Coleção de Um Coveiro – Thaís Lemes Pereira

–  Bem-vinda, sua idolatra! – eu disse, quando escutei o rangido da porta e senti o vento entrar. Minhas mãos ainda tremiam, mas a garrafa de conhaque vazia em cima da mesa mostrava que não era de frio. – Ainda é dia, vejo que se adiantou.

Acendi um cigarro. Lancei prazerosamente a fumaça e lembrei das recomendações médicas para que não bebesse e não fumasse. Soltando uma gargalhada afoita, sobreveio uma tosse. Não me faria diferença nenhuma!

– Aceita? – estendi a mão com o cigarro e a observei balançar a cabeça de forma negativa. – Acho que sei o motivo de ter chegado tão cedo…

Continue lendo “Coleção de Um Coveiro – Thaís Lemes Pereira”

Nada Existe (Nem o Título) – Thaís Lemes Pereira

A vida não é perfeita, mas também não é ruim. Espera. Contentamento é uma das primeiras coisas que aprendi que não podemos ter. Sou feliz? Bem, eu tenho um emprego, estudo como qualquer garota da minha idade, existe minha mãe. Calma, comecei tudo errado de novo, penso mentalmente, respiro e retorno do início, Isa, para começar: defina felicidade…

***

Naquele dia, fui dormir com a última frase dita pelo professor na cabeça.

***

Continue lendo “Nada Existe (Nem o Título) – Thaís Lemes Pereira”

No País da Solidão – Thais Lemes Pereira

Apenas lembro de ter caído em um interminável buraco, desejando descobrir quem o havia cavado. Da noite anterior, recordo que estava sentado de frente para o balcão de um bar, como todas aquelas garrafinhas de conteúdo colorido pedindo “beba-me”. Senti os pelos do braço arrepiarem após dar a partida no carro. Precisei desviar de um animal branco, de porte pequeno, que atravessou com pressa as extremidades da estrada e, depois disso, recordo apenas de estar caindo em um buraco sem fim. Talvez aquela fosse minha sentença por dirigir embriagado: a solidão.

Continue lendo “No País da Solidão – Thais Lemes Pereira”

Justificativas – Thata Pereira

Não ousava espiar por trás das cortinas como as outras fizeram. Sequer uma partícula de imaginação tentava pensar na euforia das pessoas na plateia. Talvez se tivesse tido filhos, marido. Se os pais fossem vivos ou houvesse algum indício de onde os irmãos estavam. Talvez grande parte dessa imaginação tentaria decifrar seus acentos, expectativas, apreensões e sorrisos, quando ela, a tão temida cortina, se abrisse e trouxesse consigo o enorme clarão do agora. Contudo, contradizendo as esperanças de que aquele momento fosse vivido por inteiro, o hoje é desenhado a partir dos traços do passado. Tinha a mais concreta certeza de que só estava ali porque havia nascido, crescido e vivido dentro dos seus próprios ressentimentos. Continue lendo “Justificativas – Thata Pereira”

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