Dandelions (Bia Machado)

Ali, naquela colina, caminhando na direção leste ao longo da praia, vive a criatura mais apaixonada que já conheci. Quem vai até lá, no amanhecer, pode ver Artemísia deitada, observando o céu em meio aos dentes-de-leão que ela mesma plantou, séculos atrás, em uma longínqua primavera, onde também plantou hortelã, tomilho, lavanda e anis. Poderia ver, aliás, se ela assim o desejasse.

Em volta, Artemísia fez com que crescessem eucaliptos, que vivem a farfalhar suas folhas ao vento, produzindo uma doce música, quase como sinos em um dia de casamento. Posso me lembrar do aroma da colina, parecido com incenso a se espalhar no ar, um sopro reconfortante.

Um dia perguntei a ela se não sentia falta de brincar com as nuvens, de afofá-las, de moldá-las conforme sua vontade. Então respondeu-me que não, em sua fala carregada de liberdade e que, sendo muito franca, soprar os dentes-de-leão agora era o que a distraía de verdade. “Porque cuido deles desde a semente, até que se espalhem ao vento e afinal, murchem… E aí um novo ciclo se inicia, com as sementes deixadas… Como tudo que há nessa vida.”

Artemísia não era seu nome, na verdade. O primeiro fora esquecido, depois de séculos e séculos sem ser utilizado. Ninguém mais se lembrava, nem ela mesma. E isso não importa. Porque seu nome desde então até os dias atuais e até quando um dia ela se for, é o que foi dado a ela pelo homem que a amou como ninguém mais poderia amar, como nenhum silfo poderia amá-la. Como alguém jamais poderia. Nem mesmo eu.

“Você vai mesmo um dia morrer?”, perguntei a ela, ainda jovem, observando-a deitada na cama de dentes-de-leão, lugar onde a mulher não deixava que eu deitasse também. Dizia que somente ela tinha aquele direito.

“É claro. Vai demorar muito mais tempo que você ou qualquer outro que conhece, mas um dia me dissolverei na brisa, no vento, aí então estarei novamente entre as nuvens.”

“Você pode um dia ficar doente e morrer, como eu e todos os outros humanos? É assim que os da sua espécie morrem também?”

“Não. Morremos quando a matéria da qual somos feitos se torna tão diáfana quanto os elementos que estão no ar. Como se respirássemos e com cada respiro fosse embora um pouco de nós. Até que um dia, no último suspiro, tudo se esgota. É assim.”

“Quando eu morrer, gostaria que fosse desse jeito. Como um sopro calmo, terminando um pouco a cada respiro. Sem sentir dor, nada…”

“Sem sentir nada? Não há como, querido. Mas posso ver que sua partida será tão tranquila quanto sua caminhada nessa existência.”

“O que quer dizer com ‘nessa existência’?”, a expressão me assustou, nunca a tinha ouvido antes.

“Um dia você vai entender.”

Prometi-lhe que sempre que voltasse de minhas viagens viria vê-la. E prometi, além disso, que lhe traria olíbano para que fizesse óleo. Trazia-lhe flores também, as mais exóticas que podia encontrar no Oriente, não importava que murchassem, pois ao chegar às mãos dela, misteriosamente, voltavam a ser o que eram antes.

“Por que você não revive os dentes-de-leão desse jeito também?”

“Porque eu os plantei e não é preciso ter pressa. Como os filhos que nunca terei, acompanho a breve vida deles, da semente até se desfazerem ao vento, quando então sinto que são realmente meus.”

Era menino ao encontrá-la pela primeira vez, ao voltar à colina em certo dia de minha infância, tentando encontrar a armadilha para passarinhos perdida na véspera. Deparei-me com uma criatura usando um vestido amarelo e branco. Na cintura, preso a um cinto dourado um áthame, na época eu nem sabia para que servia, mas tempos depois ela me explicou para que servia nos rituais. Explicou-me também que só quem queria é que podia enxergar a casa em que ela morava e inclusive até a própria Artemísia tinha o poder de ficar invisível, em meio ao vapor mágico produzido por ela.

E assim por alguns anos, sempre que eu podia, subia até a colina todos os dias para vê-la. Artemísia tinha habilidades e inteligência acima da média, conforme eu evoluía em meus estudos como aprendiz de médico, levava-lhe dúvidas que iam surgindo para que pudéssemos trocar ideias, fosse o que fosse. A jovem começou a me ensinar a fazer óleos medicinais e aos poucos fui sendo visto pelas pessoas da vila como um grande médico e já não precisavam mandar vir alguém da cidade grande para curar quem estivesse enfermo. Mesmo ainda jovem, cada vez mais as pessoas depositavam mais confiança em mim para tratá-las e curá-las.

