ELE – Amanda Gomez

Ele estava sorrindo pra mim.  Não um sorriso formal daqueles que dedicamos a qualquer um por educação, mas um convidativo, acompanhado de um olhar que fez meu coração saltar dentro do peito, minhas mãos suarem, minhas bochechas esquentarem. Além de outras reações, que achei, estavam adormecidas pra sempre.   O momento durou poucos segundos, às vezes,... Continuar Lendo →

RALF – Glub Glub

Júlia ainda não sabia como iria convencer Guilherme, o irmão mais velho, mas mesmo assim já havia descrito o que levaria para a mostra científica da escola: Ralf, um peixinho dourado. Há poucos dias o animalzinho aquático havia somado à família quando o irmão completara treze anos. O dia fora divertido como há muito não... Continuar Lendo →

Além do tempo – (Bia Machado)

I O mesmo sonho recorrente, desde que Manuela partira. Uma linda mulher vinha ao seu encontro, chamando-o pelo nome, como se o conhecesse há tempos. Ela sorria e o abraçava, alegre, dizendo: “Eu ainda estou aqui! Sou eu, a sua Manuela!” Abelardo acordava, sobressaltado, com aquelas frases ecoando em seus ouvidos. “Eu ainda estou aqui!... Continuar Lendo →

Recomeço – Priscila Pereira

Chovia pela segunda semana seguida, impedindo qualquer excursão ao ar livre para inspirar mais uma tela, fazia quase um mês que não pintava, tempo demais. Olhando pela janela, de roupão, cabelo preso em um rabo de cavalo e uma caneca cheia de café quente e cheiroso, Élida suspirava e tentava pensar em algo que espantasse... Continuar Lendo →

Somos um círculo, dentro de um círculo… – (Sacerdotisa)

    “Somos um  círculo, dentro de um círculo. Somos um infinito, dentro de outro infinito” Tate tinha nove anos, e era uma menina diferente, olhos antigos – diziam - e todo verão viajava para o sul do estado, para passar férias com a avó. Rubi era uma avó alegre, enérgica, cheia de vitalidade. Cultivava girassóis, rosas, margaridas e aos olhos da menina era... Continuar Lendo →

A doce ondina – Nicksa

O dia estava nublado, mesmo uma menina de nove anos achou estranho aquele brilho vindo do fundo do lago. Ela estava triste, nos últimos três meses não conseguira chorar, mas o dia relativamente escuro lhe trouxe à tona as tristezas acumuladas. Mariana lembrava-se da mãe como se ela ainda estivesse presente, mas quando acordou e... Continuar Lendo →

O Pedido – Neusa Fontolan

  Eu sempre tive grande veneração e fascínio pelas forças da natureza. Amo os elementos e suas demonstrações de poder. Claro que tenho medo, como qualquer ser humano com instinto de sobrevivência. Além do medo sinto arrebatamento e respeito, e como não respeitar? Quem é que pode parar um vulcão ativo, um ciclone, um terremoto... Continuar Lendo →

Uma história apenas começando… – Anorkinda Neide

Uma história apenas começando... Brilhou em sua completude o pentáculo pendurado no interior daquela aconchegante caverna. Era hora. Era noite. Pletskin preencheu seu embornal para a pequena viagem e colocou-se a caminho. O encantamento estava ativo, até os gravetos do chão estalavam com alegria a sua passagem. Era noite de inverno. Era hora certa. No... Continuar Lendo →

Diana – Priscila Pereira

Chovia há tanto tempo que a humanidade já havia se esquecido de como era o sol. Os poderes do fogo eram escassos e os que o dominavam estavam quase em extinção. As Ondinas tomaram o poder por um momento de fraqueza do povo do fogo. Outrora poderosos, deixaram-se enganar pelo orgulho, desprezaram os demais elementos,... Continuar Lendo →

Sal & Amanda (Claudia Roberta Angst)

─ Tem certeza? Não quer pensar melhor? Olha que esse é um caminho sem volta… Mas Amanda estava decidida. Nem mesmo um único cílio tremulava em hesitação. Nunca tivera tanta certeza na vida. Aquela era mais uma promessa de verão que cumpria sorrindo. ─ Manda ver! E assim, o som metálico ganhou ecos como relâmpagos subliminares que aos poucos... Continuar Lendo →

Passageiras – Sabrina Dalbelo

O Emissário, criatura responsável pela Passagem, é o funcionário a quem incumbe a evolução dos processos. Forjado no início dos tempos, desde a primeira morte de um ser dito vivo, seu grande mister é o de depositar as almas na grande labareda da purificação e, com isso, manter o ciclo da transmutação. Ele perambula nu,... Continuar Lendo →

BOCA VERMELHA – Claudia Roberta Angst

Era mesmo de espantar. Nem chegava a tocar a pele ou a língua e já ardia como pimenta. Feita de matéria doce, rapadura ou algo substancial e mole como um amarelo quindim. Assim era ela, tão afável como cupido em Dia dos Namorados, tão mordaz como a peixeira guardiã fiel fincada em sua cintura. Era... Continuar Lendo →

RENOVAÇÃO – Juliana Calafange

Nascida na capital da província, Akili fora para a aldeia ainda moça, para se casar com o filho do soba[1] local. Ao longo de trinta anos foi esposa dedicada, teve três meninos saudáveis e fez-se útil à sua comunidade, ajudando na lavra e também ensinando o português para as crianças, pois a maioria na aldeia... Continuar Lendo →

Cravos vermelhos – Sabrina Dalbelo

Eu a conheci quando tínhamos apenas nove anos. Éramos crianças inocentes e não tínhamos a menor noção do que o destino nos reservava. Ela tinha um cheiro de cravo. Eu amo cravo até hoje por isso. Ela e seu cabelo vermelho, radiante, de andar apressado e pouco assunto. Ela queria mais era brincar, pular e... Continuar Lendo →

Homem de Palha – Fheluany Nogueira

    O passado nem sempre foi justo. Por conta dele, às vezes, o futuro pode ficar comprometido. Pode estar ameaçado por um passado que voltou...   Das sombras dos lençóis, saíam homens de roupas coloridas, calças infladas e chapéu, varando dia e noite, por quintais perdidos. Ofereciam balões e encantavam. Sorriso malicioso, sapatos enormes,... Continuar Lendo →

As Folhas de Alumúria – Iolandinha Pinheiro.

Anna Lúcia sabia que era adotada. Descobriu sozinha olhando os velhos álbuns com capa de ursinho na parte de cima do armário. Ao contrário dos irmãos mais velhos, não havia fotos da sua mãe grávida dela, ou foto sua ainda bebê. Não bastasse este fato, sempre se sentiu deslocada na família, na escola, no mundo.... Continuar Lendo →

E O PALHAÇO O QUE É? – Claudia Roberta Angst

Parecia sina ou alguma artimanha mal ajustada do destino. Os minutos começaram a desabar como uma sequência de peças de dominó, produzindo um triste, mas preciso espetáculo. − Aqui há desesperos de todos os tons. Tia Leninha tentava sorrir para não afligir ainda mais o pai que se debruçava sobre o leito onde jazia Diana.... Continuar Lendo →

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