As Últimas Horas – Claudia Roberta Angst

 

É quase julho. Uma noite longa e fria. Rodrigo olha o nada pela janela, mantendo uma postura marmorizada, quase irreal. Ao lado, está Marcelo, meu melhor amigo. Este nada faz, apenas personifica o vazio.

Assim, permanecemos há horas, na insistência do silêncio. Levanto-me com a agitação febril do momento. Acendo o terceiro cigarro. Ou será o quarto? Contar os degraus do vício não facilita nada.

De repente, Rodrigo some em direção à cozinha. Gosta de saídas dramáticas, o que combina muito bem com a ocasião. Marcelo aproxima-se lentamente e deita sua cabeça loira sobre minhas pernas. Não tenho coragem de negar-lhe carinho. Hoje, não devem existir porquês. Nada faz o menor sentido.

Deslizo minha mão entre os cabelos de Marcelo. Meu menino mimado, por que teus olhos revelam tanta esperança?

Rodrigo retorna e me lança um olhar firme e inquisidor. Observo seus gestos e respiração com certo receio. A dor espalha-se em seus olhos. Há uma certa beleza enigmática nestas lágrimas. Serão reais? Sinto sua presença como uma ameaça. Lava aguardando a erupção. Posso adivinhar as próximas palavras como eco dos meus pensamentos.

– Eu não entendo!

Nenhum de nós entende. A dor é muito maior do que qualquer razão que se possa alcançar. Já repensei cada quadro, cada linha escrita e rabiscada. Nada me trouxe respostas.

A última vez que vi Armando, cheguei a chorar. Agora, não consigo derramar uma só lágrima. Pareço uma figurante em um drama que já não suporto. Sofro pela incapacidade de expor o que me corrói e anuncia minha própria morte.  Mesmo assim, sou culpada pela escassez de sentimentos mais líquidos.

O silêncio novamente cobre nossos pensamentos. Rodrigo acende as luzes e Marcelo fecha os olhos. Até então, não percebemos a escuridão em que estamos envolvidos. Quero reclamar do frio, do abandono que se estende aos meus pés. Percebo os minutos passando com impaciência, esperando que eu também escorra. Não choro.

– Ele não merecia terminar daquele jeito. – Rodrigo arranca as palavras de algum lugar profundo, quase grita – Não mesmo!

A explosão emocional assusta-me um pouco. O momento não me parece nada propício a ataques temperamentais. Os segundos espalham-se pelo ar e se chocam  contra as paredes criadas entre nós.

Por que não se cala e aceita os fatos como são? Desejo estar longe, bem longe de toda esta tristeza obrigatória.

– Você disse que o conhecia bem…

Não respondo. Dizer o quê? Armando, Armando, mil vezes seu nome nesta noite eterna. Cobra minhas lágrimas e arrependimento. Como seria bom esquecer tudo. Estou cansada demais para lutar, argumentar, mostrar minhas presumíveis chagas.

– Jamais o entendeu.

Entristeço-me mais do que me espanto com aquela acusação. Marcelo abandona meus carinhos, sacode a apatia que o prende ao sofá e se senta visivelmente irritado. Parece ter finalmente despertado do seu torpor como um príncipe pronto a me defender.

– Dá um tempo, cara. –  O timbre da sua voz parece-me estranho, como se estivesse falsificando intenções. –  Ana está cansada como todos nós.

O semblante de Rodrigo endurece, transformado em muralha. Quero abraçá-lo e esquecer tudo mais. Entendo o desespero de quem perdeu mais do que um amigo, um irmão.

– E eu estou cansado deste teatro todo.

A voz de Rodrigo rompe todas as minhas defesas. Por que não me deixou distante? Agora, está tudo perdido. Levanto-me e vou para o quarto. Toda a dor reconduzida ao ponto inicial. Fecho a porta, a primeira de muitas.

Perco-me nas horas e mergulho meus sentidos em lembranças contidas. Nada de lágrimas, só o inverno cavando túmulos em mim.

– O que está fazendo?

