O medo do irmão – Elisa Ribeiro

Foi aos sete anos que comecei a entender o que era medo. Não o medo real, de algo que existe e ameaça, mas o medo do que não existe, invenção de alguém para produzir um efeito. Ou um resultado. Medo real, só fui sentir bem mais tarde, entrada nos anos, numa situação que eu não gosto nem de lembrar.

Provavelmente era sexta ou sábado, dias em que mais ou menos tínhamos autorização para dormir mais tarde. Meus pais tinham saído e nós três, sob o cuidado desatento de nossa avó permissiva e despreocupada,  escolhemos assistir a um filme de terror na TV.  Não lembro o nome do filme, tampouco o enredo, só recordo que certo palhaço assassino era o protagonista da história.

Vovó preparou um balde de pipoca na panela, não havia micro-ondas naquela época, e foi cuidar das coisas dela. Meu irmão mais velho, sempre mais inteligente, deve ter achado o filme uma droga porque logo começou a cochilar no sofá.  “Artur, vai pro quarto…”, falei com minha voz chata, sacudindo-o com minhas mãozinhas pequenas.  Sem ele, dava para eu e o Vitor assistirmos deitados, esparramados no sofá.  O Artur mal abriu os olhos, levantou e foi para o quarto onde dormíamos nós três, num beliche de três andares,  mais a vovó. A cama mais alta era a dele, o Vitor dormia na do meio, eu, na mais baixa.  

Eu e o Vitor assistimos o filme morrendo de medo, pulando a cada susto  e cobrindo os olhos a qualquer indício de cena mais violenta em que o sangue ameaçasse espirrar da tela na nossa cara. Quando a sede apertou por causa da pipoca salgada, nenhum dos dois quis ir sozinho buscar água na cozinha. Fomos juntos, ombro com ombro, talvez de mãos dadas. Mas quando o filme terminou, pulamos ambos a passagem pelo banheiro. Nem pipi, nem dentes escovados, fomos direto para a cama, largando acessa a luz da sala. O Vitor subiu para o segundo andar da cama, eu me aconcheguei no térreo, vovó, na cama em frente, roncava.  

Deitada, quando fechava os olhos, o palhaço vinha. Então eu os abria novamente. Mas com uma sabedoria infantil, dessas que a gente não sabe de onde vem, fui dizendo para mim mesma que eu estava na minha casa e não num parque de diversões sinistro numa cidade americana empoeirada, que aquelas coisas do filme não aconteciam na vida real e, já mergulhando no sono, que se algo de ruim acontecesse comigo minha avó, meu anjo da guarda, meus irmãos, sei lá eu quem,  me salvava.   

“Julinha, você já tá dormindo?”, a voz do Vitor chegou sussurrada pelo canto da parede na penumbra do quarto. “O que foi? “, respondi pastosa. “Não dorme, não! O palhaço está só esperando você dormir…”. Mas nessa altura eu já estava mais para sonhos do que para pesadelos, o medo já ia distante, quase apagado.

Acordei, tudo escuro, a bexiga estufada, apertada para ir ao banheiro. Tonta de sono, segui pelo corredor na penumbra, a luz da rua filtrada pela persiana só enganava a escuridão, meus pais haviam apagado a luz da sala ao chegar. Também não acendi a luz do banheiro, o medo do palhaço completamente deslocado pela urgência urinária.  

De volta ao quarto, já mais acostumada com o escuro, notei que minha avó estava quase caindo da cama. Entre ela e a parede, um volume e um cabelinho escuro misturado ao cinza do cabelo dela. Olhei para o segundo andar de beliche, apalpei o colchão vazio. Meu irmão tinha pulado para a cama da vovó. “O palhaço?”, pensei, mas  os lençóis da minha própria cama num instante me abraçaram com força de volta.  

Despertei ainda escuro com um barulho, um alvoroço, no  quarto.  Minha avó trocava de qualquer maneira os lençóis da cama dela. “O que foi, vovó?”, a voz pastosa de novo.  “Nada não, Julinha. Fecha os olhinhos e dorme”.

