Em voo – Paula Giannini

Enquanto em queda
Livre
Não ela
Mas o buraco que se lhe abre em boca
 
A dor é tamanha
É tanta
Que não ousa gritar que é quase
O instante que já
 
No baque de dentes prontos
Momento derradeiro
O fundo do asfalto
O poço seco por que tanto anseia

Meu desafio: Escrever poesia.

Photo by Marcelo Moreira from Pexels

10 comentários em “Em voo – Paula Giannini

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  1. Poesia é tudo aquilo que comove, que sensibiliza e desperta sentimentos.Os poemas são também poesias, mas usam a palavra como matéria prima.

    Acredito que você venceu seu desafio: texto estruturado em versos e estrofes, traz, como chave ora a organização sintática, ora a cobertura figurativa e ora o plano sonoro. A exploração desses recursos cria vários efeitos de sentido e acrescenta siginificados ao poema: a/o equilibrista seria alguém tentando sobreviver no dia-a-dia ou, em especial, neste momento de pandemia; ou, nada disto, é um suicida?

    O encadeamento ágil dos versos que se vão completando nos versos seguintes ( com um enjambement entre a segunda e terceira estrofes) e a presença de pausas mais cortantes à medida que o poema se aproxima do final, simula, com sensibilidade, a queda para o buraco que parece esperar o corpo (uma cova?). Outro ponto interessante é a ausência de pontuação que sugere a ideia de “queda livre” apresentada no texto.

    Bem comentário já maior que o poema. Parabéns pelo trabalho. Beijos.

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  2. São doze versos divididos em três estrofes. Três saltos no escuro, no breu da expectativa dos que virá.
    Não sei se foi proposital, mas senti uma lacuna, algo faltando no último verso da segunda estrofe:
    “Que não ousa gritar que é quase
    O instante que já”
    Depois do “já” ficou o vazio. Foi intenção do eu lírico? Deixar o eco do vácuo? O calar súbito de um suicida? O instante que já (se foi)? O instante que (jaz)?
    Uma queda que não é livre, mas que vai ao encontro de uma liberdade, o fundo do poço que se revela fatal, cruel, áspera realidade do asfalto. Para fujir da dor, ou sem pensar em mais nada, a queda (não) livre acontece. Chegou ao fim do poço, do desespero, da dor que a(o) empurrou ao abismo mais raso do mundo (a realidade). Versos que se traduzem em imagens que grudam na mente do leitor. Escolha apurada das palavras para construir o cenário denso de um momento trágico.
    Seu desafio: Escrever poesia. Desafio cumprido com sucesso. Parabéns!

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  3. Olá! Estou retornando após um longo período de enfermidade e luto, então estou meio enferrujada em leituras e comentários. Aviso que não estou participando do desafio, não me achei pronta o bastante para isso, e também confesso que a área da poesia é terreno que ainda palmilho sem experiência. Seria um bom desafio também para mim. Dito isso, arrisco-me a interpretar o poema, entendo que o eu-lírico atinge o seu alvo final, ele toca o asfalto com o baque de seu dente trincado, num suicídio para acabar com a dor. Assim como entendo que a dúvida da Cláudia se trata do instante que o eu-lírico já se foi, deixou de viver.
    Achei os versos bem desenvolvidos, a partição da frase entre um verso e outro é um recurso muito bom, agrega uma qualidade extra ao poema. Curtos, mas tão densos de sentimentos. Gostei demais do poema pungente, quase dá para sentir a dor do eu-lírico. Acho que vc, cara contista, fez um ótimo trabalho. Parabéns.

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  4. Bom, eu não sou entendida em poesia, apenas leio e gosto. Mas não sei fazer uma análise objetiva, em termos literários. Mas, no que diz respeito ao que sinto ao ler suas palavras é que pude sentir a angústia da personagem, o frio nos pés quando o abismo se abre, o buraco escuro e sem fim garganta a dentro. Gostei muito. Se esse era o seu desafio, só tenho a dizer: Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

  5. Olá, Equilibrista!
    Eu não entendo de poesia, até arrisco umas aí, mas não entendo e tenho que te confessar que não entendi a sua…
    Li, reli, li do começo para o final (que ficou boa inclusive) mas não cheguei a um entendimento racional, embora tenha captado o sentimento de desespero, desesperança, espera pelo fim, um acabar com um grande sofrimento, talvez um suicídio….
    Então, eu prefiro as poesias que eu consigo entender e sentir e não só sentir, mas não desgostei da sua, e para sua primeira eu achei que está bem estilo de poeta consagrado. Parabéns!
    Desculpe não poder te ajudar muito.
    Até mais!
    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

  6. Olá, equilibrista. Legal ter se arriscado na poesia neste desafio. Devo dizer que se esta foi a sua primeira, está muito bom, parabéns. Os poemas nos dão a chance, como escritores, de extrapolarmos, sermos criativos ao extremo, já que as variações em forma, linguagem e estilo são aceitos e até esperados pelos leitores. Ns minha opinião de leitora, quando lemos um poema, nos tornamos mais receptivos, menos críticos, com a mente mais aberta a inovações. O seu poema é bastante abstrato, não deixa muito claro o que está se passando, o que não é um erro, mas dificulta o entendimento. Atentei-me ao título e pseudônimo para pegar alguma dica e acho que ele trata, de modo figurado, de uma queda, uma sensação de chegar a um lugar indesejado e machucar-se. Apesar de certa confusão em entender exatamente o que acontece, consegiu me capturar na forma como mostra a dor, o sentimento, o desespero. Gostei da forma como separou alguns versos, por exemplo, quando coloca a palavra livre sozinha. Não gostei muito do final da segunda estrofe… parece que faltou algo. Parabéns pelo poema, pela coragem e continue escrevendo poesias.

    Curtido por 1 pessoa

  7. Olá querida contista. Sim, você atingiu seu objetivo de escrever poesia. Formalmente, seu texto está estruturado em três estrofes de quatro versos. Em cada estrofe um momento da queda da personagem. Além da queda, nas estrofes também uma espécie de gradação do silêncio da personagem. Na primeira, ela abre a boca; na segunda, ela não ousa gritar; na terceira, a falta de voz dá lugar ao baque dos dentes. Isso ficou muito bom. Embora sem rimas ou métricas, há ritmo no seu poema e algumas aliterações de ótimo efeito. Destaco a oclusiva no verso 4 e as fricativas nos versos 111 e 12. Para mim, a chave do entendimento do poema está na escolha do poeta em deixar a palavra – Livre – destacada no segundo verso. Cada palavra e cada lacuna deve ser exata e precisa em um poema. Nesse quesito seu poema, ao menos para mim, entregou poesia de qualidade. Parabéns.

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  8. Olá querida Contista,

    Já disse aqui e repito: poesia é muito mais sensação do que propriamente seguir técnicas, como rimas e métricas.
    Até porque eu não sei explicar essas coisas lindas que a Elisa sabe! hehehehe
    A sensação que o título sugere está presente no poema e é provocada ao leitor.
    Funcionou? Sim. É uma linda poesia.
    E diria mais: poesia cuidadosa, sensível e bem construída. Não há palavra sobrando.
    Parabéns!

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  9. Não entendo nada de poesia, mas senti uma grande angústia lendo estes versos. Achei interessante o pseudônimo, afinal, somos todos equilibristas lutando para não cair dessa corda bamba chamada vida. Parabéns pelos belos e tristes versos.
    Abraços ❤

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