tenho medo do que o mundo se tornará daqui um tempo, quando passarmos da curva, onde não há retorno.

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  6. Olá, Paula. Como a vida efêmera de uma borboleta que dura apenas seis horas pode falar tanto? Concordo com a Iolandinha: a beleza alimentando o ordinário, mas não somente isso. Quantas vezes já fomos borboletas a servir formigas? Quantas vezes vidas ingênuas foram subjugadas sob a égide da sobrevivência e interesses pessoais? Opa! É o que está acontecendo com empresários e políticos que se locupletam à custa do povo que padece sem saúde, educação e segurança pública, completamente à mercê das intempéries, das pragas, das pestes que grassam nesse país sem qualquer pudor! O comentário virou desabafo, não menos sincero, não menos sensível, não menos desprezível. Parabéns pelo conto!

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    1. Sandra, querida,
      Eu é que agradeço por tanto carinho.
      Quantas vidas ainda serão subjugadas… Você está corretíssima.
      Beijos
      Paula Giannini

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  7. Oieee, Paula!!
    Você sempre me emocionando às lágrimas, seja de alegria, dor, tristeza, reflexão, tudo junto, como a receita de mousse, como a vida e morte da linda borboleta, da sua luta pela sobrevivência. A visão do pequenino ser, tão ricamente detalhada, em perceber a nós, seres humanos, como Deuses, e sua aparente salvação, partndo para a morte, o “dessentir”.
    Amei demais.
    Vc é Diva.
    Beijos

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    1. Querida Renata,
      Obrigada por esses elogios superlativos!
      😉
      Fico feliz em tocar seu coração.
      Beijos
      Paula Giannini

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  8. Ah, Paula, que conto lindo. Doce e ao mesmo tempo azedo como mousse de maracujá. A reflexão sobre a vida, a morte, Deus sob a ótica de uma borboleta. Símbolo da alquimia, da metamorfose, do reinventar. Tão linda por tão pouco tempo. A insustentável vida de um inseto que primeiro rastejou feito lagarta e só então experimentou a liberdade. Adorei a piscina como céu líquido. Parabéns!

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    1. Oi, querida,
      Que bom que gostou.
      Confesso que o texto foi um desabafo pessoal. 😉
      Quantos de nós não se lançam nesse “céu líquido” de ilusões, não é?
      Obrigada pelo carinho.
      Beijos
      Paula Giannini

      Curtido por 1 pessoa

  9. Oi, querida!!
    Que lindo texto, até mesmo na forma de escrever.. todo delicado, é uma construção bem borboletal mesmo hahaha
    Fica muito emocionante, mesmo…
    Fiquei refletindo da importância pra nós, seres humanos, que é antropomorfizar (é assim?) colocar nossos pensamentos em outros seres ou coisas… acho q é alguma necessidade intrínseca já q por toda a parte as pessoas fazem isto.
    Como arte, como literatura, fica muito bonito, pois cria uma metáfora, uma simbologia pra nós, mas para as tuas borboletas da piscina, baby… é a vida deles, sendo elas tao pequeninas realmente nao poderiam viver mais do que vivem.. se assim fosse, teriam corpos maiores e mais elaborados.. eu acho perfeito que a Criação tenha um plano de vida para cada espécie e para cada criatura! essa diversidade faz parte da perfeição!
    bem, me segura senao vou filosofar aqui por horas.. rrs
    Parabens e principalmente, obrigada por este texto!
    bjão

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    1. Oi, Kinda,
      Obrigada pela filosofia.
      às vezes me pergunto se nós, humanos, ou ao menos os escritores, não humanizamos as coisas que nos cercam. Nossos animais e seus sentimentos, nossos objetos. Eu tive uma tia que, na separação, dizia que a casa dela chorava.
      Talvez nos projetemos neles.
      Talvez eles de fato tenham bem mais sentimentos do que imaginamos. Prefiro essa versão, pois juro que o passarinho que eu alimentava, se despediu de mim no dia em que me mudei de cidade… 😉
      Beijos
      Paula Giannini

      Curtido por 1 pessoa

      1. ohh q amor.. eles tem sentimentos sim, de passarinhos, mas tem hahaha
        acho q alguns sentimentos sao universais!
        aqui tb, certa vez meu pai acolheu um passarinho q se refugiou aqui na nossa área, pq ele nao tava bem.. o pai alimentou ele por uns dias e o bixim ficava entocadinho debaixo de um armario.. qd ficou bom, voou em volta do pai, parou perto, parece q se despediu mesmo e voou pra vida lá fora!
        foi muito bonito!

