AZUL – Juliana Calafange

Minha amada imortal,

Sinto-me tão envergonhado. Disseram-me que hoje amanheceste triste, com o olhar diferente daquele olhar vívido que sempre tiveste. E que isso foi por culpa minha, por causa das minhas atitudes. Sei que me acusas, meu amor – e tens razão em fazê-lo! Meu erro foi tremendo. Eu menti, sobre ti, sobre nós dois, e isso é algo imperdoável. Mas saiba que tudo o que fiz, o fiz por amor, desde o começo.

Na primeira vez que pus os olhos em ti me encantei perdidamente. Nunca mais a vida foi igual. Eu, que sempre fui tão recluso e evitava encarar as pessoas de frente, fiquei horas e horas a fitar teus olhos serenos (e ao mesmo tempo tão firmes!), tua pele branca e suave, teu nariz tão perfeitamente desenhado. E todo aquele azul do turbante exótico que envolvia teu rosto. E eu pensava: De onde vieste? De qual aventura mágica do oriente surgiste, para enfeitiçares assim meus caminhos?

A luz do ambiente se espalhava pelo tecido azul, pela tua cabeça, descendo pelo corpo, formando um contorno suave e radiante ao mesmo tempo. Enquanto eu me derretia diante da tua imagem, tu me notaste. Te viraste um pouco, como se desejasses me escapar, mas teu olhar continuou me fitando. Foi o olhar mais profundo que já fitei, e ao mesmo tempo o mais fugaz. Um olhar que me queria perguntar alguma coisa, mas não tinha coragem para fazê-lo. Pensei ser um olhar curioso de mim, de saber quem sou, e era a primeira vez que alguém parecia se interessar por saber-me. Tive certeza, ali, ao mirar esse teu olhar, que meus sentimentos eram correspondidos.

Essa certeza se confirmou quando voltei a ver-te no feriado de Corpus Christi. Havia muita gente, como é costume nos feriados, e foi difícil encontrar lugar junto de ti, para admirar-te mais de perto. Mesmo em meio àquela confusão de pessoas, teu olhar permanecia igual, interessado, vívido, brilhante. Tua boca se entreabria, querendo sorrir para mim — um sorriso discreto, é certo, para que ninguém mais percebesse. E ainda estavas envolta em todo aquele azul. Usavas o mesmo turbante e aquele mesmo brinco em formato de gota, uma pérola refletindo a tua luz. Era sinal de que continuava tudo como antes. Ficamos nos olhando, assim sem compromisso e sem dizer palavra. Momentos de ternura e silêncio. Um silêncio de espera, de inquietude, e ao mesmo tempo de torpor. Nosso silêncio dizia tudo, só através do olhar. Olhar para ti era tudo, meu amor.

Todos os dias dali em diante, os vivi apenas por ti. Ansiei por rever-te, a cada instante, a cada minuto. E toda vez que conseguia escapar das aulas do colégio, ia à tua procura no mesmo lugar onde nos conhecemos, e onde sabia que estarias. Sempre que te via meus batimentos aceleravam. Às vezes, olhava-te só de longe. Talvez, em algumas ocasiões nem me tenhas percebido por lá, sempre tão generosa, preocupada em dar atenção a todos de igual forma. E eu passava os dias a esperar pela próxima oportunidade de ver-te. Desejava vigorosamente saber o que querias tanto me dizer com aquele olhar tímido e mudo. Ficava imaginando a resposta nos sossegos de fim de tarde, nos silêncios da biblioteca, na calada das noites insones.

Faltei várias vezes à escola, só para ficar um tempo sozinho a desejar-te, a te querer tanto e a pensar em ti me desejando de volta. Aquela pujança de amor, aquele querer-se mutuamente, tudo isso, na mente do menino que eu era então, fez minhas fantasias crescerem. E quando contei ao colega de turma que me havia enamorado de ti, não mentia de modo algum. Talvez, porém, eu tenha me precipitado em dizer que era correspondido, pois a bem da verdade nunca havíamos trocado palavras, não é? Tive de aceitar quieto o chiste do amigo, para evitar maiores desastres.

