Sopa Paraguaia – Paula Giannini

Ingredientes

2/3 de copo (250 ml) de óleo 

2 Cebolas médias em fatias finas 

2 Ovos levemente batidos 

500 ml de leite 

250 g de Flocão de Milho 

Colher rasa (de sopa) de fermento em pó 

Xícaras de queijo picado em cubos (minas ou meia cura)  

Queijo ralado (parmesão) 

Sal e pimenta do reino a gosto. 

Esta é a história de Ofélia. A heroína que apostava corrida com o sol. E vencia. Todos os dias. Sempre. Há anos. E vestida já, esperava que o astro acordasse, e o saudava preparando comida para todo o seu bando. Não se poderia dizer dela que achasse fácil essa vida de alvoreceres cansados à beira do fogão. Não. Antes disso, era guerreira, e o fácil, para ela, em momento algum teve nada de natural. Nunca. Não em pequena. Menos ainda quando jovem. Há o leitor de concluir então, obviamente, que, já senhora, as facilidades do mundo não lhe oferecessem a menor possibilidade de intimidade. Não. Nossa heroína era uma batalhadora. Lutava a vida com as armas que conhecia. E ponto.   

Nós, do lado de cá, seu bando, éramos muitos. 15, 20, talvez mais. Nunca fui dado a números e tenho esse bom hábito de me distrair sempre, e com bobagens. Um inseto, o ruído de uma pomba que se debate no galho de um arbusto e pronto, a conta toda se perde em minha cabeça, teimosa em não conseguir lembrar de número algum.  

Modo de Preparo

Lembro bem, e isso sim é um dom, das mãos grossas de nossa Ofélia cortando a cebola em rodelas. É esse o talento que o Criador me deu. Memórias afetivas. E olfativas. Aromas imperceptíveis a outros, igualmente talvez a você, leitor, passassem despercebidos. Mas para meu treinado nariz, não. Nunca. Odores são rastros e pistas de cada passo, de cada um dos lados de nossa batalha. A cebola exalando seu ácido no corte. O azeite quente chiando na panela pronta para fritar aquelas rodelas. O leite despejado em seguida sobre as cebolas já macias. Os ovos batidos, de leve. E o suor escorrendo das fartas bochechas de Ofélia enquanto misturava os demais ingredientes – a farinha de milho, o fermento – aos ovos, e os despejava, mexendo sempre no caldeirão. Sem trégua. Notas olfativas a se misturar em sigilosa luta contra invisíveis desafetos que ainda não poderíamos adivinhar de onde vinham. Quem eram.   

De dentro da polenta.  

Era ali que residiam os tais inimigos. Às borbulhas. Ou talvez não. Quem sabe as batalhas fossem travadas consigo mesma, e brotassem daquele peito exausto e apenas isso. Quem saberia dizer? 

Não eu. Tampouco você, desavisado leitor.  

E enquanto o grosso mingau descansava em sua forma, eu a via correndo de um lado para o outro. As tais suas-armas em punho, e limpando, e varrendo, e lavando tudo em uma peleja caótica e sem parada.  

E aqui devo eu explicar o que chamo de movimento perpétuo de

Ofélia. 

Sim. Ela parava. E quem não? Era humana a nossa heroína, afinal. Parava. Mas pelo momento apenas de um suspirar. Breve. E, nesse átimo, arriscava um sorriso de gastos dentes, enquanto passava a mão sobre a cabeça de um de nós. O mais próximo de seu alcance. O mais afoito. O dono do mais comprido dos olhares. 

— A comida já está quase pronta. Acham que não sei que só pensam com o estômago?  

A Comida. A melhor que o pouco que tinha podia comprar. Restos da xepa e do açougue, misturados com a quirera temperada. E só. Nesse momento a heroína também era fada, e bruxa. E ao leitor eu não saberia descrever o gozo de se comer ao lado dos outros, e o de, com a barriga quente e cheia, deitar no chão de terra batida para levantar somente se necessário, para correr atrás de passarinho, ou farejar intrusos se aproximando do portão. 

— Cobrança…  É só isso que chega até aqui. Olha… Taxa de esgoto…  Estou para ver o dia em que vai passar esgoto na porcaria desse lugar. Cobrança! — Ofélia desdenhava do invasor. E, jogando o papel no bolso do avental, ia logo baixando o olhar em busca da atenção de um dos nossos. Qualquer um.  

Momentos assim, faziam a sorte do mais afoito. Um carinho de tapinhas repetidos e de cabeças aproximadas de suas coxas, sobrava incentivando o afortunado a vigiar. 