Eu contava a Artemísia o que tinha feito a partir de seus ensinamentos enquanto ela me afagava os cabelos, quando sentávamos lado a lado para conversar, às vezes até adormecia com seu toque e, toda vez que isso acontecia, meus sonhos eram apenas com ela, como se estivéssemos livres para que a fada pudesse me levar para viver entre as nuvens.

Em minha mente, cada vez ficava mais claro o que eu sentia. Quando não havia mais qualquer dúvida, já a ponto de cumprir a vontade de minha família e casar-me com uma bela moça de uma das famílias mais ricas do lugar, disse a Artemísia que a amava. Foi a revelação de um segredo que não era tão oculto assim.

“É certo que me ama. Já sabia que isso ia acontecer. Seria natural, dadas as circunstâncias”, disse a fada do ar, “mas meu coração ainda é de Ethan. Do homem que ele foi.”

“Pode viver comigo na vila, ser minha esposa, desfaço o casamento acordado por meus pais e eles terão que aceitar você. Não terão coragem de impedir nosso casamento. Ou podemos ir para outro lugar. Quando as coisas estiverem mais tranquilas, podemos voltar e viver aqui, eu e você.”

Então Artemísia me levou até a clareira coberta de dentes-de-leão e ervas.

“Vê esse espaço coberto de plantas que eu mesma plantei? Aqui enterrei o corpo de Ethan quando ele morreu. Há quase dois séculos. Vivemos juntos aqui por quarenta e cinco anos, quando ele deixou esse mundo. Eu o amei cada dia, deixando de viver entre os meus. E por todos esses séculos. E amarei pelos próximos séculos que virão. Até que minha matéria se torne fumaça, sumindo ao sabor do vento… E assim será.”

“Mas…” A fada tampou meus lábios com o dedo.

“Por todas as vezes que você voltar aqui, não quero ouvir mais nada sobre isso. Porque não é necessário. E não há o que possa ser feito. Assim decidi com Ethan, antes de sua morte.”

Nunca consegui compreender exatamente o porquê daquela decisão. E quanto a Ethan, meus sentimentos eram conflitantes. Ao mesmo tempo em que tinha ciúmes de toda a sorte que ele tivera em vida, vivendo por tanto tempo, todos os dias, ao lado de Artemísia, por outro lado admirava-o por ser capaz de despertar todo aquele sentimento nela. Para todo o sempre.

Cheguei a me afastar do lugar, voltando cada vez menos, mas sem deixar de ir vê-la completamente, pois disso eu não seria capaz. Levava-lhe os presentes, conversávamos um pouco, mas somente o suficiente para que eu sentisse minha energia renovada após uma viagem cansativa de vários meses. E eu viajava cada vez mais, para lugares ainda mais longínquos, tentando ficar longe da vida que tinha sido imposta a mim. Ninguém pode dizer que fui bom marido ou bom pai, não cheguei nem perto de poder ser algo assim. Se eu pudesse escolher, de minha vontade, não ter casado, não ter gerado filhos, eu teria escolhido dessa forma. Somente com Artemísia me sentia completo, pleno, somente com ela me sentia no lugar onde realmente deveria estar. Às vezes a culpa me invadia, muitas vezes era um sentimento que me alimentava, alimentava minhas ações, meus desejos, minha raiva.

E assim vivi, até a hora em que senti minhas forças começarem a ir embora. Nesse momento, eu sabia: precisava subir até a colina, uma última vez. Estranhamente, ao mesmo tempo em que era certo que meu tempo estava se acabando, havia a certeza também de aguardar por aquele momento desde sempre e era como se eu voltasse a ser aquele garoto que encontrara Artemísia décadas antes, e desde então começara realmente a viver.

Ela me aguardava de pé, no meio do canteiro de dentes-de-leão. Apenas me olhava e sorria. O vento balançava as folhas dos eucaliptos em volta, em uma dança frenética, intranquila, diferente da expressão da mulher e de meus próprios sentimentos naquela hora.

“Venha até aqui.”

“Você nunca deixou que eu pisasse nesse canteiro…”

“Agora você pode. Agora você vai voltar ao lugar ao qual pertence.”

“Eu não compreendo…”

“Sim, você compreende. Por esse motivo sempre voltou. E por esse motivo é o único que pode enxergar tudo isso, da mesma forma quando você viveu nesse lugar como Ethan. Por isso eu te peço de novo: venha, Ethan. Venha comigo, mais uma vez, agora que pode voltar a ser quem realmente é.”

Foi como se uma venda tivesse sido tirada de meus olhos e eu pudesse ver todo um passado que existia antes mesmo de eu estar aqui. Senti o coração se encher de alegria, por saber que em outra vida estivera ali e era eu quem a amava, por séculos e séculos da vida de Artemísia. E da minha também.

