Um céu para Maicon

Olhos arregalados, ora sentado, ora deitado, jogado na calçada. O sono não vinha, a madrugada se arrastava. Era a terceira noite sem dormir, mas ele não se lembrava.  

Lembrava, sim, da infância, em flashes desconectados. Os irmãos, os pés sobre a lama, os gols que fazia no campinho do bairro, as histórias rimadas que a avó contava.  Ele, o mais velho, ao lado da mãe, os irmãos, um pela mão o outro ao colo, indo para igreja aos sábados. Por que aquele tempo bom havia passado tão rápido?

Madrugada alta, bateu uma fome desesperada.  Só tinha o resto de uma pedra de crack e um pouco de Coca-Cola.  Acompanhando o amargor da fome, as lembranças também azedaram. O pai caindo de bêbado, os gritos da mãe, a primeira noite passada na rua após o dono do barraco expulsá-los. O tempo ligeiro da infância terminou ainda mais rápido: os dias na rua, mendigando comida, correndo atrás de um trocado, custavam a passar.  A princípio a droga fez tudo parecer bom como antes. Aos poucos, fez o tempo definitivamente parar. Como nessa noite que não terminava.

Levantou trôpego, o estômago colado às costas. Remexeu uma lata de lixo, o cheiro o fez vomitar uma bile rala. Desceu a rua na direção da praia. Uns duzentos metros adiante, numa esquina, um despacho. Pipoca, cachaça, flores, roupas usadas. Sentiu medo. Um medo distante, da época feliz em que ia com a mãe ao culto nos sábados e o pastor dizia que macumba era coisa do diabo. Mas a fome foi maior.

Comeu feito um bicho, a cara enfiada no prato, a cachaça serviu para empurrar as 150 pipocas secas garganta abaixo. Quando levantou, começou a girar em torno de si na direção anti-horária. A cada volta o corpo mais convulso, o giro mais acelerado.  Quem visse não acreditaria, mas a rua estava absolutamente deserta àquela hora. Finado o último giro, caiu desacordado. De bruços, a cabeça pousada no chão duro da calçada, dormiu um sono de morte.

*

Dila levantou-se assim que o dia se insinuou pelas gretas do telhado. O menino ainda ardia ao seu lado, mas já não tossia nem chorava. Embrulhou-o bem e amarrou-o às costas, precisava ter as mãos livres para colher as folhas e raízes que a mãe havia indicado.  Queria dar um banho no menino e preparar-lhe um chá antes da rotina na fazenda começar. Só pedir aos deuses não estava adiantando, carecia de fazer alguma coisa para aquela febre baixar.

Assustou-se, achou que estava morto, o corpo esparramado embaixo de uma árvore. Que roupa seria aquela, se perguntou. E aquele calçado? Aproximou-se e viu que o negrinho respirava. Devia ter fugido de alguma fazenda. Não cheirava bem, nem negro nem bicho. Cheirava coisa estragada e fumaça. Tratou de voltar, precisava cozer as plantas e banhar o filho antes de todo mundo acordar.

A mãe disse que cuidava do menino, que ela fosse logo contar sobre o escravo fugido, talvez ganhasse algum agrado. Dila esperou acocorada na frente da casa do capataz, não ousou bater na porta. Assim que ele saiu, contou sobre o sujeito, o negrinho fedido, vestido de forma esquisita e com os pés calçados.  Estava ao pé de um Cambucá, na borda da mata, nos fundos da propriedade. 

— De onde você fugiu, moleque?

O capataz o acordou com a ponta da bota. Maicon olhou para o homem sem entender nada, as palavras soando como um grunhido indecifrável. Ressaca ruim de crack com cachaça, sono, sede, a cabeça pesada.

O tempo voltara, um ano por cada pipoca comida do ebó. Castigo do orixá pelo abuso de se apossar do que a ele havia sido ofertado. Estava em uma fazenda, melhor dizendo em uma chácara, exatamente no local onde havia tombado depois de se intrometer no despacho, em Copacabana, só que 150 anos atrás.

