De vidro – Paula Giannini

Que o mundo não era chato, era tudo o que queria provar. E iria. Custasse o que custasse. Levasse o tempo que levasse. Ora, não era plano… Não só. Por que é que os outros insistiam naquela história? Não havia razão para discordar, diziam. Bastava olhar para cima, para os lados, e pronto, lá estava o céu, plano, o horizonte, reto, com seus cantos e arestas simétricas de ângulos perfeitos.

Era chato.

E ponto.

Plano.

Não era.

Não para ela. Tampouco para sua imaginação. E, se plano, o seu, era provar aquilo que intuía desde sempre.  A vida era bem mais que o horizonte onde a vista alcança. Estava decidida. E iria experimentar sua teoria na próxima abertura.

A abertura.

Ela acontecia a cada ano, pontualmente em dezembro. O chão tremia, uma luz inacreditavelmente forte, e bela, penetrava por um rasgão no céu, e, pum… O portal se abria com música, e falas, e risos, e cheiros doces, e uma Deusa, que convidava a todos para uma escapadinha.

Todos.

Menos ela.

Todo final de ano era assim. Quando ocorria o fenômeno, no momento em que o céu se abria, todos voavam. Eram levados a um passeio muito entediante, ao menos é o que faziam parecer. Lá fora, é o que diziam, não havia nada mais que o nada. Um mundo de tédio no qual eram obrigados a ir, alheios à sua vontade, e por lá ficavam durante um mês, pendurados e inertes em uma árvore gigantesca.

Uma árvore.

Imaginava como é que poderia vir a ser uma. Todo ano, os outros repetiam a mesma história ensaiada. Uma árvore era uma coisa verde e grande, cheia de galhos e luzes que cegavam seus olhos acostumados à penumbra, e na qual ficavam presos, pendurados sempre no mesmo lugar, obrigados a olhar para os Deuses, que comiam e bebiam, e distribuíam presentes entre si, e riam, e choravam, e até brigavam às vezes. Recontavam a saga, explicando que lá, o horizonte também era plano, assim como o céu e as arestas no canto, tudo igualzinho, exceto pelo fato de ser tudo pintado de branco. E riam-se dela e de sua reação de fechar os olhos de emoção. Se quer ver, ensinavam, você não pode piscar. Não conseguia. Todo ano, quando o céu se abria, sentia-se cegar por aquela inundação de luz, e, quando os outros voltavam, exaustos dos dias chatos no mundo branco, era capaz de sentir-se plena, simplesmente por ouvir sobre uma aventura que jamais poderia presenciar.

Não podia.

Você não é como nós é muito delicada, se quebra com o menor solavanco, é muito frágil. Imagina se cair, imagina se bater, imagina se for derrubada, não cansavam de repetir. De mais a mais, lá fora é tudo o mesmo. É como uma extensão daqui. Um mundo chato. E perigoso, deixava escapar entredentes, outro anjo, um bem velhinho e desbotado, que, assim como ela, jamais saía. Ele, por iniciativa própria, desde que fora atacado em uma das viagens por um estranho ser, nem anjo, nem Deus, que saltara sobre ele, arreganhando os dentes e balançando o rabo. O estranho ser, obedecendo a Deusa maior, a mesma que os levava para a árvore, sentou-se e soltou-o no chão cheio de baba, porém, sem sofrer nada além de alguns arranhões. Ela, por sua vez, só não ia porque os outros anjos não permitiam, não achavam prudente, protegiam-na de algo que não entendia bem, inventavam desculpas, enrolavam-na com falsas promessas, escondiam-na dos perigos do mundo exterior. E da lata de lixo. Destino de todo anjo que se quebrava naquela viagem que às vezes resultava sem volta. De mais a mais, e para isso não havia argumentos, jamais fora convidada, ou, como costumava supor, escolhida.

Este ano, no entanto, escolhida ou não, tudo seria diferente. Na próxima abertura, sua sorte mudaria. Tinha tudo muito bem planejado. Pouco antes do acontecimento, assim que sentisse o chão tremer, escorregaria para um dos cantos e se penduraria em um anjinho dourado e muito bobinho, que, tendo a roupa em formato de estrela, facilitaria em muito a sua estratégia. Grudar-se-ia à roupa do outro e voaria rumo à árvore, pegando carona, era certo, mas ainda assim, voaria.