Mas, como dizia meu pai, a mentira é uma verdade que esqueceu-se de acontecer. E de mentira em verdade, de verdade em mentira, nosso amor cresceu em meus sonhos e, portanto, peço que releves toda essa confusão, pois ela mesma começou de causa nobre. Não há coisa mais nobre que o amor puro.

O fato é que o tempo foi passando enquanto meu amor e minhas fantasias cresciam mais e mais e, embora eu não conseguisse criar coragem de falar-te, nossas conversas em minha mente já renderiam enciclopédias.

Meu colega, vendo meu olhar melancólico de saudades, me dizia que eu devia esquecer-te, dedicar-me a alguém mais disponível, e eu insistia que amor como esse não se vive outra vez, que era só a ti que eu poderia amar durante toda a minha vida e que eu jamais te abandonaria ou te trocaria por uma aventura qualquer. E, para confirmar nossa história de amor, eu contava ao colega todas as coisas que vivíamos juntos, os passeios que demos no parque, as noites acordados contando estrelas no céu de primavera, tudo o que havia-se passado, a bem da verdade, somente na minha cabeça.

Certamente todas as histórias sobre nossa relação eram na verdade histórias que vivi aqui dentro do meu pensamento, tantas e tantas vezes. Sei que errei ao fazê-lo, mas, por favor, entenda que contar essas histórias inventadas era uma forma de manter-me perto de ti, de manter nosso amor vivo em meu coração, até o dia em que eu finalmente tomasse coragem em falar-te, e expor minhas reais ambições.

O que sempre me doeu foi essa falta de oportunidade, esse excesso de vigilância que há sobre ti. Não que eu não reconheça teu valor, tua beleza única e rara, que merece todas as vigilâncias. Mas o fato é que, tímido que sempre fui, não consegui nunca vencer o medo de me declarar, diante de tanta gente desconhecida, pessoas que só vivem circulando por aí sem encontrar-se no mundo, incapazes de perceber a beleza, a delicadeza, a franqueza do teu olhar. É gente insensível, meu anjo, que insiste em manter-te encerrada nesse lugar frio, longe de mim, longe do amor pulsante que tenho para dar-te. Não compreendem que ninguém pode proteger-se das emoções humanas.

E agora me sinto obrigado a confessar-te, cheio de vergonha, mas ao mesmo tempo ciente de minhas mais puras intenções, que menti mais uma vez a teu respeito. Ontem à noite contei a todos sobre nós, que nosso caso é antigo, que vem da meninice e que tu havias concordado em fugir comigo. Assim, fiz uma pequena mala e fui-me embora de casa, para te buscar, meu amor.

Sei que jamais falamos abertamente sobre o assunto, minha amada, mas achei que era chegada a hora em que, se eu não tomasse uma atitude, não teria mais coragem de fazê-lo. Estamos ficando velhos e temos o direito a viver nosso amor livremente, sem dar atenção às convenções sociais ou culturais! Peço perdão por ter agido assim, tão impulsivamente, pois é certo que foi essa atitude impensada que acabou provocando toda a atual situação.

Fui tão veemente em defender o nosso amor que acabei sendo preso. É isso, encontro-me preso, atrás das grades de uma estranha carceragem. Digo que é estranha porque aqui os guardas se vestem de branco. Ao menos fosse de azul, me fariam lembrar de ti, minha querida, minha Deusa, meu tudo!

Mas não te preocupes comigo. Não ficarei aqui por muito tempo e é por isso mesmo que estou a escrever-te esta carta. Quero viver contigo o que resta de minha juventude e amar-te até que eu envelheça, até que chegue a morte.

Sendo assim, tomei a decisão. Por não saber mais como viver longe de ti, por estar absolutamente certo de que meu destino é teu, somente teu, escrevo para dizer que te prepares, meu anjo, porque hoje fugiremos juntos. Já tenho um plano para escapar daqui no sábado, logo após a ceia. Estarei aí para te resgatar às oito em ponto, quando o museu já estará fechado. Tenho tudo arranjado. Arranco-te dessa parede e dessa moldura indigna e saímos pela claraboia do teto. Fugiremos para o sul da América do Sul, onde viveremos entre o azul do mar e o azul do céu, para combinar com o tecido ultramar que te veste, e seremos finalmente um do outro, para sempre.

