No trem da poesia – Anorkinda Neide

A proposta de uma viagem de trem nada convencional… Um sarau em trilhos de ferro, animação e poesia, música e festa. Personagens desenrolam suas tramas, pelo cenário sempre em mudança. O destino? Seguir sempre. Aos poetas passageiros não lhes interessa o desembarque, mas apreciar a paisagem…
E um divertido romance surpreendeu e agitou aquele expresso!

Capítulo Um – Bilhete de embarque

Loiríssimamente animada, a mentora do projeto se fazia a própria Inspiração Poesia, enquanto preparava o evento. O Expresso que reunia poetas de todo país era um sarau viajante organizado pela esfuziante Carminha Dias, a dinâmica consistia em elaborar, ler e/ou recitar poemas num clima de festa.
Desfilavam comes e bebes e elegantes personagens do mundo literário, escritores e compositores faziam-se presentes seja fisicamente ou em textos e canções.
Carminha não tinha sossego e seu entusiasmo incitava aos poetas a versar com calor nos mais variados temas.

A viagem programada para o início da primavera trouxe flores e perfumes para o Trem da Poesia.Um convite especial fora feito à Blanca Bianca, poetisa versátil e muito querida no meio cultural de sua região, para que ela viesse conhecer a animação que estava revolucionando a Poesia do país. Ela chegou acompanhada de um sol primaveril com promessas de bom tempo para a viagem que se seguiria, sem paradas até Pasárgada, o Reino da Poesia.

-Bem-vinda, Blanca! – Marina D’Villandry, a anfitriã da Primavera recebeu a poetisa com belas flores na cor rosa.

Ao embarcar no trem, já alegre em decoração e na satisfação dos passageiros, Blanca sentiu-se muito bem. Instalou-se à janela, sabia ela que melhores inspirações se dão à vista de belas paisagens. Carminha chegou-se à poetisa, cheia de agrados e carinho, a explicar-lhe a dinâmica da viagem/sarau. Começariam a primavera versando o amor, o tema: Amor Perfeito. A Blanca isto lhe pareceu um bom prenúncio, quase um bom presságio, mas ela não quis render-se a estes devaneios.

-Há o que beber nesta festa? – Perguntou em tom matreiro a Carminha que divertia-se em lhe apresentar os demais poetas daquela composição.

Carminha apressou-se a verificar a cozinha do Expresso da Poesia e ver porque demoravam a servir os convidados que chegavam, deixando Blanca entregue às gentilezas de Marina, a delicada poetisa que organizava toda aquela primavera em tão animado trem.
Conversaram as duas escritoras sobre o mote do sarau que se seguia, em meio a passageiros que chegavam, outros a escrever, absortos em suas inspirações, já outros recitando seus poemas acuradamente preparados para serem apresentados. Uma música clássica fazia fundo aos divertimentos e o trem já começava a mover-se.

Está servida, madame? – Um garçom bastante charmoso oferecia chás, sucos e drinques.

Blanca Bianca sorriu e serviu-se de um chá que conquistou-lhe com um perfume floral, no bom tom daquela estação colorida. Ela ainda ficou a observar o garçom que com desenvoltura e simpatia desfilava as bebidas pelo salão. Ou era ele quem desfilava? Ela desviou o olhar para a janela, antes que maiores devaneios viessem novamente tentá-la, como fios de uma tecelã ilusão.

DECRESÇA A DESCRENÇA

Desta vida de crenças
e sofrimentos vãos
nada quero
reluto

Das muitas lembranças
lavadas de lágrimas
nada quero
depuro

Quero que decresça
a falta de fé
no amor

Nas cores da esperança
renasça o pé
de flor…

Inspiração de criança!

………………………………………

Capítulo 2 – Flerte

Blanca declamou seu poema, recém-nascido sob a inspiração daquela paisagem passageira, sem pressa, mas mutante num lindo deslizar de verdes campos e brancas nuvens num céu azul. A animação dos amigos, acabou por contagiá-la também e Blanca cantava e ouvia os poetas, num alternância gostosa, ainda pontuada por comes e bebes.

