Então é Natal! (Amanda Gomez)

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Fechei os olhos, encostei a cabeça no volante e contei mentalmente até dez. Geralmente isso nunca funcionava comigo, mas o que eu poderia fazer? Respirei fundo e chequei as horas no celular, a pontada de tristeza era imediata sempre que olhava pra ele. Um Samsung com o nome de alguma letra do alfabeto parcelado em dez vezes. A tela quebrou na primeira semana.

Estava atrasada, muito atrasada… do tipo que provavelmente meu emprego estaria ameaçado. Talvez isso fosse bom, pensei melhor, aquele trabalho estava me matando lentamente, me fazendo ter pensamentos homicidas com relação às minhas colegas de trabalho. Criaturas odiosas com delineado de gatinho, sapatilhas e tiaras turbantes. É, talvez eu só devesse relaxar no meio daquele congestionamento e agradecer por não ter que passar horas em pé, atendendo uma penca de pessoas que vão desesperadas gastar a miséria dos seus décimos terceiros em coisas fúteis.

Olhei no espelho do carro e fiz uma careta para a minha aparência, a maquiagem da noite passada estava borrada ao redor dos meus olhos, grandes demais para um rosto miúdo, a extensão de cílios que Laura, minha amiga, me convenceu a fazer já perdia alguns tufos, um chupão no pescoço, que não lembrava como fora parar ali era evidente, precisava desinstalar o Tinder. E meu cabelo… bem, aquilo com certeza era a pior parte. Devia fazer uma semana que eu não o penteava. Transição capilar do caralho! Isso é o que dava passar horas rolando o feed do Instagram com aquele bando de blogueira nos dizendo o que fazer.

O trânsito começou a fluir, na minha frente havia um carro de som tocando alto aquela bendita música que era um tormento todos os finais de ano.

Então é natal, o que você fez?

O que eu fiz? Merda! Eu não fiz nada! O ano foi um borrão desastroso e cheio de decepções e sempre piorava nessa época. Eu não precisava que a Simone fizesse essa pergunta toda vez. Contive o impulso de bater na traseira dele. Quando finalmente o caminho parecia se abrir, um guarda que tentava sem sucesso normalizar o fluxo fez menção para eu encostar.

Não era possível!

Encostei, lançando-lhe um olhar assassino, deixando bem claro que “o da cerveja” ele não iria conseguir comigo.

— Documento, por gentileza.

Entreguei a ele minha carteira que venceria dali a exatos dois dias. Dei um sorriso faceiro.

— Já tem a nova?

— Tá pra chegar…

— Hmm, certo — disse analisando meio perplexo meu carro, um Fiat Uno 2009 totalmente acabado. O retrovisor era preso em várias voltas com uma fita isolante, o vidro da frente trincado, o para-choque só pela graça de Deus ainda não havia caído. — Esse veículo não parece apto para uso, hein.

— Bem, ele está andando e com os documentos em dia…

— Foi acidente, isso? — perguntou, talvez tentando entender como eu saí viva.

Talvez eu não tenha saído, afinal. Fazia um ano que eu andava com aquela carroça, a única herança que meu pai deixou e estraguei todo tentando matar meu ex. Na verdade a lembrança daquele dia me causava alguma satisfação. Dois anos morando juntos, montando a casa, pagando religiosamente todas as parcelas do financiamento para aquele maldito estragar tudo. Me traindo, roubando meu cachorro e limpando nossa conta conjunta. Ele ficou dois meses no hospital, no fim acabou sendo a vítima, não posso estar a três quilômetros de distância dele graças a uma ordem de restrição. Nunca mais o vi, sorte a dele.

— Foi sim, um idiota se jogou várias vezes na minha frente. Escuta, estou realmente atrasada, preciso passar o dia todo ajoelhada em frente a estranhos testando sapatos em seus pés cheios de joanetes. Posso ir?

— Pode… só ajeita esse retrovisor.

— Claro! Já ia fazer isso hoje mesmo!

Eu não ia.

Cheguei ao shopping e rodei mais de quinze minutos no estacionamento tentando achar uma vaga. Parecia que a cidade toda estava naquele prédio. Coloquei em uma de deficiente. Antes de sair do carro, ajeitei meu cabelo em um coque salvador, passei um batom rosado, calcei as sapatilhas e, por fim, a tiara turbante na cor vermelha. Corri até o elevador mais próximo que já ia fechar, lotado. Um senhor segurou a porta. Estava tão apertado que fiquei na frente dele, muito colada. Ele parecia feliz com isso.

— Se encostar, vai ficar sem a dentadura, estamos entendidos? — falei bem alto para que todos ouvissem. Ele ficou branco e se afastou o máximo que pôde de mim. Chegando ao quarto piso, corri até a loja e a fiscal já estava na porta me olhando com um risinho de escárnio.

— Até que chegou cedo hoje, Bruninha.

— Ela já chegou? — perguntei sem ar, me referindo a nossa chefe, Letícia.

