O Gato Merwel (Iolandinha Pinheiro)

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A CASA NA FLORESTA

…Maria foi comprar sabão
e na estrada avistou um cão
em sua cesta pôs o cãozinho
seguiu contente o seu caminho
ela não sabe explicar, de fato
mas o cãozinho
virou um gato…

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Padre Tobias olhou para o crepúsculo pela janela da sacristia. Estava guardando as pequenas galhetas da última celebração no armário e ainda não havia tirado a estola, quando ouviu fortes pancadas em sua porta. Lá fora seu velho amigo Jonas o esperava, apreensivo.

– Precisamos ir para a casa da senhora Martha.
– O que houve com ela?
– Venha comigo – Falou – E traga a água benta.

A velha morava sozinha em uma clareira na floresta, numa casinhola feia com a madeira apodrecendo, carcomida pelas brocas, com algumas tábuas se soltando e grandes pregos de pontas retorcidas e enferrujadas.

Não gostava de ir até lá. Martha era uma mulher muito estranha, seu aspecto era desagradável, repulsivo, e morava em um lugar ermo e sombrio. A anciã tinha fama de usar ervas para fazer feitiços. Muitas moças andavam por lá procurando mandingas para arrumar marido, ou beberagens para se livrar de bebês indesejados. Talvez por isso fosse tolerada pelas beatas que moravam na vila. Todo mundo de alguma forma já havia usado seus serviços.

Enquanto caminhavam pelas estreitas e sombrias veredas, o sol ia morrendo e dando espaço a uma escuridão povoada pelos pios agourentos das corujas.

Finalmente a casinha apareceu para eles. Era apenas o início da noite, mas um véu negro já havia caído sobre a floresta. O único ponto de luz naquele breu vinha de um lampião pendendo da madeira que sustentava as telhas da casa. O vento estava muito forte, e as folhas coloridas do outono faziam volteios espectrais em torno dos visitantes. As árvores balançavam e seus galhos produziam chiados infaustos, como o murmúrio de mil almas lamentando suas dores.

No pequeno rasgo cinzento de céu que podia ser visto acima das copas das árvores, nuvens negras se juntavam anunciando tempestade.

Estavam a menos de um metro da porta quando um grito desumano cortou o ar, seguido de alguns guinchos e estalos, fazendo com que os dois homens recuassem alguns passos.

Outro grito foi ouvido e a casa oscilou como se fosse se partir em pedaços.

Padre Tobias abriu a bolsa e, com as mãos trêmulas, tirou o crucifixo e um vidro de água benta, enquanto a porta da casa se abria lentamente.

Um estrondo foi ouvido e a cabeça da velha bruxa foi rolando até parar nos pés de Tobias, o rosto virado para cima com os olhos arregalados mirando o nada.

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O LIVRO DE SOPHIA

…Não era um gato
preto ou branco
Nem ardiloso
tampouco, manco
era um gato de todo jeito
para Maria
era perfeito…

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Sophia arrastou o banco até encostá-lo na estante, subiu com certa dificuldade quase tropeçando no longo vestido, e esticou as pequenas mãos para um livro grosso de capa negra que se projetava um pouco além da borda da prateleira. A mãe estava na cozinha, mexendo em uma panela fumacenta, logo estaria em sua pequena cama e a mãe leria para ela.

– Conte uma história, mamãe! – Falou Sophia, entregando o volume para Hannah.
– Qual história desta vez? A Borboleta Azul? Senhora Dona Joaninha?
– O Gato Merwel! O Gato Merwel!

Hannah Hauser suspirou, passando as mãos molhadas no avental muito branco. Pegou o livro de contos de fadas que sua filha entregava, sentou na cadeira da cozinha e pôs a menina no colo.

– Meu bem, já falamos sobre isso…
– O Gato Merwel, mamãe, por favor.
– Não existe esta história, meu amor.
– Procure, mamãe, no fim do livro.
– Olhe você mesma, meu bem.
– Está aqui, mamãe, olhe – Dizia a menina enquanto passava, com seus dedinhos,várias páginas em branco.

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A MENINA, O PAI, O BEBÊ E UM GATO

…Um dia gato
um dia porco
um dia bode
no outro, corvo
Como é que pode?…

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A pessoa que Sophia mais amava na vida era Pedro, o seu pai. Um homem alto e forte, de cabelos castanhos. O Sr. Hauser era lenhador e sempre que saía para trabalhar, levava um lindo machado vermelho em uma bolsa de couro pendurada em suas costas. Sophia queria muito brincar com o machado, mas ninguém deixava.

Sophia, sua mãe, e seu pai se gostavam muito. Quando ele voltava da floresta trazia para ela uma grinalda de flores e colocava em sua cabeça cheia de cachinhos dourados, e frutas frescas para Hannah fazer doces.

A vida dos três era perfeita e feliz.