Completamente teu,

J.℣.

23 comentários em “AZUL – Juliana Calafange

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  1. Juliana, não é apenas a imagem que é bela, mas a carta também.
    Eu acredito no amor. Eu acredito também que existam muitos jovens que vivem amor platônico nessa vida.
    Muito interessante que o jovem da carta ame a imagem projetada que, se bem entendi, pode ser da Monalisa.
    Muito bem sacado.
    Ou o moço ficou desequilibrado de tanto amor ou é um ladrão dos mais poéticos que já se viu.
    Uma única pergunta: ao escrever a carta, o personagem pensou em entregá-la (para a musa) ou tudo foi apenas um desabafo, anterior do possível encontro??
    Beijos!

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    1. Oi Sabrina. Sim, trata-se da história de um rapaz que se apaixona pelo quadro “A moça com brinco de pérola”, de Johannes Vermeer. É um quadro belíssimo, e apaixonante mesmo. Se vc tiver oportunidade, dê um Google e verás! Ele escreve a carta já no manicômio, onde foi internado após confessar a todos seu amor pelo quadro.
      Mas essa sua sugestão, de que ele possa ser um dos ladrões mais poéticos que já se viu não é nada má. Gostei muito, e acho que pode ser uma outra explicação para a carta. Até porque a gente não sabe se ele conseguiu mesmo roubar o quadro, não é?
      Beijos e obrigada!

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  2. Inspirada declaração de amor impossível entre um jovem e uma musa, uma mulher que vive numa tela, no mundo dos sonhos, do irrealizável, e paradoxo, totalmente palpável e real.
    Creio não ser a Monalisa, pela descrição do véu azul….qual seria a mulher? Ou é apenas imaginada/sentida/amada?
    Em todo caso, lindo!

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  3. Primeiro fiquei com raiva desse maluco egocêntrico que faz do SEU amor, toda uma vida. Senti medo, pela garota, achei que ele iria atrás dela, sem ser correspondido, e a machucaria, como vemos tantas vezes. Depois fiquei com pena, ao perceber que o amor dele era apenas platônico, por uma mulher irreal… Bom conto, faz a gente pensar…

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    1. Que interessante o seu comentário, Vanessa! Gostei muito do ângulo que você percebeu essa história. Acho que nem eu diria isso com tanta clareza. Um ego delirante esse rapaz tinha, né? rs
      Beijos e obrigada!

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  4. “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” é um ditado que as circunstâncias nos obrigam a acreditar. O protagonista está apaixonado por um quadro. aprisionado em um hospital (todos de branco), mas escreve uma linda carta de amor, coerente e coesa. Muito bom! Um amigo contista escreveu “Paixão estúpida mente gelada” em que o protagonista se apaixonou por um pôster que colocou próximo da geladeira. A última frase do texto é “E nunca mais recuperou a sanidade”. Um argumento bem semelhante ao seu, mas o desfecho do seu conto é mais surpreendente e impactante.

    Parabéns pela ideia e construção do texto. Gostei muito. Beijos.

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  5. A MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA. Afinal era por isso que vc queria que a imagem ficasse lá no final, mas olha, não associei a moça amada com a moça do quadro. A leitura estava assim tão interessante que eu me esqueci do resto.

    Acompanhei o amor platônico de seu protagonista com foco e encanto. Vc utilizou uma voz antiga muito elegante e sedutora, por todo o tempo eu fiquei imaginando como aquilo iria acabar.

    Claro que eu sabia que, por se tratar de uma missiva, não era muito provável que houvesse um desdobramento conclusivo, como eles dois ficarem juntos, mas a solução que vc arranjou, além de surpreendente foi divertida.

    Que maluquinho!

    Obrigada por passar no meu conto, eu ando mais fora do que dentro do planeta, mas vou voltar para as minhas responsabilidades. Beijos.