— Não… mas, você sabe que eu vou ter que apontar seu horário. — falou como quem sentia muito. Ela não sentia. Jéssica era uma exímia filha da puta, estava vestida idêntica a mim, só que seu cabelo era liso e brilhante e sua bunda ocupava a maior parte do espaço da loja. A sobrancelha que deve ter lhe custado uns 400 reais estava sempre arqueada, dando-lhe a aparência perfeita de uma megera, e ainda tinha o bônus do preenchimento labial.

Geralmente eu falava alguma grosseria padrão, mas apenas ignorei-a e corri para atender um cliente. No final das contas, precisava daquele emprego. Não tinha nenhuma qualificação, um diploma ou talento para coach. Tentei uma vez entrar em uma pirâmide e sou perseguida até hoje pelas pessoas que indiquei, inclusive minha mãe, que não fala comigo desde que perdeu os mil reais do investimento. Não que nosso relacionamento fosse grande coisa, fui criada pela minha avó paterna, meus pais eram muitos jovens e cabeças ocas quando me colocaram no mundo. Nunca tive ligação forte com ela, nunca tive muita chance, era muita concorrência, cinco maridos até hoje, um filho com cada um deles, nenhuma responsabilidade. Minha mãe era com uma fêmea do mundo animal, cumpria sua missão de parideira e depois seguia a ordem natural das coisas, os filhos crescem e ela desaparece.

A loja em que eu trabalhava era bem movimentada, calçados, bolsas, artigos para presentes e outros mimos. Havia uma escada com doze degraus que levava até o depósito. Eu subia e descia nela umas cinquenta vezes por dia. Um trabalho fitness no final das contas, devo a ele minhas pernas definidas. Mas a pior parte com certeza era a concorrência. Éramos quatro, quando Letícia estava presente seguíamos uma fila de atendimento, quando não, era guerra. Havia vários tipos de clientes, tínhamos que analisar quais valiam a pena. Os que circulam do lado de fora olhando as vitrines com receio de entrar não serviam, a maioria não queria comprar nada, apenas “dar uma olhadinha’’ experimentar, ou até mesmo tirar fotos. A estratégia, caso eles entrem é sempre os seguir de forma inconveniente até que vão embora. Os clientes em potencial são aqueles que entram sem hesitar e olham de maneira específica para algum produto, ele está buscando algo e disposto a comprar mais. Entrou um desse tipo naquele momento, uma senhora com salto agulha e duas sacolas nas mãos acompanhada de duas crianças que deveriam ser seus netos. Não agi, não queria atender ninguém, só desejava que aquele dia passasse logo. Mas o movimento me obrigou a sair detrás do balcão onde eu me escondia para rolar o feed, dar alguns matches e jogar Free Fire.

A manhã então passa como um borrão, me sentia como naquelas cenas de filmes em que a pessoa fica parada enquanto tudo em volta se movimenta rapidamente. Entra cliente, sai cliente, sobe escada, desce escada. O barulho do caixa abrindo, do comprovante saindo da maquininha, os sorrisos forçados que deixam o maxilar dolorido no final do dia, a voz doce, as mentiras.

Uma sineta tocou. Hora do almoço. A cena continuou, marchei para fora e me juntei a centenas de pessoas que passeavam pelos corredores, subiam e desciam as escadas rolantes. Bonecos adestrados fazendo o que são programados para fazer. Cheguei na praça de alimentação e o zumbido ensurdecedor de vozes, sinetas, talheres no prato, crianças brincando me deixou zonza.

Me juntei à fila de um fast food, quando chegou minha vez observei a atendente. Podia ser um reflexo meu — olheiras profundas, olhos sem brilho, cabelos que deviam estar gordurosos cobertos por uma touca feia e furada. Sorriso automático e uma quantidade pouco natural de suspiros profundos. Será que ela me odiava como eu odiava meus clientes? será que estava me xingando mentalmente por demorar tanto a escolher? Me demorei mais que o necessário para decidir o recheio, fiz de propósito, para testá-la. Seu maxilar trincou e ela me lançou um olhar venenoso. Sorri para ela, queria dizer que a entendia, apertar sua mão… mas apenas segui meu pedido com eficiência para não atormentá-la mais.

Enquanto me empanturrava de calorias e sódio deixei meus olhos vagarem pelo recinto. A mente inventando um silêncio que não existia. Antes tinha a mania de criar histórias para estranhos, seus signos, na verdade era um costume que meu pai passara pra mim. Ele era fanático por astrologia, quando ele me levava junto pro trabalho, ainda menina, escrevia em seu caderninho essas histórias e me estimulava a fazer o mesmo. Nos dias bons dele era tudo perfeito, o fato de estarmos na rua, debaixo de sol ou chuva, enquanto ele tocava algum instrumento, cantava ou simplesmente lia um poema era só um detalhe aos olhos de uma criança. Tentei fazer aquilo, mas os personagens eram vagos, com exceção de um Papai Noel me encarando.

Quase engasguei com o pão com um susto. Ele estava na mesa à minha frente, que ficava muito próxima, literalmente me encarando, a mão apoiada no queixo e um sorrisinho que ficou maior diante do meu susto. Pelo menos parecia rir, escondido atrás da barba fajuta. O preenchimento da barriga pendia para um lado, absolutamente desalinhado. A estranheza da situação me deixou momentaneamente sem saber o que fazer. Passado o susto, olhei-o com cara feia e dei outra mordida no sanduíche, o molho escorreu pelo canto da minha boca, podia sentir seu olhar. Passados longos segundos encarei-o de novo, ele estava do meu jeito.