— Está tudo bem, menino. Pode deixar. — Era esse o som que, alto, brotava daquela boca zangada. Secretamente nós, entretanto, entendíamos o código. Eram outras as palavras ocultas sob a fala. — Esse aí não é bem-vindo. Cuida! 

E cuidávamos. Soldados que éramos. Atentos. O faro aguçado. O rabo, em riste. 

— Carpe Diem. 

— A senhora precisa assinar. — O moto boy ainda aguardava. 

— Carpe Diem! — Ela insistia — Aproveite o seu dia. Aprendi isso com eles… Olha. Tudo o que querem é comida e um cafuné. No mais, é só aproveitar cada momento. O que a vida lhe trouxer. 

O resto, vem com o tempo. O que a vida lhe trouxe hoje, rapaz? 

— Não sei de nada disso, não senhora. 

— Pois diga para o seu patrão que eu só saio daqui se for para um lugar melhor. Se até taxa de esgoto eu pago, eu quero é ver quem é o doutor que vai dizer que isso aqui não é meu. E Carpe Diem! 

E aproveitar o dia, para ela, era examinar se estavam todos de acordo com sua minuciosa inspeção. Ouvidos limpos, dentes em ordem, unhas. Era esse o real afago a que tínhamos direito.  

Vez por outra, uma morte. Baixa terrível em nosso exército de velhos, e rotos, e mancos soldados. 

E a vida de nossa heroína se acabava. Esvaía-se junto a cada uma das perdas em seu contingente. 

Nesses dias, a polenta salgada dava provas do lamento deixado junto à panela.  

— Não temos tempo para chorar, vamos. Levanta esse rabo daí que preciso deixar essa casa em ordem.  

Mas não deixava.  

Não havia como.  

Se desdobrava entre conseguir serviço de faxina em apartamentos de gente de um mundo distante do seu e realizar resgates. Muitos. Outros de nós. Tantos. Deixados irremediavelmente para trás nas dezenas de desocupações do último mês.  

Desapropriações. Expulsões. Expropriações. Não sou eu apto a encontrar a nomenclatura acertada. Que sei eu, também, sobre o nome que se dá a essas coisas de gente? Menos ainda que de números. Nada sei. Sou bicho e só. E Ofélia? Não sei. Meio bicho, muito gente.  

Que sei eu?  

O fato é que o governo precisava esvaziar toda aquela área até o final do ano. Prazo marcado e o local daria lugar àquilo que, efetivamente, sempre fora.  

Um imenso lixão.  

— Para que é taxa de esgoto em um aterro sanitário, meu filho? — Discutia sempre com o rapaz da companhia de água. Sempre. Mais pela revolta, pela birra, que pela questão em si.  

Tornara-se retórica.  

— Olha, eu sei que você não tem culpa, mas preciso desabafar com alguém. No caso aqui, você.  

E desabafava.  

Muito.  

E terminava o dia oferecendo café ao mensageiro do lado de lá.  Tinha pena do coitado. Jovem demais para essa vida de arauto das desgraças, velho demais para pensar em oportunidades outras, longe daquele ciclo de pobreza e luta.  

— Estou assando Sopa Paraguaia. Aceita? Vamos… Ninguém precisa saber. Anda. Vai ser o nosso segredo. Venha! Eles não mordem.  Só se eu der o comando. – Não resistia à provocação.  

— O que eu proponho é uma trégua. Dez minutos de descanso em nossa batalha. 

Batalha. Ofélia podia até ganhá-las. Algumas. Mas a derrota na guerra era certa e caso perdido, ela sabia. Todos aceitariam, cedo ou tarde, a proposta do governo.  Indecente. Uma caixa de fósforos mal disfarçada de apartamento, em um bairro ainda mais inacessível que o lixão. E com esgoto. Na taxa. Porque na rua, não. Também por lá, saneamento era plano para um futuro distante. Tempo longo o suficiente para que a presente geração não conhecesse tal luxo. Mas ela não. Não. Nossa guerreira permaneceria ali. Firme. Até o fim. Fosse ele quando fosse. Não tinha pressa. Tampouco tinha ela, afinal, muito o que escolher e, menos ainda, um local para onde ir. 

Mas os cachorros tinham.  

Todos.  

Magros, velhos, infestados de carrapatos. E de bicheira. Ela os recolhia, um a um, alimentava, cuidava, matava as sarnas, fazia cafuné e os oferecia para doação. Coisa rara e quase utópica. 