— Fugi, não senhor! — Maicon respondeu com a língua embolada na terceira vez que o capataz insistiu, chutando já com alguma violência suas costas.

O homem mandou os dois escravos que o acompanhavam amarrarem o jovem ao tronco do Cambucá e abaixarem sua calça. Sacou da cintura a chibata e ergueu o braço, mas diante da magreza do garoto, as pernas do diâmetro do pulso de um negro normal, desistiu da chicotada.

— Serve nem para apanhar!

Foi se aconselhar com o patrão sobre o que fazer com o moleque. O patrão falou que se o sujeito era como ele dizia, magro e fraco, que o alimentasse antes de tudo. Iria assuntar se havia fugido algum escravo das fazendas próximas. Se não houvesse, que fosse usado como escravo doméstico, já que na lavoura, pequeno e franzino, não renderia.

*

Dila e Maicon se entenderam bem desde a primeira troca de olhares. O de Maicon, embaçado pela droga e pela estranheza da situação cujo enredo intuía, mas não sabia explicar. O de Dila, ansioso por encontrar alguém, qualquer um que fosse, com quem se pudesse enredar.

Bento, o menino de Dila, era filho de um abuso que ela sofrera certa tarde voltando sozinha de um banho de cachoeira, a roupa branca transparente por causa da água, nos limites mesmo da fazenda. Não viu sequer o rosto do homem que a abusara. Ele a havia pego por trás e depois a largara meio viva, meio morta, a cara afundada na palha úmida da mata.

Tinha treze incompletos quando emprenhara sem saber ainda o que era interesse ou vontade de homem. Aos quatorze, Maicon pareceu-lhe um presente dos deuses aos quais rogara nas noites insones acalentando Bento e sonhando um par.

Depois de limpo das drogas, a fissura e o mal-estar acalmados por uma mistura de folhas que a mãe de Dila macerava em mel e o fazia engolir ou inalar, Maicon entendeu mesmo sem compreender, comparando o cenário que via com as histórias ouvidas na escola, que havia voltado ao passado. Viagem no tempo, já tinha visto acontecer em filmes assistidos na TV com a mãe e os irmãos antes de serem despejados.

A garrafada também lhe dava energia e como por mágica fizera cessar a dor persistente, incapacitante até para algumas tarefas, que sentia no ombro por causa de uma bala perdida nele alojada. Também havia a comida, um feijão grosso cozido com carne curada no sol e misturado com uma farinha grossa e muita pimenta da boa amassada. Em pouco mais de uma semana, recheadas suas carnes magras, o capataz concluiu que ele já aguentaria uma meia dúzia de chicotadas e, portanto, estava pronto para se agregar às tarefas da casa.

Dila ajudava na cozinha. Sua mãe cozinhava, ela lavava os pratos e ariava com capricho as panelas até encontrar no brilho turvo e convexo delas os próprios olhos marrons, bem maiores do que eram. A Maicon coube ajudá-las na lida da cozinha com o serviço mais pesado de limpar o chão e esfregar sem descanso as paredes escuras de fuligem que nunca haveriam de ser novamente alvas. 

*

O primeiro beijo, os dois trocaram nas areias da praia, Bento dormindo ao lado, sob um filete de lua minguante, o céu assustadoramente estrelado. Maicon sentiu uma coisa no estômago e outra coisa, uma pressão mais embaixo, e desejou que o tempo parasse. Dila montou sobre ele deslizando o corpo de um lado para o outro, para cima e para baixo. Os beijos foram ficando mais líquidos, a areia mais macia; o vento, um afago morno; o céu, testemunha silenciosa. 

Mas logo chegaram à praia outros negros, tambores e oferendas nos braços, e os dois se separaram. Maicon nem se aborreceu tanto, ficou sentindo o gosto bom de Dila na boca; estava treinado em saber que tudo que era bom passava logo.

Dila quis se aproximar da roda formada pelos negros assim que as batidas de tambor, os cantos e as palmas iniciaram. Maicon lembrou o velho medo incutido pelo pastor em outra época, mas acabou seguindo-a, dois passos atrás, arrastando os pés cautelosos.