— O quê?

— Nada…

— Tem ideia do quão esquisito é a porra de um papai noel me olhando comer?

Ele jogou a cabeça para trás e gargalhou.

— Desculpa, eu só estava fazendo o mesmo que você.

— O mesmo que eu?

— É… observando as pessoas, dando-lhes algum significado.

Aquilo me surpreendeu.

— Quem disse que estou fazendo isso?

Ele deu de ombros.

— É só um palpite.

— Palpite errado.

— Na verdade estou aqui para entregar seu presente, Bruna.

Franzi a testa em descrença quando ele disse meu nome, então notei que eu esqueci de tirar o meu crachá de identificação.

— Boa jogada. — falei limpando minha boca e as mãos com os guardanapos. Me preparando para levantar.

— Clichês de natal.

Revirei os olhos e levantei, passei por ele que me acompanhava com os olhos a cada passo. Parei, dei um passo de volta até olhar bem em seus olhos, que tinham aquele tom bonito de castanho acinzentado.

— Quem sou eu? — perguntei, referindo-me a suas análises de estranhos.

Ele sorriu.

— Te conto durante um café. — desafiou.

Franzi a testa, olhei para o grande relógio de parede na praça, faltavam quinze minutos para o fim do meu almoço. De tudo que pudesse acontecer naquela véspera de natal, com certeza não me imaginei tomando café com um Papai Noel paquerador.

O cappuccino estava delicioso, pedi bordas extras de chocolate e acrescentei um pão de queijo muito perfumado. Ele pediu o mesmo. Analisei sua dificuldade de comer com aquela barba que começava a descolar em um dos lados.

— Porque não tira isso?

— E estragar a magia do natal?

— Ninguém acredita que você é o Papai Noel. — Nesse momento um menino se aproximou dele pra tirar uma foto.

— Não posso retirar no local de trabalho, está no contrato. — Explicou, mordendo com vontade um pão de queijo.

— Quanto ganha um papai noel?

— Não sei, não sou pago.

Ele riu da minha expressão.

— Digamos que é um… trabalho voluntário.

— Que merda, cara.

— Por que?

Minha vez de dar de ombros.

— Você odeia o Natal, odeia seu trabalho, acordou atrasada hoje depois de uma noitada… gosta de sanduíche com bastante barbecue, passa bastante tempo jogando free fire, mas é bem ruim no head shot.

Segurei meu queixo para que não caísse.

— Impressionante. — falei depois de um tempo.

Ele parecia segurar o riso.

— Ok. Estou trapaceando.

— Como?

— Digamos que eu tenha te visto hoje cedo, no estacionamento… tipo, meio desesperada para parecer apresentável.

Franzi o cenho.

— Um papai noel voyeur… pensei que não poderia piorar.

— Na verdade… fiquei olhando porque você estacionou na minha vaga.

A cena de filme surgiu novamente, só que agora voltando para trás até o momento em que eu estacionei em uma vaga preferencial. Olhei-o sem entender.

Ele deu batidinhas na perna esquerda.

— Ganhei essa belezinha no natal passado.

Uma prótese.

— Sinto muito — falei, tomando o último gole do meu cappuccino.

— Tudo bem, eu tenho outra…

— Me refiro a vaga, sei que é horrível quando isso acontece.

Foi a vez dele ficar surpreso.

— Você é cheia de surpresas, Bruna. — falou balançando a cabeça com um sorrisinho.

— Agora estou imaginando várias possibilidades para a perda da sua perna. É toda ela ou só abaixo do joelho? você tem joelho? Deve ser bem feio… consegue pegar mulher com isso? — tagarelei empolgada, sem me dar conta das asneiras que estava dizendo. O ônus e o bônus de ser uma Ariana.

— Bem, eu…estou tentando…— ele me deu uma piscadela, sem parecer ofendido.

Foi minha vez de rir, rir de verdade.

— O quê?

— Você — falei apontando pra ele como se fosse óbvio. — Vestido dessa forma, com esse papo, sem uma perna. Tipo…

— Tipo?

— Estou me perguntando o que a vida quer me dizer com isso.

— Hum… aproveite a oportunidade única, Senhorita.

— Devo sentar no seu colo e fazer um pedido?

— Tem uma fila enorme pra isso, mas …Você pode sentar no meu colo e pedir o que quise

— O que tem no seu saco? – Me referi ao enorme saco vermelho que ele toda hora ajeitava ao lado da sua cadeira.

— Agora você está sendo muito direta.

Eu ri novamente.

— Não vai rolar.

— O quê?

— Eu e você.

— Eu te mostro meu saco agora…

Eu estava impressionava com a facilidade que ele me fazia sorrir.

— Não tem a ver com o saco, ou sua perna… simplesmente não é assim que funciona. Eu escolho… e tem que ser em um momento de privacidade em que eu possa realmente pensar sobre isso.

