– Liana e o Peixe – Iolandinha Pinheiro

Capítulo 1 – Casamento

Manhã sem chuva, igreja enfeitada, todos olhando para a porta enquanto o sacerdote sentenciava:

– Se alguém sabe de algo que possa impedir este casamento, diga agora ou se cale para sempre!

Liana olhou para trás e depois para o peixe vestido de fraque, sorrindo ao lado dela. O noivo pingava no tapete vermelho, enquanto uma aliança agigantada circulava a ponta mais fina da barbatana lateral. O pior mesmo era aquele cheiro enfezado de maresia com alga no sol que exalava das escamas brilhantes.

Ninguém apareceu para reclamar. Sorriu de volta para o futuro marido com carinho. As guelras saindo pela gola do fraque, vibravam de emoção. Ou talvez ele estivesse asfixiando.

Do púlpito, uma alpaca oficiava o ritual. Padre Manoel fazia o sermão com a boquinha miúda e cuspideira. Era até fofo com aquele pelo lanoso, como um carneirinho que crescera demais.

Para uma pessoa comum, todo aquele cenário de casamento seria uma coisa surreal, para Liana, no entanto, era a sua rotina desde os oito anos.

Capítulo 2 – Início

Nem sempre Liana havia vivido entre bichos. Tivera uma infância comum de qualquer criança, pelo menos era isso que o pai contava quando conversavam, mas o destino a havia preparado para coisas maiores e extraordinárias.

Liana recordava o dia em que os bichos entraram em sua vida e como esta mudança se operou. Foi depois de um longo período em que esteve inconsciente no hospital. Quando finalmente acordou, estava sem memória, deitada e imóvel em uma cama de ferro, com tubos que lhe entravam pelo nariz. Ao lado dela, sentado em uma poltrona de acompanhante, alguém se alegrava ao vê-la abrir os olhos.

Por causa da amnésia não lembrava como era o rosto do seu pai, mas no lugar de um homem adulto de quem deveria se recordar, o que ela viu foi um coelho gigante, peludo e branquinho lhe dando bom dia.

Tomou um susto enorme e começou a gritar. Logo o quarto estava tomado por enfermeiros e médicos com aquelas caras de animais variados, que falavam ao mesmo tempo e pediam ao coelho que saísse.

Demorou até que se acalmasse. Naquela semana começou a conversar com a “tia” Paula, uma doutora com cara de gato amarelo, que tinha a voz doce e fazia muitas perguntas. Aos poucos e com muito jeito, ela foi explicando para Liana que não precisava ficar com medo, que aquilo seria temporário, e que assim como a sua memória, a aparência real das pessoas também voltaria.

– Tenha paciência. Você aceita receber visitas do seu pai? Ele está com muita saudade.

No dia seguinte, ainda pela manhã, ele apareceu. Entrou e se sentou na beirada da cama. Então virou para a menina, sorriu com seus doces olhos vermelhos e tocou a sua mão com a patinha felpuda. Ficaram assim por um tempo enquanto o silêncio falava por eles.

– Estava com saudades do papai? – Perguntou com uma voz grave e carinhosa.

Liana queria falar que ele era um estranho para ela, nem mesmo a sua voz conseguia reconhecer, e aquela aparência exótica de coelho só piorava as coisas. Mas não disse nada.

Depois de uns minutos, o coelho se inclinou e deu um beijo em sua bochecha, fazendo cócegas com os bigodes finos. Antes que ele atravessasse a porta ela falou:

– Até logo, Senhor Coelho.

O tempo passou, saiu do hospital e foi para uma casa que nunca havia visto. Aos poucos foi se acostumando com tudo. Outros bichos foram entrando em sua vida. O processo era suave, e algumas vezes até divertido como quando descobriu que sua vizinha era uma agitada macaca vestida de vermelho.

Moravam ela e o coelho numa casa com cheiro de nova. Perguntava pelos parentes, pela mãe. O pai ficava calado, olhando a parede da sala. Um dia, respondeu.

– Não sei onde está sua mãe. Nem eu nem ela tínhamos irmãos, e seus avós já morreram. Aluguei esta casa para esquecer a tristeza.

