vou tentar nascer hoje – Sabrina Dalbelo

(texto temporariamente com publicação suspensa por estar concorrendo a um prêmio literário)

22 comentários em “vou tentar nascer hoje – Sabrina Dalbelo

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  1. Não sei se há mais camadas no conto ou se eu entendi corretamente, me ocorreram pensamentos de abortos sucessivos mas depois o meu entendimento se fixou numa criança que passou por vários lares adotivos mas não houve uma adaptação dos pais a ele. É triste isso. Existe uma conta que não casa. Casais sem filhos desejando um, e crianças sem pais sem ter quem os queira. A maioria dos casais quer crianças de zero a um ano, para poderem moldar completamente a pessoa às necessidades e costumes deles próprios. Esquecem que cada pessoa é um universo, seja qual for sua origem, biológica ou social. Há muitas crianças nesta situação e eu fico pensando: quando o Estado acha que não precisa mais tutelar estas pessoas, dando casa, comida e escola, para onde eles vão se não são adotados? Preocupante. Ótima e sensível história, Sabrina. Bom ter vc de volta. Beijos.

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  2. Olá, Sabrina!

    Um texto comovente e triste. E forte. Tem frases de muito carga emocional. Gostei imensamente da esperança desse recomeçar que nunca se concretiza de fato, dessa busca por lares que nunca acalentam. Muito bom!

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  3. Nossa, que conto tocante! Sofri com esse ser querendo nascer, existir para alguém , ser notado e acolhido por uma familia. A cada tentativa uma esperança de recomeçar, de nascer. Comovente narrativa, Sabrina.

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  4. Os fracassos sempre travam a boca e nos deixam inseguros e machucados. Aqui, ao contrário, vão testando sentimentos e experimentando emoções, abrindo caminhos e construindo identidades – trazem um recomeço! Parabéns pela ideia e execução de um conto encantador, Sabrina. Beijos!

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    1. Querida Fátima! Eu quis falar de um pouco de esperança também, por mais que o texto tenha essa carga de tristeza. Obrigada pelo rico comentário!

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  5. A imagem do conto já é triste. Não sei se há uma metáfora por trás do texto, mas no sentido literal, fiquei com um nó enorme na garganta. Pensei em um personagem nascido e rejeitado, passando por lares que tornaram a abandoná-lo, o que é ainda mais triste. E nessa minha imaginação de leitora, visualizei uma criança se tornando um adolescente sem família, mas também um cãozinho/ gato abandonado, que tantas vezes são adotados e depois rejeitados. É um texto triste, pesado e emocionante. Abs ❤

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    1. Vanessa, quando escrevi, visualizei a história de uma criança órfã e rejeitada, mas muito bem se encaixariam animais sim, até porque o âmago é a rejeição e a tentativa de encontrar o acolhimento que ressignifique a própria existência…
      Obrigada pelo comentário!

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  6. Querida Sabrina,

    Tudo bem?

    Seu conto é uma poesia narrativa e tem uma cadência lírica, triste, doída.

    Vou tentar nascer hoje… Só sendo amados nos sentimos vivos, não é? Amados, aceitos, respeitados.

    Suas palavras me recordaram de um dia, quando fui a um orfanato pela primeira vez. Eu era criança e uma amiga na Bahia (onde eu morava), tinha a mãe psicóloga que fazia visitas aos domingos para crianças de um lar para órfãos. Eu tinha uns 11 anos, acho, mas jamais vou me esquecer daquele dia. As crianças vinham me pedir colo. Todas ao mesmo tempo, como cachorrinhos em um cercadinhos de adoção. Elas pulavam como que dizendo, me ame, me leve, me toque. O mundo é um lugar feroz, não é mesmo?

    Parabéns por seu conto. Sempre com uma carga humana imensa, você nos faz refletir.

    Beijos

    Paula Giannini

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    1. Puxa, obrigada Paula. Teu comentário sempre é muito importante.
      Gostei muito do teu relato – assim como fez a Juliana – que trouxe, com a experiência, a vivência de vocês, uma grande dose de plausibilidade pro meu conto.
      A minha intenção não é escrever coisas tão tristes, mas acabam saindo.
      Acho que me expresso mais facilmente nesse campo, ou talvez seja mais triste do que acho…
      obrigada por tudo!

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  7. Não creio que existamos sem amor, porque no final, o que conta mesmo é isso – amar e ser amado. O amor é o responsável pela existência do outro em nossa consciência. Talvez essa seja uma visão muito romântica da nossa condição humana, mas quando amamos tudo acontece. Acontece o respeito, o reconhecimento, a gratidão, o cuidado. Nossa construção humana é tão complexa, mas amar é simples. Amar é despir-se de nós mesmo para vestirmos o outro, para, assim, entender o outro. Alguns dizem que somos egoístas e destruidores por natureza. Tenho pensado muito sobre isso, nesses últimos tempos. Seu texto é cheio de reflexão e simbologia, tão triste e pesado, e é tão lindo! Ele me faz lembrar que, como sociedade, estamos perdendo o controle e morrendo porque estamos deixando de pensar, muitas vezes, com o coração, ou seja, de forma amorosa. Parabéns pelo texto. Um grande e carinhoso abraço!