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    1. Você descobriu qual era o quadro! Realmente, se eu escancarasse a imagem no começo podia perder um pouco da graça, por dar de cara a informação de que se tratava de um quadro. De qualquer forma, eu acho esse um dos quadros mais apaixonantes da história da arte!
      E acho que tenho uma tendência a gostar dos maluquinhos… rsrsrs
      Beijos!

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  6. Quando eu era menina os meus pais compraram um enciclopédia que vinha com um livro extra só sobre pintura – desde a rupestre até a contemporânea (da época – anos 80), e eu me apaixonei pelas imagens, pintores, escolas, ciclos, fases etc. Foi fácil reconhecer o quadro.

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  7. Querida Juliana,

    Tudo bem?

    Também sou fascinada.pelo mundo das artes plásticas. Convivi um pouco com pintores e tintas, pois meu avô.era leiloeiro e pintor. Atualmente, preparo um espetáculo.infantil sobre história da arte para crianças e na trama, uma musa desce ao quarto de um menino para levá-lo em uma viagem pelos grande momentos dessa história.

    Sobre o conto em si, creio que muito daquilo que alguns chamam de se apaixonar pelo outro, nada mais é que uma especie de projeção onde o indivíduo apaixona-se, antes, por si mesmo.

    Obviamente há muitos outros caminhos interpretativos aqui como a psicose, questões espirituais, enfim. O fato é que o epistolar ficou perfeito. Declaração de amor à arte. 😀

    Parabéns.

    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Obrigada pelas suas belas palavras, Paulinha!
      E que legal esse espetáculo sobre a história da arte. Muito importante esse trabalho, fazer a galerinha conhecer essa maravilha toda. A gente só preserva o que ama e só ama aquilo que conhece, não é?
      Beijos!

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  8. Confesso que fiquei maravilhada com a obra que escolheu para fazer pano de fundo ao roteiro epistolar. É possível sim, apaixonar-se por essa obra de Vermeer. Porque ela é maravilhosa. A posição da moça, a inclinação da cabeça, a abertura sutil e sensual da boca. A luz nos lábios, no olhar, na testa. A escuridão que a circunda. Um enigma, um convite. Um suspiro de cotidiano transformado em obra prima. Sempre que penso nos pintores barrocos, naquele duelo entre luz e sombra, entre sagrado e profano, entre bem e mal, sobressai-se Vermeer e sua capacidade incrível de tecer o inesperado dentro do comum aos nossos olhos. Os olhos da moça, essa da pintura, carregam uma intensidade complexa e encantadora. Esse artista deu forma à luz, assim como Ruisdel, outro holandês, nos fez mergulhar em céus inspiradores e paisagens sombrias de cemitérios antigos. Vermeer representou a simplicidade do cotidiano, de vidas comuns, com minuciosos tons de cores, exaltando esses momentos quaisquer em preciosidades. Essa declaração em carta é algo maravilhoso. E, ao chegar ao final, J.V…. Que surpresa. Johannes Vermeer assinando. Será? Como se ele estivesse a resgatar sua obra mais conhecida, mais idolatrada, mais vista. Como se estivesse a lutar por ela, tentando resgatá-la de todos olhares, resguardá-la de todas as intenções de posse. Gostei muito! Parabéns! Um grande e carinhoso abraço!

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    1. Que bom que vc me entendeu, Evelyn! Eu sou apaixonada sim por esse quadro. Por toda obra do Vermeer, mas especialmente por esse quadro. Ele tem um não-sei-o-que que me fascina desde que o vi pela primeira vez. E olha q eu nunca vi a tela ao vivo e à cores! rsrs Talvez o moço maluquinho do conto seja o meu alter ego…
      Beijos, muito obrigada pelo comentário!

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  9. OI, Juliana, tudo bem? Então, a imagem já me fez pensar logo em um amor platônico por uma mulher retratada por um grande pintor. No entanto, isso não tirou o meu interesse pela linda carta escrita pelo rapaz (fiquei em dúvida se ele já tinha envelhecido ou não) a sua musa. Quem nunca viveu uma paixão platônica? Seja por alguém de carne e osso ou por um artista ou personagem? Faz parte da aventura humana, né?
    A carta é muito bonita e revela todo o sentimento enlouquecido do moço que tenta roubar a tela do museu e acaba em uma clínica psiquiatra, acredito. Gostei bastante dessa viagem nas emoções do adolescente que cresceu mas não abandonou a sua amada. Texto muito envolvente.
    Parabéns!