Quando acordei de novo, era dia. No chão, embolados num canto do quarto,  os lençóis  trocados de madrugada. Apalpei-os  com as pontas dos dedos: úmidos, cheirando a urina passada. À minha cara de nojo, vovó respondeu, recolhendo-os. “Acontece,minha filha, a gente sonha que está no banheiro e aí quando vê, já foi…”. “Você fez xixi na cama, vovó?”, perguntei espantada. “Não, filha… ainda não…” deu uma risadinha. “Foi o seu irmão…”, falou num tom sussurrado.

“Vó, eu te falei que não era pra contar pra ninguém!”, a voz do Vitor, ainda enrolado nas cobertas, vovó não tinha percebido que ele já estava acordado. “Ah, meu filho, desculpa! Mas a sua irmã não vai contar nada pra ninguém…”. Olhou de volta para mim, deu uma piscada,  “Não é, Julinha?”. Foi meu irmão mais velho que respondeu, um deboche, do terceiro andar do beliche: “Ahh! Mijão!”

Nesse mesmo dia a tarde, eu brincando de vestir e desvestir minhas bonecas, sozinha na varanda do nosso apartamento, meu irmão Vitor jogando botão com o Léo nosso vizinho na varanda de baixo, ouvi o que eles conversavam.

“Você viu o filme de ontem? Aquele do palhaço?”, a voz do Leo. “Vi, sim!  Nem senti medo…”, a mentira do meu irmão fez minha audição aguçar. “Nem eu. Filme muito bobo…” foi a opinião do Léo. “Também achei, mas minha irmã, a Julinha, morreu de medo.Foi dormir com a minha avó e fez xixi na cama de madrugada… “, não acreditei no que estava ouvindo! “Mas ela é mais novinha…”, o Léo, um pequeno gentleman, abrandou minha raiva. “Não! É porque ela é menina e menina é tudo idiota!”.

Eu devia ter me intrometido, debruçado na sacada, desmascarado o Vitor na hora. Mas decidi ficar quieta. Compostura de menina? Compaixão pelo meu irmão? Vergonha alheia? Sei lá… Só sei que não reagi, voltei às minhas bonecas, que se danasse o Vitor! Aquilo não era mesmo verdade.

Quando comentei com a vovó, ela disse. “Não liga não, minha filha. É coisa de menino. Foi só porque ele não queria ficar por baixo do amiguinho”. Não retruquei, mas não fiquei satisfeita. Tampouco minha avó deve ter ficado. Ouvi quando ela contou a história para o meu pai dizendo que calúnia era um comportamento inaceitável – nossa  apartamento era minúsculo, nenhum assunto era privado –  e meu pai respondeu que a culpa era dela mesma por nos ter deixado assistir filme de terror até tarde. E, mais ainda, por ter ido dormir largando acesa a luz da sala.

Dois dias depois o Vitor teve um episódio no colégio. Jogou uma barata viva nas costas de uma menina. A garota fez um escândalo, ele ficou de castigo na sala da diretora, minha mãe foi chamada na escola. Meu pai estava viajando, prometeu uma surra de cinto na volta. Mas quando ele chegou a história já era passado.

O Vitor ainda continuou agressivo por uns dias. Vi quando deu um chute num filhote de gato em frente ao nosso prédio. Primeiro olhou em volta para checar se tinha alguém vendo antes de encher o pé na barriga do pobre coitado do bicho. “Quero ver se tem sete vidas mesmo!”, escutei-o dizer por trás da persiana da janela. Não contei para ninguém, também acho que ninguém acreditaria se eu contasse.

Depois ele voltou ao normal, mas sempre meio sonso, meio sádico. A vida inteira medroso de coisas sobrenaturais. Filmes de terror,  assistíamos eu e o Artur, ele saia de fininho, dizia que estava com sono e se metia no quarto. Valente só com as meninas, os menores, os insetos e mais raramente com  os pequenos animais, o casal de hamsters,  por exemplo, depois o porquinho da índia que criávamos.

Desastrado, arteiro, implicante, sempre foi quando criança. Mas esses atributos, não vejo a relação deles com esse primeiro medo que sentimos juntos daquele palhaço imbecil que o fez urinar que nem um maricas debaixo das cobertas.

