O Jardim e o Deserto – Bia Machado

A mãozinha pequenina de Alice passeia por minha barriga. Os dedinhos suaves me causam um arrepio. Ela é quem mais gosta de me acariciar, e não o faz apenas com os dedos, mas também com o olhar, ao mesmo tempo espantado e compenetrado.
“Quando meus irmãozinhos vão nascer, mamãe?”
“Em breve, Alice” eu respondo.
“Breve é muito tempo?”, o sorriso inocente, eternizado em meu mundo, tornando tudo mais suportável.


“É tempo de sobra”, Bernardo pega nossa filha no colo e a rodopia. Alice solta gritinhos. Quando escapa, corre ao encontro dos irmãos, que se distraem fazendo castelos na areia escura da praia. Bernardo se senta ao meu lado e também acaricia meu ventre, mas diferente de Alice o olhar é um tanto preocupado. Às vezes parece que ele sabe, que sente o que está acontecendo quando estamos juntos. Em nosso mundo particular. Logo em seguida, porém, entrelaça seus dedos nos meus e me beija.
“Preocupada?” Eu só consigo assentir fazendo um movimento com a cabeça e olhando para baixo. “Serão três meninos saudáveis. Coitada de Alice! Ficará sozinha no meio de tantos meninos…”
Antes que eu pudesse responder, tudo à minha volta é sugado para dentro de um túnel, Bernardo, Marcos, Rafael, Alice…

***

Despertei de forma tranquila, em meio a um silêncio com o qual não vou me acostumar jamais. Ainda não conseguia me mexer, mas já sentia um leve formigamento nas pernas. Algo estava diferente em mim, eu podia sentir. Meu ventre estava vazio. Deixei que as lágrimas escorressem, isso acontecia toda vez, inevitável. Aquela era… a oitava vez? Nona? Décima? O que importava? Já perdi a conta de quantas vezes, quantas crianças…
***
A risada de meus filhos brincando é o som mais delicioso que sentirei em toda a minha vida, tenho certeza. Os três correm pelo jardim, enquanto eu e Bernardo os observamos do banco, espaçoso o suficiente para que eu fique deitada com a cabeça apoiada no colo de Bernardo.
“Já disse que você está linda hoje?”
Dou um sorriso, amargo, trêmulo, mas Bernardo parece não notar. Claro, na verdade quem está ali não é Bernardo. Não é ele. Eu sei onde Bernardo está. Sei onde as crianças estão. Ao menos três delas. Os outros… Provavelmente nunca saberei.

***

Gostaria de ter notícias dos bebês. Gostaria de saber, na verdade, com quem eles se parecem, afinal. Na última vez, foram três meninos. Seriam parecidos com Bernardo? Não podiam ser, é claro. Teriam aparência de humanos, pelo menos? Eu esperava que sim. Que tivessem algo de mim, sim, eu queria. Tanto quanto Marcos, Rafael e Alice, eram também meus filhos. Alguém um dia contaria a eles de onde vieram?

***

Sei que tudo está organizado dentro da casa, não há com o que se preocupar. Antigamente eu chamava aquela construção de lar. Lar. Meu lar, o de Bernardo, o de Alice, Marcos e Rafael. Agora é apenas o lugar para onde volto quando não estou em meu mundo particular. Nosso mundo particular. Um mundo perfeito, meu verdadeiro lar. Meu lar está dentro de mim agora. A perfeição de um mundo ilusório é tudo o que me resta. Além disso, apenas o deserto. Quando não estou com eles, o deserto também está dentro de mim.

***

Nas manhãs especiais, visto meu vestido mais colorido. Um contraste necessário para enfrentar a paisagem que há após o portão: aridez. Tudo está morto. Quase todos estão mortos naquele mundo. Estremeço com a ideia de que eu também esteja, sem desconfiar de nada. Durante cada gravidez tenho a ilusão de estar viva, afinal posso sentir os bebês mexendo o tempo todo, mas agora, a sensação é a de que sou tão estéril quanto aquele chão onde meus pés pisam.

***

Bernardo me acorda com café na cama. Atrás deles os três pulando, empolgados.
“Parabéns, mamãe!”
Olho na bandeja e há um bolinho decorado com chantilly azul e granulado de chocolate. O meu aniversário. Eu nem mesmo sabia qual dia era aquele.
“Parabéns, querida!”
Posso sentir o gosto do bolo, do creme e do granulado. Só me basta agradecer por ter direito àquelas sensações, tão reais.
“Está chorando, mamãe? Por quê?”
Não é nada, querido. Não é nada. Tudo começa a ser sugado e eu vejo Rafael desaparecendo com os outros, mas com o olhar angustiado, como se ainda esperasse a minha resposta.