Quem, afinal, quer adotar um vira-lata velho e caolho? Alguns, talvez. Não posso aqui, leitor, ser injusto com os tais alguns. Isso de adotar estava se tornando moda. Algo que parecia bonito e de bomtom se chamar de politicamente correto. Então, vez ou outra, raridade, aparecia por lá um disposto a oferecer lar ao mestiço de labrador. Mas o caolho não. Esse sempre ficava. Faria para sempre parte daquele corpo de um exército de Brancaleones famintos. 

— Carpe Diem! — Desvencilhava-se sempre do oficial de justiça. Não tinha a menor intenção de barganhar o suor de toda uma vida. — Para onde vou com isso que o senhor me oferece? Para a Favela do Rato? — E, se havia coisa que ela sabia, era dar trabalho. Faria com gosto aquilo para que nascera. Resistir. Sempre. E longamente.  

De mais a mais, alguém havia de pensar nos cães. 30, 40, já não contava para não se perder no desespero e na raiva.  E eu? Que poderia saber? Também não ouso me arriscar na tentativa de estimar quantos somávamos nesse ponto. Não sei, definitivamente, como é possível se fazer malabarismo com os números. Mas Ofélia sabia. E como. Tecia planos e fazia os tais malabarismos, não com números, mas com estratégias. 

Modo de Assar

E era com estratégia que fazia o rapaz entrar com ela. Desconfiado, cruzava fronteira. Tímido. Amedrontado com as dezenas de focinhos a farejar os caminhos por onde andava. O que trazia nos bolsos e na alma. E com estratégia, igualmente, cortava o queijo em cubos, enterrando-os na polenta despejada na forma untada e enfarinhada.  E ligava o forno. Com calma. Medindo palavras. Pensando o gesto, colocava a sopa polvilhada do restante daquele queijo em pouco de salsinha para assar. E servia o café.  

Só então ordenava que se sentasse. E a seu comando, obedecíamos todos, e nos sentávamos, também nós. Prontos para o passo seguinte. Próximos o suficiente para que o inimigo entendesse que era vigiado. Distantes o quanto era possível para que a articulação do plano se desenrolasse.  

Tudo estudado. O mensageiro estranharia a tal sopa que de sopa, para seu alívio, não tinha nada. Também ele, rapaz, tinha lá os seus segredos, e detestava sopa desde um tempo em que estivera, ainda menino, internado no ambulatório de um hospital. Mas não. A sopa em questão e à sua frente, mais parecia uma convidativa fatia de bolo de milho. Salgado. E, nesse momento, o sorriso do moço seria inevitável. O instante aguardado pacientemente por aquela mulher. O calcanhar-de-aquiles do mensageiro estaria vulnerável e na mira por uns minutos. Ofélia teria, então, o arauto em suas mãos. E ele abriria a boca não só para o sabor, mas para cuspir, meio que sem perceber, informações preciosas. Segredos de guerra guardados por tesouro do lado de lá.  

— Aceita mais um pedaço? 

A essas alturas a líder já saberia que havia outros a seu favor. A imprensa. Os direitos dos humanos e dos animais. E que o juiz impugnara o pedido de embargo da obra que não tardaria a ter início.  

— Dois. 

— Meses?   

— Dias. 

Dois dias. Tempo suficiente para que mais 15 ou 20 fossem colocados para o lado de cá de nossa cerca improvisada que já resultava em 70, 80 talvez. Barricada de proteção contra a entrada dos desalmados, como agora era nominado o exército de operários. Limite de prevenção para que os novatos não cedessem ao apelo da rua, na tentativa de seguir procurando por aqueles que os deixaram para trás.  

— Covardes. — Agora dera para falar baixinho e consigo mesma. 

De resto, mantinha a rotina. Era preciso resistir, e preservar a sanidade era questão de honra. Varria, recolhia os excrementos, seguia com o ritual de mexer a polenta incansável e incessantemente. Um olho no horizonte, o outro em nós e o terceiro, na nuca, dissimulado sob o calmo semblante, mirava o portão à espera do próximo passo do inimigo. Calma. Inabalável. 

Soberana. 

E foi só no dia em que apareceram os tratores, com homens de mãos tão grossas quanto as dela, usando chapéus que me faziam lembrar o prato de nossas comidas, que a vi, pela primeira vez, enfurecer-se. E pegar em armas outras que as suas habituais. E com um pedaço de pau, sair de si e de casa, aos gritos e ainda de camisola. Na porta de seu barraco, máquina alguma passaria. 

Passariam, e isso sim, sobre seu corpo, se insistissem com aquilo que chamou de declaração de guerra. O dia D. E soltaria os cães. Nós. Todos agitados, dentes à mostra e latindo nosso uivo jurando fidelidade. Nossas armas também expostas e prontas para lutar ao lado da líder de nossa matilha. Ofélia. 