Vejo, sim, relação daquele medo com o homem que o meu irmão acabou se tornando anos mais tarde. Preconceituoso, arrogante, cristão hipócrita. Mas isso é assunto, quem sabe, para o divã de alguma psicóloga.

18 comentários em “O medo do irmão – Elisa Ribeiro

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  1. Quando pequenos, moldamos nosso caráter, seja através de exemplos, seja através de nossa consciência – quando ela surge. Creio que, no caso do menino da história, tudo tenha se multiplicado a partir dos ‘crimes’ abrandados pelo descaso, ou esquecimento, ou falta de diálogo, de mostrar o que é certo e errado dentro de uma sociedade. Comportamentos inadequados tendem a se repetir se não há uma preocupação ou monitoramento. Nesse caso, a repetição de ações erradas, de comportamentos maus, de falhas de convivência, ficou evidente para a irmã, mas não para outros membros da família. Talvez, se ela tivesse pontuado as mentiras e ações erradas para os pais, tudo pudesse ficar mais claro. Ao calar-se, mantendo-se apenas na observação do irmão, ela meio que avalizou o comportamento. Não é possível dimensionar, no entanto, o que haveria de se suceder. Também não sou psicóloga, mas os desvios de conduta e as falhas de caráter me parecem surgir exatamente na infância. A atuação positiva ou negativa dos cuidadores me parece estar diretamente ligada a isso, porque a criança, através dos exemplos, consegue construir uma consciência de certo e errado.
    Tirando a reflexão gerada pela história, posso dizer que o tema abordado é bem atual.
    A leitura foi agradável, tranquila, gerando reflexões ao longo do caminho.
    Parabéns pelo texto.
    Um grande e carinhoso abraço!

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    1. Obrigada pela leitura e comentário, Evelyn! Estou experimentando essa narradora com estilo meio memorialista para contar histórias sobre pequenas crueldades familiares. Parabéns pela sua participação no nosso desafio! Você nos presentou com narrativas muito caprichadas, sobretudo Back to home. Um primor! Beijo grande!

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  2. Aqui uma história infantil e uma hipótese para a origem de certos comportamentos certamente condenáveis porém subitamente tornados comuns e aceitáveis nos estranhos dias que vivemos. A narrativa é linear, a narradora convincente, embora um pouco monótona. Talvez menos detalhes fizessem bem ao ritmo da narrativa. O conto me pareceu parte de algo maior. O texto faz refletir, esse é o seu maior mérito. Parabéns pelo trabalho!

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  3. Talentosa Contista,

    Teu conto é praticamente uma crônica.
    Eu esperava uma história de terror ao começar a leitura, mas lá pelo meio percebi que o texto trata dessa “maldade” infantil, desse início de guerra entre os sexos, entre homens e mulheres, desses joguinhos de forças que empreendemos para nos defender desde pequenos das maldades, inclusive das maldades que enfrentamos em casa.
    Acho super válida a crítica de como a formação da criança é determinante na formação do adulto. Isso é sempre uma abordagem necessária e teu conto é bom por isso.
    Não percebo nele pontos que deem margem a interpretações outras que não essa. Ele é direto.
    Deixo apenas como sugestão uma revisão da regência do verbo “assistir”, que é transitivo indireto no sentido em que é posto no início do texto. Depois pode verificar.
    Parabéns! Que bom um texto leve e crítico no desafio.

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    1. Oi Sabrina! Obrigada pela leitura e comentário. Corrigi prontamente a regência do verbo assistir. Essa nossa língua é muito difícil …. hahaha … O coloquialismo nos trai toda hora. Beijos, querida.

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  4. Concordo com a Sabrina que o início do texto nos remete a uma reflexão/implicação sobre o medo “Foi aos sete anos que comecei a entender o que era medo. Não o medo real, de algo que existe e ameaça, mas o medo do que não existe”. É o que abre o conto, sua premissa. Então o que se lê depois disso é uma história sobre o comportamento desvirtuado ou dúbio do irmão.