Estavam a cerca de cinco metros, Dila à sua frente oscilando e batendo os pés no chão ao ritmo das palmas, quando um negro envolto num pano estampado em amarelo, girando, rompeu a roda em direção a eles.  Parou em frente a Maicon, as pálpebras semicerradas, só o branco dos olhos visível, a expressão séria. Da boca quase fechada saiu como um choramingo, num fio de voz, um pedido.

Que voltasse, gemeu repetidamente o negro atuado. A voz era do irmão mais novo, que nascera nove anos depois dele, o pai já perdido para o álcool. Maicon, no papel de um quase pai na falta do verdadeiro, começara a usar drogas por não dar conta de ver o pequeno com fome, dormindo na rua, sem banho nem escola. Seus olhos encheram de lágrimas. Agora que estava limpo, sabia, o orixá só o fizera lembrar, que os irmãos, a mãe, precisavam dele, carecia achar um caminho de volta.  

O negro fez um meneio brusco de cabeça, um requebro de ancas e deu meia volta, a boca num riso sardônico, os olhos ainda virados, a entidade nele montada satisfeita com o efeito causado em Maicon.

*

Maicon estava feliz em sua nova vida cativa. Sentia-se pleno do pouco que precisava.

Pela manhã, havia, assim que o sol subia, o trabalho, ainda que sem salário, preenchendo seu dia, ainda que sob o fantasma da chibata. Para comer, havia sempre o feijão misturado à carne ao fim do dia, um único prato farto feito de sobras. Havia, sobretudo, os braços macios de Dila e o bebê já pronto que logo, certamente, iria chamá-lo de pai.  

E se pudesse fazer vir a mãe, os irmãos?

— Como assim, meu filho? Para serem escravos e viverem essa vida desgraçada?

Foi a fala do velho, espécie de babalaô, cego de um olho, escravo na fazenda como ele, que organizava o culto dos negros das redondezas quando tinham algum momento de folga. Além do mais, desconhecia feitiço para tal. Podia, sim, tentar desfazer o malfeito do orixá, devolver Maicon ao futuro, quiçá precisamente à data em que ele estava antes de tudo começar. Conhecia uma mandinga e um local bom para o despacho. Mas precisava ser noite de lua inteira. Maicon teria dois dias para decidir se era isso mesmo que desejava.  

A vida estava de bom tamanho, mas pensando bem, tão precária quanto outrora.  Passado e futuro se equivaliam na avaliação de Maicon da própria história. Havia apenas que escolher entre Dila e Bento ou a mãe e os irmãos e para isso fez um cálculo rápido. Com a mãe, tinha dezesseis anos de história; com Dila, talvez nem dois meses, embora de tão bons parecessem apenas algumas horas.

Disse a Dila que partiria por um tempo, mentindo que voltava. Porque não tinha outra coisa de valor, deu a ela seus Nikes falsos, o tênis de que ela tanto gostara, pedindo que os guardasse.

*

O dia se apagava em púrpuras e lilases e a lua ainda não tinha emergido da água quando Maicon e o velho chegaram ao local combinado. O despacho era para ser feito em um platô na Pedra do Leme, acessível por uma picada e uma pequena escalada. Mas como o saco que tinha às costas com a coisas para o trabalho estava pesado, o velho achou melhor ficarem pela praia mesmo, no canto, onde as ondas lambiam as pedras da encosta.

Antes de começar, o velho disse a Maicon que pedisse mentalmente e com muita força o desfecho que desejava. O rapaz pediu, mas com cautela, no mesmo molde prudente instruído pela mãe quando ela o ensinara a rezar para os deuses da religião dela. Que as coisas corressem conforme fosse melhor para ele, foi seu pedido tímido e breve.  