E assim fez. Olhos fechados, o coração saltando emoção, já a postos em um dos cantos do seu mundo, agarrou-se firme ao amigo e sentiu-se levitar rumo ao lado de fora.

O lado de fora.

Ali, tudo parecia mais intenso. A música soava mais alta, os cheiros quentes invadiam sua alma em uma profusão de sensações que iam muito além daquilo que, sozinha do lado de dentro, pintava em sua imaginação recriando cenas à que, até então, apenas escutara. No tempo em que, ouvidos colados à parede, tentava intuir o que eram os risos, os sons desconhecidos, às vezes um choro, vozes desconexas dizendo coisas que ora entendia, ora não. Boa noite, bom dia, tome cuidado, você não pode subir aí, vai devagar, eu te amo, eram palavras que faziam parte da lista do que compreendia. Porém, havia outras, incompreensíveis e, provavelmente tristes, pois eram ditas entre sussurros e às vezes até soluços.

Síndrome, Lobstein, diagnóstico.

Não entendia.

Mas, não temia. Queria saber, conhecer o que não conhecia, experimentar o que nunca vira, e provar, de uma vez por todas, a sua teoria. Então, tomando coragem, abriu um dos olhos, apenas uma pequena fresta, e percebeu que, ao contrário do que supunha, se acostumava às luzes que em um primeiro minuto doíam, admirando-se com sua capacidade de piscar coloridas e em sincronia.

E arregalou o segundo olho, tomada por uma confiança até então desconhecida. Era Natal, é o que dizia a música. E cada um de seus amigos era colocado exatamente do modo como sempre lhe contavam, em local certo e determinado previamente. Os anjos menores mais para cima, os maiores na borda da árvore, e, lá no alto, no topo de toda aquela beleza, ficava ele, o anjinho com roupa de estrela.

Foi então que aconteceu.

A Deusa mãe tomou o anjo-estrela com a ponta dos dedos, esticou o corpo inteiro a fim de alcançar o lugar de destaque da árvore. E parou.

Parou.

Olhando-a com ares de sobrancelhas juntas, a Deusa certamente indagava-se da origem daquele enfeite defeituoso que jamais percebera antes. Vacilava. Parecia tentar achar um local para ela, na matemática simétrica que era sua árvore de Natal. Não conseguia. Aquela anjinha, nem tão grande para ficar na borda, nem tão pequena para servir de recheio ao miolo da decoração, não era munida de atributos, tampouco, para figurar no destaque do topo. Assim, a anjinha viu a Deusa colocá-la na palma da mão com um muxoxo enigmático, e só então percebeu o quão delicada, de fato, era, ela mesma, diante da criatura que agora comandava seu destino.

Olhou para o alto. O céu era plano. E branco. Os amigos estavam certos. Então, voltou-se para baixo. Se saltasse, certamente teria o destino do anjo desbotado. Ou, pior que isso, se partiria em muitos frágeis pedacinhos. Pensou em como seria bom voar. E, pela primeira vez na vida, deu-se conta de não o poder fazer, não por lhe faltar uma das asas, acidente antigo do qual já nem se recordava da dor, quebradura precoce que partira justamente a asinha que segurava o fio que prendia os anjos na árvore. Não era isso.

Não.

Não voava, simplesmente, por ser um anjo feito de vidro.

Foi então que, resignada ao destino que lhe cabia, a lata do lixo, fechou os olhinhos indagando se os outros, todos, suspirariam meneando a cabeça, enquanto deixavam escapar um quase inaudível: eu avisei. E avisaram, ela não podia negar.

Assim, viu a tampa se abrir. Não a da lata, mas a da caixa de sapatos em que vivia. A Deusa a devolveria ao local de origem. Aquele desfecho era muito pior que o lixo. Voltaria para casa sem viver nada do que desejara. Olhou para sua casa. E compreendeu que seu lar não passava de um mundo fechado dentro de outro mundo. Quem sabe aquele universo, aquele de paredes brancas onde estava agora, não fosse também uma caixa trancada dentro de outra ainda maior. E esta, dentro de outra e de outra…

O mundo era chato.

