PINK – Ju Calafange (desafio)

Lembro sempre de você, estrelinha Pink! Seus olhos amendoados, o sorriso farto e sincero, rasgando a boca, mostrando os dentes sem vergonha nenhuma. Nos conhecemos no mais improvável dos momentos – um fim de festa – eu com frio e você com sono. Eu com raiva, cansaço, impaciência e você com amor. Demorei um pouco,... Continuar Lendo →

FÉ – Ju Calafange

A Bahia. Terra de muita luz e axé. Onde todos os santos se encontram, se cumprimentam, se abraçam, se beijam. E entre carinhos envolvem e protegem os que por aqui passam, mesmo que não fiquem, como eu. Acabaram as férias, me despeço desse pedaço do paraíso na praia, nas areias famosas de Itapuã. Gostaria de... Continuar Lendo →

Vício silencioso – Ju Calafange

São vinte um dias do segundo mês da terceira década do milênio, e há algo muito estranho acontecendo. Desde o ano passado, o silêncio parece ter desaparecido. Falo do silêncio propriamente dito. Não é aquele silêncio de quando a gente acampava no mato, som de insetos, grilos, corujas. Falo do silêncio mesmo, total. Um silêncio... Continuar Lendo →

BALANÇO – Ju Calafange

De olhos fechados eu inspirava, expirava, inspirava, expirava. E assim fui suavemente me entregando ao balanço. Leve. Volátil. Doce. A morte deve ser assim. Embalado pelo mar da tranquilidade, abri os olhos devagar. Santa Maria, Pinta e Nina navegavam soltas pelo teto e meus sentidos lentamente percebiam a fria superfície sobre a qual meu corpo... Continuar Lendo →

SHERLOCK – Juliana Calafange

Seu Egydio sempre gostou de histórias de mistério. Desde menino, devorava tudo que era livro de Agatha Christie, Alan Poe, Conan Doyle, Simenon e companhia. Chegou a fazer curso pra detetive, mas quando viu que era muito arriscado e pouco lucrativo, desistiu da carreira. Acabou fazendo concurso público e virou funcionário conformado do Departamento de... Continuar Lendo →

ARDÊNCIA – Juliana Calafange

Noite alta, madrugada ainda, a mulher abriu os olhos e logo reconheceu a necessidade encalacrada na garganta. Precisava falar da sua covardia. Nunca lhe ocorrera falar sobre isso, pois lhe causava vergonha. Sempre. Mas é que hoje aquela covardia estava ardendo muito, mais do que já ardera antes. Hoje ela inflamava e urgia. Geralmente chegava... Continuar Lendo →

AZUL – Juliana Calafange

Minha amada imortal, Sinto-me tão envergonhado. Disseram-me que hoje amanheceste triste, com o olhar diferente daquele olhar vívido que sempre tiveste. E que isso foi por culpa minha, por causa das minhas atitudes. Sei que me acusas, meu amor - e tens razão em fazê-lo! Meu erro foi tremendo. Eu menti, sobre ti, sobre nós... Continuar Lendo →

ANNUS FAUSTUS – Juliana Calafange

Dizem que a primeira coisa que a gente faz na virada do ano é o que a gente vai fazer o ano novo inteiro. Espero que isso não seja verdade. Já imagino o mundo cheio de gente bêbada, vestida de branco, vagando pelas ruas, ao som dos fogos de artifício, uma versão tosca de The... Continuar Lendo →

INSÔNIA ∣ Juliana Calafange

Alice olhou o relógio, duas da manhã. Numa noite normal já estaria dormindo há horas. Nunca foi de dormir tarde, nem na juventude – quando ia a festas sempre voltava cedo pra casa. Imagine se o velho ia deixar filha moça chegar em casa depois das dez! Talvez por isso estivesse passando por essa situação... Continuar Lendo →

UM REI NO PURGATÓRIO – Juliana Calafange

Virgulino Ferreira da Silva, aqui na Terra conhecido como o Lampião, Governador do Sertão, estava lá no Purgatório, fazendo a tal retrospectiva de sua vida, ponderando seus atos malvados e virtuosos, na expectativa de ser aceito no Paraíso, nos braços de São Pedro e do Padinho Padre Cícero. Tudo ainda estava muito confuso em sua... Continuar Lendo →

HORA ‘H’ – Juliana Calafange

Enquanto aguardava na fila, Feliciano tentava conter a ansiedade. Lembrava-se vagamente de ter lido em um livro que ela só atrapalha na hora H. Inspirar e expirar bem devagar, dizia o livro, acalma o espírito. Estava concentrado na respiração quando sentiu uma cutucada no ombro. – É sua primeira vez? – perguntou o cara que... Continuar Lendo →

Fome de Amélia – Juliana Calafange

  Ela era magra, magra, magra, de marré marré marré. Era assim desde menina, o vento vai te levar, de tão magra, vara verde! Ninguém sabia como doía. Por dentro era Amélia, generosa e doce Amélia, que ninguém gostava, que ninguém sabia. Desde que os pais morreram emagreceu e ninguém mais gostou dela. Na escola,... Continuar Lendo →

Meu grito – Juliana Calafange

Precisava pular do peito e sair correndo. Urgia ganhar liberdade e ser ele mesmo, um grito com personalidade. Pulsava como uma borboleta querendo sair de seu casulo, como um jato de esperma tentando furar a camisinha, como um pássaro lutando para quebrar a casca do ovo. E depois de um esforço hercúleo, ganhou livre-arbítrio, me... Continuar Lendo →

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