Ele me olhou confuso.

— Aplicativos de namoro? — ele fez uma careta, ao menos pareceu atrás da barba.

— Basicamente, estabeleci um padrão de homens com quem me relaciono.

— E eu não me encaixo?

— Não… na verdade eu nem sei se você é atraente com tudo isso.

— Essa barriga não é minha, acredite — falou retirando um celular do bolso e mexendo concentrado.

— O que está fazendo?

— Baixando o Tinder — falou sem olhar pra mim, coçando a barba falsa com a outra mão. Tinha que admitir ele era muito bom.

— Já tem uma longa lista de espera… não é assim.

Ele parecia se divertir olhando as fotos. Estiquei o pescoço pra ver.

— Diminuindo a distância e… Voilá. Ele disse quando minha foto apareceu.

— Caramba, essa é você mesmo? — perguntou mostrando pra mim.

Me senti estranhamento envergonhada. Já ia falar algo quando meus olhos pararam no relógio.

— PUTA MERDA! — soltei um gritinho. Ele se assustou.

— Que foi? Levantei de um pulo, quase derrubando a cadeira.

— Estou atrasada! Merda! Merda! Merda! — falei enquanto juntava minha bolsa e saia correndo até a escada rolante. Olhei para trás enquanto descia. Ele sorria pra mim, apontando para o celular. Entendi a palavra match saindo dos seus lábios.

Quando cheguei na loja Letícia estava lá, com seu corte Chanel, vestido vermelho tubinho e uma cara fechada.

— Me desculpe…er… dor de barriga — menti.

— Precisa cuidar dessa indigestão, querida. Já é a sétima vez só essa semana.

— Eu… vou arrumar o depósito… — falei, entrando. Jéssica e as outras olhavam com curiosidade.

— Não precisa. — ela falou. Fechei os olhos.

— Letícia…

— Bruna, querida. Vamos ser francas, não está dando certo.

— Vai me mandar embora na véspera de natal? — questionei.

— Encare como um presente. Estou lhe libertando de algo que não consegue sozinha. Olhe pra você… — disse apontando para mim. — Minha querida, parece um zumbi. Não quero que meus clientes pensem que eu trato mal meus funcionários a ponto deles parecerem assim. Hoje é um dia especial, as pessoas que veem aqui querem alegria e não serem atendidas por uma pessoa com uma energia tão baixa como a sua. Recupere-se. Vá pra casa. Conversamos depois do feriado.

Fiquei ali parada sem saber o que dizer, lutando contra as lágrimas que pareciam querer aumentar minha humilhação. Letícia me deu um último sorriso lamentoso e entrou. Até mesmo Jéssica parecia constrangida com a situação. Logo a rotina dentro da loja voltou ao normal com a chegada de mais clientes.

— Não esqueça de devolver as peças…

As palavras me tiraram do torpor.

— O quê?

Jéssica estava na minha frente, com um olhar de pena.

— A sapatilha. Custa caro, você sabe. Lembra que a Marina foi embora e nunca devolveu?

Olhei debilmente para os meus pés calçados em uma sapatilha preta com uma fivela coberta de pedrarias. Me imaginei socando a cara dela, puxando-a pelos cabelos e jogando-a do parapeito. Quase pude sentir o prazer que seria fazer isso. Ela percebeu meu olhar assassino, deu dois passos para trás.

Descalcei as sapatilhas e saí.

Pra onde eu deveria ir agora? Me perguntei enquanto caminhava descalça a esmo pelos corredores infinitos do shopping. Parecia que tinha um ímã no meu pé que atraia os olhares das pessoas. Escutei uma movimentação maior no primeiro andar. Me encostei no parapeito e observei a decoração de natal lá embaixo. Uma enorme árvore em tons de vermelho e dourado, renas de plástico, trenó, criancinhas vestidas de duendes e claro, papai Noel no centro sentado em uma poltrona. Desci.

Tinha só duas crianças da fila. Passei por elas.

— Ei, você fodeu com meu natal — acusei. O menino sentado no colo dele achou engraçado. A mãe olhou pra mim horrorizada. Noel parecia perplexo. — Graças ao seu showzinho tentando me cantar lá em cima, perdi meu emprego e agora estou descalça. — Não sei por que estava desabafando tudo em cima dele, ele não tinha culpa, ao contrário, até me deu um bom momento de descontração, mas eu precisava desabafar de alguma forma.

— Escuta, moça, você precisa sair da fila — ele falou, completamente desconcertado. Só então percebi que não era ele. Dei meia volta com as bochechas quentes de vergonha. Aquele dia tinha como piorar?

Voltei para o segundo piso onde tinha o banheiro mais próximo. Molhei meu rosto retirando o restante da maquiagem da noite anterior. Pensei no que Letícia havia me dito, ela tinha razão. Meu Deus, ela tinha razão… o que eu estava fazendo? Enxuguei o rosto me sentindo mais limpa. Sai do banheiro e me encostei do guarda corpo. Ok, eu não tinha mais um emprego que odiava, não precisava mais conviver com pessoas venenosas que me sugavam… ou eu sugava elas? Tudo pode ser uma questão de perspectiva. Fechei os olhos, respirei fundo. Quando abri, tinha um Papai Noel me encarando do outro lado.