A menina achava engraçada a barriga grande de sua mãe, e ria quando o pai ficava alisando e dizendo que dali sairia uma surpresa.

Um dia fizeram Sophia ir para a casa da sua avó, e quando ela voltou, quase duas semanas depois, havia um novo habitante. Era um bebê, mas parecia um porco, gordo e rosado, gritando e grunhindo no colo da mãe.

Seus pais, no entanto, pareciam encantados. Pedro até esquecia de trazer presentes para a menina quando chegava do trabalho. Então Sophia levava suas bonecas dentro da cesta de doces da mãe, para brincar entre as árvores. Um dia resolveu seguir o barulho da pancada do machado do pai nas árvores e fazer uma surpresa para ele, mas acabou desistindo ao perceber um pequeno gato entre os arbustos.

Resolveu levar o animal para casa. Colocou na cesta entre as bonecas de pano e foi correndo para mostrar a sua mãe.

Deu ao gato o nome de Merwel, o mesmo do conto de fadas imaginário preferido dela. Passava o dia inteiro levando o bicho para todos os cantos. Hannah só a proibia de entrar com o gato no quarto de Pedrinho. Uma pena, pois Merwel vivia pedindo.

Depois do nascimento de Pedrinho, Sophia passava muitas tardes em seu quarto ou na floresta. Quase não participava da vida em família. Quando não havia ninguém por perto, ela e o gato conversavam. Ele lhe ensinava muitas coisas.

Os pais de Sophia não deram muita importância às esquisitices da menina, acharam que era a maneira da filha reagir diante do ciúme que sentia do irmão. Com o tempo tudo ficaria bem.

Uma noite o gato ensinou uma brincadeira para Sophia, e falou que ela devia mostrar para seu irmãozinho, então ela levou uma de suas bonecas para o berço do bebê. Ia mostrar como ela ficava bonita com os cabelos cortados. Na outra mão a menina levava a tesoura da mamãe.

Hannah estava com o marido na cozinha quando viu a filha passando para o quarto de Pedrinho com uma de suas bonecas e a tesoura e correram até lá.

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UMA SOMBRA NA PAREDE

…O gato estava em toda parte
e em parte alguma, estava não

No telhado
Na janela
No fogão

Ele estava
flutuando
sobre o chão…

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Hannah andava dormindo pouco. Desde o episódio com a tesoura não conseguia mais ficar tranquila. À noite trancava a porta do quarto da filha e passou a observá-la com atenção. Pensou em mandar Sophia novamente para a casa de sua mãe, mas a menina não gostava da avó, e o marido não permitia, era muito apegado à filha.

Mesmo sob as criticas de Pedro, a mulher ficava sempre seguindo os passos de Sophia, especialmente quando a menina estava em sua cama, conversando com aquele gato preto. Era um animal comum: pequeno, de pelos longos e olhos verdes, mas Hannah não era indiferente a ele, como era aos coelhos que criava no viveiro.

Embora estivesse sempre com a sua filha, o gato também parecia estar em todas as partes da casa, como uma presença insidiosa, maligna, observando sua família, rondando o quarto do bebê…

Uma noite, enquanto estava macerando caroços de milho para fazer um pão, percebeu o gato deitado sobre o fogão, olhando para ela. Por um momento rápido achou que seus olhos a fitavam vermelhos, incandescentes e cheios de ódio. A luz do candeeiro, balançando com a leve brisa que entrava pela janela, projetava uma sombra assustadora como se o gato fosse um demônio de longos chifres se movendo pela parede branca da cozinha.

Dias depois, Hannah acordou com uma sede terrível, esticou o braço até a mesinha para pegar o pequeno pote de barro, mas ele estava vazio. Com cuidado para não acordar o marido, deslizou para fora da cama e saiu com passos leves até o grande pote de água.

De passagem pelo quarto da filha percebeu que a porta, que ela havia trancado no começo da noite, estava aberta e que a vela ao lado da cama estava acesa.

– Pedro! – Pensou, imaginando que aquilo era obra do esposo, que sempre discordou em manter a menina trancada durante a noite.

Ao se aproximar do quarto da filha, viu que a menina estava sentada de pernas cruzadas e conversava com Merwel. Já ia entrar, colocá-la para dormir e apagar a vela, quando percebeu, estarrecida, que o gato estava respondendo à conversa da menina.

O gato sussurrava numa língua estranha, com uma voz semelhante ao cicío de uma serpente. Hannah ficou tão apavorada que deixou cair o copo da mão fazendo com que os dois virassem para ela.

Horas depois ela acordou na própria cama. A sede fazia a sua garganta arder. Afinal, parecia que a cena da noite anterior havia sido um terrível pesadelo. Tudo estava normal, a não ser pelas marcas de unhas em suas costas e braços.


