Amana

É o pseudônimo de Bianca Costa Machado, ou Bia Machado, como é conhecida por suas publicações anteriores. Amana significa “Água da chuva”, uma palavra indígena que remete a uma parte de seus ascendentes, homenageando-os, ao mesmo tempo em que traz no nome o elemento da natureza que a define: água, tanto na superfície como nas mais profundas. Já publicou contos de forma independente (antologia Certa Estranheza), pela editora Caligo (nas antologias Exclamação, Redrum, Os Livros Apócrifos, Nada Elementar e Mulheres em Verbo, sendo organizadora dessas duas últimas) e por outras editoras (Sinistro, Solarium, Contos de Todos Nós, Steampink e o conto “Ele”, publicado em forma de livreto artesanal pela Penúltimas Espécies). Também escreveu dois livros infantis publicados pela Caligo (Chuva de MadalenaEsperando por Joaquim Cortez) e em 2020 lançou o livro “Futuros (Im) Prováveis”, de contos ambientados em tempos futuros, também pela Caligo. Teve também dois contos publicados na primeira e na quinta antologia Devaneios Improváveis, do site Entrecontos: O Quatrilho e Eu, Gabriela, vinte anos, solteira, encalhada e obsessiva por gramática, respectivamente.

Contato: amanaescreve@gmail.com.

Autorretrato

Os livros sempre estiveram à minha disposição para me levar aonde eu quisesse: em casa, nas duas estantes da pequena biblioteca da escola e nas salas e mais salas cheias de estantes repletas de livros da biblioteca pública de Birigui, lugar onde vivi dos 10 aos 15 anos. Já fui a épocas distintas,  lugares longínquos, desse mundo e de outros, até mesmo alguns para onde jamais pensaria em ir.

Não me lembro do exato momento em que comecei a ler, mas sei que foi em uma cartilha da pré-escola, que era chata e sem graça para ler. Mas fora da escola havia os livros. Os livros de outros autores e os que eu mesma queria escrever. De tão curiosa, li de tudo, até mesmo romances do estilo Sabrina (mas juro que meus preferidos eram aqueles das histórias de amor em outros tempos, chamados de Clássicos Românticos Históricos!), sempre com o aval da família. Eu tinha cúmplices para cada estilo de leitura. Para esses romances, a cúmplice era minha tia, irmã do meu pai, que sempre trazia novos e me deixava ler. Alguns ela dizia que não eram para os meus dez anos, mas deixava à vista em algum canto da casa e eu lia o dia inteiro, quando ela estava fora.

Para os livros de escritores como Sidney Sheldon, a cúmplice era minha avó. Um dia as bibliotecárias perguntaram a ela se sabia que eu lia aqueles livros. Ela disse que não adiantava proibir. E não adiantava mesmo, rs. Para os romances de Jorge Amado, o cúmplice era meu pai. E o curioso é que minha avó achava as histórias de Jorge muito fortes pra mim, o que meu pai dizia “É nada! Eles só mostram a vida, mais nada”. Só citei três tipos de leituras, mas havia tantos autores, tantos, nacionais, estrangeiros, ficção infantil, ficção adulta, não ficção, poesia… Enquanto eu vivi meus dias no universo existente entre páginas de um texto escrito por um autor qualquer, eu fui feliz sem pensar. Porque havia lugar para onde ir quando eu precisava fugir da minha realidade. Hoje não dá mais para fugir sempre que posso, mas isso faz parte da vida. E o melhor é que posso fugir para mundos criados por mim mesma, como escritora. A certeza que tenho é que serei professora em sala de aula apenas até certo ponto da minha vida, assim como revisora. Agora, até o momento da última página virada nessa existência, serei leitora e escritora, além de mãe e mulher. Reconheço nessas quatro ações o sentido de estar aqui, mesmo que não saiba até quando.

Contos da autora no blog:

 

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