Descobriu pelo pai que os dois haviam sobrevivido a um incêndio, e por isso a mudança para uma casa nova, numa cidade maior onde ela pudesse ser tratada em um hospital com mais recursos.

– Você inalou muita fumaça, um móvel caiu sobre o seu corpo e bateu na sua cabeça, por isso não lembra de nada. – Ele dizia.

Capítulo 3 – Os Desenhos

Acostumou-se a viver como se estivesse em uma selva urbana. Embora, a longo prazo, aquilo a deixasse infeliz. Os bichos falavam e agiam como seres humanos, porque de fato eram, menos para ela. Foi o que a psicóloga explicou. Frequentava a Dra. Paula semanalmente, as duas tentavam descobrir o motivo deste novo mecanismo cerebral.

– Como está se sentindo?
– Bem…

Dra. Paula tirou um bloco de papel da prateleira, e lápis coloridos em um copo de metal.

– Gosta de desenhar?

Sem falar nada a menina pegou o material e começou a desenhar uma sombra. Depois de terminar o tronco, os braços e a cabeça, fez uma cercadura retangular em torno do vulto negro. Então entregou para a psicóloga.

– O que é isso? – Mostrou a mulher indicando o contorno desenhado.
– A janela.
– De onde?
– Do meu quarto.
– Na sua casa?
– Quando durmo.
– Seu sonho?
-Sim.

– Você quer um presente?
– Quero.
– Olha isso. – Falou Dra. Paula entregando um embrulho com um bloco igual ao que ela havia desenhado, e um conjunto de lápis de cor.
– Para mim? Posso levar?
– Sim, mas tem que me prometer uma coisa. Quero que desenhe os seus sonhos ou lembranças e traga para mim, ok?

Durante toda uma semana Liana desenhou vacas, ursos, bonecas, sacolas, cadeiras, portas, mas nenhuma janela e nenhuma sombra. Tia Paula ficou feliz, propôs mais atividades artísticas e a menina foi se soltando. Até começou a brincar com as outras crianças, mas continuava a enxergar as pessoas como animais.

O pai de Liana ficava pensativo. Sentia pena da menina, mas já andava insatisfeito com o tratamento que parecia nunca sair do canto. Um dia foi chamado ao consultório. Dra. Paula o atendeu com entusiasmo, tinha um plano.

– Talvez fosse uma boa ideia voltar para a cidade de vocês. Buscar referências. Fisicamente a sua filha não tem nada. Tenho certeza que a cura desta condição está em resolver os traumas do passado.

O homem foi contra. Achou um desperdício, um erro. Falou que ia avivar as lembranças ruins e não ia fazer a filha melhorar. Na semana seguinte Liana não foi. Também faltou às outras. As sessões acabaram, mas os desenhos não.

Na escola os desenhos de Liana chamavam a atenção das outras crianças. Os traços eram precisos, havia um sombreamento eficiente, e quanto mais ela desenhava, mais realistas eles iam ficando. Fora isso era uma menina esquisita. Não gostava muito de se misturar com os coleguinhas, principalmente quando o assunto era namoro.

Muito cedo se tornara vegetariana pois não suportava ver animais sendo comidos por outros animais. Depois convenceu o pai a seguir sua dieta também.

Mesmo com todos tentando ajudar, a sua vida se tornara algo angustiante. Há anos não via outro rosto além do seu, e não conseguia lembrar dos rostos antes do acidente. Muitas vezes tinha problemas para distinguir os amigos entre outros animais da mesma espécie, se sentia profundamente só.

Os desenhos a levaram adiante, terminou arquitetura e seu desempenho abriu as portas para novos empreendimentos. Por esta época o pai havia adquirido um câncer na garganta, o que modificava a sua voz. Os efeitos da doença eram terríveis, mas a fala fraca e entrecortada do pai era o que mais a entristecia. A voz o diferenciava de todos os outros coelhos do mundo, aquela voz única que a embalara tantas noites enquanto ela chorava de frustração.

Capítulo 4 – O Peixe

Recebeu um convite para trabalhar em um escritório mas adiou até  a partida do pai. Foi o dia mais triste de sua vida. Agora estava realmente sozinha no mundo. Não havia conseguido se conectar a ninguém, e conhecer novas pessoas seria a chance de fazer amizades.

