O Trem dos Apaixonados – Amanda Gomez

 

O som surgiu aos poucos, assim como o vibrar no chão. Pedrinhas saltavam da estrada de terra enquanto todos pararam para observar o que se aproximava. Um apito familiar e ensurdecedor ecoou como um grito de boas-vindas. A névoa de poeira, que formara uma cortina, rompeu-se assim que o trem passou, trazendo com ela toda a cacofonia das engrenagens e sua beleza caleidoscópica.

 

O breve momento de surpresa foi interrompido por descrença e temor por parte dos mais velhos e pela curiosidade e euforia das crianças. O majestoso trem passou, com seus vagões coloridos e empilhados de novidades; os pequenos correram acompanhando-o, ignorando os protestos dos adultos, que há muito tempo perderam a capacidade de se encantar. Uma característica que acometia a todos, assim que a infância os deixava.  As crianças seguiam acenando para os artistas que apareceram nas janelas, alguns tão empolgados que corriam por cima do trem, dando-lhes uma pequena amostra do que estava por vir. Implosões cintilantes preencheram o céu. Uma voz musical anunciou:

Alegrem-se, o Trem mágico chegou!

A quietude era uma característica da cidadezinha cinzenta, nem mesmo os pássaros se animavam a cantar. Empoleiravam-se em completo silêncio sob as árvores de raros frutos. No alto de um pequeno monte havia uma singela moradia, rodeada por uma plantação de grãos a perder de vista. Lá dentro havia sons. O constante batuque da bengala da anciã sobre o chão de madeira, o ranger da cadeira de balanço… Um cantarolar tão baixo que qualquer um podia pensar ser obra da imaginação, se esta ainda existisse por ali. Havia também o leve arrastar de correntes.

Observou a agulha ultrapassar o tecido até perfurar com demasiada delicadeza o dedo, deixando surgir o líquido vermelho, fascinou-se com a cor vibrante. Deixou-a tingir o tecido cinza, como tudo que conhecia; desde o céu até a opacidade nos olhos dos que ali viviam. Repetiu o processo até que o pequeno lenço ganhasse cor, transformando-se em algo único. Uma brisa quente entrou pelas janelas, soprando seus cabelos desalinhados e horrivelmente cobertos por uma tinta negra.

Passou por ela como um sussurro suplicante.

Sairah sentiu o chamado antes mesmo do silêncio ser rompido. A canção cessou de seus lábios, dando lugar a batidas ritmadas do coração. O novelo de lã que segurava caiu, rolando até os pés da cadeira. A bengala silenciou-se. Uma gota de suor escorreu do rosto da velha Albertina; o ar pareceu ser tragado de dentro da casa quando a menina levantou, num salto e correu para fora. Correu até onde a corrente atada ao seu pé podia lhe permitir. De joelhos, olhou admirada as explosões do céu. O som mágico das engrenagens, a música expulsando com delicadeza o ensurdecedor silêncio…e as cores! Ah as cores. Era apenas uma criança, mas ainda lembrava-se delas. Sua mãe carregava uma, belíssima, em seus olhos. O coração doeu quando lembrou da mulher que, há muitos anos, rompeu os obstáculos e subiu no trem, partindo para nunca mais voltar.

Ninguém sabia de onde o trem vinha, aonde ia ou quando chegava. As histórias eram muitas e todas chegavam ao seu ouvido como aterrorizantes contos de terror, mas de alguma forma, em seu íntimo, soavam como contos de fadas; afinal, como algo tão belo poderia ser ruim? O trem mágico surgia em todos os cantos remotos do mundo, como um convite aos apaixonados: “subam, e conheçam a felicidade”

– Não há pra onde correr. – disse Albertina, com o corpo arrepiado ao mirar ao longe os grandes vagões infinitos.

Sairah virou-se para a avó, balançando a cabeça freneticamente. As lágrimas enchendo os seus olhos e derramando-se em seu rosto. Era um misto de sensações: alegria, tristeza, medo. Os olhos turvos da anciã fitavam a menina; era impossível não lembrar de sua filha, que fora levada pelo trem maldito. Sairah, assim como a mãe, possuía aquele estranho brilhos nos olhos, a pele febril… Fora diagnosticada, muito jovem, com a doença da paixão. Seus esforços para mudá-la mostraram-se inúteis, tendo que recorrer a situações extremas.