Ele acenou pra mim, sorrindo.

Ele ainda estava rindo do meu encontro com o papai noel lá embaixo. Ao que parece havia turnos e o dele era o da manhã.

— Se não vai mais trabalhar por que continua vestido dessa forma?

— Falou a garota andando descalça.

— Touché.

— O que vai fazer a noite? Tem ceia na família?

— Não comemoro o natal – me esquivei.

— Está livre então? — sorriu.

Olhei criticamente pra ele.

— Mostre seu rosto — desafiei.

Ele hesitou por um momento, olhou para os lados como quem está prestes a fazer alguma coisa que o envergonha. Então descolou a barba e retirou a touca. Droga, ele era gato. O rosto era bem masculino, tinha uma sombra de barba recém tirada deixando seu queixo maior, nariz pontudo, o cabelo escuro que precisava de um corte, mas lhe dava um ar mais jovial. Devia ter pouco mais de trinta anos. Ele retirou a barriga falsa também.

— E então? — quis saber.

— Eu te daria match no tinder — falei.

— Daria?

— É, só saio com desconhecidos. De preferência que não saibam muito da minha vida. Nem que tenham me visto no pior momento no quesito aparência. Acredite por trás dessa baranga aqui existe uma deusa.

Ele me olhou de forma contemplativa.

— Você me parece uma mulher muito forte, Bruna. Não acho que precise que te digam isso, mas, é uma bela mulher. Mesmo agora, no seu momento “baranga”.

Suas palavras me pegaram desprevenida. Cortei o contato visual e voltei a encarar a vista, o sol já estava se pondo.

— Caramba!

— Que foi?

— Eu não sei o seu nome. Não é Nicolau, né?

Ele sorriu.

— Rafael.

— Você não tem cara de Rafael. Deveria se chamar, João… ou, no pior dos casos, Enzo.

— Acho que não existia Enzo nos anos oitenta – ele respondeu, sorrindo. — Então, Cinderela, não vai recuperar suas sapatilhas de cristal?

— Hmm, não, não quero chegar mais perto daquele lugar.

— Talvez tenha sido um presente mesmo. Você está livre pra fazer o que quiser.

— Fala isso pro meu cartão de crédito.

— Tá a fim de um bico?

Olhei pra ele desconfiada.

— Sabe, de repente comecei a pensar que eu possa estar presa em um filme de final de ano clichê, onde um papai Noel surge para dar lições de vida e me ajudar a melhorar como pessoa.

Ele riu.

— É possível.

— Mas nos filmes, ele não quer transar com a mocinha.

— Quem disse que eu quero?

— Não quer? — desafiei. Ele me olhou de cima a baixo demoradamente.

— É… não vou dizer que não. Mas já entendi que não vai rolar. E respondendo diretamente aquela sua pergunta. Perneta não é realmente um atrativo para as mulheres.

— É, imagino que não.

Ficamos em silêncio um minuto.

— Vai me contar como perdeu a sua perna? Estou cheia de teorias.

Ele não respondeu de imediato.

— Te conto durante um passeio.

Rafael parecia preocupado, sua cara estava muito engraçada enquanto me assistia buzinar e xingar os carros à frente. Olhando de esguio para ele não entendia como aceitei sair com um estranho para um destino incerto. Devia estar tendo algum tipo de surto, onde a lógica e o bom senso foram temporariamente desligados.

— Pulou da janela de uma mulher casada?

— Não.

— Tropeçou e caiu em um bueiro?

— Não.

Suspirei, minhas teorias estavam acabando. Olhei satisfeita para os meus pés calçados em um chinelo que por sorte havia deixado no carro.

— Você atropelou mesmo seu ex marido?

— Namorado. E não, eu tentei, mas fui muito ruim de mira, ele… caiu em um bueiro aberto fugindo de mim.

— Eu posso rir disso? Estou tentando me segurar…

Comprimi os lábios, tentando não sorrir também.

— Tem um vídeo… da cena. Às vezes eu assisto quando me sinto um pouco depressiva.

— E nunca mais o viu desde então?

— Não. No fim, fizemos um acordo. Por isso estou circulando pelas ruas com essa lata velha amassada. Eu poderia estar agora vivendo uma história fascinante em um presídio feminino, tipo Orange. Mas, no fim, fiquei livre e ele ficou com tudo que construímos durante dois anos. Mais o Dodi.

— O Cachorro.

— Sim.

— Pra onde estamos indo mesmo?

Ele olhou para o relógio e suspirou. Já passava das sete da noite.

— Segundo turno.

Era realmente um clichê. Estava eu de chinelos, acompanhando Rafael que entregava marmitas para pessoas carentes nas ruas e em abrigos. Havia várias pessoas envolvidas, as que faziam as comidas, as que separavam os cobertores. As que embalavam os presentes. Tinha bastante coisa. Minha cara entregava minha insatisfação em estar ali.