Surpreendo-me ao ver que a porta está aberta. Volto meu olhar ao contínuo processo: transformo, anulo, destruo. Minhas mãos trabalham furiosas. Rasgam fotos e papéis, passado e presente. Olho para aquele homem com quase pavor. O que virá agora?

– De que adianta isto?

Noto que também está exausto. Sabe que exagerou nas palavras, nas acusações que não cabem a ninguém, mas ainda me condena pela sua própria dor. Não enxerga que todos nós perdemos. Um irmão, um amigo, um amor. Armando também se perdeu.

Rodrigo apanha uma foto caída perto da porta. Só então entra no quarto. Larga o pedaço de papel sobre a cama e se olha no espelho na parede oposta. Parece não gostar do que vê. São estas olheiras profundas em cada um de nós. É o medo de enxergar o quanto de passado dominou o futuro que nos resta.

Pega novamente a fotografia e a observa por alguns segundos. Armando sorri no canto esquerdo. Bastante fotogênico, sabedor da beleza hipnotizante. Vejo a testa de Rodrigo franzir, como se reprovasse aquela reprodução de fugaz felicidade. Fomos felizes, sim. Por que não acredita nisso, Rodrigo? Por quê?

De repente, meu protetor ressurge, difícil não perceber sua presença. Quase não noto suas asas.

– Não pode nos deixar em paz?

Marcelo olha rapidamente para o primo. Chama o desafio do abismo como quem não precisa mais de chão. Olho para os dois. Parecem dois meninos confusos. Aceno para Marcelo para que deixe tudo como está. Ele dá as costas e fecha a porta com mais força do que o necessário. Estremeço com o pequeno estrondo causado. Tudo parece multiplicado em um espelho fragmentado.

– Ana, pare com isto.

Não respondo. Exercito o meu direito de cometer atrocidades com minhas emoções. São apenas cartas, fotografias, bilhetes, recordações que já nem merecem revisão.

Rodrigo decide se sentar na cama. Procuro não olhar em sua direção. É estranho estarmos sozinhos neste quarto. Será que ele pode ler meus pensamentos? Seus olhos… olhos confusos. Meu gato de olhos confusos, te ouço respirar em desejos assim como um tirano sem culpa. domestico-te com sorrisos. Meu gato de olhos confusos, como enxergar teus passos sem olhos também confusos?

Há marcas no rosto deste homem que desconheço. Coça a barba e sorri embaraçado. Sorrio também, de forma automática. Não sei o que ocorre conosco, mas a dor começa a ser abandonada. Em algum lugar, um coração sobrevive em silêncio.

Agita-se e percebo o seu desejo de fuga. Nunca! Você, não. Não quero mais ficar sozinha. Dois palmos de distância. Uma vida inteira pela frente. Como saber quantos minutos nos restam? Armando sabia?

– Há quanto tempo, Ana? Armando e você…

Não quero responder. Nunca encontraria as palavras certas. E talvez, para o o bem de todos, eu deva mesmo enganá-lo. Tento controlar minhas reações, mas o momento arde. O desejo de me libertar da pressão é maior do que qualquer outra coisa.

Rodrigo cerra os punhos, sempre faz isso quando se sente impotente diante do meu silêncio. Sei que me agrediria se pudesse. Sei que também me ama. Sempre soube. Só não consigo lidar com isso. O amor, às vezes, é irrespirável.

– Pense o que quiser. Ele está morto, não está?

– Mas eu não estou. Ou não consegue perceber isto?

Olho o relógio. Sem horas previstas. Tudo se transforma de repente. Ao invés de Rodrigo, vejo Armando. Morre-se mais de uma vez? Seus olhos fundos e sem paixão. Vejo os anos correndo, as células em deterioração. Recordo-me da melodia, dos compassos compostos no meio de uma tarde. Quando não havia tanto drama e o relógio não estava paralisado, em luto.

Comentamos qualquer coisa sobre os livros de Armando. Peço que deixem as coisas como estão. Ninguém os lerá mais mesmo. Os livros são os únicos vestígios que Armando deixou por aqui. Ou esqueceu?