– Deixe-me ir. Ele veio pra mim… Eu preciso embarcar!

A velha nada respondeu, apertou o botão da engrenagem, que fazia pouco a pouco a corrente diminuir, até que a criatura apaixonada fosse arrastada para dentro da casa, novamente. A vizinhança estava desperta, dentro das casas; olhos vazios de emoção assistiam a tudo, inertes. Todos correram para guardar suas crianças do perigo iminente, rezando para que a fase do encantamento passasse naturalmente, sem deixar sequelas como as que viam na pobre neta de Albertina.

Até que o último vagão passasse, a vigília não terminaria.

Sairah tateou as paredes do quarto escuro até encontrar o objeto que procurava. Um minúsculo pedaço de vela, que escondera como um inestimável tesouro. Segurou-a com delicadeza, sentiu o corpo arder de desespero e esperança.

– Preciso de ajuda.  – Sussurrou, colocando a vela no peito. – Sinta meu coração.

Minutos se passaram, quando abriu os olhos… o pequeno feixe de luz surgiu. Ergueu-a até a altura dos olhos. Na parede, uma sombra se formou no formato de um animal rastejante. Salamandras, não apenas uma, mas várias espalhadas por todos os cantos. De algum modo, elas sempre estavam presentes. Todas fitavam-na.

Dance – ouviu o sussurro febril. “Dance, Dance”

Fechou os olhos, fez isso apenas uma vez e, desde então, nunca mais soube o que era sentir o calor do fogo. Colocou a vela sobre a mesinha. Não demoraria a extinguir-se, era sua última chance.

Deixou o calor seguir seus movimentos; lentamente, a chama passou a dançar junto com ela, aumentando o tamanho, mais e mais, até estar idêntica a sua forma.

Dentro da casa, um grito cavernoso foi ouvido.

A Velha abriu a porta de uma vez quando viu as luzes tremeluzentes saírem de dentro do quarto. Olhou assombrada para a cena que se seguia, havia bichos em todos os cantos. Aterrorizada, puxou as correntes para conter Sairah, como de costume, mas logo as soltou, com um grito estridente de dor. Fitou as mãos queimadas e, então, também a neta; irreconhecível. As salamandras desceram das paredes e circundaram a menina que dançava com o fogo, rastejando pelas correntes até rompê-las.

Sairah parou ofegante. – Preciso partir.

A vizinhança olhou assombrada para a jovem que corria em meio às plantações, trazendo consigo um rastro de fogo que consumia tudo o que tinha pela frente.

O último vagão já apontava no horizonte, precisava ser mais rápida. Quanto mais se aproximava, mais distante parecia ficar. Memórias antigas de menina retornaram. Sentiu a presença da mãe correndo junto a ela, sorrindo-lhe. Os cabelos de fogos ao vento. Cruzou em meio há centenas de girassóis, que pareciam lhe abrir passagem. O sol do meio dia, em todo o seu esplendor, apontava com seus raios de verão o caminho a seguir.

O trem sempre ia para o sul.

Não olhou para trás, como fizera no passado; quando hesitou, quando soltou a mão protetora e foi tomada pelo medo… Quando caiu de joelhos e fitou os olhos cintilantes da mãe, enchendo-se de lágrimas; era o último vagão, não podia voltar para buscá-la. Não havia tempo.

Em Cima do trem, surgiu uma pessoa com roupas exóticas em tons de verde, os cabelos compridos tinham a mesma cor. Parecia divertir-se com sua agonia; com gestos ousados, dava piruetas e corria tal como ela, como um incentivo.

Sairah analisou a porta aberta de um dos vagões, um arrepio cruzou sua espinha quando olhou para os trilhos, um passo errado e…

–  Se tens medo da liberdade, deves continuar onde está, atada a correntes. Sinta a energia! –  gritou o jovem lá de cima. Logo apareceu outra pessoa ao seu lado, dessa vez uma bela mulher. A pele escura bordada em desenhos dourados.

–  Me ajudem! – Sairah pediu, estendendo as mãos, mas eles negaram… uma tristeza repentina nos olhos.

–  Precisa fazer sozinha, sinta a paixão.

Sairah sentiu o toque quente da salamandra que rastejava em seu corpo. Então, pulou. Por um breve momento, se viu cega pela explosão caleidoscópica ocorrida diante de si. Tudo se dissipou, veio o silêncio e, então, tudo era beleza. Diante dela estava o jovem das piruetas, estampando no rosto um sorriso contagiante.