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O CONTO EM BRANCO

…Uma noite o gato
virou um lobo
disse: ninguém
me faz de bobo

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Quando Hannah tocou na pele do filho para retirá-lo do berço, percebeu que estava queimando em febre. Era um domingo, e todos deveriam ir para a missa, mas com Pedrinho daquele jeito era melhor pedir para o marido trazer um benzedor para ver o bebê, quando voltassem da vila.

Pedrinho deu trabalho para se alimentar. Ainda conseguiu fazer com que a criança bebesse três dedos do mingau e não insistiu mais, com receio de que ele vomitasse o pouco que havia bebido.

Ficou passeando pela casa com o bebê, e dando pequenos tapinhas em suas costas. Quando entrou na sala, viu que o livro de contos da filha estava caído no chão. Achou engraçado que nunca conseguisse lembrar de como aquele livro havia chegado em sua casa. Pegou o livro e já ia colocá-lo em sua estante quando se lembrou da história que a filha vivia insistindo para que ela contasse: O Gato Merwel.

Colocou Pedrinho já adormecido em seu berço e sentou perto da mesa da cozinha para procurar a tal história. Mas já sabia que não iria encontrar. De acordo com o índice deveriam haver treze contos no livro, mas apenas doze apareciam, no lugar do décimo terceiro, apenas três folhas brancas, sem palavras ou imagens.

Ouviu o bebê chorar muito alto, correu até seu quarto e lá estava o gato, dentro do berço, mordendo os dedinhos ensanguentados do seu filho.

Hannah tirou o gato de cima do filho e o atirou contra a parede, então ele saiu correndo para fora da casa, sumindo por entre as árvores da floresta.

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LEMBRE-SE DE MIM

e quando em casa
Maria chegou
o seu paizinho
ela não encontrou…

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O ensopado de coelho esfriava na panela sobre o fogão. Hannah olhava, insistentemente, para a janela, esperando a chegada do marido, da filha e do benzedor.

Eram três horas da tarde e normalmente, aos domingos, Pedro voltava da missa antes do meio-dia.

Hannah se levantou para pegar o bebê no berço, quando ouviu fortes pancadas em sua porta, como se alguém desse pontapés nela. Não podia ser o seu marido. Pegou o machado que Pedro guardava atrás do armário, e olhou lá para fora por uma pequena falha na madeira da porta.

Era Sophia. E ela estava sorrindo.

Hannah abriu a porta para a filha e estranhou que estivesse sozinha. A menina trazia um ramalhete de flores e o entregou para a mãe.

– Estas flores são do seu pai? Onde ele está?
– Não sei, mamãezinha…
– Quem colheu estas flores?
– Foi o Merwel…
– O gato?
– Não… O lobo…

– Ele me mandou um recado para você.
– Que recado?
-Lembre-se de mim.

Oh, sim, Hannah lembrava. Finalmente ela lembrava de tudo. Um oceano de imagens terríveis passava com uma velocidade de folhas de um livro viradas por um vendaval…

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O FEITIÇO DO ESQUECIMENTO

Gritou: mamãe!
e nada dela
viu sua cabeça
numa janela
E o irmãozinho
Numa panela
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As primeiras luzes da manhã entravam pelas frestas das telhas, espalhando pontos brilhantes pelo chão empoeirado da casa marrom, a jovem que dormia abriu os olhos com relutância e pensou em tudo que ainda tinha para fazer. Deixou dolorosamente a maciez de sua cama, prendeu o longo cabelo e levantou, afinal, caminhando com os pés descalços sobre o piso gelado até a cozinha.

Em pouco tempo a lenha já estalava sob uma panela de cobre – àgua para o banho antes que as crianças acordassem. Pegou uma grande toalha branca, e despiu toda a roupa. Era o final do outono e o vento frio entrava como pequenas lâminas se espalhando pela casa, fazendo com que seu corpo estremecesse até entrar completamente na tina de ferro e se abandonar ao conforto da água fumegante.

Logo que a água começou a esfriar, ela se enxugou, vestiu a longa bata branca rendada, afiou a faca no fundo de uma xícara e foi até o porão.

Sete pares de olhos brilharam na escuridão. Quando o alçapão abriu, as crianças se agitaram com aquela súbita explosão de luminosidade no quarto e fizeram caretinhas franzindo o semblante.

O odor do confinamento contrastava com o cheiro dos cabelos recém lavados de Maria. Chegara a hora. Depois de três dias sem comer ou beber água as crianças estavam bastante fracas e não iriam oferecer resistência. Chamou primeiro a mais velha das sete. Subiram as escadas em silêncio. Maria fechou o alçapão encerrando as outras lá embaixo.

Algumas horas depois a moça com as vestes ensopadas de sangue mexia um tacho com um caldo vermelho e borbulhante, onde flutuavam sete corações puros.