Armando morto. Sinto-me doente, convalescente de um mal sem nome possível Minutos parecem passar. Mas será que algum dia realmente passarão? Marcelo volta-se para nós. Não deseja ficar mais aqui. Tem o celular na mão esquerda e um sorriso antecipado no rosto. Diz que precisa ir. Fico assustada ao notar que ele não pode mais me proteger. Nem de Armando, nem de Rodrigo, nem de mim mesma. Ele se vai.

Mais uma porta fechada. Sinto que Rodrigo quer partir também. Marcelo mal escuta os últimos argumentos. Ao invés disso, beija meu rosto e se despede já na porta. Não pode e nem quer entender.

Meus maiores mistérios abandonam meu mundo. De Marcelo, conheço o abraço, a textura da pele, os caprichos. Rodrigo revela-se vida corrente em sangue e . E mesmo assim continua sendo um enigma. Não absorvo o mecanismo dos seus desejos. Nenhum dos dois jamais serão capazes de socorrer meus pesadelos.

Armando ria de todas as minhas piadas. Imitava meu modo de falar e censurava toda tentativa de envolvimento. Jamais se entregaria completamente a mim. Não era deste mundo e nunca se mesclaria a minhas palavras. Ficará sempre assim, saudade a confundir todos os meus cantos.

– Você ficará bem?

Minto sem pensar. Quero passear por aí, mas prevejo trovoadas. Já se foi o meu tempo. Permaneço atenta a qualquer outro sinal. Rodrigo começa a partir.

Espero uma segunda alternativa. Dançamos ao meio dos segundos sob luzes que refletem emoções. Já não somos tão jovens. Carregamos insinuações do outono por todo corpo.

Levo Rodrigo até a porta. Meus olhos cobrem-se de sombras. Sei que ainda não é desta vez que as cinzas serão sopradas para longe. Quando terei uma nova chance? Ele repete o protocolo de despedida com um beijo rápido nos lábios. Meus pensamentos transbordam e minha mente traça planos sem me consultar.

Balanço a cabeça enquanto costas me são oferecidas. Outra porta, talvez a definitiva. O que dói mais? A morte de Armando ou o silêncio que se segue? Armando eternizado na morte que ocorre ainda em mim. Adia todas as minhas estreias.

Se me deixas agora, abre em minha vida, um leque infinito de possibilidade. Perder-te significa renascer para o mundo. Preciso gritar qualquer coisa. Grito, mas já não te assusto. Todas as respostas se velam.

Como saber quantos fios restam desta fina rede que nos sustenta? Paro onde decido meu último voo kamikaze, mas ainda sorrio.

Passo a chave na porta e me tranco por dentro, escondo-me de mim. Sinto que o silêncio não pertence mais a tempo algum. Move-se lentamente entre o vão das palavras e a solidão. Armando revelou-me o último pouso de um sonho e Rodrigo o cantou. Marcelo silenciou todas as dúvidas.

Sei que não posso repetir a morte, nem mesmo anunciá-la. Ainda não me foi revelado o último enigma. E assim, sigo só, perseguindo uma noite sem estrelas. Por isso, e só por isso, avanço nas horas que não existem.

 

17 comentários em “As Últimas Horas – Claudia Roberta Angst

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  1. A morte de alguém é sempre seguida de várias mortes. Não entendemos a perda e nos perdemos e morremos também. Somos egoístas. Não queremos. Não admitimos. Mas morremos muitas mortes ao longo da vida. Morremos de amor, morremos de dor, morremos de saudade, morremos de raiva… Morremos por banalidades e por gigantescos e emaranhados sentimentos. Encarar a morte é também morrer, porque nossa natureza é de incompreensão, de perplexidade. E quando atingimos o fundo… A morte é nossa amante infiel, que detém o golpe certeiro e fulminante. É nosso ponto final.
    Parabéns pelo conto!
    Um grande e carinhoso abraço!

