Torrente Alimentada – Fheluany Nogueira

A chama salta e começa o doce-fogo. Inútil ter pressa. Outros rostos mal delineados em minha volta, Também euforia, passivos expectadores. Não pôde nunca se explicar como tão pequeno recipiente possa iluminar com tanta intensidade baça. Pego a garrafa que lança chamas em todas direções. Elas vão formando uma torrente sempre alimentada. As águas de... Continuar Lendo →

Como fazia a cada dia… (Fheluany Nogueira)

Detive o olhar sobre a imagem: a última da família. A mãe saudável, o pai desconfortável. Entre os dois, Íris e eu, sorrindo em uma fotografia domingueira Brincamos tanto naquela casa. No sótão, ainda restavam bonecas, livros de aventuras e lápis de cera ressecados que nos pertenceram.  Ouvi um rápido tum-tum-tum de passos. Olhei para... Continuar Lendo →

A tarde é outra… – Fheluany Nogueira

Acordam às sete da manhã. A menina vai arrumando a cama, estendendo os lençóis, ajeitando a colcha. O quarto do pai não é tão diferente dele mesmo há três anos. Só mais desorganizado. A cama continua um redemoinho de lençóis e papéis. Debaixo dos móveis, diferentes embalagens de salgadinhos, sobras de batatas fritas e roupas... Continuar Lendo →

O Apagão – Fheluany Nogueira

Um grito ecoa e a escuridão engole a vizinhança de uma só vez. Mastigo a última garfada de comida que havia levado à boca, enquanto Mário corre para desligar a televisão. Sorte não existir nenhuma mesa ou cadeira que lhe tornasse o caminho perigoso.  Assim não dá pra comer! (Ele) Nossas noites sempre são sossegadas.... Continuar Lendo →

Acrílica sobre Tela – Fheluany Nogueira

Não quero me adiantar. Tenho que começar do começo e deixar que os acontecimentos falem por si mesmos. Não os enfeitar, distorcê-los, nem contar mentiras. Avançar passo a passo, lenta e cautelosamente. Por onde começar? O agenciador perguntou-lhe como estava indo a pintura: — Não está indo... — Não se atrase. Estamos às vésperas da... Continuar Lendo →

aos 7, 14, 21… (Fheluany Nogueira)

Mário não estava em casa. Coisa que a incomodou. Ao mesmo tempo, sentiu alívio, coisa que a incomodou mais ainda. Aí ouviu a mensagem na secretária eletrônica:  meu bem, continuo às voltas com “você sabe quem”. Agora o publicitário dela quer que eu fique para tirar mais fotos — e ensine a modelo a segurar... Continuar Lendo →

Epifania – Fheluany Nogueira – (desafio)

Um estranho (apenas de cuecas), no seu sofá da sala, bebendo sua cerveja, assistindo futebol pela sua tevê?!! Com esforço e olhos esbugalhados, ele conseguiu perguntar: — Cadê minha mulher? — Está na cozinha preparando um tira gosto — (Mostrava uma naturalidade desconcertante). Foi conferir: a mulher de roupão, cortava queijo em cubos e dispunha-os... Continuar Lendo →

…a tempo – Fheluany Nogueira

Estou só, só, só, só, só. Só. Estou só. Nem um bicho para me acompanhar. Desejo que apareça uma daquelas aranhas que quase sempre aparecem por aqui. A gente vê de repente, leva susto, mas tem uma companhia. Fico adiando a morte dela só para ter uma presença. E mato, mesmo porque não tenho outro... Continuar Lendo →

O Caminho é o Caminhar (Fheluany Nogueira)

— Acredito em Carma, mãe! Carma é física, ação e reação. Aceitar tudo como um fardo imutável? Isso não. Se nada muda, mudo eu! — Eu acredito, sim, no destino. É lógico, sem confundi-lo com pachorra ou acomodação. Nada acontece por acaso. Tudo é uma questão de estar na hora e no lugar certo. Coincidências,... Continuar Lendo →

Amiga, de verdade! – Fheluany Nogueira

  — Eee turmaa!! Voocêexxx goostaam meexxxmo doo meuuu jeito, hein?!!! – Elisa entrou no Mormaai Surf Bar, com segurança e carisma peculiares. Sentia-se candanga verdadeira, de peito e raça, como se fosse uma pioneira na construção da capital, um símbolo da força do país... A engenheira, vinda de uma família numerosa, optou por não... Continuar Lendo →

Desforra do Bibelô – Fheluany Nogueira

  Desforra do Bibelô A primeira vez que estive com D foi em circunstâncias até agora não muito bem esclarecidas. Um choque descobrir que estava sendo observada quando acreditava estar só. Alguém me chamou com voz macia, filtrada destacou-se do grupo e começou a dizer: - É Sara? É Sara? — pegou-me pelo braço, espanto.... Continuar Lendo →

O Lugar Certo (Fheluany Nogueira)

O Lugar Certo                            — Não vou! — parei na porta, disse com um pouco de calma e muita psicologia. Dei alguns passos para frente, estaquei e repeti:                        — Não vou! —fiquei nesse vou e não vou, reprisando a lastimável cena algumas vezes. Notei que em minha volta perdiam a paciência e... Continuar Lendo →

Fada Madrinha (Fheluany Nogueira)

Fada Madrinha   — Nara, Nara Lúcia! Não acredito! Há quanto tempo... — uma voz máscula se aproximava. Olhando com mais atenção ela percebeu que já conhecia aquele homem, os traços eram familiares, o andar, os cabelos, os olhos. — Raul! O que faz aqui? — o rosto da mulher se alargou em um sorriso... Continuar Lendo →

Paladar do Amor (Fheluany Nogueira)

  Paladar do Amor   Um homem quer uma mulher. O homem é forte. É forçoso que a mulher ceda? A vida é um jogo.  Quem dá as cartas? Déa olhou para a janela. Gosto de maio, doce gosto, gosto e torpor. Maria, noivas, mães... Tudo vige e freme, maio é denso, determinado, personalista, faz acreditar na natureza, no imponderável... Havia... Continuar Lendo →

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