O gavião antenado

Minha amada Amora, Vovó já pede desculpas pela cafona cacofonia. Mas depois de certo tempo a gente perde os pudores literais e literários. Hoje é aniversário de seu pai, mas ele só recebeu o melhor presente cinco dias depois, quando você nasceu. Desde então o mundo anda complicadinho. Triste coincidência. Vou tentar explicar. Assim que... Continuar Lendo →

Notícias do limbo – Catarina Cunha

  Querido amor, Trago notícias do limbo. Aqui não faz sol e nem chuva, frio ou calor. Os dias são iguais às noites assim como estas letras simétricas. Peço, desde já, desculpas pela forma sonolenta do relato, mas outra forma não haveria como chegar aos teus olhos, quiçá ao coração. Gostaria imensamente que recebesse esta... Continuar Lendo →

Entre Abutres – Catarina Cunha

O que a faz chorar mora na eternidade das horas. Que entre pela porta agora, para que a tua essência abutre desabe pela sala e aquele livro que você lhe deu, e não leu, repouse estático sobre os pedaços de ti. Que, antes de questionar qualquer “que”, vislumbre uma fêmea complicando a existência dos olhares... Continuar Lendo →

Café – Catarina Cunha

Antes de pensar o dia perguntei-me se haveria outra noite suficiente para alimentar todas as bocas estelares. A mudez solar sepultou todos os meus pensamentos óbvios na cova rasa da imensidão galáctica. Vácuo no corredor. Meteórico. Foda. Odeio o dia começar assim da mesma forma que terminou. A cafeteira me inferniza com questionamentos domésticos recheados... Continuar Lendo →

Em Segurança – Catarina Cunha

Ruas limpas, com árvores frondosas, emolduram casas coloridas. Em  algum lugar o fugidio aroma de torta fresca corre entre as janelas. Pássaros, indiferentes, constroem ninhos. Uma criança passa de bicicleta acenando para o grande cão sonolento, enquanto o gato se alonga na grama fresca. Gotículas cintilam nas folhas da exuberante horta. A mulher acaricia o... Continuar Lendo →

Esporro – Catarina Cunha

  — Não faça ouvido moco, moleque, com esse buraco da maldade. Não te criei ouvindo canário para vomitar urubu depois de tirar os cueiros. Vou cuspir no chão e, antes de secar, quero tua cara de cagão aqui. Não adianta dar chilique nem botar tromba que eu não tenho medo de murrinha. Se apanhar... Continuar Lendo →

Querido inimigo, – Catarina Cunha

Sempre te conheci, nunca te amei, entre um tic-tac e outro da vida, jamais consegui te odiar. Desde minha mais tenra infância ouvia falar de você: “Tome cuidado, minha filha, depois da porta familiar vem a rua e lá não há ninguém em quem confiar; só na família encontramos a verdade”. Passei mais de meio... Continuar Lendo →

Beladona – Catarina Cunha

Beladona nasceu com um problema que carregou como uma cruz por toda a vida. Veio ao mundo proprietária inquestionável de beleza intoxicante; daí o nome. Foi a bebê mais fofa da maternidade: sem ruga, amarelão, hematoma ou inchaço. Verdadeira top model do berçário. No parquinho sua companhia era disputada pelas mamães, papais, babás, bebês e... Continuar Lendo →

Nascida para ricar – Catarina Cunha

Joanete veio ao mundo predestinada ao sucesso. Não esse de pobre de Bonsucesso que nasce na merda, trabalha como um jegue para morrer na beira da praia; com a aposentadoria contada para tomar uma água de coco, o remédio para artrite e pressão alta. Decididamente ela seria rica de terras a perder de vista, imóveis,... Continuar Lendo →

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