O povo do trabalho era muito simpático, eram três arquitetos contando com ela, uma administradora e um engenheiro: dois cachorros, uma coala que era a chefe, e um peixe. Trabalhavam com paisagismo em shoppings e praças. Nas sextas iam sempre ao mesmo bar que haviam descoberto durante um projeto num centro comercial próximo. Liana era convidada, mas recusava com delicadeza. Já havia percebido o interesse do peixe e não estava em seus planos se envolver emocionalmente com quem quer que fosse.

Naquela sexta-feira, ao descer para o estacionamento, descobriu, com desgosto, que o motor do carro não estava funcionando. Então acionou o seguro e eles vieram com um reboque. Já ia chamar um táxi quando os amigos a chamaram para ir com eles ao bar. Seria rápido e de lá a deixariam em casa.

Achou tão agradável que começou a repetir a saída sempre, e assim, a cada rodada de coquetéis com os amigos, ia ficando cada vez mais à vontade e quando deu por si estava noiva do peixe.

A vida solitária que levava foi um estímulo para estreitar as relações com o rapaz e sua família. A amizade virar um namoro foi um processo quase natural, considerando as diferenças entre os dois.

Naquele dia na igreja, prestes a casar, refletia sobre tudo o que a levara até aquele momento. Gostava do engenheiro, mas as dúvidas apareceram quando a data começou a se aproximar. Só chegou à conclusão que aquilo era uma  grande loucura quando chegou ao altar. Não ia conseguir viver com um peixe, ter intimidade e filhos com ele. Conseguira evitar maiores contatos durante namoro e noivado, mas após o casamento isso seria inevitável.

Olhou uma última vez para o seu noivo enquanto ele dizia um confiante “sim” e afinal falou:

– Sinto muito! Por favor, me perdoe.

Diante do espanto de toda a plateia, caminhou quase correndo até a porta da igreja e deixou o caos e a culpa atrás de si. Pegou um uber e voltou para casa apenas para trocar o vestido e para pegar as suas coisas, colocar em uma mala e deixar para trás tudo o que vivera até então.

Já estava com tudo pronto, mas não conseguia encontrar a chave do seu carro. Vasculhou nos armários da sala, da cozinha, nada. Lembrou então que havia uma cópia nas prateleiras altas do armário do seu pai. Subiu em um banco e ficou tateando lá em cima. A chave estava lá como previsto, mas o chaveiro estava preso em alguma coisa. Liana começou puxando a chave com cuidado, mas no minuto seguinte já havia perdido a paciência e deu um puxão mais firme fazendo com que a chave e o objeto que estava prendendo o chaveiro caíssem no chão.

Capítulo 5 – A Sombra na Janela

Sentou sobre o piso de tacos de madeira, e foi catando o conteúdo da sacola que se espalhara por todo lado. Eram papéis, eram fotos, era uma carta escrita pelo Senhor Coelho, para ela.

“Não sou o seu verdadeiro pai, “… Leu e parou para respirar. Ficou ali agarrada a esta incômoda frase sem coragem para prosseguir, mas era preciso. Leu o resto da carta completamente estarrecida com o a sucessão de palavras contando  os terríveis fatos ocorridos no dia do incêndio, que até então estavam registrados em uma parte do cérebro não acessada. Trancada. Ocultada.  Ali estava a história da sua vida e a razão pela qual teve que ir embora de sua cidade natal. Quanto mais lia e se espantava, mais tinha consciência que a sua grande mágoa ainda vinha da primeira frase: ” Não sou o seu verdadeiro pai”, ” Não sou o seu verdaeiro pai”, ” Não sou o seu verdadeiro pai”… 

Sua vida havia sido uma mentira completa. Com exceção de seu nome  e do incêndio, todo o resto era inventado.

Encontrou ainda a sua certidão de nascimento confirmando que era mesmo filha de outro homem, a certidão de casamento e de óbito da mãe assassinada pelo primeiro marido, recortes de jornal, fotos que nunca havia visto antes.

