(Um)A Rosa – Paula Giannini

UmA Rosa Meio-dia. Sobre a mesa do restaurante, na praça, o gelo derrete no copo de suco. Ao lado deste - do copo -, o prato, a fome e a pressa, dispostos simetricamente, não mascaram o foco dos olhos, que mudam rapidamente para o outro canto, o da própria mesa. O da própria mão, a... Continuar Lendo →

Decalque – Iolandinha Pinheiro

Sinônimos de decalque são imitação, arremedo, cópia, falsificação, contrafacção, reflexo, simulacro, calque, calco… Maria Alice tinha um sonho. Ela só queria ser vista, ouvida, percebida. Por algum motivo louco Maria Alice parecia não existir. Vivia com uma família bem grande mas parecia não fazer parte dela. Tinha várias irmãs, e apenas uma babá para as... Continuar Lendo →

PRAGA NA VIZINHANÇA (Claudia Roberta Angst)

Adentra esbaforida o hall do prédio, bolsa cruzada no corpo, e sacola escorregando das mãos.    – Ei, ei, segura o elevador pra mim! E ela vem, toda trabalhada na estampa selvagem, batom avolumando beiço já sem máscara, sorriso de quem está acostumada a receber raros nãos. Bufa ao ver a porta do elevador se... Continuar Lendo →

um lugar só seu

Abriu a porta e parou na soleira. Mãe do céu! Que furacão passou aqui... Fani ficou ali, inerte por segundos, a ouvir os ruídos que vinham da cozinha: o ranger da porta do armário, o tilintar das panelas, o chiar da água dentro delas, o cicio do fósforo riscado. Um pontapé fechou a porta, enquanto... Continuar Lendo →

Estou indo embora – Fernanda Caleffi Barbetta

O habitual beijo, aguardado nos lábios, foi desviado para a testa, e aquele gesto, após os demais que a vinham inquietando, pareceu-lhe o derradeiro. Desfez o bico seco e o observou alcançar a escada, os pés pesados ganhando os degraus, a calça desbotada, os sapatos precisando de graxa. Suspeitou que aquele fosse o dia em... Continuar Lendo →

O especialista – Elisa Ribeiro

Viam-se todas as terças e sextas. Ela, ainda de dentro do ônibus, atraída pela estranheza de sua figura, o observava caminhando, solitário, na areia. Ele a acompanhava com a respiração suspensa assim que ela dava as costas à praia e entrava no prédio de fachada vermelha: seu andar de princesa, as pernas longilíneas deslizando, o... Continuar Lendo →

O Retorno (Vanessa Honorato)

Não venha me perguntar por que depois de todos esses anos, só agora resolvi falar; por que decidi desenterrar um assunto com o qual eu nunca, de fato, me envolvi? Bem, não adianta perguntar, porque, a resposta exata, eu não tenho. Talvez seja pelo fato de que pressinto que meus dias estão findando e não... Continuar Lendo →

Aquilo que se impusera – Elisa Ribeiro

Sentou-se no tapete em frente à janela. As pernas dobradas, as mãos sobre os joelhos, os olhos da gata da vizinha nos seus. Fechou-os. Pensou em si mesma como uma fruta em ponto de tombar ao chão de madura ou uma hortaliça em fim de ciclo na terra. Usava essa imagem para fazer-se imóvel, o... Continuar Lendo →

Aura – Giselle Fiorini Bohn

- Você me ama? - Sim. A pergunta já lhe fora feita tantas vezes que ele respondia sem nem mais pensar. Começou pouco após conhecê-la; no início achou doce, então divertido, depois estranho, e agora era insuportável. A insegurança e a carência, que tanto o encantaram a princípio, passaram a exasperá-lo. Ele havia dito sim-claro-que-eu-te-amo-que-bobagem-isso... Continuar Lendo →

Experimento poético 2 – Paula Giannini

a parte que te morde é a que sangra                                     tão doce eu lamberia fosse outro qual anjo em um altar que não consagra  deslizo inocente em asco lodo se a rua que castiga é chuva e açoite quisera em um vislumbre eu compreender que Deus criou a fera desta noite? que giro aponta a roda... Continuar Lendo →

JARDIM – Juliana Calafange

Do telhado do edifício mais alto, eu olhava para o jardim de petúnias lá embaixo. O ar estava pesado, nem parecia primavera. Me sentia feliz, mas o termômetro e o barômetro confirmavam que as coisas estavam bem acima do normal. Puxei a Rolleiflex para fotografar o derradeiro frescor da vida, mas antes que eu pudesse... Continuar Lendo →

A TRILHA SONORA DOS NOSSOS DIAS (Claudia Angst)

Ainda não sei se escrevo melhor no silêncio ou ao som de canções inspiradoras. Escrevo o que corre na mente e nem sempre recolho o que escorre. As músicas empurram as palavras, engatilhando-as em frases que caem surpresas no papel. A melodia percorre meus neurônios e assume o controle das emoções a serem deflagradas no... Continuar Lendo →

Os 10 vencedores do Concurso Rapidinhas

Confira os dez microcontos vencedores do Concurso Rapidinhas As Contistas, realizado no mês de maio. Parabéns aos campeões!!! CampeãoLuciana MerleyCarros revirados e trilhos sobre os homens em meio aos blocos de construção. Ao lado, meu filho movia o tórax levemente. Tomei-o nos braços, beijei-o, orei ao seu ouvido e puxei a cobertinha do Spiderman até... Continuar Lendo →

A ladra em mim – (Fheluany Nogueira)

Meus olhos descreveram círculos e varreram as paredes, até que pousaram no Jesus da folhinha a me vigiar o dia todo, intemporal, indesgastável. Eu não tinha o corpo fixado na eternidade como ele; eu envelhecia. Na comparação, esqueci que a folhinha era para ser usada como calendário, ver as datas. Esta finalidade havia se perdido...... Continuar Lendo →

O Velho – Fernanda Caleffi Barbetta

(Fabíola vai até a cozinha, onde a mãe lava a louça) Fabíola – O que o Tião queria a essa hora?Mãe – Tião?Fabíola – É. Ele não tava na sala com o pai?Mãe – Era o velho. (Fabíola senta-se à mesa) Fabíola – Que velho?Mãe – Parece que encontraram um corpo.Fabíola – Corpo, que corpo?Mãe... Continuar Lendo →

Aceitação – Giselle Fiorini Bohn

–  Eu vou te contar uma estória. Não existe? Não sabia. Bom, então tudo bem, vai ser uma história com h. Ah, não é verdade, não, é só uma historinha mesmo.  Era uma vez uma mulher, que sempre chorava. Chorava porque amava um homem, e amava tanto, e precisava tanto dele. E chorava e sofria,... Continuar Lendo →

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