-Servida, madame?

-Novamente o garçom lhe sorria aberto e num alçar de sobrancelhas significativo.
Blanca acabava de cantar uma canção regional, lembrança da infância, num impulso perguntou, enquanto servia-se de um vinho especial (original de Pasárgada, havia informado Carminha):

-Você conhece este vinho, já experimentou?

-Sim, madame… É saborosíssimo.

-Estou querendo saber de seus efeitos, será mesmo ‘enlouquecedor’, como disse Carminha?
O garçom, sorriu e disse apenas:

-Comprove…
E saiu a atender outros convidados, sem deixar de observar Blanca a bebericar o vinho da terra da Poesia.

A poetisa entreteu uma conversa animada com Raul Teodoro, poeta que já conhecia as terras de destino daquela viagem. Era amigo de Rei Ciro ll, a quem definiu como um homem amante da arte e da simplicidade.
Raul contou que Pasárgada era o melhor lugar para se escrever poemas, prosas, letras de canções… Era um lugar realmente mágico e inspirador!
Marina D’Villandry achegou-se para contar que estivera a visitar as terras de Ciro ll e que a Rainha era também uma pessoa boníssima. Na ocasião, Marina conheceu os jardins quase surreais em beleza e cor que circundavam o palácio real. Fora uma visita inesquecível, complementada com a paisagem que seguia-se até lá durante a viagem… A sensação era a de ultrapassar dimensões, da realidade para o mundo mais que perfeito!

Blanca estava radiante por ter esta oportunidade de conhecer o berço da poesia. Tudo estava maravilhoso e a coloração do dia anunciava grandes prazeres e emoções à frente.

-Ei, rapaz… como é seu nome?

-Alfred, madame. Mas todos me chamam Fred.
O vinho especialíssimo estava fazendo efeito em Blanca e ela sentia-se cheia de interesse por tudo, cheia de gás, como diria Carminha, que no momento, orquestrava um coral de vozes bêbadas de alegria num samba-exaltação.
Fred não deixou de notar a alteração produzida pela bebida, na poetisa e a seguia com os olhos enquanto trabalhava.

Mesmo em meio a todo este rebuliço, Blanca sentou-se a sua janela e escreveu:

Eu vou pra Pasárgada

Eu vou pra Pasárgada
lá sou amiga do Rei Ciro ll
Lá passeio pelos jardins quádruplos
perfumo-me nas mais belas flores do mundo

Eu vou pra Pasárgada
lá sou amiga da beleza infinita
Lá floreio versos e rimas ricas
banho-me na inspiração mais bonita

Eu vou pra Pasárgada
lá sou amiga da fantasia
Lá semeio a igualdade das gentes
deleito-me com as mais agradáveis companhias

Eu vou pra Pasárgada
lá sou amiga de todo o mundo
De lá presenteio em nome da Rainha
e faço-me emissária dos respeitos de Ciro ll

………………….

3º Capítulo – A noite

A madrugada já ia alta e a poesia ainda se fazia ouvir pelos vagões daquela viajante animação, Blanca estava sentindo-se solta, sem amarras. Combinando bem com o poema que Jair Nadim estava declamando, chamava-se Laços e falava da desenvoltura da vida em desfazê-los, um a um.
A poetisa entregou-se às sensações de felicidade que lhe inundavam e dirigiu-se, resoluta, a Alfred:

-Dança comigo.
O garçom estava descansando encostado ao balcão de bebidas do vagão-restaurante e acompanhava não só Blanca com olhares de atenção, mas também a música. Ele cadenciava os dedos no copo onde servia-se de uns goles de cerveja.
Naturalmente e sem dizer uma palavra, Fred pegou na cintura da poetisa e saiu a dançar com ela pelo pequeno espaço reservado à dança, disputado pelas mesas de jantar.

