Toda água – Elisa Ribeiro

Cavaste um poço em mim e dele
embora seco
içaste um óleo que sobre meus olhos-lente
fez brilhar dourada a tarde a meio e pressurosa

E desse poço agora brota o impulso
a dança sinuosa e o salto
a pirueta líquida
a borboleta esguia que evapora

[Inversão antideterminística dos polos
: o que era pouco e frágil e vago
se fez potência
e não sei se o que veio antes é causa ou consequência]

Sob o fio de tua fala duvidosa
vejo ondas retilíneas na natureza caótica
:eu sou essa onda rara; toda água
espuma em cima
derretendo rochas.

13 comentários em “Toda água – Elisa Ribeiro

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  1. Amei. Já começou muito bem, adorei esta ideia do cavaste um poço em mim. Muito bom o uso da pontuação, que, bem empregada, enriqueceu o poema. E esse final? “eu sou essa onda rara; toda água espuma em cima derretendo rochas”, maravlhoso isso. Parabéns.

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    1. Obrigada queridíssima pela leitura sempre tão tempestiva. Fico muito feliz que tenha gostado. Sim, a pontuação: dois ponto e colchetes que adoro. Beijos, beijos.

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  2. Cavaram um poço procurando por toda a água que havia nela? Foi ferida ou olhada profundamente? E longe de ser uma vítima, é água capaz de derreter rochas. É tanta água [emoção] que não sei se me afoguei na tentativa de interpretação. Bela composição. Beijos.

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  3. Lindo este poema em que o ambiente criado pelos sentimentos, brinca com os sentimentos já existentes, como se o sentidor tivesse a capacidade de transformar o abstrato em concreto, fazendo nascerem paisagens a partir dos seus sentires *não sei nem se esta palavra existe.

    Querida Elisa que trabalha tão bem com as abstrações produzidas pelo bom uso do idioma, onde, mesmo não decifrando a mensagem contida nas expressões, a gente sente que está diante de algo fino e bem elaborado. Essa sua estada na terrinha tem enriquecido este seu já vasto conhecimento linguístico.

    Parabéns, chuchuzinha. Obrigada pelos comentários tão lindos em meus feitos. Sempre querida e generosa amiga.

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    1. Querida, queridíssima Iolandinha, dentre todas, você é a minha Contista mais antiga, e eu tenho por você um afeto primeiro e muito, muito especial. Adoro a sua escrita, você sabe, e espero que vc nunca pare de nos brindar com suas histórias. Obrigada pela sua leitura e seu comentário tão atento e generoso, eu até compreendi mais o meu poema e o sentimento que o gerou através da sua leitura, minha querida, pode acreditar. Gosto imenso de você. Beijos, amada.

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      1. Que linda declaração de amizade. A recíproca é super verdadeira. Nos conhecemos desde 2015 e até hoje vivemos esta parceria. Muito bom ler algo tão tocante assim logo pela manhã. Melhora o dia da gente por inteiro. Estou passando por esta fase complicada mas acho que a centelha criativa ainda vai brilhar no meu coração. Oremos.

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  4. Bem por cima do poço, tocando, libelular, o líquido escoante estão esses versos brilhantes e significativos. É a água lavando a alma. Parabéns, Elisa, pelo poema tão lírico e emocionante. Beijos.!

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    1. Obrigada, Evelyn. É um transbordamento mesmo. Rascunhei o poema numa tarde esplêndida – um dia de verão em pleno inverno – que sucedeu uma manhã estranha. Enfim, coisas que só a poesia nos proporciona. Beijos, querida.

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