Dias de Chuva – Iolandinha Pinheiro

Dias de Chuva

Caminho pela chuva, e vejo a praça
Por onde uma criança anda descalça
Seguindo pelo vento, achando graça
Dos barcos de papel, em uma valsa

Dançando quase juntos sobre o rio
Valentes, enfrentando o aguaceiro
Voando sob o duro meio fio
Até se desmancharem por inteiro

Ali se encerrou, breve destino
Dos dois pequenos barcos pelo mundo
Nascer e já morrer em um segundo

Os barcos são meus sonhos de adulto
Morrendo na ilusão de um clandestino
Amor sem esperança e sem indulto.

Iolandinha Pinheiro

24 comentários em “Dias de Chuva – Iolandinha Pinheiro

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  1. Oi, Iolandinha!
    Adorei! Confesso que tenho uma quedinha por poesia com rima, com melodia, em especial por essas, como a sua, que têm alma de clássica.
    Uma cena singela descrita tão lindamente e com tanta habilidade! Parabéns e quero mais! 🙂

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    1. Devo passar este ano publicando mais poesia. Obrigada pelo comentário tão generoso, gentil, meigo. Você é uma flor. Beijos.

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  2. Já tinha lido e me apaixonado. Li novamente e amei mais ainda. Acho que a gente tende a gostar ainda mais quando o texto já está dentro da gente, há um reconhecimento. Seus sonetos são sempre interessantes, inteligentes e sonoros. Amo. Parabéns.

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    1. Muito obrigada pelo apoio. Você foi, inclusive, a primeira pessoa que leu o soneto depois de acabado. Sei que está em desuso fazer poemas com rimas ou regras, mas eu sou uma pessoa saudosista, e sou apaixonada por sonetos. Agradeço por estar sempre estimulando a produção literária de cada uma das escritoras daqui. Vc é maravilhosa.

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      1. O mundo agradece pessoas como vc que escrevem estes sonetos com rimas e regras e que ficam tão lindos. Hoje se escreve muito e de muitas maneiras, mas o soneto não morrerá jamais. Que ótimo que vc gosta e escreve tão bem. É gostoso ler algo sonoro e bonito assim. Parabéns.

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  3. Adoro seus sonetos, querida Iolanda, já disse e repito. Aqui, destaco a síntese do primeiro terceto. Precioso, muito inspirado no sentido e lindíssimo em ritmo e sonoridade. Parabéns, amadinha. Beijos

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    1. Esse soneto foi inspirado em um poema de Guilherme de Almeida que eu li numa prova de vestibular que fiz, Era o texto que inspiraria a redação. Nunca mais esqueci, e um dia destes reli a poesia na internet. Achei que esse reencontro merecia uns versos. Um grande abraço, minha linda amiga.

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  4. Ah… como isso me lembrou minha infância, vendo a água correr na sarjeta, e os barcos de papel se indo, sem rumo, ganhando vida e o mundo. Quase lembram a vida em carreira, incerta e traiçoeira, levando os sonhos da criança faceira.
    Um soneto lindoooooooo! Amei. Gratidão por compartilhar.
    Beijos e abraços carinhosos.

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    1. Linda comparação, querida. Uma vida curta e incerta mesmo, a dos barquinhos. Parece a transitoriedade humana neste mundo tão cheio de afrontas. Obrigada, querida Evelyn. Sempre presente e sempre querida. Beijos.

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  5. Seu soneto, Iolanda é clássico: forma fixa, começa com a apresentação de um tema, que passa a ser desenvolvido, e, no último verso, contém uma conclusão que esclarece o tema — como um silogismo, objeto da lógica.

    Ah! a imagem da água que limpa a alma, qua lava os desacertos e leva os detritos para longe. Parabéns pela sensibilidade, pela delicadeza.

    Beijos.

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    1. Obrigada, minha linda. A cada comentário seu eu aprendo coisas novas. Como é legal ser amiga de uma professora tão generosa e competente. Obrigada pela gentileza e o carinho de sempre, amiga. Deus a abençoe.

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  6. Querida Iolanda,

    Bela poesia. Vou gravar para o Vinilzinho. Não é infantil, mas, torna-se ao evocar a infância do leitor de forma tão imagética e delicada. Lembrou-me até a peça de Teatro “A viagem de um barquinho”, acho que é da Silvia Ortoff.

    Parabéns.

    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Olá. Obrigada. Muito prazer em conhecê-lo e bem vindo a este coletivo feminino. Recomendo a leitura de todas as meninas. São todas excelentes.

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    1. Querida, obrigada. Poesia não é minha praia. Mas sonetos sempre foram apaixonantes. Quando os escrevo, sou aquela pessoa nostálgica que se prende a modelos, à rimas. Eu amo rimas. E o resultado é esse. Que bom saber que agradou você, uma pessoa tão do meu coração. Beijos.

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  7. Não sou muito de gostar de poemas, mas este me tocou, talvez por me encontrar nele, assim tb são meus sonhos, morrem quase ao nascer… Bjs, adoro tudo que vc escreve. ❤

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    1. Acredite, Vanessa. Também sou uma pessoa melancólica. A tristeza eu uso para criar versos. Como ninguém importante está me fazendo sofrer, atualmente, apelo para as poesias tristes que me inspiram e as lembranças de infância. Eu soltei muitos barquinhos de papel incentivada por meus pais, e sempre ficava triste ao vê-los se desfazendo. A gente pode comparar isso à vida, não é? Aos nossos projetos tão frágeis diante das vicissitudes. Um abraço, querida. Gosto muito de você.

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  8. Está ficando fera na poesia, ei, garota. Sempre adorei barcos de papel, confeccioná-los, desenhá-los, imaginá-los ganhando oceanos inteiros. Ao mesmo tempo que libertam a imaginação, também nos levam de volta à infância, aos sonhos que apesar de frágeis nos pareciam tão inteiros. Gostei muito dos seus versos, do ritmo e do conteúdo. Parabéns.

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    1. Claudinha, minha boneca, ando tão cheia de trabalho para fazer que nem vim aqui e só agora eu vi o seu comentário, me desculpe. Muito obrigada, querida. A gente vai se virando para todo lado e às vezes dá certo. Beijão, viu?

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  9. Olá, Iolandinha!
    É com grata surpresa que a vejo criando sonetos, arriscando-se na poesia e, diga-se de passagem, de maneira adorável. Sua poesia é pungente e melancólica. O tema de barcos simbolizando os sonhos de adultos (o amor inclusive) que foram levados pela correnteza, pelo voragem do tempo que é um verdadeiro redemoinho a nos envolver e nos sugar. Soberbo. Parabéns!

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    1. Olá, Sandra Musa!

      Vivo dizendo que não gosto de poesia mas já faz um tempo que cometo algumas. Só mostro lá pelo Recanto das Letras, por isso vcs não conhecem.

      Que legal vc ter se deixado levar pelos meus barquinhos e pelos meus sentimentos meio inventados, um pouco reais.

      Esse ano será só de poesias por aqui. Espero não decepcionar. Beijos.

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