Aceitação – Giselle Fiorini Bohn

–  Eu vou te contar uma estória. Não existe? Não sabia. Bom, então tudo bem, vai ser uma história com h. Ah, não é verdade, não, é só uma historinha mesmo.  Era uma vez uma mulher, que sempre chorava. Chorava porque amava um homem, e amava tanto, e precisava tanto dele. E chorava e sofria,... Continuar Lendo →

Satélite – Giselle Fiorini Bohn

- Eu gostaria que a senhora falasse sobre o aspecto premonitório da literatura. Esse é um assunto interessantíssimo. Tantas coisas foram previstas pela ficção. Posso, como exemplo, citar Sinclair Lewis em 1935 descrevendo a ascensão de um populista idêntico a Trump, ou, aqui mais perto de nós, o Brasil distópico das obras de Inácio de... Continuar Lendo →

Rendição – Giselle Fiorini Bohn

Quando eu tinha quinze anos eu gostava de roer as unhas. Adorava tirar cada pedacinho, contorcendo minha boca até que não sentisse mais nenhuma farpa teimosa, até que meus dedos latejassem de dor. Mas eu não ligava, e eu os apertava uns contra os outros até que ficassem amortecidos. Roer as unhas era uma infantilidade,... Continuar Lendo →

Conforto – Giselle Fiorini Bohn

- Eu ouvi dizer que existe uma coisa chamada conforto... - Você acredita em tudo. A coragem na voz da menina apagou-se por um momento. Por que ele sempre fazia isso? Não que seu tom fosse rude ou prepotente; podia-se dizer até ser terno. Mas, com poucas palavras, tinha o poder de fazê-la sentir-se tão... Continuar Lendo →

Idiota – Giselle Fiorini Bohn

Ela fica dias e dias remoendo ressentimentos e rancores e repassando tudo o que vai dizer. Ele tem que saber o que ela sente, o quanto sofre, o quão terrível é seu descaso. E ela pensa e pensa e anda pela casa falando sozinha o dia inteiro e quando a noite chega ela não dorme... Continuar Lendo →

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