    Todo o resto é válido, as reflexões que surgem a partir da situação vivida pela protagonista e que a deixou injuriada pela injustiça, as observações que ela vai notando no irmão, as maldades, as nuances que vão fazendo Vítor se tornar quem é, numa linguagem simples, cativante, no texto que flui com desenvoltura até o final. Somente a premissa conflitante no início é que cria no leitor uma expectativa que não se cumpre.

    Há outra expectativa, posta também no primeiro parágrafo: “Medo real, só fui sentir bem mais tarde, entrada nos anos, numa situação que eu não gosto nem de lembrar.” Essa sentença não é retomada novamente para ser esclarecida (e ela instiga a curiosidade do leitor), posto que a situação que a protagonista nos apresenta em seguida é do medo que sentiu quando ainda era criança. De acordo com o título, ela deve ter ficado com medo desse irmão, mas no texto, não fica muito esclarecido.

    Resumindo, acho que cabe fazer uns reajustes no primeiro parágrafo para o texto ficar perfeito. Um belo trabalho que remete a belas reflexões sobre o medo infantil.

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    1. Ei Sandra! Muito obrigada pelos comentários atentos e pertinentes. Sim, há pontas soltas no texto. Pretendo ligá-las ao transformá-lo em fragmento de um texto maior, uma novela ou romance, se conseguir levar a termo meu projeto. Beijo!

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  5. Que triste este conto, mas conheci várias crianças com um comportamento esquisito. Um deles, um primo, soube que havia matado um pintinho, apertando-o. Os pais disseram que havia sido falta de jeito, já que ele era muito novinho. Este mesmo primo também gostava de morder as pessoas, e era incentivado pelo pai a bater nas outras crianças. Quando cresceu melhorou muito. Ficou mais sério, engajou-se em grupo de jovens, ficou bem mais tolerável. Crianças não são necessariamente uns anjinhos, algumas são cruéis. Gostei da sua história, interessante e me suscitou emoções, aprecio muito os contos que mexem comigo. Parabéns pelo feito e felicidades.

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    1. Oi amiga Iolanda! Sim, as crianças não são anjinhos e as famílias não são ambientes 100% saudáveis. Beijos, querida! Louca pra ler essa sua História de Fantasmas…

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  6. O significado psicanalítico da palavra “trauma” refere-se a um fato – realmente acontecido – que tenha tido alguma importante repercussão no psiquismo do sujeito. A psicanálise enfatizava que as repressões, os medos depositados no inconsciente retornavam ao consciente sob a forma de sintomas. Quanto mais grave foi o trauma infligido e/ou vivido, mais intensa será a força das consequências.

    No conto: trauma de infância, avó “permissiva e despreocupada”, pais cúmplices, menino desastrado, arteiro, implicante, agressivo, mentiroso, já grandinho, urina na cama, “sempre meio sonso, meio sádico” — não poderia acontecer de forma diferente — adulto ”preconceituoso, arrogante, cristão hipócrita” (Freud explica). E quem tem uma irmã como essa, não precisa de inimigos.

    O título ficou bem explicado e a imagem foi explorada sob medida. A narrativa é linear, pontual e direta, leva a reflexões. Quase uma fábula, com pessoas no lugar dos animais, personagens arquétipos, o bem X o mal, uma crítica embutida, mas sem deixar de fora a lição de moral e sem um final fechado: Vítor tem esse comportamento, e daí? Como ele se sai em sociedade? Quais as consequências? O medo é justificado?

    A trama aqui construída lembrou-me dois filmes: “Traumas de Infância” e “Duas Vidas”, em que há lição sobre a superação dos traumas da infância e, no segundo, ocorre uma fala marcante — “Eu cresci e virei um fracassado”.

    Leitura de ritmo meio lento, porém agradável e envolvente, trazendo lembranças e emoções da infância. A autora soube criar uma ligação de sentidos entre passado e presente em que, o que os personagens veem, cheiram, ouvem, provam ou tocam, provoca as mesmas sensações naquele que lê.

    Parabéns pelo trabalho! Abraço!

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    1. Olá Fátima! Não vi esses filmes que você cita mas vou procurá-los. Estou experimentando essa narradora em estilo meio memorialista. É a segunda vez que uso a voz dela para contar uma história sobre crueldades envolvendo crianças. Obrigada pelo comentário, como sempre, tão qualificado! Beijos!
      Ah… Adivinhei seu conto: Homem de Palha. Seu estilo é inconfundível para mim. Adoro!