Então isso é que era a guerra.  

Nenhum dos soldados do lado de lá, com seus tratores e britadeiras, queria confusão. Eram todos trabalhadores, como ela. Cumpriam apenas seu papel de obedecer a ordens e tratar de não perder seus empregos. A crise estava feia. Sempre estivera. Desde que se conheciam por gente. Mas repetiam o jargão a fim de, quem sabe, corroborar com a ordem vigente. Ou, talvez não. Talvez repetissem a coisa que ouviram durante toda a vida, de seus pais e, antes disso, dos próprios pais destes pais. Repetiam aquilo em voz alta, convencendo-se a si mesmos de que a culpa daquela vida miserável era uma obra da tal crise. Uma entidade acima de tudo e todos. A senhora daquela guerra.  

Os superiores ordenaram a retirada das gentes daquele local. E aos operários só cabia colocar os casebres abaixo. Ninguém mencionara aquela pedra. O desvario no meio do caminho. E de mais a mais, a mulher de camisola poderia até ser a mãe de um deles. A esposa. A avó.  

As máquinas avançavam. 

Ofélia gesticulava.  

Os cães uivavam uníssonos evocando o lobo que um dia habitou cada um de seus ancestrais. O pastor, o pinscher, o indefinido, o caolho, todos mestiços da mesma origem remota.  

Do outro lado, um grupo paralisara temendo o pior. 

O pedaço de pau chocava-se contra o chão, banhado de lágrimas, e saliva, e suor. 

E sangue. 

Do que se seguiu, prezado leitor, não sei precisar o motivo. Não sei que sinal, que comando, quê. Não sei se o cheiro do sangue de nossa líder, escorrendo da palma da mão ferida pela fúria da madeira partida em dois a duros golpes, abrindo-se em ponta em forma de lança. Ou se pelo grito. 

Palavrão de dor e revolta ecoando no meio daquele nada. Não sei. 

O fato é que Ofélia feriu-se sozinha.  

E que o mestiço Caramelo, cor e cara de Lobo-Guará, linhagem e aparência da mais pura mescla de raças desconhecidas, saltou. Desvencilhando-se da contenção, atravessou a cerca em uma manobra mirabolante e feriu o rosto do rapaz parado do lado de lá. Justo o conciliador. Justo o que, na insanidade do instante, oferecia um pano a fim de estancar o jorro vermelho da canhota de nossa heroína. Justo o desavisado. 

E o sangue do outro lado também jorrou. 

E o silêncio se fez.  

Em ambos os lados, olhares suspensos pareciam assinar um contrato de luta. Os homens, também estes uma espécie de cães a se guardar uns aos outros, pareciam agora ter perdido a paciência com aquela que já chamavam de louca. E subindo em seus tratores, tanques com seus motores ligados, enfurecidos, estavam prontos para mostrar quem é que mandava ali, naquele lixão. 

— Carpe Diem. — O ferido não parecia se importar com a mordida do Caramelo. Um forte, talvez. O único por ali disposto a um ato de coragem. Um herói.  

Carpe Diem.  

O sangue escorria pelas bochechas do rapaz.  Uma espécie de camuflagem parecia prenunciar o embate eminente.  

Carpe Diem. 

E o rapaz, passando a mão no rosto, ergueu o braço. Alto. Gesto usual para ele, talvez, mas que, para os do lado de lá, poderia anunciar o sinal que antecede um comando de ataque. Os do lado de cá eriçavam o pelo. Outra memória ancestral dos que sabem que na luta, o inimigo procura parecer maior.  

Ofélia não sabia o que fazer. O que dizer.  

— Tem mais daquela sopa aí? — O ferido dava o primeiro passo, estendendo o paninho à nossa líder. Bandeira branca manchada com o sangue de ambos os lados.  

E Ofélia sorriu. Apanhou o trapo das mãos do inimigo e o amarrou na porta da casa, virando as costas para os opositores. Obviamente tinha Sopa Paraguaia. Sempre tinha.  

Tinha Sopa Paraguaia.  

E café. 

Para ele era de graça, aos demais, sugestão do próprio adversário, agora um amigo, custaria apenas 1 moeda a fatia. Assim como o café, 1 moeda. Ajuda bem-vinda para auxiliar na despesa com os cães. Também ele, rapaz, tinha lá sua queda por cachorros. E sentia a falta do seu de menino, quando a mãe, sem aviso prévio, doou seu Sultão a um vizinho que jamais concordou em devolver. 

Estava feito.  