— Você está assustando as criancinhas com essa cara — ele comentou depois de um tempo, estávamos voltando de um abrigo. Caminhando em silêncio pelas ruas movimentadas, a lua cheia no céu estrelado, tinha que admitir, quase valia a pena o programa de índio. Durante todo o caminho pensei minhas atitudes, o motivo de estar ali com um estranho fazendo coisas que me traziam péssimas lembranças. Pensei que talvez eu fosse uma pessoa carente, tanto quanto aquelas que observava, humildes recebendo ajuda. Carente de tudo. Olhei pra Rafael, apesar de não o conhecer, alguns traços de sua personalidade ou expressões faciais já me eram familiares naquele momento. Ele tinha, porém, uma sombra desconhecida nos olhos, nem de longe parecia o cara extrovertido e animado de mais cedo.

— Desculpa — ele falou quando eu não respondi. — Não sei que ideia foi essa de te trazer aqui… eu… talvez esteja desesperado por companhia e me identifiquei com você.

— Nunca leve uma garota para distribuir marmitas em um primeiro encontro. — Antes que ele fizesse comentário emendei — O que não é o caso. Não vai rolar.

Ele sorriu.

— E boa dica. O silêncio preencheu o ambiente novamente. Continuamos andando.

— Esse lugar é familiar pra mim. Não este, especificamente, mas… essas pessoas, esse frio, esse escuro. Eu vi a vida inteira meu pai caminhando por esses cantos, às vezes são, às vezes não…

E então sem hesitar comecei a contar-lhe tudo, toda a minha vida de trás pra frente. Meu pai, um artista decadente, entregue aos vícios e ao amor a sua arte. Seu amor doentio pela minha mãe, que nunca o correspondeu.

No corpo do poema, as mãos dedilhavam a maciez das palavras pueris, elas não sabiam o poder que tinham, e por não saber, falavam em sussurros tímidos e incompreensíveis. E aquilo que queria ser dito com tais carícias volviam-se em toques que o corpo repelia por não entender suas intenções, sendo regado pelo dilúvio que vertiam dos olhos do poeta mudo.”

Declamei um poema dele.

— Esse poema estava escrito em um papel encardido e amassado quando o encontraram morto. Jogando em um beco qualquer, debaixo de chuva, sabe-se lá por quanto tempo — falei. Rafael me olhava atentamente, gostei do que vi em seus olhos, não era desconforto, pena… curiosidade, era simples entendimento e reconhecimento. — Sabe… eu lembro de rezar pra que ele morresse logo — continuei —, mas ele não morria, definhava e destruía todas as lembranças boas que tivemos… e eu o odiava por isso. Ainda odeio… e acho que isso nunca vai passar.

Uma lágrima solitária escapou dos meus olhos, tão rápido quanto veio limpei, me sentindo constrangida pela fraqueza.

— Foi um acidente — ele disse, agradeci pela mudança de assunto.

—Isso me parece óbvio. — Revirei os olhos — foi atropelado?

— Hmm, não… eu estava dirigindo.

Ele virou-se e continuou a andar, íamos agora de volta para o centro onde estava a organização. Corri para acompanhá-lo. O caminho era mais solitário, um ou outro carro passava. Ali perto havia uma pracinha mais movimentada. Rafael escolheu um banco e sentamos. Havia uma decoração de natal simples, típica de um bairro carente. Algumas luzes, apenas, mas parecia agradar as crianças que ali brincavam. Algumas vieram até Rafael para tirar fotos, mesmo que ele não tivesse mais de barba e não parecesse nem um pouco um bom velhinho.

— Era noite, eu havia bebido, alta velocidade…

— Mais alguém se feriu? — perguntei, mas já sabia a resposta. Ele levantou a perna da calça revelando uma tornozeleira eletrônica.

— Puta merda ! — foi o que consegui dizer.

— Não lembro daquela noite, é um grande borrão… às vezes agradeço por isso, às vezes sinto que vou enlouquecer.

— Não é um trabalho voluntário, sou eu prestando serviços comunitários por ter tirado a vida de uma pessoa. Por causa da perda da perna, estou em prisão domiciliar. Fiquei uns meses no hospital… Essa semana eu consegui sair de casa, “livre”. Estou sendo supervisionado o tempo todo, claro, mas… é bom… hoje foi a primeira vez que conversei com uma pessoa normalmente… eu tinha me esquecido de como era.

— E o celular?

Ele franziu o cenho para a minha pergunta aleatória. Deu de ombros.

— Não me tomaram ainda.

— Entendi.

O silêncio voltou, podia ver o quanto ele estava desconfortável, o quando sua vida deve ter dado um giro enorme. O quanto a vida é… eu não sabia o que a vida era, a revelação dele não o transformou em um monstro. Apenas em um ser humano fodido como tantos outros. Aprendi que a vida simplesmente acontece e mesmo que não queria, você tem que seguir em frente.

— Não vai perguntar os detalhes? — questionou, tentando soar natural.

— Eles colocaram mesmo uma tornozeleira eletrônica na perna com a prótese?

Primeiro ele se assustou com a pergunta, depois suas feições foram de incredulidade, então ele riu, daquele mesmo jeito no shopping, de forma leve. E então nós dois rimos juntos.