Olhou nos documentos o endereço do imóvel e resolveu que era para lá que precisava ir. Escavar o resto dos segredos que aquele lugar escondia, e escancarar as portas da memória de uma vez por todas.

A cidade onde ficava a sua antiga casa estava num local bem mais distante daquele que o seu suposto pai havia lhe falado. Ia cansada deste vendaval de emoções mas seguia resoluta. Não parou nenhuma vez pelo caminho e acabou chegando no local ao amanhecer. Pediu algumas indicações aos habitantes e logo estava bem na frente do que restara da casa onde um dia vivera com a mãe falecida.

O imóvel estava abandonado desde a tragédia. Apesar da maior parte ter sido destruída pelo incêndio, conseguiu reconhecer um pouco do seu passado. Os móveis da sala, a cozinha, o seu quarto e a janela retangular que dava para o jardim, idêntica a do desenho. Correu então para fora.

Paredes, corredores, jardim, o cenário do crime voltava furiosamente aos seus pensamentos em forma de dolorosas lembranças. Entre visões dos tiros do pai e dos gritos da mãe, lembrou das pancadas no vidro da janela, e do padrasto, o coelho carinhoso com quem vivera todos aqueles anos, pedindo que ela fugisse por lá.

No fundo do quintal ficava a casinha onde os bichos dormiam, e a caixa grande com os coelhos que criavam para matar. Ali, entre os bichinhos felpudos e assustados, os dois haviam se escondido até que o silêncio voltasse para apaziguar seus corações.

Mas o silêncio não voltou. Depois de matar sua mãe, o homem ciumento resolveu tocar fogo em quem sobrara. O incêndio atingiu a casinha e a última coisa que viu antes de desmaiar foi o padrasto atravessando as chamas com ela nos braços. Um padrasto querido que agora finalmente tinha um rosto.

Sentou no banco de madeira que havia escapado do fogo e chorou. Pensou em todos os anos vivendo aquela existência singular e que a encarcerara em um mundo de solidão. A única humana de seu mundo distorcido.


  Não tinha ideia se o pai assassino ainda estava vivo e entendeu porque o padrasto a havia levado para longe dali. Sentiu um amor imenso por este homem, e uma saudade ainda maior porque nunca mais poderia vê-lo. Saiu fechando o portão retorcido e encerrando uma etapa da sua vida.
Na primeira esquina que cruzou, encontrou um senhor carregando duas latas presas por uma madeira. Imagem comum em qualquer cidade pequena onde a falta d’água é fato corriqueiro.

Não era um gato, um cavalo, ou um porquinho vestido como gente. Era uma pessoa mesmo, um homem de barba, já velhinho, meio torto e sorrindo.

Ele sorria, ela chorava. Sem entender o homem perguntava o motivo das lágrimas. Como explicar que ele era a primeira pessoa que ela via em mais de dezessete anos? Desceu do carro e o abraçou sem dizer nada. Fechou os olhos e curtiu o carinho daquele desconhecido, como se estivesse abraçando o Senhor Coelho.


 Dirigiu devagar apreciando cada rosto humano que via, sorrindo por voltar a fazer parte do mundo do qual um dia tinha sido degredada. Queria chegar em casa, olhar cada foto do seu padrasto  e até as que tirou com o seu noivo, e sair andando pelas ruas, se misturando com as pessoas, confundida entre milhares de outros rostos tão humanos quanto o seu. Um prazer insignificante para o resto do mundo, mas tão libertador e gratificante para ela.

Pensou no peixe um pouco arrependida, e um pouco livre. Como aquela história iria terminar, ainda não sabia, mas teria o resto de uma vida normal para descobrir.

31 comentários em “– Liana e o Peixe – Iolandinha Pinheiro

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  1. Este seu texto é um presente para os leitores. Como é gostoso ler algo interessante, bem escrito, com uma ideia genial. Começa com uma cena inusitada que já nos leva a sair devorando cada palavra, depois parte para uma explicação deliciosa sobre o que estava acontecendo, passando pelo mistério e chegando em um desfecho maravilhoso, forte, criativo e que, no final das contas, fala de amor. Poderia virar um belo livro com a continuação desta história excelente. Parabéns.