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  10. Olá, Juliana!

    A carta que é muito bonita e revela uma paixão que chega às raias da loucura vai causando no leitor um certo tipo de desespero à medida que a leitura progride, porque vai se estabelecendo a não-concretude e tudo o que advém disso. O sonho desejado, mas não realizado, o amor não saciado, etc causa uma tristeza muito grande. É isso o que causou em mim, pelo menos, uma tristeza infinita porque sabemos impossível. Conhecia o quadro e o pintor – aliás, foi feito um filme sobre ele com Colin e a Scarlett Johansson nos papéis principais – muito bonito, de fato. Um amor platônico que foi vivenciado até o mais profundo abismo dos sentimentos. Muito bom.

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  11. Olá Juliana. Amo o Vermeer, dentre outros holandeses contemporâneos a ele. Para mim, seus quadros são como pequenos contos, como se narrassem pequenas história, recortes do cotidiano. Nesse sentido, seu conto foi muito feliz em focalizar uma obra desse artista. Seu texto fala sobre o amor platônico. Que amor poderia ser mais platônico do que o de um adolescente por uma mulher retratada em um quadro? De uma forma alegórica, seu conto faz refletir sobre a insanidade do amor platônico. Muito bacana, isso. Gostei muito da linguagem da carta que associada à assinatura J.V, do missivista ao final, confere ao conto uma atmosfera um pouco mágica. Uma ótima inspiração. Parabéns!

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  12. Oi Ju, interessante a sua narrativa, diferente dos contos seus que li até agora, o que demonstra a sua versatilidade com a pena. Cheguei a pensar que o apaixonado estivesse morto, por causa dos guardas com roupas de branco, depois entendi a intensidade da sua insanidade. Ah, loucos amores, a ponto de enlouquecer. Achei que o seu texto tb. tem um tanto de experimental, caberia bem no último desafio, o amor platônico pela imagem, por um quadro, gosto requintado, menina. Parabéns.

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  13. Oxi! Que gurí apaixonado!

    Eu percebi logo que a paixão dele seria por um quadro, então já imaginei que pela intensidade de suas palavras dos seus sentimentos, o destino dele seria algo como isso que aconteceu.

    A carta é muito bonita, ninguém pode duvidar dos sentimentos dele. Mas achei bem assustadora também. Me lembrei desses casos de homens ” apaixonados” que cometem loucuras , crimes, provocam tragédias por estarem tão certos desse amor, desse sentimento de posse, desse ” não tenho certeza, mas acho que você me ama também, devemos ficar juntos” sua história me levou pra esse lado mais sombrio, talvez por isso eu não tenha simpatizado pelo personagem, por achar ele extramente perigoso. Tipo, ainda bem que essa paixão é por um quadro rsrs.

    A escrita está belíssima, a emoção flui bastante, enfim, um texto muito bem executado! Parabéns!

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  14. Olá, Juliana. Bem, que dizer? esse quadro é tão conhecido. Reconheci-o pelo olhar e então, percebi quase desde o início que se tratava de um amor platónico de um rapaz por uma figura emoldurada no museu. As referências ao local público e à presença (e à forma como essa presença se manifesta) são constantes, mas acredito que, para quem não conheça o quadro se revele uma bela surpresa que pode levar a uma releitura, mais lúcida. Gosto imenso desse tipo de conto que, no final abre a porta para uma nova abordagem. Por vezes tento isso, mas creio que ninguém se dê ao trabalho de me reler. O seu conto só não me pediu essa segunda leitura mais degustativa, porque pude tê-la à primeira; em contrapartida, pude ir desfrutando, gomo a gomo, a arte da autora em simultâneo com o desenrolar dos acontecimentos. Pobre moço que tentou roubar o quadro por amor! Em lugar de ir preso como um vulgar criminoso foi internado por insanidade. Mas o amor juvenil é realmente insano, só o desconhece quem não o viveu. Bom trabalho, Juliana. um beijo.

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