Eu, Ethan.

 

 

 

 

Anúncios

32 comentários em “Dandelions (Bia Machado)

Adicione o seu

  1. Que conto maravilhoso! Encheu minha alma de poesia falando da vida, das vidas, das muitas vidas que, quem sabe, provavelmente, se vive, mas não se tem consciência e de como se vai de volta para o início, num ciclo sem fim, mas não em vão, porque se aprende, ou se tenta aprender com o momento presente. Falou de algo que acredito, no qual sento meus dias – passado e presente interligados e uma promessa de futuro, aqui ou em outro lugar, mas próxima daqueles aos quais nos apaixonamos. Não apenas uma história soprada pelo vento, mas soprada pelo amor.

    Curtido por 3 pessoas

  2. Para mim o conto estava maravilhoso até o momento que foi revelado que ele era Ethan, se Artemísia sabia disso porque o afastou? Porque não o amou com a mesma intensidade de antes? Porque não o segurou ao seu lado?

    Mesmo não gostando deste final, eu acho o conto bom.

    Curtido por 4 pessoas

    1. Oi, dona Neusa. Artemísia me soprou aqui que a intensidade nunca diminuiu, mas ela não queria interferir no que ele devia viver. Acredito que o amor verdadeiro deve sempre lidar com isso… Obrigada pela leitura!

      Curtir

  3. Olá Noite Eterna, que conto gostoso de ler!! Eu amava soprar os dentes de leão quando era criança e hoje sopro com minha filha. Bom lembrar disso!! Seu conto é muito visual e mágico, com uma fantasia bem leve e etérea, combinando perfeitamente com o conto. As palavras foram usadas com muita naturalidade. Acho que entendi o porquê dela não ter aceito o amor dele, apesar dele ser a reencarnação do Ethan, não era o Ethan verdadeiro, por quem ela havia se apaixonado e deixado de viver entre os seus. Amei o conto! Parabéns!

    Curtido por 4 pessoas

  4. Querida Contista,
    Tudo bem?

    Estou feliz demais por participar deste exercício com vocês, amigas de tanto talento.

    Vamos ao conto.

    Um conto de amor. Um amor que pode durar toda uma vida. Ou, muitas delas. Um amor, capaz de abdicar de sua própria felicidade, ao deixar que o ser amado vivesse sua vida de humano, antes de voltar a seus braços em sua forma etérea. Ao menos assim entendi.

    O conto é muito agradável de ler, com uma pegada leve e muito visual. A autora, aqui, pinta um quadro de nuvens, e flores, e campos para o deleite de seu leitor.

    Parabéns, Contista.
    Desejo que este seja apenas um de muito textos maravilhosos que por aqui estarão.

    Beijos
    Paula Giannini

    Curtido por 4 pessoas

  5. Conto com um toque poético que fala sobre o elemental do ar, em meio a dandelions que revelam que a vida é breve como um sopro. O narrador fala sobre a sua vida, o encontro com Artemísia, o descoberta da sua magia, o amor que nutria por aquele ser fantástico. Não entendi muito bem por que ela não se entregou a Ethan novamente, só o recebendo na hora de sua morte, quando ele se torna um ser etéreo. Talvez, por isso mesmo, pelo medo de viver novamente a paixão, de se entregar a alguém que tem os dias contados e que não a acompanhará pelos séculos. Mesmo assim, achei injusto com Ethan, que teve que viver uma vida a parte, uma história quase de mentira, apenas para se ajustar às conveniências sociais. Só a morte o libertou para o verdadeiro amor?
    Conto muito bem escrito e que deixa uma brisa carinhosa entre nós. Parabéns!

    Curtido por 4 pessoas

  6. Um conto inspirado por uma letra de música [“Uma hora, duas horas, três horas, quatro badaladas do relógio /de-leão não se preocupam com o tempo / Dandelion não conte nenhuma mentira / Dandelion vai tornar-te sábio / Diga-me se ela ri ou chora / Sopre dente de leão, soprar-leão” (Dandelion, Rolling Stones)] e consagra o elemental ar, com toda pureza, leveza, delicadeza, sutileza e poesia que o tema pede.

    O dente-de-leão tem um significado especial no texto; é uma planta perene, que dada a sua espontaneidade e onipresença, seria de pouco valor, no entanto, ela tem significados simbólicos, evocativos e variados e foram lhe atribuídos poderes mágicos.

    Ficou interessante o jogo das palavras do campo semântico relacionado, aliado ao tema do amor através dos tempos, sem que a reencarnação seja um empecilho.

    A premissa está muito bem desenvolvida, cativante, envolvente e fluida.