A velha bruxa Martha ao seu lado aguardava enquanto ela bebia o conteúdo aos poucos com evidente asco.

– Beba menina, beba, e tudo será esquecido.
– Será esquecido por ele?
– Não, apenas por você. Mas será o suficiente, ele não pode cobrar a dívida de uma alma inocente.

….

Maria acordou no meio da floresta sem saber quem era. Prendeu os longos cabelos que se espalhavam sobre a relva e percebeu uma sacola ao seu lado com algumas roupas, um odre de água e estranho livro preto. Na capa havia uma figura de árvore ressequida em alto relevo e acima dela a gravura de um gato de olhos verdes.

Estava começando a folhear as páginas quando uma sombra se projetou sobre o seu corpo. Olhou para cima e viu um homem alto segurando um machado.

– Meu nome é Pedro e o seu?
– Hannah – falou Maria inventando um nome qualquer pois não sabia mais qual era o verdadeiro.

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O ACORDO

Falou
– Oh gato
isso não se faz!
Quem é você?
– Sou satanás!

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A jovem órfã caminhava pela praça apinhada de carroças. Por todos os lados homens vestidos com roupas coloridas anunciavam seus produtos: garrafas contendo remédios milagrosos, animais estranhos em suas gaiolas, fitas, tecidos, e comida.

As bancas com tortas de linguiça e apfelstrudel acabadas de assar espalhavam cheiros variados e deliciosos por todos os lados. Mas sempre que tentava se aproximar de algum tabuleiro, sua aparência miserável fazia com que fosse enxotada. Rodou entre as carroças inebriada, um pouco tonta de fome e sede. Acabou se cansando e deitando em um banco de madeira feito de tronco que estava, milagrosamente, desocupado e adormeceu.

Acordou na manhã seguinte com a pressão da ponta de uma bengala de um homem com roupas espalhafatosas cutucando o seu rosto.

– Está com fome? – Falou o homem, estendendo para ela uma grossa fatia de torta de leitão e um grande copo de água fresca.

A menina nem se deu ao trabalho de responder, pegou a comida e foi dando mordidas nervosas e grandes goles, quase engasgando durante a refeição.

Depois ele esquentou a água para que ela se banhasse e ofereceu o próprio quarto forrado de almofadas de cetim bordadas com fios dourados para que trocasse os velhos trapos por um vestido verde da cor de musgo, apanhado na cintura por um cinto com um alfinete de esmeraldas.

Quando o homem entrou, mal reconheceu a mendiga a quem dera abrigo.

– Belíssima!
– Nada disso seria possível sem a sua generosidade. Infelizmente logo o senhor partirá com as outras carroças e eu voltarei a minha vida desgraçada.
– E o que me daria em troca de uma vida de confortos e prazeres?
– Minha alma! – Falou a garota, gargalhando.
– Realmente? Sorriu o estranho pegando um rolo de papel de dentro de um vaso de cristal.

Cinco anos, era o que estava escrito no papel. Cinco anos. Parecia muito tempo, mas passou voando. A vida de luxos e festas encantou a moça. Tudo era farto e brilhante. Odres de vinho, salvas de prata cheias de finas iguarias, muitos aduladores falando de sua graça, inteligência, cultura. Quando Maria deu por si, tinha apenas um mês para saldar sua dívida.

Já não era a mesma. O encontro com seu fatídico fim a apavorava. Aos poucos as pessoas iam deixando de frequentar a sua casa, como se adivinhassem a aproximação da desventura. Passou a temer a solidão e os olhos do mal que a espreitavam no escuro. Quinze dias antes do prazo final, foi à procura da única pessoa que poderia lhe ajudar.

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O DIA DO GATO

O que quer, gato?
Vim te pegar
e a tua alma
ao inferno, arrastar.

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Depois de lembrar de quem realmente era, Hannah saiu de seu torpor. Ela sabia que não havia mais nada a ser feito, mas ainda assim resistiria. Olhou pela janela e viu várias aves negras pousadas do lado de fora. Aqueles corvos crocitando em sua cerca eram um vaticínio de morte. Pegou um saco de sal e saiu espalhando ao redor da casa. Soltou todos os coelhos para que tivessem alguma chance. Pegou a madeira que havia no quintal e pregou nas janelas e portas. Saiu procurando Sophia pela casa, mas não a encontrou. Devia estar brincando de se esconder em algum lugar.

Então foi ao quarto do filho pequeno e o tirou do berço. Não havia para onde correr. Cedo ou tarde Merwel chegaria, varreria todo o sal espalhado com o primeiro sopro, e com o segundo arrancaria as tábuas das portas.

Os minutos passavam e ela apenas desejava que o marido não aparecesse. Ele nunca soube quem era a própria esposa, e não tinha culpa de nada, assim como seus pequenos filhos.

