Uma Amizade Incomum (Marília)

A cena que agora você lê começou quando Vovó estava no trem, a caminho da farmácia. No vai e vem de pessoas, sentaram-se ao seu lado uma menina de uns 5 anos e seu irmão mais velho. Estavam acompanhadas por mãe e uma bexiga que a pequena fazia questão de chamar de Amiga.

Simpática, a Menina se apresentou para Vovó, que sorriu e escutou os relatos de amizade entre uma humana e seu pedaço de plástico oxigenado por vida. Eis que, segurando a bexiga entre os dedos com toda calma e precisão, a doçura em forma de menina resolve deixar a amiga voadora se aventurar além dos limites contidos no vagão, colocando tão querida companheira vidro afora, como se assim pudesse gostar mais.

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8 comentários em “Uma Amizade Incomum (Marília)

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  1. Que graça, que coisa mais arejada e doce essa sua prosa. A situação que você narra e a linguagem perfeitamente integradas para nos proporcionar, leitores, um suspiro de alegria e um sorriso. Parabéns, querida, pelo texto lindo e sensível. Beijos.

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    1. Obrigada pela gentileza de ler e comentar, Elisa! Fico feliz pelas palavras! Essa cena foi bastante marcante quando me contaram, ache então que seria bom deixar com palavras.

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  2. Quando chega a hora de escrever prosa, a poeta não se ausenta e o bom resultado disso é uma beleza de texto em que se une a ficção poética e a realidade. Assim o cotidiano, o corriqueiro repleto de meiguice, o jogo infantil de aprendizagem de existência se traduzem em sentido mágico.

    Gosto muito de personagens sem nome: a menina, seu irmão, a avó, a amiga: parece-me que assim é retratada a essência de ser pelas suas características primordias, não-individualizadas.

    A densidade humana nesta narrativa vem retratada de maneira cativante. Parabéns, Marília! Beijos.

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  3. Querida Marília,

    Não sei se isto é conciente, mas, como leitora que aos poucos conhece seu trabalho, é interessante notar como seu trabalho orbita em temas que versam sobre a perda de algo, coisas que, metaforicamente remetem a sentimentos de ternura. Uma vitrola, um balão…

    Parabéns pelo conto.

    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Querida Paula, gostei da observação! No momento, foi a arte da coincidência, mas devo dizer que relatar a perda com poesia é algo que gosto, tentar ver com outros pontos de vista. Obrigada por sempre comentar nos textos! ❤

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