Blanca cochichou com ele, durante a dança, coisas que nem ela mesma lembrara-se depois. Até mesmo a dança ou a duração desta, Blanca não apreendeu na lembrança. Tudo o que ficou registrado em sua memória foi o beijo. Um beijo desejado naquela liberdade e disposição que o vinho da poesia haviam lhe inspirado. Um beijo que tirou a fala do casal e os transportou direto à cabine de Alfred para consumar-se numa noite de prazer.
Nem mesmo destes momentos a poetisa conseguira retê-los na memória, apenas a sensação voluptuosa e deliciosa de estar nos braços de um homem sedutor e muito interessante. Ali mesmo, entre carícias e beijos, Blanca pode perceber que Fred era uma pessoa de uma personalidade rica não só em mistérios, mas em caráter.
Sua intuição lhe dizia que fora muito bom, deixar-se levar pela bebida e pela poesia e assim, sem restrições de moral ou preconceitos, relacionar-se com o homem mais interessante daquela viagem.

-Então, vai me contar os seus segredos? – Blanca perguntou assim que Fred abriu os olhos e o sorriso, na manhã seguinte.

-Sou um homem sem segredos, poetisa.
E Fred a abraçou enquanto acarinhava os cabelos da poetisa, livremente soltos no travesseiro.

-Isso é que não! Conte-me, Alfred.

-Por que a senhorita acredita que eu, um simples garçom, possua segredos?

-Porque você é muito educado, gentil, inteligente e um ótimo amante para ser um simples garçom.
Fred riu alto.

-Ora, não desdenhe da profissão, senhorita.

-Não há necessidade de chamar-me de senhorita, meu querido.

-Fora desta cabine, precisarei continuar lhe tratando assim. É melhor eu não relaxar neste ponto. E lembrando… Preciso servir o café da manhã.

-Está certo. Mas você sabe que descobrirei tudo. Tudinho sobre você.

-Você voltará à noite, senhorita?

-Depende de como você se comportará durante o dia.
E Blanca saiu da cabine rindo alto, preparada para a sabatina que as poetisas lhe fariam durante o breakfast. Como todos ainda dormiam, Blanca pode escrever…

SOLTA

Adorando a vida, recebo dela
Emoções que atormentam, por vezes
Amores que acrescentam em aquarela
Amigos que se provam em revezes

Cantando a vida, a louvo
Em melodias que me tomam
Em harmonias de renovo
Em sintonias que me afinam

Assim, amo a vida
em franca elegia,
profundamente

Em mim, atrevida
loucura sadia,
vivo animadamente!

…….. ……….

4º Capítulo – A manhã

À mesa do café da manhã, as amigas de Blanca foram discretas e não perguntaram detalhes da noite na cabine do garçom. Mas demonstravam estar bastante alegres com este encontro inusitado… Blanca ria das brincadeiras de Carminha chamando Fred para servir a mesa de minuto a minuto, tirando dele sorrisos ora tímidos, ora matreiros.

Quem estava com vontade de fazer perguntas era Blanca, ela percebeu olhares cúmplices entre Carminha, Marina e Alfred. Havia um mistério ali…
Aos poucos o trem foi se animando novamente, naquela algazarra poética que Carminha comandava muito bem. A expectativa do dia era a chegada à Pasárgada, após o meio-dia deveriam estar desembarcando.

Blanca aproveitou a concentração do pessoal nas propostas de Clotilde Maria para a manhã da poesia, todos falariam e declamariam a Primavera em Pasárgada, imaginando, relembrando ou exaltando a natureza bela do lugar… A poetisa chamou Marina D’Villandry:

-Minha querida, quem é Alfred, realmente?

-Conheça-o devagarinho. Não perdes por esperar! – Marina foi enfática e carinhosa, abraçando a poetisa. Parecia querer dizer com este gesto que nada mais poderia ser revelado naquele momento. Ou seria Blanca que já estava devaneando, como de costume?