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    1. Oi Evelyn, que comentário rico e generoso, como sempre!
      Concordo contigo: “quando amamos tudo acontece”. Se não amamos, é como se não vivêssemos, não respirássemos, é como se não tivéssemos nem mesmo nascido.
      Viver é ser amado. É.
      Obrigada mesmo!

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  8. Lindo texto e ao mesmo tempo tocante e dilacerador. Quem dera nenhuma criança passasse por isso, de nascer fisicamente e não ser querida por alguém, ficar esperando por isso e muitas vezes essa sensação nunca chegar… Parabéns, Sabrina!

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    1. Oi Bianca!
      Quem dera… imaginemos que bom seria se nascer tivesse como pressuposto viver em paz, com amor e acolhimento. A felicidade viria mais vezes nos visitar.
      Obrigada!

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  9. Sabrina, que poesia linda é esse seu conto! Me comovi de diversas formas e por diversas razões. Sou uma pessoa de muita sorte, porque fui uma criança desejada, mimada, paparicada. Meus pais me deram amor, comida, teto, cama quentinha, se preocuparam com a minha saúde, com o meu aprendizado e com os meus sentimentos. Mas eles também me ensinaram que nem todos têm a mesma sorte, especialmente no nosso país. Minha mãe trabalhou muitos anos com assistência social, com meninos de favelas, em CIEPs, com meninos de rua. Sempre que podia, ela me levava junto, pra que eu conhecesse os ‘outros mundos’ que existem no meu país. Eu conheci um menino que foi abandonado pela mãe num orfanato quando era criança. Ele conseguiu ser adotado, porque era um menino branco e bonito, mas quando chegou à adolescência os novos pais desistiram dele, e o devolveram pro orfanato. É muita rejeição. Conheci outros que foram cooptados pelo tráfico e não chegaram aos 20 anos. Hoje eu trabalho como voluntária num projeto de leitura para adolescentes de um abrigo municipal. São meninas que já passaram por coisas inimagináveis na vida e estão lá, ou à espera de adoção, ou à espera de uma decisão judicial que devolva sua guarda a algum familiar (a maioria está lá porque sofreu algum tipo de abuso em casa). Tudo que importa pra essas meninas é a família. A que elas têm ou tiveram, a que elas esperam ainda ter. Ás vezes uma me pede pra adota-la. Dói no coração. E ainda tem gente que acredita em meritocracia. Eu sempre me pergunto o que eu fiz de especial para merecer essa vida boa e elas não… Enfim, Sabrina, sou muito grata a você por esse conto. Foi uma sensação muito bonita que tive ao lê-lo! Beijinhos!

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    1. Oi Juliana, eu que te agradeço por esse relato tão bonito.
      Como disse, ele confere plausibilidade ao meu conto, assim como o da Paula.
      Parabéns pela mãe que tu tem e pela pessoa que tu te tornou, à base dos exemplos dela.
      Eu não sofri rejeições dessa monta, como escrevi ou como tu presencia, mas a simples ideia me revolta, me desanima, não me convence.
      Acho um horror ver as crianças órfãs ou, enfim, que acabam em abrigos por outros motivos, serem tratadas como mercadorias que perdem a validade. Isso é desumano.
      Quem adota não precisaria escolher nada, cor, idade, sexo, condição nenhuma. Afinal, quando temos um filho que nasce direto da gente, a gente não escolhe.
      Adotar é ter um filho que nasce da gente da barriga de outra… assim deveria ser…

      Estou muito grata pelo comentário!
      Beijos

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  10. Sabrina, adorei o título, nome de filme. Os seus textos sempre trazem muita poesia, daquelas do tipo “soco no estômago”, o tipo de poesia que gosto, maldita, da boca do lixo. Ah, não esqueci do seu texto poético do lixão. Parabéns, encaixou muito bem com o tema proposto. Abçs.

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    1. Obrigada Rose,
      Agradeço o comentário, pois é um grande elogio.
      Eu estou pensando, inclusive, em tentar escrever coisas mais alegrinhas, né… afinal, vou ficar conhecida como “a contista das histórias tristes, sangrentas, desesperadas”… tenho que dar um tempo kkkk…
      grande beijo,

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  11. Olá, Sabrina. Que tristeza a desse menino que só quer uma família para finalmente nascer. Pelo que entendi, ele tem 12 anos e já vai na quarta família que o recebe e descarta em seguida. Não serão meras famílias de acolhimento ou não existiria essa expressão “Meus novos pais ainda não me conhecem”. Então serão adoptantes com toda a certeza. Não interessa o motivo por que o menino é rejeitado em seguida (provavelmente é demasiado reservado ou rebelde,ou algo assim). o que interessa é que as pessoas fazem essas coisas. E há meninos assim, alguns até com família, que apenas aguardam ser amados, ter referências que lhes permitam saber quem são para se proclamarem vivos. Muito triste. E muito adequado ao tema. Só espero que o recomeço deste menino não seja como o de cada ano, em que o seguinte pouco difere do anterior. Já estamos em março, mas um bom ano para si. Para si e para todos os meninos perdidos neste nosso mundo que tudo tritura. Um beijo

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    1. Obrigada pelo comentário, Ana! Sim, triste o meu texto. Acho que triste demais, por mais verdadeiro que possa ser para muitas crianças. Grande beijo e um belo 2018!

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