***

Acordei no meio da noite. Eu não devia ter acordado, não durante aquele momento tão precioso. Eu precisava responder a Rafael. Da próxima vez, ele nem se lembraria mais de minhas lágrimas. Uma dor aguda me fez levar a mão abaixo do umbigo. Uma nova cicatriz. Eu estava grávida de novo, ali estava o motivo de tudo ter se desfeito tão depressa. A pergunta de Rafael não me saía da cabeça.
Pude ouvir em minha mente a voz já tão conhecida: “Fecundação concluída. Duas crianças do sexo feminino e uma do sexo masculino. Parto programado para daqui a 90 dias. Alimente-se bem. Durma bem. Controle suas emoções. Se o outro mundo estiver trazendo aborrecimentos a você, vamos providenciar para que não possa sonhar durante a gestação. Tenha apenas sonhos tranquilos e agradáveis.”

***

Não sei por que, mas eles me deixaram manter o jardim vivo, como era antes. Foi meu avô quem plantou as primeiras flores, as preferidas de minha avó. Rosas, margaridas, lavandas, girassóis… Um banco, uma fonte e um ipê. Fui eu quem plantou o ipê, quando era menina. Pedi ao meu avô e ele concordou, me ajudando a plantá-lo. “Você é quem vai cuidar dele”, sentenciou. Minha primeira grande responsabilidade, aos oito anos. Quase todos se foram e as flores ficaram lá. E o ipê. A impressão que tenho é a de que, mesmo quando eu me for, as flores continuarão nascendo, o ipê continuará florido. E tudo o que eu mais queria era isso, que continuassem a florescer. Porque foi debaixo dele que enterrei meus amores, em apenas uma cova. Para que não se sentissem sós. Para que ficassem sempre juntos nessa vida, assim como ficamos em nosso mundo. Coloquei Bernardo primeiro, depois as crianças, os três como que aconchegados ao pai, os braços paternos tal qual asas a protegê-los.

***

Há outras covas para os outros, mas não no jardim. Enterrei vários deles, um pouco mais afastados, ao longo da estrada. Vários vizinhos, seus filhos, os amiguinhos da escola de Alice e dos meninos… perto da praia enterrei meus pais, meus avós, os pais de Bernardo… todos, todos. Até que um dia não encontrei mais ninguém naquele mundo, a não ser aqueles seres. Na verdade, eu fui encontrada.

***

Estava andando na rua depois do grande evento, sem destino, e do nada me vi em uma sala escura, presa a uma maca. Os seres se aproximaram de mim vagarosamente. Flutuavam com a leveza de uma bolha de sabão. Pareciam-se conosco. As feições eram humanas, porém os olhos eram como duas pequenas luzes iluminando as negras órbitas. Não possuíam boca e nem cabelo.
Não encostaram em meu corpo, mas eu podia senti-los me examinando. Meu abdômen parecia se contrair por causa de uma cólica fortíssima, mas não consegui gritar, como se minhas cordas vocais não estivessem mais no lugar.
Ironicamente, me avisaram sobre meu destino, telepaticamente.
“Este mundo será repovoado por nós. Assim como você, escolhemos algumas outras que estão saudáveis para procriar. Percebemos sua revolta com a situação. Isso é inútil. Caso não aceite, nós a manteremos em sono profundo por todo o tempo necessário.”
“E se eu aceitar?”, perguntei também de forma telepática.
“Se aceitar, poderá ter uma rotina desde que não prejudique as gestações.”
“Vocês mataram minha família. Toda a minha família.”
“Eliminamos todos aqueles que não se encaixam em nossos planos. Vocês, seres humanos, não possuem mais necessidade aqui. Em grande maioria, só estavam causando prejuízos a esse lugar. Precisaremos restaurar grande parte do ecossistema do planeta para que seja possível vivermos aqui.”
“Não posso fazer isso. Não posso…”
“Acalme-se. Se colaborar conosco, sem comportamentos de revolta ou indignação, tentaremos amenizar sua dor da melhor forma possível, pois é importante que se mantenha seu estado psicológico adequado.”