E plano.

Já pressentindo o tão conhecido fundo macio da caixa, toda forrada de espuma e palhinhas, não percebeu o instante em que a mão da Deusa mudou de direção.

— Olha, mamãe, aquela anjinha é igual a mim. — A voz rouca da Deusa menor era quase um fio.

— Verdade. Ela está com a asinha quebrada.

— Não. É que ela é de vidro.

E voou.

Pegando carona nas mãos do destino, voou pela primeira vez em sua vida.

E de olhos abertos.

Segurou-se firme à superfície em que era amarrada, um cata-vento instalado na cadeira acolchoada da menina. E em um piscar, um desses instantes que mudam vida e enchem corações, quem sabe um milagre de Natal, entendeu finalmente, que todos tinham o seu lugar na vida. Até ela. Uma pequena anjinha de vidro.

E compreendeu o sorriso de uma Deusa-menina que, assim como ela, era frágil de se quebrar.

E partiram juntas para o quintal. Com muito cuidado. E devagar.

Quando voltasse para casa, contaria a todos que o mundo não era absolutamente chato, tampouco plano. Era redondo, e triangular, e oval, e cheio de infinitas possibilidades.

E que girava, suavemente, junto a um cata-vento colorido na cadeira acolchoada de uma menina.

De vidro.

 

15 comentários em “De vidro – Paula Giannini

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  1. Conto denso, com estilo inconfundível: frases curtas e repetição de palavras-chave. Começa leve, tranquilo, com uma narrativa cadenciada, com estranhas colocações: céu branco, chato e plano. Mas isso tem um motivo: a autora está preparando o terreno…

    O modelo da narrativa é um quebra-cabeça, uma teia, com peças entregues lentamente e uma reviravolta bem construído e bem amarrada, que, mesmo em terceira pessoa, traz o ponto de vista de um frágil-anjinho-de-vidro-quebrado. Essa escolha é o destaque e é o que permite o paralelo com a criança portadora de osteogênese imperfeita, ou doença de Ekman Lobstein: os ossos de vidro (doença sem cura).

    O leitor precisa abrir uma porta para penetrar um ambiente especial, em que cada palavra existe em função das outras, constituindo assim um conjunto, a partir do qual, cada fragmento pode ser plenamente sentido, assimilado

    Parabéns pelo texto dramático e emocionante, conduzido com muita arte e segurança, um verdadeiro labor artesanal. Que este Natal preencha os corações, seu e de seus familiares, de amor e paz! Um forte abraço!

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  2. Querida Contista,

    Você me fez chorar agora, viu?
    Quanta emoção e beleza desenhadas com tanta sensibilidade, com tanto fervor emocional, ao mesmo tempo com tantas possibilidades nas entrelinhas (só no final fica clara a intenção, linda, aliás) .
    Cada parágrafo traz uma reflexão, um ensinamento, ouso dizer.
    Ressalto novamente a extrema sensibilidade da contista, menina, que coração mais doce…sobre sua arte não preciso dizer, mas digo, você domina a escrita.
    A Deusa, a pequena Deusa de vidro e o anjinho de vidro – os dois últimos, com suas limitações, mas ansiosos para viver, ver o mundo, explorar….
    Amei muito!
    Um Feliz Natal e vou aqui pensando na possíivel autora ❤
    Bjokas!!

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  3. Que conto mais perfeito, amiga Contista. Fiquei aqui com vergonha do meu. Rsrsrs. Uma fábula encantadora sobre diversidade, sobre existir lugar para todos, sobre ser possível ser feliz apesar de. Basta um olhar generoso, um reconhecimento e pronto, alguma felicidade é possível, ainda que breve, ainda que passageira.Afinal, todas as felicidades são mesmo passageiras. Destaco a linguagem tão aderente ao enredo, e essas pausas, essas respirações… Um dia aprendo a fazer isso, certamente não tão bem quanto você. Gratíssima por esse lindo conto!
    Beijo grande pra você! feliz Natal!