— Você pode tipo… colocar sua perna pra dormir e ir pra balada.

— Já pensei em fazer isso… mas, na hora não pensei em lugar nenhum pra ir.

— Como eles não notaram isso?

— Na época, a pessoa não sabia… não sei.

— Isso é bizarro.

— Você também é.

— Eu sei…

Ele olhou para o relógio e sorriu para mim. Logo o barulho de fogos podia ser ouvido ao longe, e então mais próximo. Olhamos para o céu iluminado pelas luzes.

— Feliz Natal, Bruna — ele falou.

Olhei criticamente pra ele, mas logo me rendi a empolgação do ambiente.

— O mais maluco de todos.

Voltamos para a concentração, onde uma mulher vestida de farda aguardava Rafael. Tinha uma carranca. Ele tinha que voltar pra casa. Era estranho olhar pra ele agora, não sabia exatamente o motivo. Nossas vidas se cruzaram em uma manhã de véspera de natal e provavelmente nunca mais nos veríamos. Talvez fosse a tal magia de natal, afinal.

— Então é isso — ele disse, depois de trocar de roupa. Vê-lo sem a roupa do papai Noel era no mínimo esquisito. — Espero que as coisas melhorem pra você.

— Te desejo o mesmo. Foi legal, apesar de tudo… você me fez perder o emprego, me convenceu a passar a noite de natal distribuindo marmitas e revivendo memórias ruins, além de contar histórias tristes.

— Uau.

Eu sorri.

— Vou encarar como um sinal da vida.

— Aproveite as oportunidades.

— Isso.

Estendi a mão pra ele. Apertamos e fui embora. O carro demorou a ligar como sempre. Ao fundo escutei sua voz de Rafel gritando pra eu apenas encostá-lo perto do lixão e ir a pé. Pensei seriamente em fazer isso.

Só voltei àquele shopping um mês depois. O ano era novo e minhas perspectivas também. Parei em frente à loja e não acreditei que passei dois anos da minha vida ali. Tinha uma menina nova no meu lugar. Parecia simpática, cheia de energia, feliz com a oportunidade. Não entrei, fiquei ali olhando as vitrines pelo lado de fora por um tempo e saí.

Eu não tinha um novo emprego ainda, nem sabia se iria ter logo, talvez precisasse expandir meus horizontes. Ou pelo menos até as parcelas do seguro acabarem.

Fui até a praça de alimentação e fiz o ritual de sempre. Mexi no celular, rolei o feed, reinstalei o Tinder, fazia tempo que não me encontrava com ninguém. Olhei friamente o catálogo, analisando as opções, deslizando o dedo desenfreadamente para a esquerda até que parei em um. Meu coração deu uma acelerada, uma sensação estranha, como se as lembranças se confundissem com sonhos. Na tela do celular estava a foto de um homem vestido de Papai Noel, um sorriso bonito em uma cara engraçada. Sorri, hesitei.

Então deslizei a foto pra direita.

14 comentários em “Então é Natal! (Amanda Gomez)

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  1. Ei, Atrasada! O que dizer desse seu conto? Enorme, mas deslizou com tanto prazer que não queria que acabasse. Dois personagens absolutamente cativantes; situações tão contemporâneas, tão melancólicas e tão críveis. Ao longo de toda a trama, pequenas surpresas que renovam o interesse do leitor. E como você terminou bem: um anti-clímax e em seguida um final feliz e calmo, como a espécie de maturidade que a protagonista parece ter atingido. Nota mil pra você, querida Contista!
    Feliz Natal e muita inspiração pra você! Beijos!

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  2. O conto que parecia uma versão de uma comédia romântica de sessão da tarde termina de forma surpreendente, fugindo do happy end cheio de clichês. Boa escolha!
    Apesar de longo, o seu texto é muito gostoso de ler, pela leveza da linguagem e o toque de humor.
    Os personagens encantam pela familiaridade que nos despertam. A vida (moderna) como ela é, mas que se revela interessante nos pequenos detalhes. Um Natal que traga novas possibilidades para a protagonista e para todas nós. Beijos.

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  3. Olá, moça!

    Conto divertido. Ri muitas vezes. Como a Elisa falou os seus personagens são cativantes. O cara era cheio de charme. Achei uma pena os dois não ficarem juntos. Seu conto é muito gostoso e interessante. A dica que eu daria se vc pedisse, era tentar dar uma enxugada. Porque eu ia lendo e não via fim. Mas isso não quer dizer que ele não estava interessante e não tinha fluidez, apenas que, a despeito de suas ótimas qualidades, ficou mais comprido do que o necessário.

    Feliz natal para vc e continue nos deliciando com este jeito tão divertido de escrever. Beijos .

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  4. Olá, querida Contista!