Depois que a lua subiu aconteceu de um tudo naquele canto da praia. Na falta de um feitiço específico para o objetivo pretendido, o velho juntou todas as mandingas que conhecia na tentativa de fazer aquela hipótese de viagem no tempo dar certo. Ao longo de todo o serviço, primeiro como parte dos trabalhos, depois por puro regalo, os dois beberam muita jeribita, a cachaça dos escravos.

*

Maicon acordou com a claridade do sol ferindo seus olhos por baixo das pálpebras apertadas.    Virou o corpo, o rosto na direção contrária, a areia arranhando sua pele, mas não adiantou nada. Ao abrir olhos, a cabeça confusa ainda sob o efeito do álcool, Copacabana vista do Leme àquele crepúsculo de rosas e dourados, pareceu-lhe o paraíso na Terra.

O velho não estava ao lado, tampouco a montoeira de coisas usadas no despacho. Logo saberia que também não encontraria Dila, ou o pequeno Bento, tampouco a mãe e os irmãos mais novos. Assim como não encontraria mais negros — nem brancos — escravos ou não, dormindo na rua ou em toscas redes remendadas. Todos sob aquele céu, que logo se revelaria azul e ensolarado sobre sua cabeça ainda atordoada, agora tinham teto, comida, saúde, educação e trabalho, porque um futuro feliz como sua infância havia, enfim, começado.

*

Personagem que inspirou o conto

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18 comentários em “Um céu para Maicon

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  1. Um conto muito criativo, acredito que o mais criativo deste desafio, embora me falte ler outros. O personagem é bem traçado, e vai além do mero clichê sobre meninos em situação de rua. Há uma crítica social aqui, muito explícita, quando mostra ao leitor que o menino encontra mais vantagem em ser escravo, do que viver livre em uma sociedade que o escraviza com suas normas injustas e egoístas. Outra coisa que gostei muito, foi o modo que a autora (inteligentemente) utilizou para fazer o transporte de Maicon nos tempos: passado e futuro. Aí reside a genialidade criativa. Um modo inusitado, e ligado, nos dois momentos, aos rituais do candomblé. O desfecho foi uma surpresa. Um final utópico e que, afinal, era o melhor possível, mas, totalmente inesperado. Achei brilhante. Destaco ainda a ambientação impecável, o português sem falhas e a linguagem de época/regionalista, perfeitamente empregada. Meus aplausos.

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    1. Este trecho que me fez achar o final utópico “agora tinham teto, comida, saúde, educação e trabalho, porque um futuro feliz como sua infância havia, enfim, começado.”

      Curtido por 4 pessoas

  2. Não entendo o final como utópico, mas como uma nova viagem no tempo, assim como outros escritores já utilizaram, para um universo paralelo, ou para uma camada de tempo diferente daquela na qual ele se encontrava antes de viajar 150 anos no passado. Também porque, não há referência específica. Assim, é possível ler como uma nova viagem no tempo, mas para uma camada sobreposta. Gostei muito desse conto, porque fala de algo que me atrai demais. Parabéns pelo primor no uso da língua!

    Curtido por 4 pessoas

  3. Muito interessante e criativa a visão da autora sobre a personagem proposta. As idas e vindas no tempo, não se sabe se são reais ou alucinações provocadas pelo álcool e craque, servem para reforçar a crítica social e falar sobre a nossa capacidade de mudar ou não o nosso destino. Maicon é um excluído, vive à beira da sociedade, mas é um ser humano como qualquer outro, com sua capacidade de amar e de observar o mundo, de refletir sobre seus próprios atos, sobre o passado e o futuro. O final, mesmo que não pareça real, serve como ponta de esperança, para que a gente reflita sobre o amanhã que desejamos para nós. Lindo conto, parabéns!

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  4. Olá, querida amiga Contista!
    Nossa, que conto criativo! Nunca iria imaginar um enredo desse para essa ficha!
    Está muito bem escrito, muito visual, com descrições incríveis e personagens profundos mesmo em um conto curto. Gostei muito!
    O conto mostra que a liberdade da atualidade não é nada sem recursos, sem dignidade, sem o mínimo necessário pra sobreviver. Um conto que faz pensar…
    Eu gostei desse final.. entendi que ele conseguiu exatamente o que pediu: “Que as coisas corressem conforme fosse melhor para ele, foi seu pedido tímido e breve.” Se um lugar assim não existia, foi criado para ele. Muito bom.
    Parabéns!
    Um abraço!