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  4. Olá, querida amiga Contista!
    Que conto lindo!! Perfeito! Absolutamente bem escrito e profundo! Eu amei! Dá pra ver o quanto no tanto de exclamações né 😁💖
    O conto é delicado, belo, encantador assim como esse anjinho de asinha quebrada que ansiava conhecer o mundo fora do seu mundo. E a menininha que tem os ossos de vidro achou uma companheira, quase um espelho de si mesma, porque toda criança é um anjo!
    Parabéns pelo conto espetacular! Boa sorte! Bjooo

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  5. Muito interessante a visão do natal vinda da perspectiva dos enfeites da árvore, mais especificamente de um anjinho de asa quebrada que mesmo defeituoso continua sendo mantido guardado. Assim como a menina, o anjo tinha um grande valor para sua família, mesmo sendo imperfeito. Muito lindo e profundo. Abraços ❤

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  6. Olá, Deusa vc!

    Um conto cheio de reflexões que são ao mesmo tempo sobre o interno e o externo, formatando e reformatando o mundo a partir de sua própria ora estreita, ora ampla possibilidade de visão.

    Sua protagonista consegue ver muito além do que o ambiente que ela deseja habitar. O fato de serem colocados sempre nos mesmos lugares na árvore de natal, fazia com que os demais enfeites vissem o mundo sempre da mesma forma, aquela que lhes era permitida. Ironicamente, o enfeite que ficava dentro da caixa conseguia enxergar com muito mais clareza, pois usava a imaginação.

    Gostei muito do link criado entre o enfeite e a criança, o vidro era a essência da fragilidade das duas criaturas. Conheço um menino que tem a osteogênese imperfeita, e acompanhei todo o cuidado que a mãe dele tinha, a dedicação dela até que o garoto alcançasse uma relativa autonomia. A genialidade do seu conto é por saber unir coisas tão absolutamente díspares, por um pequeno mas essencial detalhe. Palmas e um natal cheio de amor. Beijos.

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  7. Que coisa linda!! Quanta sensibilidade!!
    Sabe, meu filho, este mesmo que tem problemas psiquiatricos também tem Lobstein,mas nao num grau muito forte, apenas os ossos se formaram um pouco tortos digamos assim mas sem maiores danos a nao ser ter q tomar cuidado pois os ossos são frageis, de vidro ❤
    O texto é maravilhosamente lindo, de uma tecnica invejável..parabéns, querida contista!!

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  8. O seu conto me fez pensar nos meus Natais quando menina. A árvore – um pinheiro de verde – e os muitos enfeites coloridos e de vidro. Era pura magia manter aquela harmonia em uma casa com cinco crianças. Minha irmã ainda tem alguns desses preciosos enfeites, tão frágeis, tão delicados.
    A narrativa discorre sobre um anjinho de vidro que se vê fadado a permanecer em uma caixa, chata, plana e sem luz. Tudo por que já havia perdido uma das asas e era provável que se quebrasse ainda mais. Mas mesmo assim, tinha a esperança de voar, de sair da caixa, da suposta e chata segurança, para brilhar do lado de fora. E assim foi quando se deparou com a deusa menor – uma menina com ossos de vidro – tão semelhante em características e sonhos.
    Um primor de conto, claro, que só precisou mesmo assinar para se saber a autoria. Linguagem delicada, mas firme, compacta, que às vezes surge colorida de ambiguidade. O mundo é chato? Chato porque é plano? OU chato porque é aborrecido? Espetacular sua habilidade em formar tantas imagens interessantes.
    Feliz Natal e que 2020 seja muito muito muito, mas muito melhor do 2019. Beijos.

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  9. Que conto lindo! E ao mesmo tempo triste, pois como se pode viver uma vida dentro de uma caixa só por um quebradinho, não é? O sobrinho de uma amiga minha está fazendo exames para ver se não é um caso de Lobstein, esperamos que não… Vou mandar esse conto para ela… Obrigada por essa lindeza de conto, mais uma vez! Que seu Natal seja só de paz e tranquilidade e que seu Ano Novo traga os sopros de todas as coisas boas que você merece e precisa. Beijos!!! ❤

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  10. Caramba, querida Contista,

    Esse é um daqueles contos que me deixa sem palavras para comentar. Fico embasbaca, querendo dizer um monte de coisa, elogiar sem parar e não sei escolher nem lembrar das palavras mais adequadas para expressar tudo o que senti.