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  7. O título do conto apresenta uma ambiguidade de ideias: o irmão tinha medo ou era a menina que tinha medo do irmão? Ao prosseguir com a leitura, logo percebi que se tratava dos dois momentos. O pavor que Victor sentiu ao ver o filme de horror desencadeou um comportamento agressivo que provocava medo nos outros.
    Claro que não foi somente o filme o fator desencadeante da conduta do menino, mas sim uma espécie de gatilho. Já havia nele, uma natureza inclinada a pequenas malvadezas. Por não assumir o seu medo, sua fragilidade enquanto criança, Victor cresceu escondendo-se atrás de uma armadura pesada, fechada, cheio de preconceitos, intimando para não se sentir intimidado, chutando para não levar o primeiro chute. Isso é mais comum do que se imagina.
    Enfim, a narrativa é bastante interessante, embora não precisasse de tantos detalhes para se firmar. Algum mistério, uma sugestão ao invés de realce, poderia funcionar como atrativo.
    O desfecho não casou com o início do conto, o que não era mesmo necessário. O começo é reflexivo, quase poético e o final uma conclusão triste sobre o destino do irmão.
    Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Claudia! Sim, a ambiguidade foi proposital. O subtexto do conto seria exatamente o que você pontua no seu comentário: como a insegurança e o medo podem produzir indivíduos violentos. Um tentativa de explicar certos comportamentos preconceituosos e agressivos que atualmente ganharam súbita notoriedade. Obrigada pela leitura e comentário tão qualificado. Beijo grande!

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  8. Olá Contista querida,

    Tudo bem?

    Este conto esconde um segredo. Qual a verdadeira natureza do terror? Palhaços assassinos e o escuro da noite ou as intenções e atos daqueles que nos rodeiam e habitam em nosso cotidiano?

    Achei deveras interessante a condução sutil da trajetória da personagem, do dia em que assiste ao filme que atormenta a noite em sua infância, ao verdadeiro mote do texto que é o comportamento do irmão, que, no final das contas, ao menos para mim, representa aqui, mais que a figura daquele com quem a protagonista possui laços de sangue, mas a simbologia do masculino no sentido do dominador, do jocoso, do que mente, do que oprime. estereótipos do mundo masculino que, se não todas, ao menos muitas de nós conhecemos de nossas vidas em um momento ou outro de nossas própria trajetórias, embora nem sempre o masculino seja assim (ainda bem).

    Parabéns por sua verve.
    Juntas, só temos, todas, a crescer em nossos ofícios de escrever.
    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Oi Paula! Sim, uma das premissas do conto era refletir sobre a natureza do terror. Além dos velhinhos, que você já sabe que me interessam como tema, as pequenas crueldades cometidas com e entre crianças também me interessam. Em outras palavras, os extremos, os lugares onde não estou, são os que gosto de retratar. Freud deve explicar… hahaha… Beijos…

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  9. Olá amiga, mesmo com umas pitadas de maldade, seu conto me fez rir um bocado. O primeiro aqui com a leveza da infância.

    Imagem: “Eu e o Vitor assistimos o filme morrendo de medo, pulando a cada susto e cobrindo os olhos a qualquer indício de cena mais violenta em que o sangue ameaçasse espirrar da tela na nossa cara. ” Ri imaginando a cena.

    Julinha deu muita sorte do irmãozinho corvarde não ter virado um assassino em série, daqueles que a gente vê muito na sociedade americana, mas que já estamos importando.

    Achei interessante a ideia de que nós somos o que somos, independente da influência do que assistimos, ou lemos, na fição. Julinha assistiu o mesmo filme, mas não virou o déspota que o irmão se tornou. Talvez um psicólogo distraído chegasse a achar que o palhaço do mal influenciou Vitor.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Bingo pra você, Catarina!! Esse Vitor foi pensado como uma versão mirim desses nossos proto-fascistas brasucas que cada dia mais temos visto sair do armário. Obrigada pela leitura e comentário! Beijo grande! Apareça mais, você faz muita diferença por aqui!

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