–  Seja bem-vinda ao trem dos apaixonados. Nossa viagem nunca tem um fim e nossa missão é resgatar todos os nossos iguais. Aqueles que nunca perderam o encantamento pela beleza deste mundo! – disse ele de forma contagiante, como se esperasse ansiosamente todos os dias para dizer isso a alguém.

– Somos instrumentos dos elementos que compõem esse mundo. –  falou a mulher, deixando que a pequena salamandra que se escondia no colo de Sairah caminhasse por suas mãos. A criatura pareceu aconchegar-se em sua pele. A mulher, chamada Calêndula, sorriu-lhe.

O que ela pede a você? perguntou, genuinamente curiosa.

– Para Dançar.

Ela riu.

–  A mim, sempre bebidas.

Sairah assentiu, era muito para ser absorvido, conteve a vontade de olhar para a cidade cinzenta uma última vez. Calêndula pareceu ler seus pensamentos.

– Os desencantados são incapazes de ver a força mágica que todos nós englobamos. Não há cura para eles. De certa forma, quando entramos, morremos para aquela vida opaca e nascemos de novo.

–  Eu procuro…

–  Sabemos quem procura. – continuou ela – O momento acontecerá no tempo certo. Tudo tem a ver com a evolução dos processos. Somos guiados pelos elementais, e juntos carregamos todos os sonhos do  mundo.

Sairah não entendia a totalidade do que Calêndula dizia. Mas estava disposta a absorver toda energia e vitalidade que lhe era oferecida. Sentiu as mudanças surgirem pouco a pouco, pensou nas almas desesperançadas, em busca de liberdade, almejando a sua vez de pular. A partir daquele momento, era um instrumento dos elementos. Partiu com o trem, em busca dos apaixonados.

 

21 comentários em “O Trem dos Apaixonados – Amanda Gomez

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  1. Conto muito bem construído. Tem a força em cada ação da personagem e nas imagens às quais sou remetida ao ler. O elemento mágico está presente e dá suporte e enfatiza a ação libertadora. Frase marcante: “Se tens medo da liberdade, deves continuar onde está, atada a correntes.”

    Curtido por 3 pessoas

  2. Conto baseado no elemental escolhido: salamandra. A escolha das palavras encaixou-se bem à narrativa de uma saga pela liberdade. O trem dos apaixonados funcionou muito bem como elemento da fantasia. Paixão de viver, pelas coisas e pessoas que fazem o coração acelerar e o sangue correr mais veloz nas veias como um trem, sem destino, só com a intenção da felicidade. Muito bom! Parabéns!

    Curtido por 4 pessoas

  3. Posso subir neste trem? rsrsrs, ou talvez eu fique pra sempre atada às correntes… 😦
    Conto muito bom, com gostinho de quero mais, ler mais, principalmente para ver o reencontro com a mãe. ABS <3<3

    Curtido por 4 pessoas

  4. Olá Sairah, eu gostei muito do seu conto!! Tão colorido, apaixonado, urgente! Deu pra imaginar esse trem e seus passageiros, a casa da velha, cinza e triste, a pobre menina amarrada com correntes, o fogo queimando em seu interior precisando libertar-se. Torci para a menina se libertar e correr atrás do trem, de sua mãe, de sua liberdade e felicidade!O conto traz uma mensagem de lutar e ser responsável por sua própria liberdade e felicidade. Ninguém pode ajudar. Parabéns! Ótimo conto, englobou várias das palavras chave com naturalidade. A fantasia está presente de forma bem suave e elegante! Amei!!

    Curtido por 4 pessoas

  5. Querida Contista,
    Tudo bem?
    Estou muito empolgada em participar de mais uma dinâmica com todas vocês.

    Vamos ao conto.
    Para mim, este texto se divide em duas etapas. A primeira na cidade, extremamente lúdica
    da forma como é desenvolvida, lembra um tom como do filme como Amelie Polain ou algo do gênero. Uma história contada de forma muito visual, cheia de detalhes e com uma excelente premissa.

    A segunda parte, o desenvolvimento da fuga da personagem, revela o elemental em si, e, para mim, parece ter sido escrita depois.

    Entenda, ambas as partes são excelentes, apenas preferi a primeira. Tão teatral, com o sangue na ponta da agulha, os tons de cinza, primorosa mesmo.

