Marília viveu – (desafio) – Anorkinda

-Ela viveu perseguindo sonhos.

-Mas, por quê?

-Era seu destino.

“Marília soube o que era viver plenamente. Não foram aventuras cinematográficas nem holofotes de redes sociais, a vida plena de Marília se resumiu em viver. Ela sonhou em ser bailarina e foi. Desejou apresentar-se no Municipal e conseguiu chegar lá. Ela quis passar uns tempos em casa assistindo filmes e novelas e passou. Dizia que estava acumulando conteúdo. Afora os livros, claro, que ela devorava. Ela sonhou conhecer alguns países e culturas diferentes, então planejou algumas viagens e outras tantas aconteceram meio que por acaso. Sempre esteve livre e atenta às oportunidades.
Nunca apegou-se a um único amor. O amor para ela correspondia mais a remos do que a âncoras. Mas optou mesmo por amores de velas, conduzidas pelos ventos do destino. Dizia que estava acumulando experiências. Às amizades ela dedicava-se e provocava risos, sorrisos, até choros de alegria. Alguns choros tristes também porque faz parte. As lágrimas ressaltavam o brilho dos olhares, dos muitos e variados olhares que Marília introduzira em seu meio, em seu mundo.”

-E o que ela fez com as experiências e conteúdos acumulados?

-Um caleidoscópio.

-Mas, para que serve?

-Serve de inspiração.

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Anorkinda

11 comentários em “Marília viveu – (desafio) – Anorkinda

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  1. Muito legal. Acho que nós, escritoras, criamos mundos para os outros porque não somos como a sua personagem, não é? A gente imagina Marílias. As colocamos em aventuras que talvez, ou decerto, queríamos viver. Será? Penso que se não tivesse casado a minha vida seria totalmente diferente e bem mais cheio de aventuras. Mas também não teria o meu Gabriel.

    Escolhas.

    No fim, fiz a melhor opção. Quando me aposentar, vou papoucar os cobres com viagens, muitas. Nada de ficar guardando porque caixão não tem gaveta.

    Muito bom conto, flor. Inspirador. Há uma Marília no peito de cada uma de nós.

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  2. Kinda querida,

    Esse teu conto sobre inspiração é um meta conto sobre inspiração. Muito bonito.
    Marilia foi autêntica e viveu plena, não segurou o que não precisava, mas guardou lembranças e experiências.
    Muito bonito! Beijos

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  3. As vezes eu penso em nós como caleidoscópios. Bem isso. Multifacetados, refletindo não só o que vivemos, mas no que nos transformamos. É meio que um aprendizado diário de pequenas partes de nós. Coisas que vamos guardando, juntando, para servir de alguma coisa algum dia.
    Parabéns pelo texto.
    Beijos e abraços carinhosos.

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  4. Oi, Kinda, que texto suave, bonito. Gostei da ideia de começar e terminar com diálogos, o que deu um movimento interessante ao texto. Fui acompanhando história de Marilia, imaginando o que seria o final, aí veio um belo desfecho, poético, leve, lindo, com muita inspiração. Parabéns.

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  5. Caleidoscópio é metáfora perfeita da alma, diz a vidente
    Marina Gold. É lúdico, estético, cativante, sempre em movimento. Assim é no texto: retalhos de um vida que ensinaram muito a quem procura conhecimento, uma miríade de possibilidades.

    Parabéns, Kinda, pela metalinguagem bem inspirada! Afinal, somos um grupo de contistas. Obrigada pela leitura. Beijos.

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  6. Ah, que lindo! Queria ser assim. Hoje mesmo estava pensando em uma passagem bíblica que diz que Deus vomitará os mornos, e eu estava pensando se não estava sendo morna demais. É isso, a vida é para ser vivida, apenas isso.

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  7. Querida Kinda,

    Seu conto mostra toda a sua verve de poeta. O eu lírico permeando Marília e a autora, a criadora e a criatura, escritora e personagem em um texto muito gostoso de se ler.

    Viva o caleidoscópio que forma cada um de nós, múltiplos em cores, desejos, quereres, alegrias e dores.

    Parabéns.
    Beijos
    Paula Giannini

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  8. Um texto simples que fala sobre a vida significativa de Marília. “Sempre esteve livre e atenta às oportunidades.” Ela preocupou-se em viver. E o que ela fez com as experiências acumuladas? Um caleidoscópio que serve de inspiração.
    Parabéns pela bela construção poética!

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  9. Adoro essa ideia de viver assim ao léu, despreocupadamente, sem grandes planos. Na verdade apenas temos a ilusão de controle, não é mesmo? Para mim, essa ideia dialoga com o Cristianismo, mas certamente com outras religiões também. Seu conto fala sobre isso de uma forma singela e adorável. Gostei bem. Obrigada por estar aqui prestigiando nosso desafio, querida. Um beijo.

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