Fred aproximou-se das amigas e lhes ofereceu um aperitivo, dizendo que o almoço não demoraria. Disse que antes do desembarque em Pasárgada ele teria uma folga e gostaria de conversar com Blanca.
Marina lhes sorriu e segurando as mãos de ambos, disse:

-Estamos todos muito felizes com este encontro de vocês, duas pessoas especialíssimas!
Blanca não sabia se sentia-se mais feliz por ter esta afeição bonita por Fred despertando dentro dela ou pela instigação curiosa que aquele clima de mistério estava lhe provocando…

Ela sentou-se à janela e escreveu o poema que declamaria à hora do almoço, deleitando-se com os gramados vistosos de Pasárgada que já podiam ser vistos à distância.
A poetisa Clotilde Maria veio desejar a Blanca felicidades em seu relacionamento com Alfred, que seria plenamente abençoado com a estadia em Pasárgada. Pois apesar de breves, os dias que passariam lá seriam mágicos… Blanca podia apostar nisto!
Havia também um tom malicioso de mistério nas palavras de Clotilde e isto estava deixando Blanca maravilhada!
Ela podia apostar sim, que os bons presságios desta viagem estavam confirmando-se de uma forma divertida…

O almoço foi servido e como o mote festivo estava a cargo de Clotilde, ela levantou um brinde a Blanca e Alfred, obrigando-o a largar as bandejas e servir-se de um champanhe. Ao lado de Blanca, Alfred sussurrou desculpas:

-Perdoe, senhorita. Estas senhoras podem estar entusiasmadas demais, mas é a natureza artística que as faz assim.

-Conheces muito bem o mundo poético, não é? – Perguntou Blanca.

-Bastante, poetisa… O suficiente para apaixonar-me…

Antes que pudesse degustar tão deliciosas palavras, Blanca foi chamada a declamar sua poesia de primavera, o trem já entrava em território de Ciro ll.

PRIMAVERA EM PASÁRGADA

No florido tapete já se vislumbrava
a alegria bulhosa da primavera
Doce perfume no ar também indicava
o prazer da estação em aquarela

Chegamos ditosos nestas terras
onde o Rei é um grande amigo
E a paisagem entre rios e serras
oferece á alma um forte abrigo

Que enlevo e emoção!
A poesia até dançava
airosamente no salão

Que paz no coração!
O sossego reinava
disperso em profusão

……………..

5º Capítulo – Desembarque

A emoção foi grande para Blanca, ao sentir o trem diminuindo a marcha, próximo da Estação de Pasárgada. Avistava-se uma festa à frente, os moradores em expectativa, coloridos e alegres, faixas já se mostravam, certamente de boas-vindas.

-Senhorita, queria acompanhar-me… – Fred contornou sua cintura e a conduziu a uma ante-sala da cozinha do trem.

-Sou toda ouvidos, Alfred.

-Ele estava tenso e parecia não querer dizer o que precisava ser dito:

-Logo ao desembarcarmos, você saberá quem sou. E, sinceramente, tenho medo de que me evite depois disto…
Blanca até ficou apreensiva, mas lembrando-se do tom alegre com que as poetisas tratavam este mistério de Alfred, ela decidiu que não era preciso preocupar-se.

-Tudo bem, meu querido. Estou preparada para todas as surpresas! Eu já adivinhava que esta viagem seria mágica!

-Que bom, meu bem! – E Fred a beijou com todo seu sentimento.

Foram interrompidos pelo apito do trem. Estavam chegando à estação, ouviram a banda da cidade e gritos de viva e de bem-vindos. Blanca olhou à janela, não sentia nenhuma vontade de afastar-se de Alfred, pegou sua mão para saírem juntos. Mas ele disse que precisava fechar a cozinha após todos saírem e que ela, devia juntar-se aos poetas.
Blanca obedeceu, devolvendo-lhe o beijo, tão emocionado quanto fora o dele.

Os poetas estavam com suas bagagens a postos, falando todos ao mesmo tempo, numa algazarra festiva. Carminha abraçou Blanca Bianca, dizendo:

-Seja bem-vinda à terra da poesia!
Não houve tempo para nenhuma palavra a mais… Foram sugados pela agitação que se abraçava naquela estação. Pessoas desconhecidas e adoráveis, recebiam o Trem da Poesia com sorrisos e afeto. De repente, abriu-se uma passagem entre as gentes e a comitiva do Rei Ciro ll aproximou-se do saguão principal onde os poetas já se reuniam.