    Lá pelo meio do conto percebi que se tratava de um anjinho enfeite de árvore, que pena que percebi. Eu estava viajando em um universo fantástico e desconhecido até perceber que se tratava da visão concreta de um personagem objeto, que foi magnificamente personificado nessa história.
    Mas é claro que o meu lamento acaba na minha falta de esperteza ou lentidão de percepção, pois não há nada para lamentar na leitura desse conto.
    Ele é realmente lindo e muito bem escrito.
    E sutil e cheio de sentimentos.

    A história de fundo – a doença da criança que acolhe o anjinho – fica em segundo plano. O sonho do anjinho e a esperança de grudar-se à árvore e ser escolhido pela deusa mãe já emocionam o suficiente.

    Que teu natal seja lindo e que 2020 seja maravilhoso!
    Parabéns pelo conto maravilhoso!

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  11. Olá, Contista.

    Um conto realmente primoroso, escrita segura. Tudo é muito visual, tem belíssimas descrições e cheio de significados. Ficamos na expectativa se a anjinha vai conseguir desfrutar ao menos um pouco do mundo dentro do mundo. Gostei da forma como você passou a mensagem.
    O conto e denso, não é pra ser lido de uma vez , com pressa, tem que ter cuidado pra não perder os detalhes.

    Parabéns, Contista, feliz natal.

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  12. Contista… Apenas uma palavra, hein? S E N S A C I O N A L

    Boa noite!

    Gostei infinitamente do seu texto. A forma que vc vai desvendando camadas, puxando véus para ir revelando universos é simplesmente soberbo ( melhor sentido possível). Me senti lendo algo na linha do “Soldadinho de Chumbo” e “A Menina que vendia fósforos”. Puxa vida! Como é empolgante ler algo que nós faz refletir e que já vem cheio de reflexões e poesias.
    Quando entendi que se tratava de enfeites de natal eu fiquei com um pé atrás, mas depois que vc começou a ir e vir desvendando os panos, ai, só emoção.
    Aplausos de pé!
    Feliz Natal!

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  13. Gente, que conto fantástico! Uma legítima história em camadas, em que cada qual, depois de degustada, revela outra e outra ainda mais surpreendente. Mais ou menos como uma bonequinha matrioska. Adorável em todos os sentidos, pela delicadeza, pelo fato de não se entregar de plano (trocadilho ON) ao leitor. Quando se percebe que a protagonista se trata de um enfeite de árvore de Natal, isso já não importa tanto, já que a luta por dar sentido à própria existência já domina o texto. Se fosse para classificar, eu diria que é uma fábula, uma espécie de narrativa ao melhor estilo Dickens, em que partes aparentemente quebradas se unem para formar um todo perfeito — enfeite e menina. Não deixa de ser uma metáfora para nós mesmos, que pensamos viver num espaço amplo, ignorantes às vezes de nossos próprios defeitos, mas de certa forma contentes ao encontrar alguém que nos complete neste mundo limitado em que vivemos. Parabéns pela obra, Paula. Tenho certeza de que estaria no topo também lá no EC. Beijos e ótimo 2020.

    Curtido por 1 pessoa

  14. Olá, Paula. Desejo que o seu natal tenha sido muito bem passado, junto dos seus amados ou com eles no coração, pois alguns apenas os podemos ter dentro de nós, mas são nossos e estão.
    Indo ao seu conto: confesso que inicialmente tive alguma dificuldade em perceber, depois chegaram as primeiras pistas e compreendi que era a história de um pequeno enfeite da árvore de natal e por fim a simbiose, o encontro de almas. Lindo demais. E do micro partimos para o macro: o anjinho vivia na sua caixinha, todos nós vivemos em caixinhas que estão dentro de outras caixinhas, que estão dentro de outras caixinhas, que estão… até ao infinito.
    Obrigada por este conto tão belo.
    Um maravilhoso ano para si. Beijos.

    Curtido por 1 pessoa

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