Percebeu que o monstro havia chegado. Lá fora ele rondava a casa ruidosamente, derrubando árvores e arranhando o chão com suas garras. Seus passos produziam tremores nas estruturas da casa e seu urro gelava a espinha de Hannah.

Faltava pouco.

Ouviu, então, um barulho de algo se rachando, e viu que a luz do sol entrava em sua casa. O telhado foi arrancado todo de uma vez como se fosse feito de papel. A mão com garras gigantescas puxou seu corpo para o alto fazendo com que derrubasse o bebê no chão. Ainda teve tempo de ver a filha chegar no quarto e olhar para cima, sorrindo.

Um pouco mais tarde Pedro chegou. Sophia o esperava no que sobrara da porta da cozinha. Hannah havia sumido, e pelo estado da casa ele imaginou que não iria vê-la novamente. O bebê havia sofrido algumas escoriações e tinha um edema feio na testa, mas, milagrosamente, seus filhos ainda estavam vivos. Como a casa não tinha mais telhado e eles tiveram que dormir no viveiro dos coelhos. No dia seguinte, logo cedo, a menina acordou o pai.

– Bom dia, filhinha, você está com fome?
– Não, paizinho.
– O que você quer, meu amor?
– Pode ler uma historinha para mim?
– Claro, princesa, qual você quer?
– O Gato Merwel – Disse a menina entregando o livro preto de contos de fadas para o pai.

36 comentários em “O Gato Merwel (Iolandinha Pinheiro)

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  1. Oiii. Eu li esse conto em um dos desafios no recanto das letras, acho que foi no desafio 28 ou 29. Lembro que esse foi um dos contos que eu mais gostei. Pra economizar tempo de procura pesquisei pelo nome dele no google e vi que o resultado do site de buscas além do wattpad deu esse blog. Resolvi passar para deixar um comentário. Como disse na época que li esse conto o que mais gostei foram os trechos do livro que aparecem e como toda a história vai se juntando como se fosse um quebra-cabeça. Assim como os trechos versados sobre o gato vão se juntando e formando os trechos do livro que para a mulher pareciam somente folhas em branco. Foi legal a parte que revelou sobre o passado da Hannah(assim como o verdadeiro nome dela) e o acordo, foi o momento que ligou tudo. Sempre é bom visitar boas histórias assim como é bom visitar velhos amigos. O George Martin tem uma frase que fala mais ou menos isso, não com essas palavras, mas a idéia é essa. Então é isso, foi bom reler o conto. Parabéns! Abraços.

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    1. Olá, querida Carol.

      Primeiro deixa eu apresentar este site. Aqui é o projeto literário As Contistas, formado apenas por escritoras que se conheceram no site EntreContos. Já estamos juntas há algum tempo e sempre estamos publicando contos de acordo com determinados ciclos/temas.

      Sim, vc está certa. Este conto foi o que ganhou o DTRL 29, e o tema escolhido foi Contos de Fadas. Levei alguns contos meus para o Wattpad, mas não gosto muito de usar aquele espaço. Trouxe este conto para cá porque o tema era Recomeço, e tem tudo a ver com a história da Maria/Hannah.

      Também quero agradecer por ter vindo comentar aqui, mesmo já conhecendo este conto. É muita generosidade sua. Aliás, eu sempre falo para você pelo msn, mas eu te acho uma pessoa ótima, uma menina generosa com a qual eu gosto de compartilhar concursos.

      É bom mesmo visitar velhos amigos e histórias antigas. Lembro da primeira história sua que me impressionou: Larissa Troca-Peles. Achei legal demais aquele seu conto, e ainda nem nos conhecíamos.

      O que dizer mais: Obrigada. Venha sempre. Beijos.

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  2. Mulher! Esse conto é tenebroso! Pode-se arrepiar lendo só os versinhos, imagina a história toda. Pactos são sempre iguais. O que varia são os detalhes do antes e depois e, aqui, você foi primorosa. Dizem que todas as histórias já foram contadas. Eu acredito que sim. O que muda e o que encanta é a roupagem, são os pormenores, aqueles lampejos de preciosidades. Esse é um conto excelente. Parabéns! Um grande e carinhoso abraço!

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    1. Maravilha, Evelyn. Também gosto muito deste conto, exatamente pela simbiose entre o conto e a história dentro da história dele. Amo. Esse mundo infantil sempre me remete a coisas positivas que adoro – comida, inocência e terror, kkkkk. Acho que não sou normal, mas, e quem é? Obrigada por vi comentar, bebê. Sua opinião inteligente e abalizada é sempre muito importante para mim, além do que, vc é uma contista que admiro e aplaudo. Um grande abraço.