***

Com o pedido da criatura para que eu me acalmasse, fui adormecendo aos poucos, sem conseguir formar qualquer pensamento. Quando acordei, estava em minha cama. E foi a primeira vez que ouvi o aviso em minha mente: “Fecundação concluída. Três crianças do sexo feminino. Parto programado para daqui a 90 dias. Alimente-se bem. Durma bem. Controle suas emoções. Temos ciência do que mais deseja e providenciaremos isso para que seu bem-estar seja completo. Não tente nada que possa prejudicar sua gestação. Sua monitoração acontecerá de forma ininterrupta.”
Aqueles seres. Aqueles seres que transformaram o planeta em uma incubadora, que me tornaram uma reprodutora, a mim e a outras mulheres espalhadas por aí, sabe-se lá em quais locais, eu precisava daqueles seres para continuar em meu mundo particular, meu mundo perfeito, onde tudo funcionava da forma como sempre deveria funcionar. Até quando? Quantas crianças eu deveria gestar até que não fosse mais necessária a eles? Eu não sabia. Perguntava e não havia resposta alguma.

***

“Está dormindo?”
Abro os olhos e encontro os de Bernardo, sorrindo.
“A pergunta foi tola, eu sei, mas eu sabia que estava acordada.”
Sinto a mão dele acariciando a minha barriga, já bastante intumescida.
“Três meninas, você disse. Tem certeza? Alice vai adorar, mas se as três forem como ela, Rafael e Marcos vão pirar…”
Eu me forço a rir de forma a não demonstrar que sinto pena dele, por não saber de nada, por não ter ideia de quem são essas crianças que estou gestando. Tenho consciência de que assim que a gravidez terminar, já em outro sonho será como se eu nunca tivesse estado grávida depois do nascimento de Alice.
Penso naquele momento, com uma sensação de fracasso, que eu deveria ter tido mais filhos com Bernardo. Por minha causa esperamos quase oito anos, pois eu julgava que éramos jovens demais. Quando Marcos e Rafael vieram, na primeira gestação, a vontade que tive durante meses e meses foi de desaparecer, achando que tudo aquilo estava errado, eu jamais serviria para ser mãe. Dois anos depois veio Alice. E de alguma forma eu me arrependi de ter pensado que nunca conseguiria ser mãe e de ter negligenciado os meninos por causa de tanto medo e insegurança.
“Obrigado pelos filhos que você me deu.” A voz de Bernardo era apenas um sussurro em meu ouvido ao dizer aquelas palavras.
Adormeci ao lado dele na cama e, quando acordei, já na minha realidade, não conseguia me mexer. A sensação de vazio voltou mais forte e eu sabia: o parto já tinha acontecido. Eu era novamente mãe de mais três crianças, que eu talvez jamais viesse a conhecer.

***

Naquela manhã fria de outono fazia um bom tempo que não ouvia a mensagem de um novo ciclo reprodutivo. Nunca havia demorado tanto tempo assim. Senti medo. E se as gestações tivessem se encerrado? Se aquilo acontecesse, eles me descartariam, como haviam feito com a maioria dos habitantes do planeta?
Sentada no banco, eu deixava que o vento brincasse com meu cabelo, enquanto observava o jardim, não tão florido naquela época. Não sei quanto tempo já estava olhando para o lugar onde Bernardo e as crianças estavam enterradas, quando ouvi uma voz desconhecida sussurrar: “Mamãe?”
Levantei-me de forma abrupta, olhando para todos os lados. Era uma voz de criança, que me perguntou novamente: “Mamãe? Acho que encontramos você.”
“Quem… quem está falando?”
“Nixy. Sempre quisemos saber quem é nossa mãe.”
A última frase ecoou em minha mente. Sempre quisemos saber quem é nossa mãe. Não sabia qual palavra dita tinha sido a mais impactante para mim. Sempre. Quisemos. Saber. Quem. É. Nossa. Mãe.
A palavra mãe, provavelmente, por ter ouvido de alguém que não era Marcos, nem Rafael e nem Alice. Nixy, a voz me disse. Menino? Menina? Haveria essa diferenciação entre eles?
“Não há diferença de sexo entre eles, mas dos filhos gerados por humanas há. Sou menino.”
“Você pode ler meus pensamentos… Eles também podem…”
“Não se preocupe, estou usando outra frequência. E quando me responder, mamãe, também estará nessa outra frequência alternativa. Fique tranquila, pensamos em todos os detalhes. Só peço que não conte nada a eles.”
“Não, não, é claro que não…”
“Temos que ir agora. Aguarde só mais um tempo. Logo tudo irá terminar.”
“Como assim?”
“Não podemos dizer agora. Confie em nós. Até breve, mamãe.”
Confie em nós. Até breve. Por quê? Breve quando?