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  2. Olá, Cláudia! Um texto com uma prosa elegante de poeta que não cessa de explorar as palavras, mesmo que se trate de morte, mesmo que se trate de amores perdidos, mesmo que se trate de perdas. Concordo com a Evelyn que diz que A morte de alguém é sempre seguida de várias mortes. É com as ausências que aprendemos a ser/ficar presentes. Um belo conto.

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  3. A morte é o cenário para os conflitos que ficaram vivos na vida das pessoas. Ana, Marcelo e Rodrigo, num duelo de sentimentos. Ficou muito profundo e abstrato, e foi um conto que exigiu muito da minha atenção para ser desvendado. Um conto diferente e enigmático. Felicidades, Claudinha. Beijos.

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    1. Que forma mais delicada de dizer que não entendeu, Iolandinha. 🙂 E pensar que eu já era assim confusa com 22 aninhos…rs. Mas você interpretou certo: um verdadeiro duelo de sentimentos e sentimentos são sempre abstratos.Muito obrigada pela leitura e pelo comentário, sua linda.
      Beijos

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  4. Morrer um pouco, todos os dias. Morre o amigo, o homem, o amante, o amor. Mata-se a Ana, trancada atrás de tantas portas. “Fecho a porta, a primeira de muitas.” é a frase que define o conto. Fechar-se em si mesma é morrer em vida. Isso acontece o tempo todo, em cada esquina, ao nosso lado pode haver alguém morrendo assim. Seu conto é um poema de alerta. Belissimamente construído, com personagens e trama sendo revelados lentamente, acompanhando os movimentos letárgicos desse trio, in memoriam de um quarto personagem, que não se sabe como morreu. Mas a morte claramente está fortemente enredada na vida dos que restaram vivos. Parabéns, altíssimo nível seu conto. Um deleite!

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  5. Querida Cláudia,

    Seu texto flutua.

    Não, isso não é uma crítica, mas um elogio.

    A ideia que se tem ao se ler é a de alguém pairado entre mundos. Ainda que a personagem narradora seja uma viva, ela parece, claramente viver o terrível torpor da perda. A perda de alguém que se ama é quase que a perda de si mesmo.

    O texto me lembrou a peça de teatro “Entre Quatro Paredes” de Jean-Paul Sartre. Mortos e trancados em um não lugar atemporal, os personagens vivem as horas que antecedem o total esquecimento de si mesmos. Como em um inferno.

    Da mesma forma, como em um inferno, sua personagem se desfaz das memórias, rasga fotografias, cartas. Diante da morte, tudo perde o sentido.

    Parabéns.
    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Querida Paula, você é sempre muito gentil nas suas análises. Acho que captou muito bem a ideia que eu quis passar. Esse torpor que nos envolve nessas situações de perda.
      Fiz uma releitura de um texto que escrevi aos 22 anos. Faz tempo isso, viu? Mudei muita coisa, cortei parágrafos, realinhei frases… mas a essência veio daquela menina séria que eu era.
      Muito obrigada pelo seu comentário.
      Beijos

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  6. Muito real, muito verdadeiro e ao mesmo tempo com uma subjetividade forte, própria do tema morte – a morte, que é uma, que são várias, que muitas vezes nunca termina, adia estreias, abrevia capítulos.
    Gostei demais do conto, Claudia.
    beijos

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  7. Senti falta de alguns detalhes, como: quem era Armando na vida de Ana? Que papel Marcelo desempenha na vida de Ana? E Rodrigo? O conto me deixou a impressão de que todos amam um ao outro e ela ama todos e ao mesmo tempo não ama ninguém. Um daqueles casos que acontece com frequência na juventude, não seria um triangulo amoroso, pois são quatro. Um quarteto amoroso então?
    Mas…

    Acho que você quis passar foi a dor que fica quando morre alguém muito querido.
    A morte abala quem fica e não quem vai.
    Parabéns.
    Um forte abraço, amiga.