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  3. Uau! Que conto sinistro! Me arrepiei toda! Eu acho incrível quem consegue escrever terror assim. Eu aqui tenho uns 2 ou 3 contos de terror iniciados e jamais terminados. É muito difícil fazer isso. Eu adorei, fiquei presa na sua história q não me saiu da cabeça até agora! Fiquei aqui tentando pensar no que escrever no comentário. Nem sei. O conto todo é muito interessante, as quebras que vc faz com as quadrinhas, tudo colaborando para a construção da trama, que vai nos enredando, enredando… Te dou meus sinceros parabéns! Tô aqui com uma certa invejinha também… rsrsrsrs Beijos!

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    1. Obrigada, Juliana. Eu amo terror. Acho que desde que comecei a compreender as coisas, bem pequena mesmo, que me interesso por estas coisas que provocam medo. Então isso favoreceu a que eu me tornasse uma escritora amadora de contos de terror. Tem contos pela metade? Aproveita que eu tenho um desafio de terror chamado CLTS e manda algum teu, Vc adequa a algum dos cinco temas. Se quiser mais detalhes pode mandar email para iolandapinheiro@hotmail.com . Que legal ver que leu e gostou. Eu amei teu conto também. Achei um espetáculo. Bem-vinda sempre. Beijos.

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  4. Oi Iolandinha,

    Tudo bem?

    Você é a rainha do terror, do suspense, não é? É, é sim.

    Contos de fada têm algo de sinistro. Escritos em um tempo onde a infância era outra coisa que não a infância como a conhecemos hoje, sua intenção de “assustar” o leitor a fim de educá-lo nos traz cenas terríveis como as do original de “Chapeuzinho Vermelho”, por exemplo. E é justamente essa habilidade de mesclar o pavoroso em um universo tão sutil como o da menina e sua mãe a ler historinhas, que mora a grande beleza desse seu trabalho.

    Ao ler, parece até que dava para ouvir a trilha sonora com melodias dark de caixinhas de música, cadenciando a narrativa. O livro, o gato, a inocência nem tão inocente da criança, o pai, tudo aqui colabora para uma história muito bem orquestrada e conduzida com a maestria da mestra do medo que você é. Uma história que leva o leitor para outros lugares, não palpáveis, que não apenas os da história em si. Obviamente, esse é o lugar onde dorme algo de ancestral e terrível em nosso subconsciente.

    Parabéns.
    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Existe algo mais apavorante do que a infância? Algo mais misterioso, insondável, sem respostas? Crianças, somos frágeis, precisamos de adultos que nos cuidem, que nos assistam, ou pereceremos. Além do mundo de questões e fantasias que nos cercam. Fantasmas, fadas, bruxas, bichos papôes, outras crianças, adultos perversos, acidentes…

      O mundo infantil é rico de elementos que nos assustam, inclusive as próprias crianças. Talvez por isso os filmes/livros de terror explorem largamente este estranho universo, onde a inocência pode esconder monstros…

      Eu sempre amei contos de fadas, tanto quando amo sentir medo. A habilidade de levar este medo para os outros é um trabalho que tento desenvolver. Muito bom, portanto, encontrar um comentário como o seu, que me confirma que o caminho que eu escolhi para trilhar está produzindo os planejados efeitos. Meu dia ficou mais alegre. Obrigada.

      Valeu, Paula. Sempre espero e festejo os seus comentários.

      Iolanda

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  5. Ambientação clássica de um conto-de-fadas/ terror, ao mesmo tempo terno e assustador. O clima, a redação, a trama que se move por entre sustos que se revelam sem perigo e perigos de fato, os versos que entremeiam a narrativa, a história dentro de história, tudo se encaixa com naturalidade e maestria. Trama bem conduzida, não é um fato original a situação envolvendo pactos com o diabo, mas o ritmo aplicado, os diálogos, o paralelo entre histórias convencem o leitor a esperar o desfecho. Parabéns por esse conto que traz a marca de durabilidade da boa obra de arte. Foi um prazer relê-lo aqui. Beijos.

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    1. Olá, querida Fátima.

      O prazer foi o que eu tive ao ler mais um de seus generosos e aprofundados comentários. Vi mais cedo, mas estive o dia inteiro (noite também) absolutamente ocupada.

      Gosto mesmo desta pegada mais clássica. Acho que a modernidade combina mais com revólveres do que com espíritos.

      Adoro contos de fadas e acho que são naturalmente sinistros, então foi um prazer todo o processo de criação do conto, e a satisfação de seu êxito naquele concurso em que ficamos juntas no pódio.

      Espero ainda ter muitos eventos para compartilhar com vc.

      Um abraço de fã.

      Iolanda.

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  6. Oi Iolanda!
    Eis que encontro por aqui esse sinistro Gato Merwel. Esse conto é maravilhoso! Sua obra maestra! Lembro quando li lá no DTRL, como você me fisgou com a narrativa. Parabéns, querida, sem mais! Espero conseguir participar da próxima brincadeira de assustar lá no RL. Beijos…

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  7. Ai, que medo! O conto está muito bem escrito, suspense e mistério costurados com capricho. As palavras certas nos momentos mais tensos levam o leitor a correr com a leitura para saber logo o que virá. E veio! Aff… Tô tonta até agora. Parabéns!