***

Por quanto tempo eu ainda terei meu mundo particular? Bernardo, Rafa, Marcos, Alice… É só isso no que consigo pensar. Cada vez pode ser a última. Bernardo não consegue entender por que quero ficar abraçada com ele por tanto tempo, e depois abraço nossos três filhos, de uma forma que chega a doer, de tão apertado e urgente. Eu me forço a dormir por mais tempo, quanto tempo mais for possível. Queria ver os meninos crescidos, queria ver Alice com quinze, vinte anos. Mas eles pararam no tempo, serão para sempre daquele jeito em minhas lembranças.
“Mamãe, por que você me abraça tanto?”, me pergunta Marcos.
“Ah, querido, eu quero te abraçar para sempre.”
“Também quero ser abraçada!”, anuncia Alice, fazendo beicinho.
“Claro que vou te abraçar!”, largo Marcos e pego Alice em meu colo, aconchegando sua cabeça em meu ombro. Encontro o olhar de Bernardo, um olhar de admiração.
Quando tudo começa a tremer, só eu percebo, os outros ficam tal qual estátuas, a expressão petrificada.

***

Despertei com tudo tremendo à minha volta. Uma luminosidade inexplicável tornava a noite clara como o dia. No ar, um barulho ensurdecedor, sim, ensurdecedor, essa era a palavra. Corri para fora, protegendo os olhos com as mãos, até me acostumar com a claridade.
Agora era possível ver uma nave gigantesca no céu, pairando quase acima da casa. Seriam eles? Por isso as concepções tinham sido interrompidas? Eu finalmente seria descartada? Ou levada para algum lugar? O vento parecia levantar todas as folhas secas caídas no chão. Precisei me segurar com força no batente da porta.
Aos poucos a ventania diminuiu. A luz da nave pareceu suavizar e se concentrar em um ponto que saía abaixo dela. Com meus olhos mais acostumados ao brilho daquela luz, comecei a ver algo tomando forma, como se saísse da nave e fosse até o chão.
Não era apenas um. Eram vários. Muitos. Uns cinquenta, talvez… ou quase. Quando se aproximaram do portão, fiquei espantada. Eram jovens. Todos jovens, por volta de 14, 15 anos, não aparentavam mais que isso.
Também me aproximei, passos inseguros. Eles em nada lembravam aqueles seres com quem me encontrei cerca de cinco anos antes. De alguma forma, era como se eu os conhecesse, havia algo de familiar em suas feições. Olhando um a um, meninas, meninos, tão belos….
Como se fossem Alices e Rafas e Marcos crescidos, como eles jamais seriam.
Oh, meu Deus…
“Você é nossa mãe. Parte do DNA que temos em nosso corpo é seu”, o jovem à frente dos outros falou, pronunciando as palavras em vez de apenas comunicar-se comigo somente em pensamento.
“Mãe de vocês? Todos vocês? Todas as crianças que estavam… dentro de mim?”
“Sim. Eu sou Nixy.”
“E… E os seres que vieram até aqui?”
“Não existem mais. Quando soubemos de tudo o que aconteceu, nós e os filhos e filhas das outras humanas, que também foram usadas por eles, resolvemos dar um basta. E hoje finalmente retornamos.”
“Retornaram…”
“Sim, retornamos. Parte de nós é humana, consequentemente aqui também é nosso lugar. Queremos saber como tudo aconteceu. Viemos para ficar.”
“Eu não entendo… Como podem ter esse aspecto, assim, tão crescidos? Deve fazer uns cinco anos que o primeiro… as primeiras, aliás…”
“De onde viemos o crescimento ocorre de forma mais acelerada. Não sabemos se aqui será assim também, não temos ideia ainda, mas já começamos a investigar para compreender por que isso ocorre.”
Aquilo ainda era como um sonho estranho, eu jamais poderia imaginar. Estava feliz por eles e por mim, ao mesmo tempo em que triste por ter perdido a possibilidade de viver em meu mundo particular, ao lado de Bernardo e…
“Então ele está morto?”, Nixy me perguntou.
“Ele quem?”
“Nosso pai. O homem a quem você chama de Bernardo.”
Precisei me segurar no jovem rapaz, tão atordoada fiquei com suas palavras.
“O que está me dizendo? Como pode ser se…”
“Aqueles seres coletaram material dele e de outros homens. O que sei é que isso aconteceu muito tempo antes, quando eram bem mais jovens. Não funcionou, porém.”
“Por quê?”
“O material coletado era rejeitado nos seres reprodutores do planeta deles. O jeito foi utilizar humanas para a concepção, colocando o material coletado dos homens da espécie, acrescentando parte do material deles, mas em menor proporção. O que eles queriam era se reproduzir o quanto possível, de alguma forma. Precisavam disso, estavam quase em extinção. Não sabiam, no entanto, que conforme crescíamos, crescia também a necessidade de voltar às nossas origens.”
As palavras de Bernardo ecoavam em minha mente.
Obrigado pelos filhos que você me deu.
Somente no inconsciente é que ele poderia sentir aquilo. E cada vez que acariciou meu ventre, Deus, eram seus filhos ali, sendo gerados, gestados, tão desejados quanto nossos gêmeos e Alice…
Quando as primeiras luzes do dia começaram a diminuir a escuridão, nós ainda estávamos no jardim, conversando próximo ao local onde jazia o corpo do pai de todos aqueles jovens. Fazia muito, muito tempo que eu não conversava com outras pessoas a não ser em meu mundo particular. Havia muito o que conversar, muito o que perguntar e responder, antes que o repovoamento do deserto em que o planeta se transformara fosse iniciado.
Eu ansiava por levar um pouco do meu jardim a cada canto do mundo, eu desejava encontrar as outras mulheres e seus filhos e partilhar com todos a sensação de pertencer àquele mundo. Havia muito a ser feito.