O rei e a rainha estavam na meia-idade e suas expressões eram vivazes e alegres, iguais a seus súditos, que festejavam respeitosamente a presença deles ali, naquele saguão.
Carminha Dias apresentou cada poeta novo, que inaugurava, naquela viagem, a sua estadia em Pasárgada.
Blanca foi apresentada com distinções por ser uma poetisa influente nas divisas da poesia do país, o casal real demonstrou que estavam felizes em conhecê-la pessoalmente… Blanca sentiu uma intrigante familiaridade no rosto da rainha. Seriam mais devaneios seus? Ou mais um especial presságio de que novidades ótimas estariam a sua espera?

Dias mais tarde, depois que a visita de Blanca à terra da poesia findara… Ela escreveu sobre Ciro ll, um soberano que soube arrebatar sua admiração:

O REI POETA

Seu poder inscrevia
em cada edito real
versos cândidos de natural
veia nobre e profunda maestria

Sua lei obedecia
a norma literal
de respeitar todo pessoal
que de inspiração, escrevia

Seu poder atraía
o leitor mais formal
e também o normal
que precisava cura e recebia

Sua lei principal
foi particularmente especial
decretava como prioridade
o amor em qualquer idade

…..

6º Capítulo – Alfred

Ainda no saguão apinhado de saudações aos recém-desembarcados, novamente o povo afastou-se dando passagem a alguém… A rainha adianta-se de braços abertos:

-Filho! é sempre tão bom quando voltas à Pasárgada!

Blanca quase não acredita no que vê. Suas amigas poetisas estão com o rosto em expectativa alegre, mas isto ela pressente pelo frisson que reverbera no ambiente, pois tem os olhos fixos no Príncipe de Pasárgada que aproxima-se em passo lento, simpático mas temeroso…
Era Alfred! Blanca não sabe que reação ela deve esboçar, no fundo está feliz mas não pode demonstrar, a surpresa era avassaladora!
Alfred está vestido com pompa e circunstância e recebe o abraço afetuoso da mãe, sem nunca deixar de perceber todos os pequenos gestos de Blanca, que, na verdade, está quase paralisada de susto…

Alfred lll, tem o nome de seu avô, um soberano que reinou com muita sabedoria, sabendo relacionar-se com seus súditos de igual para igual, colhendo assim, os frutos de uma boa convivência.
Para que no futuro pudesse continuar com eficiência e justeza o legado de seus antecessores, Fred foi criado com bastante simplicidade, embora recebesse toda a educação erudita de um futuro rei…

-Blanca, você aceita-me? – Alfred misturava jocosidade e temor em sua voz, enquanto tomava as mãos da moça entre as suas, num gesto bastante nobre.

-De toda e qualquer forma, meu amor!

O rei e a rainha, entenderam o que se passava, apenas observando o semblante feliz de seu filho. Eles sabiam que, um dia, desembarcaria no Trem da Poesia, a futura nova rainha de Pasárgada. Todo o reino tinha fé de que Alfred faria a escolha certa… A missão daquele expresso tão animado estava, por fim, realizada!

Emoldurado, pendurado acima da cama do casal… Em suíte luxuosa no palácio de Pasárgada, o poema de Blanca Bianca a seu Príncipe, Alfred lll:

UM ENCONTRO

Eram meus pares
inquietos, coloridos,
piscavam atrevidos

Eram teus pares
negros, noturnos,
piscavam taciturnos

Um dia, em janelas,
abriram, inspirados,
piscaram enamorados

Um dia, as paralelas
colidiram num encontro,
piscaram um ao outro

Eram duas luzes
confundidas na cor,
piscando o amor!

Anorkinda

.

17 comentários em “No trem da poesia – Anorkinda Neide

Adicione o seu

  1. Que delícia de conto! Uma fábula poética, uma leveza cheia de cores e sons… muito bom! Uma leitura bem do tipo que estamos precisando nestes dias! Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pasárgada pertence meramente ao mundo dos sonhos. É aquele mundo para onde se foge para se desligar do mundo real. Seu conto é alto-astral, simpático e interessante, muita história e poesia em perfeita amarração. Parabéns, Kinda! Gostei demais deste texto portador de uma boa autoestima e que não tem dificuldades em enxergar o lado positivo das situações.