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    1. É muito difícil a gente se afastar do próprio estilo e escrever coisas desafiantes porque diferentes. Normalmente construo meus textos a partir da ambientação, desta vez quis investir no sentimento, no extraordinário. Que bom saber que funcionou para você. De fato, como vc falou, é um conto de amor. O realismo fantástico foi inserido por dois motivos: porque gosto muito do estilo e quero aprender, e porque se não existisse seria mais um conto sobre relações familiares e feminicídio.

      Eu já possuía o começo do conto na minha maternidade de contos, mas não sabia o que fazer com estes personagens. Foi só uns dois dias antes do prazo acabar que me surgiu esta solução com mistério a ser desvendando.

      Ainda vou dar uma boa revisada, porque ontem também era o aniversário da minha sobrinha e havia coisas de trabalho para fazer.

      Vc foi muito generosa em seu comentário. Agradeço.

      Beijos e muita alegria em sua vida.

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      1. então vc acaba de descobrir mais um estilo para mergulhar de cabeça. Eu achei realmente incrível. A forma como escolheu iniciar o texto, dando um cenário inusitado e só depois revelando o que era, de forma coerente e perspicaz, foi um tiro no meio do alvo. E como o conto vai se desenrolando, mantendo a atenção do leitor a cada parpagrafo. E ainda finalizando com uma mensagem excelente. Amei de verdade.

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  2. Aí, Iolandinha, arrasando no Realismo Fantástico! O conto já vai surpreendendo logo de cara e ganhando o leitor parágrafo por parágrafo. A trama construída revela um tom de suspense misturado À delicadeza implícita na relação da moça com o padastro. Parece a princípio um conto infantil, mas o desenrolar faz outras camadas surgirem. Pode investir nesta vertente. Parabéns pela ideia tao original e encantadora. Beijos.

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    1. De um tempo para cá só consigo escrever contos com estas temáticas, realismo fantástico ou ficção científica, coisas que sempre amei fosse no cinema ou na literatura, mas nem passava pela minha cabeça escrever sobre. Que bom que está agradando. Não senti mais vontade de escrever terror. É bom não sentir mais esta “obrigação” que eu mesma me impunha, mas não vejo isso como definitivo. O futuro a Deus pertence. Obrigada pela leitura cuidadosa e pelo comentário tão gentil. Um grande abraço e próximo dia 24 tem mais. Beijos.

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  3. Definitivamente, queria ver o encontro dela com o ex-peixe. Essa história é tão fantástica! Eu amei cada sequência narrativa. Amei Liana e amei mais ainda o Senhor Coelho. Tadinho. No ímpeto de protegê-la, encarcerou-a em um mundo peculiar e solitário. O amor nem sempre acerta, mesmo com boas intenções. Mas é claro, o amor permanecerá dentro dela porque o conhecimento do bem desperta o bem no coração.
    Como sempre, um conto não apenas para entreter, mas para refletir. Uma história de leitura tranquila, embora muito profunda.
    Parabéns e obrigada por nos brindar com mais um texto maravilhoso.
    Beijos e abraços carinhosos.

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    1. Amiga linda, sabia que vc iria curtir. Pois é, este é tipo de mergulho que consigo fazer na temática da fantasia, pelas beiradas, no seguro terreno que é o Realismo Fantástico. E o faço com muito medo de resvalar para algo ruim, sem conteúdo, apelativo e tal.

      Ser lida e elogiada por quem domina este universo é uma alegria redobrada para mim.

      Quanto ao senhor Coelho, realmente tudo poderia ter sido solucionado com a visita ao lugar da tragédia, mas ele evitou por conta do possível confronto com o assassino.

      Muito feliz com a sua presença nas coisas que escrevo. Um grande abraço e está saindo um novo conto.

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  4. Que conto maravilhoso! Realismo fantástico, personagens cativantes, narração que prende a atenção, ao menos comigo foi assim. Poderia também servir de base para um romance. Parabéns!

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    1. Olá, Amana.

      Obrigada pela leitura e pelo comentário.