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    1. Olá, boneca!

      Este é o conto que eu falei que parecia com o seu de terror do EntreContos, só que no lugar de musiquinhas, usei versinhos. Que bom vc ter gostado, eu adoro este conto e fiquei muito feliz com o resultado dele no concurso que participei. Menina. Obrigada pela visita e leitura tão generosa. Um beijão.

      Iolanda.

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  8. Sra Iolandinha Pinheiro:
    Uauuuu….eu não tinha lido ainda O Gato Merwel, então você já pode imaginar a minha agonia, o pavor e a ansiedade que senti aqui, né?
    Muito bom, sinceramente você é, para mim (e para muitos), a melhor escritora de suspense/terror da atualidade. é hora de ter um livro seu, de contos, ou mesmo uma obra inteira com um suspense tenebroso desses, nossa Stephen King de saias.
    Vejo o recomeço em O Gato… através da libertação que Maria recebeu, e que tornou-se uma perdição, uma transformação, diria.
    O Gato, o Lobo, o Bode, o Monstro….e a pequena Sophia, que promete.
    Mais uma vez, aplausos aqui da sua fã e amiga.
    Excelente!
    Beijos ❤

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    1. Obrigada, minha querida. Eu curti muito fazer este conto. Eu amo contos de fadas e acho que eles são naturalmente sinistros, cheios de bruxas, duendes, demônios e perigos. Então eu aproveitei várias histórias e tirei alguns elementos delas para criar O Gato Merwel. Parece que funcionou. Que bom ver que vc curtiu também. Fiquei muito feliz com a dedicada leitura e com o generoso comentário. Valeu!

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  9. Iolandinha, literalmente, teu conto “matou a pau”.
    Tu és a mestre do terror mesmo.
    Teu conto é puro conto de fadas, dos mais sinistros, mas com a referência da candura infantil. Amei as intervenções poéticas.
    Parabéns, ele está muito bem escrito… e o que posso dizer, se leitores ávidos por textos teus vieram te seguindo e te encontraram aqui?… mereces seguidores!
    Beijos

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    1. Oi, Sabrina querida. Eu sou daquelas pessoas que não superaram a infância. Ainda hoje gosto de contos de fadas, brinquedos, desenhos animados. E esta atmosfera de medo e mistério está entranhada em praticamente todos os contos baseados nas histórias dos irmãos Grimm, de Perrault e Cristian Andersen. Então são uma base perfeita para extrair mais terror do que já trazem neles. Não sei se vc percebeu as referências a alguns deles como Chapeuzinho Vermelho, João e Maria e Os Três Porquinhos, penso em um dia criar o conto de fada invisível para complementar esta história, não seria bem legal? Será que os pais iam ler para seus filhos ? Muahahaha!

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  10. Olá Iolandinha!

    Esse texto mescla com maestria os contos de fada e terror aumenta gradativamente até o clímax. É um quebra-cabeças onde tudo se encaixa com precisão para formar um quadro geral, os versos, as referências ao lobo, ao gato preto. De Poe? Terror de alto nível, coisa que sou incapaz de dominar. Parabéns pelo belo conto!

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    1. Poe sempre será uma referência da minha vida. Ele e Henry James foram os escritores que mais me influenciaram a escrever terror. Obrigada por ter lido e feliz por ter gostado. Beijão.

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  11. Que bom reencontrar O Gato Merwel! O que mais gosto deste conto é a forma como a autora vai deixando pistas ao longo do caminho e depois as une com destreza. Um terror contado por Iolanda só pode ser sucesso! Abs ❤

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    1. Também amo esse gato. Foi um dos contos que eu tive o maior prazer de escrever. Amiga, a gente criou um concurso de contos de terror para continuar brincando. Vc já conhece? É o CLTS e está rolando agora mesmo no Recanto. Ainda dá para se inscrever e participar. Espero vc lá.

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  12. Muito bom! A estrutura não deixa que ele fique cansativo e contribui para manter o suspense, que a todo momento vem e vai, em determinados detalhes da narrativa, muito bem pensados. Adorei as versinhos, deram um toque muito, muito especial. Parabéns.

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    1. É um dos meus favoritos, porque amo contos de fadas. Acho que cheguei um dia aos sete anos e nunca saí deles em alguns aspectos da minha vida. Gosto de brinquedos, desenhos animados e sou animada como se ainda não tivesse sido esmagada pelas vicissitudes da vida. Mesmo que elas tenham ocorrido, meu entusiasmo sobrevive. Quero melhorar como autora, mas não sei para onde devo caminhar para evoluir. Vc poderia me dar algumas dicas? Obrigada.