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4 comentários em “O Jardim e o Deserto – Bia Machado

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  1. Confesso que me senti tocada por perceber que o instinto maternal superou tudo. Esse sentimento de família e ficção científica, aqui, mesclados resultaram em boa trama. Muito criativa, uma história longa apresentada de forma sucinta, com atmosfera onírica, em que é difícil separar o sonho e a realidade. A trama traz certo suspense psicológico, conduzindo o leitor a uma crescente expectativa, deixando pistas sobre o que teria acontecido e as consequências e, somente no epílogo, é fechada. Provocou-me certa ansiedade ao pensar em tantas gravidezes múltiplas. Tudo deu certo, enfim, uma nova família e a saudade do marido e filhos mortos.

    Esse conto seria um páreo difícil na rodada atual do EC, porque só não tem cenas eróticas, mas traz boa dose de romantismo além da FC.

    O título traz um simbolismo intrínseco: a aridez do deserto X as flores do jardim, um paralelo entre a situação que a Terra estava com a invasão alienígena e a capacidade de reprodução que se exigia das mulheres. Inteligente e reflexivo. Quanto à linguagem, o texto está bem escrito, poetizado, bem desenvolvido e estruturado.

    Parabéns, Bianca por este trabalho de qualidade. Uma leitura muitíssimo agradável. Beijos.

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  2. Um conto tocante o seu. Fiquei um pouco confusa no início, mas à medida que ia lendo, fui me apaixonando, me envolvendo com a dor daquela mulher. Uma história muito triste, mas ainda assim, achei maravilhoso que ela tenha escolhido reproduzir os filhos (dela, do marido e dos ets) para poder voltar ao tempo em que Bernardo e os filhos dos dois ainda estavam vivos. O desprendimento de só que ama com todo o coração pode ter. Há muito tempo, no desafio experimental do EC eu comecei um texto parecido, mas fracassei em terminá-lo. Aplausos, minha querida. Foi um prazer ler seu conto. Beijos.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Que conto bom, Bia! Concordo com a Fátima que seria um concorrente fortíssimo na etapa atual do EC. A trama é muito boa e se mescla perfeitamente com o forte conteúdo simbólico que traz. A narrativa truncada, para mim, funcionou perfeitamente, o suspense e o adiamento das informação aumentaram meu engajamento na leitura. A ideia das gestações múltiplas e repetidas gera uma angústia no leitor que contribui para valorizar o conto. Por fim, o desfecho, com as crianças resgatando a mãe, foi o fecho de ouro para essa história sensível e inspirada! Parabéns, amiga! Leitura adorável!

    Curtido por 1 pessoa

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