    A ideia de um trem colhendo os apaixonados é sensacional. Só uma Contista para ter uma ideia como essas.

    Parabéns por sua viagem.
    Desejo que este seja apenas mais um de tantos contos maravilhosos que leremos por aqui.

    Beijos
    Paula Giannini

    Curtido por 5 pessoas

  6. É, amiga Neusa, realmente, não há como não lembrar d’ “O trem das Sete” de Raul Seixas. Na música, também, a liberdade, a esperança, a possibilidade de mudanças estão metaforizadas no trem.

    Parabéns, Sairah-personagem, por lutar até poder atender ao coração.
    E Parabéns, Sairah- autora, pela fluidez, pelo ritmo bem cadenciado, pela trama criativa, pelos detalhes tão significativos da ambientação, pelos sons e cores retratados com tamanha intensidade, sobretudo pela lição de vida.

    Boa sorte no Desafio. Beijos.💓💓

    Curtido por 3 pessoas

  7. Tão encantadoramente imagético esse conto. O melhor momento para mim foi a cena em que a pequena Sairah tinge o lenço com o sangue que sai de seu dedo perfurado. Lembrou-me certo conto do Gabriel Garcia Marques, cujo nome não recordo. Também gostei demais da pobre menina contida por uma corrente pela avó. Tão sinistro, tão conto de fadas… Concordo com a Paula sobre a distinção de ritmo entre a primeira e a segunda parte do conto. A primeira parte ficou bem mais intensa e dramática. Mas o conto como um todo foi uma experiência deliciosa, cara Contista. Beijo grande!

    Curtido por 3 pessoas

  8. Adorei o conto, o ritmo, o conflito e o dilema que persistem quase até o final… e uma imagem forte, tingir de sangue o que é cinzento e escuro. O sangue que faz pulsar, que que é vida, que é coração, o trem dos apaixonados é tudo isso: um caleidoscópio de boas cenas e a vontade de nunca perder a capacidade de se encantar. Pura poesia. Muito bom!

    Curtido por 3 pessoas

  9. Excelente conto!
    Fortemente visual, com passagens claras e metáforas e simbolismos que aludem ao que temos de mais importante para realmente estarmos e sentirmos que vivendo: a paixão.
    Aquilo que causa estranheza nos “normais”, essencial aos que descobrem seu próprio rumo.
    Amei ❤

    Curtido por 2 pessoas

  10. Este conto é excessivamente fantástico para a minha capacidade de leitora, tenho de tentar ir percebendo o que se passa e como se encadeia. No final entendo, mas houve partes que tive de construir sozinha e por conta e risco. A mensagem que passa, de procura pela liberdade, é a melhor, mas o trem em si mesmo, sendo do amor e da paixão, deveria misturar-se ao resto do mundo e “contaminá-lo” de paixão, em lugar de se isolar dele e continuar a reunir apenas apaixonados.
    O comportamento da avó é claríssimo: semelhante a todas as formas de castração do outro, por “amor” a ele, por não querer perdê-lo, a todas as formas de sujeição exercidas pela sociedade, no sentido de uniformizar e padronizar o indivíduo, para que não cause muitas ondas, ondas são incómodas, abalam a segurança.
    Talvez se as pessoas compreendessem que a segurança é coisa que não existe…
    Gostei muito, apesar de se encontrar fora da minha zona de conforto.
    Parabéns!

    Curtido por 2 pessoas

  11. Querida Contista!
    Obrigada por me propiciar mais uma leitura de um conto teu!
    Esse desafio foi ótimo, né!? Adentramos em um mundo verdadeiramente fantástico!
    Sobre o teu conto, ele já inicia com uma descrição sublime sobre a simples parada de um trem. E aí eu penso, como uma situação simples pode ser narrada tão suave e belamente? Aqui, nAs Contistas, pode!
    Eu confesso que li o conto e me arrepiei diversas vezes. Ele é fantástico, é mágico. Tão bem escrito como é grande e iluminada a imaginação de quem o escreveu!
    Eu quero dormir abraçada no conto. A esperança de liberdade que ele simboliza é um sonho que quero ter.
    Parabéns!
    Grande beijo,
    Sabrina