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      1. Eu sou bem crítica com o terror, se eu não gosto, não gosto mesmo, sem meio-termo. Esse conto, a meu ver, só ganharia se ele fosse alongado, se tornando algo como um conto longo, com mais detalhes da ambientação, um aprofundamento no psicológico das personagens, mas da forma como está já é bem assustador (e esse foi o seu objetivo ao escrevê-lo, não?). =)

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      2. Só escrevo contos de terror para participar de desafios, concursos, porque é o gênero que eu considero mais difícil de se trabalhar. Além de contar uma história vc ainda tem que provocar medo nos leitores. Aí não tenho condições de escrever muitos. Fico esperando ter um concurso para poder escrever. O problema é que concursos têm regras, e dentre elas, as limitações de tamanho. O Gato Merwel podia ser maior, mesmo, mas eu tive que respeitar os limites do concurso que ele participou. Obrigada pela dica, querida. Beijos.

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  13. Iolandinha King, uma linda família, feliz, uma dona de casa, bela, recatada e do lar, aí vem vc. e mete o terror, isso não se faz, minha linda. Ótima narrativa, prende do início ao fim, lembrei do seu O Livro de Jonas, pelo fato de ter um Jonas aí, aliás, o meu romance, que está no forno há uns dois anos, tem o personagem Jonas, será isso um sinal? Continua na sua verve, metendo o terror, bjs.

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    1. Amada! Tudo bem? Então. A única coisa que eu prometo em meus contos de terror é roubar toda a alegria possível de quem os lê. Coelhinhos, gatinhos, pôneis, nada escapa de um destino terrível especialmente preparado por mim para horrorizar vocês. Pessoalmente eu sou uma pessoa muito fofa. Esse nome Jonas é uma mania minha. Está neste conto, no O Livro de Jonas e num conto chamado Os Pegaminhos de Annabel Lee, onde Jonas é o nome do protagonista. A verdade que eu tinha muito medo da história do Jonas da Bíblia, então este nome já está associado a terror. Que bom que vc gostou, flor. É para isso que eu escrevo, para que o povo curta. Um abração em ti.

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  14. Olá, Iolandinha. Não me foi fácil ligar os elementos todos do texto até encaixá-los e entender quem é quem e o quê. Depois ficou claro. Talvez por eu não ser leitora deste género, mas confundiu-me e tive que reler partes para encaixar tudo. No entanto, está muito bem escrito e montado. Os pactos com o demónio, segundo se diz, são irrefutáveis – e cumpriu-se a regra. Parabéns. Um beijo.

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    1. Olá, Ana, um beijo para vc também. Este conto foi escrito há algum tempo, se bem me recordo foi feito em 2016 para participar de um concurso de contos de terror. Muitas das pessoas que o leram também reclamaram que o conto não foi fácil de ser compreendido. Eu entendo que compliquei bastante a vida do leitor tirando os fatos de sua sequencia natural. Mas depois que se consegue montar o quebra-cabeças, acredito que o resultado seja assustador. Fico muito feliz que tenha gostado. Um beijo e um abraço aqui do Brasil. Felicidades.

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  15. óia eu aqui traveiz!!
    Claro que eu adoro este Gato!
    Não lembro o que eu disse lá no DTRL, mas eu devo ter elogiado, porque está muito meigo isso ae e eu adoro..um meigo sinistro, perigoso! hehe
    A todo momento a gente espera pelo massacre da família principalmente do bebê e a historia vai crescendo e surpreende e ainda faz mais maldade… deixa em aberto o destino desta família sem mãe, q por certo será bem estranho!!
    Parabéns, novamente, Ioiô!
    bjs

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    1. Ai, Kinda! Que saudade daquele tempo em que as coisas eram bem mais fáceis e divertidas, deu até vontade de chorar! O povo do DTRL se dispersou! Queria que voltasse a ser editado. Mesmo a gente tendo criado o CLTS eu morro de sentir falta daquela galera. Amiga, mesmo estando sem escrever poesia, eu gostei muito da sua iniciativa e do povo de lá. Deus a abençoe hoje e sempre. Beijos

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  16. Conto do caralho… ai que meda! Os poemas entrecortando a narrativa foram a cereja sangrenta no bolo, anunciando a cada estrofe uma tragédia. Deram mais medo ainda do que a excelente descrição dos ambientes. Um clássico iolandinesco. Muito bom!
    OBS: Acho que um “a” fugiu assustado aqui: “Um pena”

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    1. Esse conto mistura duas coisas que eu amo de paixão: terror e contos de fadas! É um dos meus preferidos mas muita gente reclamou que estava confuso por estar fora da ordem cronológica, mas é a vida. Também curti fazer os versinhos, eles são o teor do conto invisível, aquele que ficava no fim do livro da menininha, rs. Adorando ser maratonada por vc, Cat!

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