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    1. Análise certinha, certinha. É por aí mesmo. Escrevi a base deste conto muito jovem ainda, cheia de ideias confusas…rs. Pelo visto, continuo a mesma. 🙂

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  8. Você, Cláudia, revela-se muito autêntica em suas expressões literárias. Suas personagens ganham vida ou morte, rebelando-se contra sistemas preestabelecidos. É a força da contista clamando por um mundo melhor, buscando soluções dentro de condições humanas. Parabéns pelo texto! Beijos.

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  9. Oi, Claudia!
    Olha, lendo aqui, eu me remeti às primeiras vezes (tá certa essa crase?) em que li teus textos… não entendia nada, lembra? hahaha Dae tu disseste q é um texto antigo, dae confirmou.. rsrs
    Fui imaginando que a moça vivia com os três, tipo Ana e seus três maridos. Mas, como Rodrigo estava tão bravo, parecia ter descoberto o romance com Armando e ficou possesso… entao nao era uma relação aberta à quatro…
    Acho que são os amores de Ana… pq mesmo que nao consumados, a gente ama né? ahhh a gente ama… rsrsrs
    ahh agora lembrei de que Armando era quase irmao de Rodrigo, entao ela traiu o marido com o melhor amigo dele?! uia clássico!! haiuhuia e Marcelo? é um anjo de verdade? pois tem asas!!
    E a questão da morte é bem trabalhada, bem mesmo.. esse inverno cavando túmulos.. me identifiquei muito!!
    Adorei ficar mergulhada neste conto…
    🙂

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  10. Oi Claudia,

    Seu conto me sugeriu um triângulo amoroso interrompido por uma perda. O personagem Marcelo me sugere aquele amigo querido que todas as mulheres temos, que nos protege. Nessa interpretação, as cenas me parecerem muito bem descritas e adequadas a um contexto de pessoas jovens que ainda estão lidando com relacionamentos fluidos, pouco cristalizados. Achei muito bom. Como sempre, a elegância da sua linguagem e narrativa valorizaram o texto. Sempre um prazer ler o que você escreve. Beijos!

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  11. A falta de um aprofundamento maior ao texto me fez pensar que os personagens formavam uma quadrilha, onde um dos bandidos foi baleado e morreu. A menina, que tinha um romance com o morto e paquera com os outros, se sentiu perdida sem seu ‘braço direito’. A dor dela foi visível, mesmo que não saibamos quem são os personagens e que vida levavam. Me lembrou a época da juventude, onde tudo era vivido com emoção e ao extremo. Dor e sentimentos palpáveis, parabéns!

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  12. Eis um clássico “claudinesco” (sabrinesco da Cláudia (kkkk). O característico tom dramático, mostrado de forma elegante, ficou bem legal: “São estas olheiras profundas em cada um de nós. É o medo de enxergar o quanto de passado dominou o futuro que nos resta.”
    Gostei também do romance ficar subtendido à tragédia.

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  13. Olá, Cláudia. Muito mistério nesta história que sugere um envolvimento amoroso de Ana com cada um dos três rapazes, amigos entre si. Um deles morre, não é dito como (e nem isso acrescentaria nada, antes afastaria do foco do conto) e os outros perduram como uma corrente que se quebrou. Tudo indica que agora cada um seguirá seu caminho, não sei, não interessa. O importante aqui é a perda, a dor, a abordagem diferenciada de cada um deles à situação. E a solidão de uma Ana que no final se tranca por dentro, esquecendo-se de si. Não terá estado sempre esquecida? a morte de um ente querido é, entre outras coisas, muito reveladora. Existe em Ana um desespero momentâneo de que se dá conta e supõe permanente. Talvez que esta morte venha a revelar-se a sua libertação. Gostei muito. Parabéns.

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  14. Cláudia, lendo o seu conto lembrei do filme “Closer Perto demais”, com o bonitão Jude Law e uma trilha sonora belíssima, que tb. fala de um “retângulo amoroso”, centrado na protagonista, que, coincidência, também é Ana, como na sua narrativa. Aqui a morte de um dos personagens é o mote para o “voo kamikaze” da protagonista para dentro dela mesma, permeada de dor, densidade e drama, muito bom, bjs.

    Curtido por 1 pessoa

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