    Curtido por 2 pessoas

  12. Um enredo que dá pano para a manga, principalmente em relação ao trem. É um conto muito visual, ao menos funcionou dessa forma para mim. Como boa filha das águas, me sinto desconfortável com a manipulação do fogo, rs. Esse texto, porém, me transmitiu vida e energia. Está bem dentro do elemental desenvolvido. Só uma coisa me incomodou para o tamanho do conto: certo excesso nos adjetivos. Em uma novela ou romance, mais bem distribuídos, ajudam muito, porém, até mesmo por isso ressalto a possibilidade interessante que seria aumentá-lo, desenvolvê-lo mais. Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

  13. Chorei, chorei.. ate ficar com dó de mim… rsrs guria, adoro chorar!!
    Me identifiquei tanto tanto tanto…
    sou movida a paixões e como as vezes é dificil dar o salto.. bah!!
    .
    Nao dá nem pra explanar a tecnica, a sutileza, a sabedoria, a delicadeza deste conto.. to ate repassando para amigas que tem essa sina dos apaixonados!
    que coisa linda!!!
    Parabéns, Contista!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Seu comentário foi um mimo que eu não estava esperando. Feliz que tenha te tocado, que tenha causado reações boas, nostálgicas ou simples reconhecimento.

      Curtido por 1 pessoa

  14. Olá,

    Um conto alegórico, onde o foco é o visual, transporta o leitor junto com os personagens no chão. Há uma aura de fantasia, de estranheza como por exemplo a menina atada a correntes e tingindo com seu sangue seu pequeno mundo de cor.

    O elemental é apresentado como uma forma de libertação, ele quebra as correntes, ele liberta Sairah da opacidade. Os elementais convocam aqueles que não perderam a paixão, a magia o amor dentro de si para embarcar no trem e juntos transformarem o mundo em algo colorido. Não se sabe ao certo como isso ocorrerá, mas a mensagem é bonita e imaginar como será também.

    Parabéns.

    Curtido por 1 pessoa

  15. Não tenho a mínima dúvida de que este conto também faria muito sucesso no desafio recém terminado do EC. Isso porque mistura, com muita propriedade, os elementos infanto-juvenis com os anseios que nos perseguem mesmo na vida adulta. Ou seja, emula fases que marcam nossas vidas, seja no início, seja no decorrer, seja no final, abordando aspectos universais e atemporais.

    Há, decerto, uma alegoria embutida nas entrelinhas, que nos faz questionar se esse trem já se foi para nós, se o perdemos, ou se ainda há tempo de alcançá-lo. Talvez estejamos acorrentados por culpa nossa, atrelados às nossas desculpas, a um passado de que temos medo de nos libertar. Mas o trem, ah, o trem, pode nos conduzir para o desconhecido, para o mistério e isso, ao mesmo tempo nos seduz e nos causa arrepios. Não há como saber se o passeio é bom ou ruim, mas, com dizem por aí, o conforto e a segurança são os pais da indolência e do conformismo. Nada acontece se ficarmos parados. Se há meios para enganar esses impostores, então que saltemos para o vagão, mesmo com o frio na barriga.

    Enfim, ótima narrativa. Um misto de fantasia e filosofia. Envolvente, leve e que faz pensar. Do tipo que eu aprecio. Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olha o chefe aqui!! 😮 Que honra!

      Obrigada pela leitura, você parece ter embarcado pra isso, falou com propriedade e teve um belo entendimento do que eu humildemente tentei passar. É isso, tem momentos em que se deixa a oportunidade passar, a paixão e tudo que vem pra nos lembrar disso assusta, incomoda. Resta olhar com estranheza para aqueles corajosos que saltam e saem em busca de algo que provavelmente nem ele sabem. É bom pensar que haverá uma nova oportunidade.

      Obrigada!

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  16. Primeiro, parabéns pelo sucesso! Já li contos seus excelentes, este, além de sensacional, veio com uma ambientação primorosa, criatividade, mistura de uma paleta de cores muito ricas, do cinza ao vibrante. Fico muito feliz de ter acompanhado suas publicações dede 2016 (salvo engano) e de ter colhido as muitas pérolas com as quais nos brindou nesta sua prolífica atuação literária. Que venham mais títulos.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigada, Iolanda. Você sempre muito gentil nos comentários. Fico feliz quando v gosta e pra minha alegria acontece sempre então ai eu fico sempre esperando por ele rs.

      Obrigada!

      Curtido por 1 pessoa

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