        Curtido por 1 pessoa

  10. Oi Paula,

    Muito bom. Uma vez mais uma mistura de doçura e perversidade, com a borboleta, com o leitor. Nesse seu estilo inconfundível você nos coloca na pela dessa borboleta amarela, tão linda, tão vulnerável. Parabéns, querida! Temática e estilo sedutores. Beijos.

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    1. Oi, Elisa,
      Obrigada pelo carinho de ler e comentar, bem como por suas palavras gentis. Amei o “estilo sedutor”. rsrsrs
      Beijos
      Paula Giannini

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  11. Meu nome significa ‘borboleta’ e me senti a própria personagem. Angustiante. Lembrei-me de todos os ‘grilos e mosquitos’ que salvei quando ainda era criança, enquanto lavava o banheiro da casa da minha mãe. O que nos faz (como seres humanos) imaginar que nossa vida vale mais que a vida de um simples inseto que pode viver poucas horas? Sempre penso nisso, e esse conto veio para firmar o pensamento. Parabéns, como sempre, trazendo ótimas histórias reflexivas.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Vanessa,
      Anotado aqui sobre seu nome. Vou usar em um próximo conto. O meu da antologia crime da Caligo é também sobre borboletas. Quem sabe eu mude o nome da personagem, se ainda der… rsrsrs
      Obrigada por partilhar comigo suas memórias com tanto carinho.
      Beijos
      Paula Giannini

      Curtido por 1 pessoa

  12. Paula, a rainha da empatia. Se o homem acredita em Deus por que não os insetos? Somos tão efêmeros quanto eles. Sacada de mestre.
    OBS: Esse “húmido” aí me faria pensar ser um conto de uma autora lusitana. Só que não. Muito bom!

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  13. Olá, Paula. Beleza e horror. Um conto maravilhoso e agridoce. Emoção pura e sensibilidade imensa. Considerando a eternidade, poderemos em algum momento considerar-nos menos efémeros ou mais importantes que uma borboleta. Na dimensão do todo, não vejo diferença. Muito bem escrito e contado, de forma estranha, a receita combina na perfeição com o que é descrito. Adorei o seu conto. Parabéns.

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    1. Oi, Ana Maria,
      Sempre fico feliz quando você gosta. 😉 Conheço sua minúcia nas análises. Nunca um dez, pois o dez seria o final, a morte do aperfeiçoamento. rsrsrs
      Obrigada pelo carinho.
      Beijos
      Paula Giannini

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  14. Paula, o seu conto lembrou-me um texto sobre as borboletas, que fala que elas servem como uma metáfora para a jornada espiritual da alma, a sua metamorfose representa nossa própria transformação espiritual. Nascemos e rastejamos ao longo da vida na luta diária, mas buscamos um significado mais profundo. Em algum momento, estaremos prontos para emergir e compartilhar nossa verdadeira essência com o mundo. Um dia, assim como a borboleta, abriremos nossas asas e voaremos. As borboletas, que têm vida curta, lembram-nos que a morte é apenas uma outra transformação. Bem, e no meio disso tudo vc. colocou Deus, “Oh my God!”, o acerto de contas da borboleta com o Todo Poderoso. Bem, nesse caso, achei melhor não me meter, rsrs. Belíssima narrativa, parabéns, bjs.

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    1. Oi, minha querida,
      Obrigada por sua leitura, referências e bom humor no comentário.
      De fato, a metáfora é mais que válida.
      Penso muito nessas pequenas vidas, no que elas significam para o todo, para o cosmos, para nós, humanos, nos considerando superpoderosos, donos do mundo, deuses.
      Qual o papel de toda a teoria espiritual que criamos para seres tão breves? Tão pequenos?
      Beijos
      Paula Giannini

      Curtido por 1 pessoa

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