      Desde que eu comecei a escrever, em 2015, as pessoas me falam que meus contos ficariam melhor se fossem romances. É que contos são os instantâneos de um fato. Algo relevante que ocorre na vida de uma ou mais pessoas. Eu não relato momentos, eu invento histórias. Acho difícil escrever algo mais focado. É uma arte que ainda preciso aprender.

      Que bom ver que gostou. Vou me esforçar sempre para receber estímulos assim.

      Abraços.

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  5. Oi, Iolandinha!

    A nossa rainha do suspense passeia glamourosamente pelo realismo fantástico, e como o resultado é incrível!
    No início suspeitei tratar-se de alguma desordem mental de Liana, o casamento com o peixe, mas quando vi a fuga do enlace, percebi que ela era muito sã rsrs.
    Continuando, muito importante e inspiradora a resiliência da moça, frente aos desafios impostos por tal condição, mantendo ainda a sanidade.
    O encontro providencial da carta escrita por aquele que, em verdade, era seu pai – apesar de revelar-se salvador (para não dar spoiller).
    Aqui vemos também o aspecto psicológico, abordado com muita propriedade – o choque, o reencontro com as lembranças, conduzindo à cura.
    Como sempre, maravilhoso, e aquele detalhe da moça que vc falou comigo, amei rs, ela é linda ❤
    E vc também.
    Bjokas!!

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    1. Obrigada, querida.

      Esse conto foi iniciado há mais de um ano, mas ia ser um conto sobre amor apenas, e a s dificuldades de se conviver com uma pessoa que enxergamos como sendo um animal. Mas vc me conhece, quando dei continuidade ao escrito eu acabei enveredando pela área do mistério e acabou ficando mais instigante do que o plano inicial. Que bom que vc gostou.

      Ando me metendo a escrever nestes gêneros que não são minha praia, mas é bom arriscar e melhor ainda quando não é um completo fracasso. Hihihi. Pensei que iam odiar o conto, estava mesmo morrendo de medo.

      Com este incentivo de vcs vou continuar nesta pegada e vou ver no que dá.

      Abração, vc que é linda toda, da alma ao corpo.

      Beijos, musinha.

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      1. Sim, estou aqui pensando e de certa forma também aborda essa estranheza em relação ao outro. Pode seguir em frente, com terror/suspense e realismo, fantasia, vc tem talento demais, e brilha! ❤

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  6. Amada!!! Gostei demais.. Já gosto de realismo fantástico mas se ele ficasse o texto todo no surreal, confesso que seria cansativo.
    Mas vc foi surpreendendo a cada parágrafo e lançando o mistério.. adoro!!!
    Desconfiei por muito tempo q o Coelho branco fosse o vilão hehe ficou muito meiga a revelação da verdade, muito gostoso de ler e sentir.
    Parabéns!

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    1. Kinda linda! Muito agradecida, meu amor!

      Pois é, dei pistas falsas para que desconfiassem do coelho, mas no fim ele era o pai do coração, o pai salvador, ele atrapalhou o tratamento da menina porque tinha medo de voltando, encontrar o assassino da mãe dela.

      Às vezes querendo ajudar a gente atrapalha, não é? Fico muito feliz de meu conto ter agradado tanto a vc, querida. Obrigada mesmo.

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  7. Iolanda, mais uma das suas histórias geniais! No altar se casando com um peixe foi o suficiente pra me conquistar. Adoro histórias fantásticas. Fui me divertindo a cada novo animal q vc inseriu no conto.
    Eu não sei de onde vc tira tanta criatividade. Fico até com certa invejinha… rsrsrs
    Olha, minha única queixa é o final, q eu preferia q continuasse na realidade deturpada. Mesmo ela descobrindo a verdade, podia continuar vivendo entre os animais. Tipo, é estranho, mas ela vive assim, e daí? Já se acostumou com a bicharada, qual o problema? Rsrsrs. Adorei. Acho q vou até sonhar com isso hj.

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    1. Oi, Ju. Vc é uma escritora maravilhosa e todos querem escrever como vc. Eu quero. Obrigada pela leitura, pelo comentário maravilhoso, pelo carinho que tem por mim.

      Estou ingressando aos poucos neste universo de realismo fantástico e tenho recebido muito estimulo dos meus colegas escritores e de meu grupo com vcs. Bom saber que posso passear por este gênero e conseguir fazer algo que seja interessante. Não ficar engessada só no terror e suspense.

