JARDIM – Juliana Calafange

Do telhado do edifício mais alto, eu olhava para o jardim de petúnias lá embaixo. O ar estava pesado, nem parecia primavera. Me sentia feliz, mas o termômetro e o barômetro confirmavam que as coisas estavam bem acima do normal. Puxei a Rolleiflex para fotografar o derradeiro frescor da vida, mas antes que eu pudesse registrar o fenômeno, o mundo explodiu numa grande labareda e a última coisa que vi foi aquele anjo, com asas enormes, tentando proteger as flores.

Imagem: Fontes Freire.

7 comentários em “JARDIM – Juliana Calafange

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  1. Oi, Ju!
    Um poema em prosa ou uma prosa poética? Tanto faz, o resultado é o mesmo: bonito. 🙂
    Parabéns por conseguir colocar tantas imagens em tão poucas palavras!
    Beijo!

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  2. Quanta poesia em um texto conciso, mas plurissignificativo! Parabéns, Juliana, por cuidar com seriedade e carinho daquilo que escreve e pela sensibilidade aguda que se evidencia a cada frase. Lindo! Beijos.

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  3. Nossa, o final me arrepiou. Muito boa a descrição com poucas palavras, adorei o trecho “o termômetro e o barômetro confirmavam que as coisas estavam bem acima do normal”. Amo finais e o seu foi sensacional. Parabéns.

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  4. Um microconto muito imagético que constrói o seu desfecho com grande habilidade. Muito bom, querida. Beijos.

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  5. Que cena! Muita imaginação para criar este fim de mundo com flor, anjo e ressuscitou até as câmeras fotográficas mais festejadas do tempo da Bossa Nova. Ainda existem? Parabéns, Ju, vc sempre rompendo paradigmas.

    Beijos e sucesso sempre.

    Curtido por 1 pessoa

  6. Creio que é uma prosa poética. Um texto muito imagético. Ao ler sobre a Rolleiflex voltei no tempo, anos 70 por aí, e me lembrei de um namoro unilateral e platônico com uma SLR de 35 mm. Texto cheio de significados, tanto pelos elementos compositivos da narrativa quanto pela ordem das palavras – ela na cobertura, no alto, observando à distância as flores, o calor, o vento, o concreto, a dureza do lugar, a natureza, contraposições sutis, a câmera (aprisionamento das imagens), a efemeridade, o que passa, o que fica, a vida, a morte, o fogo, o etéreo no anjo com suas asas enormes. E o detalhe muito chamativo: “tentando proteger” as flores. Sem dúvida, um texto memorável. Perfeito. Parabéns!
    Beijos e abraços carinhosos.

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