    Curtido por 4 pessoas

    1. Viagens no tempo ou efeito de drogas? Parabéns à autora pela criatividade que provocou uma profunda reflexão no paralelo das situações sociais. Texto fluido, claro e com leitura prazerosa. Parabéns à autora do personagem que abriu espaço para esta trama . Beijos para as duas.

      Curtido por 5 pessoas

  5. Um conto muito bem escrito, com ambientação perfeita e emprego de imagens que nos levam ao mundo, ou mundos, de Maicon. O menino sempre escravo, ora das drogas, da miséria urbana, ora preso em um tempo em que a liberdade não era nem promessa, quanto mais realidade. Há algo nesse conto que me lembrou de Capitães da Areia, de Jorge Amado.
    O final talvez retrate uma terceira realidade vivida pelo personagem. Talvez um futuro mais distante, em que tudo se equilibre. Ou talvez ainda uma alucinação causada pelas drogas. Ou ainda a vida após a morte. São muitas as possibilidades.
    A autora respeitou a ficha recebida e deu vida a um ótimo personagem. Parabéns!

    Curtido por 4 pessoas

  6. Um conto bem forte e triste. Existem muitos Maicons por aí, em todos os lugares, e muitas vezes fingimos não ver. Para mim, foi tudo ilusão causada pelos vícios, e o final, bem, foi a morte, daí um céu para Maicon, só assim para ele se libertar da vida tão sofrida que levou. Gostei demais que, além de usar as características da ficha, a autora acrescentou mais elementos na trama. Parabéns!
    abraços ❤

    Curtido por 5 pessoas

  7. Olá, Contista! Que conto primoroso o seu. Seja pela criatividade, pela linguagem apurada, pela crítica social que equaliza a escravidão dos engenhos com a escravidão urbana, que lança à miséria os menos favorecidos. Essa viagem no tempo, que pode ser efeito de drogas ou loucura é um elemento que enriquece o texto de forma exemplar. Parabéns pelo trabalho.

    Curtido por 3 pessoas

  8. Olá, Contista. Eu desejei que esta ficha não me saísse pois que toda ela remete a uma realidade social que desconheço e com que não estou minimamente familiarizada, mas também percebi que isso seria problema apenas para mim, pois o personagem está muito bem construído e a trama oferecida como gatilho deixa todo o espaço para um desenvolvimento brilhante, como o que sucedeu. Gostei muito de todo o conto, incluindo a impossibilidade de tirar conclusões relativamente à possibilidade de ter sido uma viagem no tempo ou uma alucinação. A proposta foi seguida sem desvios, mas com grande criatividade, Parabéns. Um beijo.

    Curtido por 3 pessoas

  9. Bom dia,Contista!

    Então,puxa vida! Gostei de vários elementos e de muitas passagens do conto. Queria ter gostado bem mais, só que o final me deixou um pouquinho, sei lá… Insatisfeita? Frustrada? Não sei bem o que senti no fim do conto,mas sei o que senti no começo e durante toda leitura. Uma espécie de fascínio pela trama,sabe? Iniciei o texto sem muito alarde e,pra ser sincera,achei que seria mais um texto cheio de caricaturas e romantização das mazelas (não sei se me fiz entender 😀). Pois bem, depois que o Maicon come o ebó e tem o castigo, a partir daí o texto cresceu bastante. Vc descreveu sensações, cenários e particularidades de um período da nossa história. Achei ótimo e deu um substancial ao conto que corria para o comum, batido. Depois veio o retorno com a magia e tudo,mas essa parte foi… Um bocado moralista? Não sei bem se a própria contista sentiu pena do personagem e lhe deu um final extremamente feliz e destoante com a realidade,ou se eu mesma é que deixei algo passar e não compreendi bem o porquê deste desfecho. Mas, afirmo que isso não me fez desgostar a obra como um todo.
    Ficha difícil de ser trabalhada, mas está aí uma prova de criatividade.
    Parabéns!