      Quanto ao final eu já estava com pena da Liana passando todos estes anos só conseguindo ver um rosto humano olhando no espelho. Já pensou vc não conseguindo namorar, ou reconhecer o seu próprio pai ? Resolvi fazer uma bondade com a minha personagem. Eu sou sentimental. Obrigada por tudo, minha querida. Que o mundo lhe seja rico e leve.

      Beijos.

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  8. A cena de abertura do seu conto é simplesmente arrebatadora. Não há como escapar no mergulho que você nos propõe. O texto segue com sua habitual competência em arrastar o leitor. Há um suspense instigante e o seu domínio narrativo de sempre. Confesso que o pai coelho me deixou meio de sobreaviso, achei que ele seria um malvado, principalmente na cena do chaveiro no armário e tal. Lembrei de um outro conto seu em que esse vasculhar de armário resulta em um desfecho sombrio. Mas aqui, nos levou a um final bem feliz.. Ótimo conto, amiga. Sempre uma felicidade te ler.

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    1. Olá, Elisa. Vc lembrou do conto A Vida Sem Dora. Um conto bem triste aquele. Olha só a minha cara de pau, fazendo intertexto comigo mesma, aproveitando a mesma cena em dois textos. O nome disso é preguiça. KKKKK. Ainda bem que o desfecho foi outro, muito melhor.

      Vcs se impressionaram com o começo, com o peixe de fraque. Eu me impressionei com o final, com os sentimentos aflorando da Liana, que era uma pessoa tão desconfiada.

      Vou continuar investindo em realismo fantástico. Deixar o terror numa gavetinha. Obrigada pelo comentário tão generoso e incentivador.

      Beijos!

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  9. Iolandinha! Que conto incrível!! Como teve essa ideia? Muito original, um problema psicológico, tão bem amarado e redondinho! Coisa de gênio mesmo! Eu amei! Está muito bem escrito, como sempre, mas a ideia é realmente genial e muito original! Parabéns!

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    1. Nem sei como tive esta ideia, mas eu queria escrever algo de realismo fantástico e isso de uma mulher casando com um peixe ficou bem bizarra, rs. Que bom vc ter gostado. No começo seria uma comédia romântica, mas aí surgiu a ideia de fazer um drama com trauma psicológico, assassinato e suas implicações na vida da Liana e deu no que deu.

      Feliz com a sua presença aqui, viu moça. Gosto muito de vc e vibro com as suas vitórias no ANEXOS.

      Muito obrigada.

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  10. Querida Iolanda,

    Este texto é uma festa.

    Realismo fantástico é o meu gênero favorito e tão pouco explorado na literatura brasileira… Invista nele, pois, se já é boa no terror, nesta outra vertente você é ainda mais competente. Os personagens fantásticos (peixe – coelho – etc), assim como a situação em si, parecem saltar de um lugar recôndito da mente humana em uma espécie de sessão de psicanálise.

    Também imaginei, como as outras, o Coelho como um vilão (muito Alice no País das Maravilhas), mas, creio que essa desconfiança se deva ao fato de conhecer sua verve e sua perspicácia para o terror.

    Amei o final! Tipo de leitura que deixa o gostinho de quero mais. Que tal mais um filme? (rsrsrs)

    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Paulinha!

      O povo pensa que eu gosto mais de terror do que dos outros gêneros, mas, assim como vc eu também amo o Realismo Fantástico, amo tanto que coloquei o nome do meu filho de Gabriel, como se chama o meu autor favorito, o Gabriel García Márquez.

      Ainda não havia escrito nada neste gênero por achar que não teria imaginação o suficiente para fazer algo que prestasse. Achei que iriam achar meu conto fraco e bobo, foi uma surpresa a reação de vcs, escritoras experientes, aprovando e fazendo comentários entusiasmados.

      Agora eu me sentirei mais à vontade para cometer outros contos como este. Agora é pensar em algo tão surpreendente. Até o dia 24, beijos.