A demolição de modo algum cessaria. Mas, para a senhora do café, abriram uma exceção. E as máquinas agora, passariam ao largo de nossa cerca, construindo uma ilha de paz que em breve seria cercada de lixo por todos os lados.         

Final feliz.  

Ao menos assim eu, que pouco sei das coisas, julgo ser.  

Eu, que nada sei, mas que tudo sinto, tenho até, confesso, minhas preferências por odores assim. Fortes. Dizem que faz parte daquela tal de memória de meu DNA animal. O mau cheiro disfarça o medo na hora da batalha.  

E batalhas, as temos muitas. Tantas. 

E você, leitor que até aqui me acompanhou, pode, talvez, já a essa altura imaginar quem sou. Pois sou o Caolho. Caolho, de nome, sobrenome e fisionomia. Perdi o esquerdo em uma de minhas lutas. Não lembro qual. Menos ainda, saberia precisar quando. E talvez, ainda, você se pergunte como pode ser. Como? Um cão falando assim, desse modo bobo, todo explicadinho. 

Bem, o que digo em minha defesa é que aqui é a minha ilha. E esse universo é todo meu.  

E sobre Ofélia?   

Sou dela. Irremediavelmente dela, enquanto houver no mundo alguém disposto a enxugar gelo ao resgatar na rua um cão. O que posso dizer? Sou seu fã.  

E você?   

Aceita uma Sopa Paraguaia?  

***

Este texto faz parte do livro Como a Vida – Editora Patuá 2019

E fará parte do espetáculo Como a Vida Online – Estreia em Breve.

***

Imagem – G1

8 comentários em “Sopa Paraguaia – Paula Giannini

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  1. Ah que lindeza de conto. Como não se apaixonar por um texto narrado pelo caolho? Uma história que mostra a luta de muitos, uma realidade sofrida, mas que tem espaço para a fidelidade, o companheirismo e uma sopa paraguaia a amolecer corações. Maravilhoso texto. Parabéns.

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  2. Muito lindo e sensível texto. Lá pelo meio matei a charada, o que deixou o texto ainda mais lindo e valoroso para mim, vc sabe porque, eu não vou dar spoiler. É uma situação muito difícil porque o dinheiro é o rei dos homens, e o amor é o rei de tão pouca gente.

    Ninguém continua igual quando lê um texto como esse. Ninguém que tenha coração. Parabéns, querida Paula. Seus contos sempre mexem com quem os lê. Beijos.

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  3. Mais uma receita maravilhosa, e, com personagem shakespeareano – a amante do príncipe Hamlet. E, respondendo ao Caolho: também sou fã da Ofélia. Como não ser?

    Texto bem adequado para ser comentado nesta data que simboliza a luta histórica das mulheres para terem condições melhores de vida. Parabéns pelo trabalho! Amei.

    Outra coisa: só conheci a sopa paraguaia há uns dois meses. Minha filha mora está morando na fronteira e conversamos toda manhã, tomando café. Disseram que iam comer sopa paraguaia e estranhei; então me mostraram um bolo. São os costumes diferentes…

    Beijos.

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  4. Que conto sensacional! Forte, delicado, bruto e poético em doses perfeitas! A cada dia me encantando mais com esse seu estilo, Paula!
    Vou te mandar um conto que sinto que de alguma forma dialoga com este seu!
    Parabéns pelo trabalho lindo!
    Beijo!

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  5. Olá, Paulinha!
    Seus contos começam com um grande enigma: quem é o narrador? Perpassando posteriormente a uma ambiguidade, pode ser isso ou aquilo, depois o suspense atrelado a uma curiosidade do leitor para se saber do desfecho, essa é a sua receita certeira para um conto que nos cativa desde o seu início. Nessa história comovente, como não se encantar com Ofélia e o caolho em suas lutas para sobreviver. Lindo trabalho, escrito com maestria! Parabéns!

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  6. Ah… As suas receita… Sabe o que mais me encanta? É a versatilidade. Receita doce, receita salgada, receita amarga, receita ácida… Quando se avalia uma receita sua nunca se sabe o que vamos encontrar. Não. Espera. Sabe-se sim. Sensibilidade e talento para nos cobrir das coisas do mundo, mesmo as que são mais delicadas. Parabéns pelo texto. Um grande e carinhoso abraço.

    Curtido por 1 pessoa

  7. Esses textos começam com a vontade doida da gente provar a receita e no fim a garganta está tão apertada que nao desceria nada por ela… Sou adepta à adoção, tenho gatas e cachorra vira-latas e elas tem mt amor para oferecer, além de terem sido resgatadas de um destino cruel. Bjs, lindo conto ❤

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