    Gostei muito da tua história “fora da caixa”, é um conto com ar de crônica. Ele se distancia bem dos esperados enredos de generosidade, esperança e doação que lemos no fim do ano.
    Gostei muito da trama, com a Bruna se dando mal, tendo uma vida fodida – porque tá cheio de gente tendo vida fodida. Para esses, é muito difícil reconhecer, pelo simples fato de ser Natal, que a vida pode ser melhor.
    Aos poucos, como se a conta-gotas, a Bruna percebe que o encontro inesperado pode trazer esperança, mas uma esperança real, pé no chão, pelo menos para tirá-la do fundo do poço. Bruna é real, Bruna tem uma vida real.
    Adorei essa experiência. Obrigada por isso.

    Um Feliz natal e um 2020 maravilhoso pra ti!

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  5. Protagonista ariana e estressada… sou eu? Gostei muito da contemporaneidade de sua trama. O cotidiano da maioria das pessoas é assim mesmo. As reviravoltas e o final surpreendem de forma positiva e dão fluidez ao texto.

    Parabéns pela capacidade de comunicar uma vivência, com tamanha verossimilhança e sensibilidade. Feliz Natal para você e seus familiares, com muita paz de espírito, tranquilidade e amor. Beijos.

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  6. Querida Contista,

    Tudo bem?

    Um conto longo, quase uma novela. Uma história contemporânea e cotidiana, mas com um pano de fundo cheio daquilo que há de mais bonito em um conto de Natal, a transformação da personagem principal, através de um elemento “estranho” que invade sua vida de uma forma, a princípio, aborrecida, mas que depois se mostra plena de significados.

    Um conto sabrinesco de Natal? rsrs Sua história caberia perfeitamente em um roteiro para filmes do tipo comédia romântica. E, ouso dizer, seria um sucesso. O “atraso” valeu! Rendeu um belo trabalho.

    Parabéns!

    Desejo-lhe um Natal cheio de luz e amor em família.

    Beijos
    Paula Giannini

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  7. Que show!!! Encerrou com chave de ouro o Natal das Letícias!!!
    Adoro diálogos e por eles, nao senti q o conto fosse grande.. ele é? acho que não.
    Até queria mais!!
    Muito bom,muito inusitado,muito fluente. Dois personagens inteligentes que dão gosto de serem conhecidos pelo leitor.
    Muitos parabéns, contista!

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  8. Que conto ótimo, divertido e ao mesmo tempo encantador e melancólico. A personagem é a mais comum dos nossos dias, vai sobrevivendo e não vivendo. Se fosse um livro, eu leria-o o dia todo, apesar de não ler muitos romances, mas a escrita e os personagens me cativaram. Abraços ❤

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  9. Olá, querida amiga Contista!
    Que contaço!! No tamanho e na qualidade! 😁
    Amei! Queria ler um romance inteirinho com esses personagens tão reais, intensos e fodidos… Kkkkk muito bem escrito, fluído, interessantíssimo e gostoso demais de ler. Parabéns e boa sorte! Feliz natal! Bjoooo

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  10. Olá, contista. É o primeiro conto deste desafio que leio e eis-me agradavelmente surpreendida por uma história inesperada, leve, contemporânea e bem-humorada. Que agradável!
    Gostei desta protagonista que apesar do tanto de infortúnio e solidão que se lhe adivinha, se deixa surpreender a aproveita a vida. Achei o início muito longo para um conto, assentaria melhor numa história maior, mas depois ganhou velocidade e ritmo e acabou muito bem. Parabéns!

    Um Natal feliz e que o Ano Novo lhe dê tudo o que mais desejar. Beijos.

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  11. Boa tarde, Contista!
    Então, gostei bastante do seu conto. Vc conseguiu me entreter de uma forma boa que esqueci que estava lendo algo fictício e passei a escutar a sua voz. Seu texto é gostoso de ler. O flerte, a tensão, as descrições, o tédio… Achei bem dosado. O universo da personagem também é bem construído de forma a criar elo e me fazer torcer por ela. Foi muito bom como vc inseriu alguns clichês dos anos 80 com coisas atuais. No fim, me peguei desejando que o papai Noel e a Bruna ficassem juntos.
    Bem… Parabéns e boa sorte!
    Feliz Natal!

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  12. Olá, amiga Contista!
    Gostei muito da sua narrativa. É bem real, tão verossímel que eu me identifiquei muitas vezes com a personagem….lembrei dos meus extras de Natal e os sacrifícios que rolavam, inclusive até alguns Rafas rsss
    Extremamente umano. Torci para que os personagens terminassem juntos ❤
    Feliz Natal e muito sucesso em 2020!!
    Bjokas!!

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  13. Parabéns, Contista! Adorei esse relato sobre essas duas vidas, são duas personagens que eu leria um livro, um romance sobre eles, com certeza, pois há muitas “nuances” sobre eles. Queria demais que eles ficassem juntos e a história tem um pouco o clima de uma série chamada “Pose”, na Netflix, que minha filha Maísa começou a ver e eu embarquei junto, e amei, muito por conta das personagens, muito carismáticas. O enredo da série não tem muito a ver com o do seu conto, claro, mas tem personagens tão carismáticas quanto. E bem ferradas também, em muitos aspectos, rs.

    É isso, obrigada e mais uma vez parabéns! Feliz Natal e um Ano Novo cheio de paz, saúde, amor e inspiração para mais histórias e personagens ímpares. ❤

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