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  11. Uma trama repleta de metáforas e simbolismos para mostrar relações familiares, feminicídio e o trauma resultante. Liana conduz a vida valorizando a imaginação e passando por experiências incríveis.

    A história é um convite irresistível para que o leitor deixe a realidade e acredite que tudo é possível, especialmente quando o mistério é o seu fio-condutor — um mergulho no realismo fantástico. Consegui visualizar perfeitamente a cena bizarra do casamento. E em meio ao humor, podemos notar uma profunda reflexão, a vida (e o Sr. Coelho) oferecendo soluções mágicas e oportunidades para Liana.

    Quanto à narratividade, quer escrevendo terror ou fantasia, é admirável a coerência dos seus textos, Iolandinha. As várias cenas que os compõem se amarram bem, produzindo um efeito impactante.

    Parabéns pelo trabalho inteligente e inspirado. Beijos, com carinho.

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    1. Obrigada, Fátima querida!

      Adoro as análises que vc faz e nos informa, ensina todo o alcance que um texto que a gente fez pode ter. Vc realmente fez um raio x no conto, percebendo todas as nuances e compreendendo a situação psicológica de Liana, e o drama que ela viveu, a solidão.

      Amo seus comentários. Todos amamos. Fico olhando para ver se já chegou e feliz quando o recebo.

      Grande abraço, minha querida e que Deus abençoe vc e sua família.

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  12. Que conto maravilhoso! Começa cômico e termina em lágrimas. Sou fascinada pela mente humana e como é capaz de coisas incríveis. Esse relato pode não ser real, mas há coisas incompreensíveis que a mente faz para esconder a realidade de diversas formas. Mais uma vez encantada com um texto seu. Bjs ❤

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    1. Olá, querida Vanessa. Foi exatamente isso. A Liana se refugiava nesta realidade paralela para escapar de suas lembranças terríveis. Estava tudo na cabeça dela. A saída era confrontar o medo, como a Dra. Paula havia sugerido, mas o medo do padrasto de expor a criança ao pai assassino, adiou a cura por muitos anos. Mas, de certa forma, era perigoso mesmo.

      Adorei a sua leitura atenta e o seu comentário generoso. O conto poderia ter se chamado Liana e o Coelho, mas este título já havia sido escolhido desde o tempo que iniciei a escrita. Esse era um conto de gaveta, daqueles que só tem começo e fica esperando a gente dar um destino a ele.

      Escrevi a continuação para o meu dia fixo aqui nas contistas, mas estava morrendo de medo que vcs achassem ruim. Que sorte que agradou a mulherada.

      Beijos, querida.

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  13. Olá, Iolandinha! O seu conto inicia já nos convidando para um mergulho na história. O estranhamento causado pelo peixe no altar, que imediatamente me remeteu a algo frio, insensível, o que não parece ser o caso, já que a história deles fica em aberto ao final. O inusitado da narrativa nos mobiliza e nos aguça a curiosidade para a leitura. Vc vai nos levando pelas linhas até o desfecho do mistério, com grande maestria. Se é seu primeiro texto nas searas do realismo fantástico, vc estreou com louvor. Continue surfando nessa onda. MARAVILHOSO, simplesmente! Parabéns.

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    1. OI. Muito obrigada, Sandra.

      Este não é o meu primeiro conto de realismo fantástico. O primeiro é um bem ruinzinho chamado Sobre Mistérios, Um Gato Amarelo, e Borboletas. Está, inclusive, publicado neste blog. É curtinho e muito despretensioso.

      Meu autor favorito é o Gabriel García Márquez. Eu amo realismo fantástico acima de qualquer outro gênero. Aí eu um dia pensei: por que eu não escrevo contos neste modelo? Ainda não acho que cheguei ao ponto que pretendo, mas só pelos comentários que recebi aqui e no recanto estou achando que é o caminho é este.

      Publiquei com um frio na barriga, achando que todos iriam odiar, mas a aceitação foi cem por cento. Não quer dizer que eu tenha abandonado meus demônios e fantasmas para sempre, mas dei umas boas férias acumuladas com licença prêmio (nem existe mais, né?)

      Fico muito feliz que tenha gostado. Um grande abraço, minha querida. Sou sua fã.

      Beijos, Iolanda.

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