    Curtido por 2 pessoas

  10. Este desafio dos personagens,revelou toda criatividade das contistas, né nao?!
    Quem poderia imaginar uma trama destas a partir desta ficha?!! Só a autora mesmo!! 🙂
    Maravilhoso!! Eu acreditei no final! Um céu para Maicon.
    só lendo a ficha ao final de tudo é q penso na possibilidade de ser uma alucinação da droga.
    O texto foi muito bem elaborado, Parabéns!

    Curtido por 2 pessoas

  11. Olá, Contista! Obrigada por participar do nosso desafio. 🙂

    Estou bem impressionada com a criatividade da autora nesse conto, ficou muito bom,o que aparentemente poderia ter se tornando um clichê ( pelo menos se a ficha tivesse saído pra mim) foi transformado em uma história complexa, com camadas e com um entendimento sobre os elementos inclusos bem impressionante. O conto mais criativo do desafio até então, não li tudo mas fico com essa impressão.

    Toda a simbologia de que a vida de um escravo pode ser até mais “digna” que a vida de um negro em condições de rua na atualidade, pelo menos a mistura ele sempre tinha não é? Achei isso forte e muito real. Toda essa nova vida é coloca como suspeita pelo leitor, afinal, ele foi ao passado ou é tudo delírio de um drogado? No fim ele morreu e foi ao ”paraíso” ou seu desejo simples o levou a uma realidade paralela? Mesmo com todas essas resposta o final é satisfatório, não importa como, agora ele está bem.

    Parabéns!!!

    Curtido por 2 pessoas

  12. Olá, querida contista!

    Adorei teu conto, adorei master!
    Achei muito interessante o fato de uma ficha com uma pegada mais dramática ter ganho um conto fantástico.
    Fico muito bom o truque das viagens no tempo – para o passado e para o futuro-pós-seu-presente – onde Maicon pôde viver com esperança.

    A linguagem está ótima. A autora domina a técnica e escreve super bem. Podemos acompanhar a narrativa em terceira pessoa e parece que conseguimos ouvir a linguagem dos personagens, tão específicas (mundo das drogas, mundos dos escravos).
    Isso não é fácil.

    Parabéns!!!

    Curtido por 2 pessoas

  13. Parabéns pela ideia, que ao mesmo tempo seguiu a ficha e foi além, dando outras nuances. Gostei bastante da narrativa e não sei, mas fiquei triste quando ele decidiu voltar, olha que coisa? Estar escravizado para ele, então, seria melhor que no presente, com tudo aquilo que passava? Realmente, baita reflexão! Sobre o final aberto, mais de uma possibilidade, eu fico com o mais fantástico possível, apesar do título ir contra a minha opinião, rs. Parabéns, mais uma vez!

    Curtido por 1 pessoa

  14. Oi, Contista querida que deu vida ao Maicon,
    Primeiro, mega parabéns!!
    Você é uma ótima escritora, desenvolveu muito bem a história sofrida e tão antiga e tão atual de Maicon (infelizmente), e mostrou isso de uma orma que une passado, de como esse passado nos trouxe inúmeros “Maicons”, de como a história atual tem seu fundamento lá atrás.
    Entendi o final como um devaneio de Maicon, e que o objetivo realmente era mostrar a nossa realidade social.
    A descrição e ambientação também foram perfeitas, muito bem e boa sorte no Desafio!!

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  15. Querida Elisa,
    Parabéns pelo texto.
    Este personagem tem a cara da Renta e você reverteu a trama de uma maneira incrível. Aqui há a crítica social, o humano e o terno. Nos afeiçoamos por Maicon.
    Gostei de verdade. Sobretudo da reflexão que cira. A privação do personagem no presente é tamanha, que chega a gostar da situação de escravidão…
    Beijos
    Paula Giannini

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