    Parabéns e sucesso! Gostei muito. Beijos. 💖💖

    Curtido por 4 pessoas

    1. Nossa, Fheluany, eu gosto muito dessa banda, mas sério, eu nem imaginava que há uma música deles com esses versos que se encaixam tão bem. Vou até procurar pra ouvir! Muito agradecida pelo seu comentário! 😉

      Curtir

  7. Um conto de amor eterno. Curioso observar aqui como o elemental termina por impor a atmosfera do conto. O fogo, que predominou no desafio, quase sempre nos trouxe movimento, certa violência, alguma dose de paixão. Aqui, o elemental Ar impõe a atmosfera de leveza e suavidade do conto. Uma leitura muito agradável, me senti flutuar como um dente de leão. Parabéns!

    Curtido por 4 pessoas

  8. Um conto primoroso! Senti tristeza, todavia. Uma vida ‘quase’ eterna de paixão que não pode ser correspondida rapidamente. Quantas vidas Ethan terá que viver até que Artemísia também dê seu último suspiro e finalmente possam ficar juntos? Ótimo! Abraços ❤

    Curtido por 3 pessoas

  9. Um conto primoroso em que a autora, com maestria, deu ao texto toda a suavidade do elemental: a perenidade, a fragilidade do viver e, além de tudo, soube transformar a história de amor na leveza que deve se ater a todas as relações, deixa-se ir, livre, mesmo que a contra-gosto, mesmo amando-o para que, se houver o amor verdadeiro, ele retorne seu, íntegro de sentimentos, inteiro nas vontades. Maestria da autora em dar ao texto toda a suavidade e pureza do elemental escolhido. Trabalho impecável! Parabéns!

    Curtido por 3 pessoas

  10. Aqui, é na eternidade que reside a vida. Tudo tem um momento, todos temos um tempo de vida que mais não é que um momento, um momento captado por uma câmera fotográfica que tudo regista para todo o sempre, mas o momento em que vivemos ficou registado e não pode ser repetido, apenas refletido, refletido para todo o sempre.
    O conto encara o corpo como uma armadura que nos prende, mas que é também a que nos dá forma.
    Achei que houve dois tempos no conto: primeiro assisti o processo de construção de uma tela e no segundo entrou o narrador que lentamente foi tomando o protagonismo, antes pertencente a Artemísia.
    Gostei muito. Parabéns. Beijos.

    Curtido por 2 pessoas

  11. Querida Contista!

    Obrigada por me propiciar mais uma leitura de um conto teu!

    Esse desafio foi ótimo, né!? Adentramos em um mundo verdadeiramente fantástico!

    Sobre o teu conto, eu creio que ele poderia servir como a “lenda da Medicina”! Eu gostei muito. É uma linda história de amor, que inicialmente parece platônico, e sobre como os elementos da natureza e seus representantes, como as fadas, podem ser apaixonantes.

    Parabéns!

    Grande beijo,

    Sabrina

    Curtido por 2 pessoas

  12. Oi,

    Um conto muito bonito e bem estruturado. Uma bela ambientação, ótimos diálogos parece está bem redondinho. Eu acho que entendi porque ela não revelou antes que ele era Ethan. Era pq ele não era o Ethan de fato, ele como humano jamais poderia chegar a profundidade de ser como ela, de viver e ver as coisas como ela. Ele precisava fechar esse ciclo e ela respeitou. O final foi bonito. É um corno que gostei bastante de ler. Parabéns.

    Curtido por 2 pessoas

  13. Que conto bonito, mas doloroso. Ao ler, tive a mesma sensação de quando li e assisti a “Em algum lugar do passado”, aquele amor que dói porque demora a se completar, mas ao mesmo tempo isso aconteceu, quando ele foi Ethan e irá acontecer outras vezes, enfim, eles são um do outro e sabem disso rs. Parabéns pela linda história!

    Curtido por 1 pessoa

  14. Que bela personagem do elemento ar.. muito bem construída.. criativa!
    Nao entendi o que iria ocorrer depois da morte do médico, ela se relacionava com o espírito desencarnado de Ethan? e enquanto ele estivesse na carne, como outra pessoa, ela mantinha sua fidelidade, mas desencarnando ele voltava a ser Ethan?
    Bem fantástico isso mesmo hehehe
    Parabéns pelo seu conto, Contista!

    Curtido por 2 pessoas

  15. Nossa! Que conto! Um amor realmente imortal. O tipo de história que mexe com as emoções do leitor. Ficou tudo muito bem cuidado – ambientação, personagens, enredo, de forma a nos proporcionar um mergulho na trama, e uma empatia com os atores dela. Parabéns! Tudo lindo e dosado entre suave e intenso. Beijos.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: