– Areia Que Escorre Entre Os Dedos – Iolandinha Pinheiro

E por que se desfazem em segundos,
Os sonhos construídos numa vida?

Talvez em doces tardes esquecidas
Em que me prometias largos mundos
Os planos de amor que tu fazias
 Das nossas combinadas alegrias
Num tempo em que não nos cabiam medos
Areia já escorria entre os dedos
mas, nem imaginava, não sabia
Ah, como me dizias que querias
E que seriam juntas nossas vidas
Promessas logo foram esquecidas
Nas tardes de vazios vagabundos
Silêncios infinitos e profundos
E nada, nada, nada mais havia.

Os sonhos construídos numa vida
Por que se desfazem  em um segundo?

28 comentários em “– Areia Que Escorre Entre Os Dedos – Iolandinha Pinheiro

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  1. Uau!
    Sempre amei suas poesias! Você é uma ótima Contista, mas é uma poeta incrível, excelente mesmo!
    Gostei muito da sonoridade desse poema, as palavras foram tão bem lapidadas que dá prazer recitar em voz alta!
    Um beijo, querida!
    💖

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    1. Ah, que delícia ler um comentário tão gentil e elegante. No universo das vaidades exacerbadas, uma campeã do Entrecontos ser tão generosa é um achado. Viva você, minha linda que é um encanto de pessoa. Beijos para todos da sua família. Saúde, felicidade e suceso. Um chuva de brilho. Muito obrigada.

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  2. Lindos versos com tom romântico de uma sonhadora. Como deixar de sonhar se é de sonhos que construímos muito da realidade? Mas são fugazes, escapam pelas mãos, como areia caindo no funil da ampulheta do tempo. Parabéns pelo poema. Beijos.

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    1. Obrigada, amada Claudinha. Sim, é verdade, temos uma tendência a romantizar relações nota dois às quais atribuímos nota 10. Acho que sempre seremos mocinhas a espera de príncipes encantados que simplesmente não existem. Com o tempo ficamos mais espertas, menos entregues, não é mesmo? Muito obrigada pela rapidez da visita e do agradável comentário. Gosto muito de vc, viu?

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  3. Iolandinha ❤

    Já conhecia esse poema de beleza ímpar….você é excelente sonetista, Iolandinha. Aliás, nem quero ficar me repetindo, mas não tem jeito rss, vc manda muito bem, escritora de primeira, sou fã mil vezes.
    Fico com estes versos, para a minha segunda-feira:
    "Os sonhos construídos numa vida
    Por que se desfazem em um segundo?"
    Não com tristeza ou saudade, mas como reflexão…
    Bjokas!!

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    1. Obrigada Renatinha. Você é mesmo infalível. Sempre me prestigia com as suas doces palavras. Você é uma pessoa admirável, e querida por todos por conta do seu talento, de sua doçura e do seu amor pelos bichinhos. Gosto muito de vc. Obrigada pelo carinho redobrado comigo.

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  4. A areia escapando entre os dedos nos remete à ampulheta, à contínua passagem do tempo, o seu fluxo inexorável e a transitoriedade da vida. Por outro lado, significa também uma possibilidade de inversão do tempo, retornando ao ciclo: um lado vazio e um cheio.

    Então, poeta, anime-se, a porta, na qual as trocas ocorrem, é estreita; mas os sonhos podem voltar.

    Parabéns, Iolanda, por mais um trabalho significativo. Gosto de tudo que você escreve, pois sinto que o faz com a alma. Beijos.

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    1. Acho que todo mundo fica aguardando os seus comentários, querida Fátima. Eles sempre refletem que vc não apenas leu, mas que compreendeu e foi mais além. A areia escorrendo pelos dedos, para mim, significava a inevitável perda daquilo que tentamos deter, segurar, mas que já foi embora sem que percebêssemos, mas você encontrou outros significados, enriquecendo assim a poesia. Ah, muito obrigada. Você é genial. Beijos.

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  5. Uma preciosidade. Seu poema lembra muito aqueles poemas dos livros que eu lia na biblioteca da escola. Poetas clássicos. Tem requinte. Coisa boa de ler. Eu ficava encantada em como as palavras iam se juntando, formando aquelas sentenças de movimento e significado tão sensíveis. O mesmo acontece aqui. É simplesmente lindo.
    Beijos e abraços carinhosos.

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    1. Que delícia de comentário, minha querida. Acho que nasci no século errado. Lembro de como me emocionava lendo poemas clássicos, rimantes e regrados, tais quais estes memos que vc lia em bibliotecas. E de como livros do século dezenove me inspiraram a ser um dia a escritora que sou. Amei cada palavra que você deixou aqui como um presente do reconhecimento que eu tanto desejo. Hoje a festa foi sua, e ela aconteceu no meu coração. ❤

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  6. Eu já falei mil vezes que não entendo de poesia. Quando leio um poema eu tento apenas me deixar levar pelas palavras, como se estivesse boiando num lago, olhando as estrelas no céu. A cada frase, constelações e desenhos vão se formando na vista da mente, e aí eu digo: gostei! Ou: não curti. No caso desse seu poema eu disse: amei!
    Beijos, Iolandinha. 😘

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    1. A melhor maneira de entender um poema é mergulhar nas emoções que ele faz surgir em você. Quanto maior for a imersão, mais você o captará srm precisar racionalizá-lo. Trabalhei por dez anos em um coral, e fechava os olhos para cantar, sentir toda a gama de sentimentos que a música proporciona acima de todas as demais manifestações artísticas. Fico muito feliz em saber que meu poema fez você viajar. Muito agradecida, Ju.

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  7. Adoro poemas com essa aura de clássico, de atemporal, que são ricos não só na forma mas no significado. Eu não venho da poesia; tenho pouca experiência com ela. Venho da música, das dezenas de letras que escrevi, então se não há muita sonoridade, ritmo, e se ao mesmo tempo não crio imagens a partir do texto, muitas vezes não capto o poema como deveria. Falha minha. Mas o seu é tão rico nisso tudo que fala diretamente comigo.
    E o início dialogando com o final, invertendo e ao mesmo temo mantendo o discurso, fechando o ciclo, foi brilhante! Parabéns! Obrigada por essa lindeza!

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    1. Obrigada, Gi. Tudo que eu escrevo sai do meu coração, o que não sai não convence nem a mim mesma, então nem publico. Muito obrigada pelo comentário lindo, tocante, do bem. Não sabia que compunha letras de músicas, mais um talento que vc me apresenta, Que legal.

      Este estilo de poesia é baseado numa técnica chamada Redonde. Mas como estamos falando de Iolandinha, é claro que eu não segui as regras quanto ao tamanho e ainda inverti a frase inicial e a modifiquei um pouco. A inversão foi sugerida pela Fernanda, companheira de crimes, rs.

      Muito obrigada. Fico feliz demais quando gostam do que escrevo.

      Beijos, querida.

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  8. Já havia lido e me apaixonado. Este poema é de uma sensibilidade e uma verdade que nos deixa refletindo, lendo e relendo. Tudo faz sentido, tudo se encaixa de maneira leve e bela. Muito boa a ideia da repetição da ideia do início no final. Li, reli e lerei outras vezes. Adoro seus poemas, assim como seus contos. Parabéns.

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    1. Fernandinha, eu que agradeço o seu empenho, a sua ajuda, a sua amizade e, sobretudo, a sua paciência. Sempre agradável, disponível e generosa.

      Ah “se todos fossem iguais a vc, que maravilha viver!”

      Você é sempre tão eficiente e de boa vontade para ajudar quem pede. Você é uma querida mesmo, além de ser uma linda e talentosa pessoa.

      Adoro nossas conversas, viu?

      Muito obrigada por tudo e muito mais. Beijos.

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  9. Oi, Iolandinha!
    Como eu admiro sua versatilidade em escrever, dos contos de terror aos fantásticos e, agora, as poesias. Sua poesia tem uma nostalgia que comove, que nos bate cá dentro e nos emociona. A Areia é o tempo escoando, um instante que não volta mais. Entretanto, como falou a Fátima, tal como um ampulheta, pode-se recomeçar. Só os vazios podem ser preenchidos. Não há o novo se não nos despedirmos do velho. Sonhos podem ser retomados, ainda que em novas nuances. Parabéns pelo belo poema que nos comove no que temos de mais humano: a possibilidade de se reciclar.

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    1. Excelente e atento comentário. Escrevo poesias há muito mais tempo do que escrevo prosa, mas só comecei a publicar a partir do meu ingresso no Recanto das Letras. Sou mais afeita à prosa. Poesia exige um poder de concisão muito grande, e fazer isso sem perder o sentido do conteúdo, a mensagem que se quer passar. Quando dá certo, contudo, fica um encanto não é? Muito obrigada pela sua generosidade e amizade tão dedicada. Quero vc sempre por perto. Beijos.

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  10. “Os sonhos construídos numa vida
    Por que se desfazem em um segundo?” essa é uma ótima pergunta, e acredito que nunca terá uma resposta correta. O tempo, assim como a vida, escorre mesmo entre os dedos e não há forma de evitar… Adorei. Bjs ❤

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    1. Por que as pessoas iludem a gente, né Vanessa? Por que os nossos planos sucumbem às mentiras, à morte, à desdita, à doença, à desistência. Nunca ninguém saberá. O melhor é fazer planos que não dependam de ninguém e assim não damos sorte ao azar. Obrigada pela amizade, carinho, atenção. Beijos.

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  11. O amor é feito de promessas, não é mesmo? Vivemos as carências do presente com a falsa certeza de um futuro prometido. Por isso o amor é tão bom. O problema é que as promessas quase sempre não se cumprem. Seu poema nos fala com belas imagens e uma escolha preciosa de palavras lindamente sobre esse script recorrente do amor. Parabéns, minha querida. Adoro seus poemas. Beijos.

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    1. Minha querida, muito obrigada.

      O amor é como a vida, um privilégio que queremos o tempo inteiro mas não temos o menor controle sobre ele ou sobre ela. O tempo, os sentimentos, o futuro, o presente, estão constantemente escapando por entre nossos dedos sem que consigamos fazer parar. E não é para parar mesmo. Tudo o que para empoça, fica estagnado, perde o viço.

      Melhor é se conformar e aceitar que a vida sempre nos surpreenda.

      Beijos.

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  12. Que poema soberbo, minha amiga. Me tocou em cheio hoje… Que bom que o guardei para ler mais tarde.
    “E por que se desfazem em segundos,
    Os sonhos construídos numa vida?”
    Uma verdade tão triste e profunda, como a areia na ampulheta da vida, escorrendo e escorrendo…
    Parabéns, de verdade.
    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Querida Paulinha,

      Realmente o tempo sempre aumenta a nossa idade ao mesmo tempo que diminui a nossa expectativa de vida. No entanto, o tempo serve para acalmar o nosso coração e nos ensinar sobre a vida. Ao fim, quando já temos uma dimensão do que ele representa, não temos mais saúde, juventude ou tempo para desfrutar de nossas descobertas. Uma ironia.

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      1. A vida é cheia de ironias, não é? Seu poema calou muito em mim… Ando assim, pensando nessas coisas. Obrigada por trazê-lo.

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  13. Poxa,verdade!

    A ausência de sitonia faz um jogar tudo o que foi construído. Quando um não valoriza, tudo se despedaça, se perde, além de frustrar o outro que criou expectativas.
    Seu texto me fez pensar em meus fantasmas.
    Parabéns pelo escrito, Iolandinha.

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    1. Obrigada, Maria

      O poema é meio que um sentimento universal, quem nunca passou pela experiência infeliz de estar investindo em uma relação e não haver uma correspondência pela pessoa amada. Quando um já está, na verdade, farto do outro?

      Agradeço pela leitura interessada e interpretação atenta que você fez.

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