    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Enxergar o lado positivo.. essa sou eu, não importa o turbilhão que seja! hehe
      Que bom que gostou do texto, querida!
      É antigo, dos tempos de Orkut onde eu me recusava a escrever algo que não fosse alto astral e de preferência metia poesia em tudo!
      Bjs

      Curtido por 1 pessoa

  3. Um conto entremeado de poesia e um romance entre a escritora e o garçom sedutor. Tudo muito bacana e a gente sente vontade de estar neste trem. A surpresa do final é muito interessante mas eu nem vou falar para não dar spoiler. Parabéns, Kinda. O tipo do texto que deixa a gente feliz. O contrário dos meus, né? Um abraço e tudo de bom.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi amore!! Não sei se teus textos não fazem feliz? Fazem sim, pelo simples prazer d e ler um bom texto, uma boa historia.. já tá valendo!! 🙂
      Este Trem é do tempo do Orkut, quando eu me recusava a escrever coisas q nao fosse alto astral!
      A historia do garçom foi uma brincadeira numa comunidade de poetisas e usei o personagem sem saber onde que ia dar e não é q fomos até Pasárgada?! kk adorei escrever isto!
      Bjs

      Curtido por 1 pessoa

  4. Trens são sempre mágicos. Não sei, nunca andei em um trem. Só de metrô – isso conta? Acho que não. Porque não tem magia no metrô. Ou talvez eu não tenha visto. Mas trens são veículos poéticos por natureza. Escolheu bem, mas não poderia esperar outra coisa de alguém que vive poesia. Gostei do romance, gostei da magia. Parabéns pelo texto.
    Beijos e abraços carinhosos.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Que bom que gostou d a magia!! hehe a poesia é mágica mesmo!
      Escrevi num tempo em que estava realmente imersa em poesia, acho q eu frequentava Pasárgada diariamente… 🙂
      Tb nunca andei de trem e metrô, eu acho deprimente.. rsrs
      Bjs, baby

      Curtido por 1 pessoa

  5. Olá, Kinda!
    Seu conto, entremeado com poesia, tem um sabor de magia de contos de fada. Fiz uma leitura paralela, Pasárgada sendo o nirvana dos poetas e o trem o meio para começar a viagem. Que começa idealizada por Carminha Dias (dias caminham) e Blanca, a página em branco a ser escrita e preenchida de poesia. Ela é alimentada, ela é servida com bebidas inebriantes, tal qual a poesia nos proporciona, ela finalmente se entrega ao amor, que nada mais é que O sublime. Ao final, a alegria se saber-se entendida nessa composição entre autor e leitor. Mas isso já é uma viagem minha. Parabéns pelo belo conto! Bjos

    Curtido por 1 pessoa

    1. Guria, que viagem linda vc fez!!
      Sinceramente, no subliminar, eu queria mesmo uma interpretação assim.
      Fico muito feliz que um texto meu, uma ideia minha alcance uma sensibilidade e inteligencia como a sua. É a glória!
      bjs

      Curtir

  6. Kinda,
    Só tenho uma coisa a dizer: por que esse conto não está impresso em formato de livro e sendo distribuído para muitos e muito leitores?
    Essa história de amor genuína, esse conto de fadas, é lindo.
    Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

    1. hehe vc tá pilhada na execução de livros!!
      Que bom que esta história pode render e se espalhar.. um dia… 😉
      bjs

      Curtir

  7. Que graça de conto, Kinda! Enquanto lia pensava como a Sabrina aí acima, que a história merece ser impressa e distribuída. Um livreto para espalhar essa mensagem tão positiva que esse seu conto/fábula traz. Muito lindo. Parabéns, querida. Um beijo.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Que bom que gostou, querida!!
      Nunca valorizei muito este conto embora eu goste muito dele, mas achava açucarado demais para ser diluído por aí.. mas quem sabe…
      bjssssss

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: