Um presente para reconectar – Anorkinda Neide

Era noite de Natal. Depois de uma modesta e aconchegante ceia com seus pais, Letícia dormia em sua casa, saciada de carinho e bons desejos.

No meio da madrugada a moça acordou com a sensação de ver uma luz piscando. Era verde. Mas ela pensou ter sonhado.

– Não posso ter visto luz alguma se estava com os olhos fechados.

Mas, Letícia abriu os olhos e viu uma luz verde piscando. Não contou quantas vezes ela acendeu e apagou. Foi breve e parou.

– Acho que imaginei. Foi isso.

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Margareth – Anorkinda Neide

 

Trabalhei alguns anos como pesquisadora, visitava casas de bairros simples a favelas, bairros remediados também. Conheci muitas pessoas interessantes, outras nem tanto e ainda outras que nem merecem ser mencionadas… Aprendi muito com algumas, recebi conselhos e receitas anotadas em folhas de caderno, de forma apressada mas cheia de carinho e doação. Também ouvi histórias, às vezes, o resumo de uma vida inteira, indiquei alguns chás pra digestão e elogiei alguns jardins floridos.

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Os frágeis fios da confiança (Anorkinda Neide)

Alina sempre passeava pelos bosques de cristal à tarde, logo depois que o sol atingia o meio do céu. Na verdade, ela precisava buscar um pouco da água límpida da Fonte Matriz para as purificações do fim do dia, mas ela considerava aquela tarefa um passeio, um deleite, até para não zangar-se de ser sempre ela a fazer isso e não alguma de suas cinco irmãs mais velhas.

A mocinha apegou-se àqueles caminhos repletos de vida e de detalhes. As cores mudavam a cada vez que ela por ali passava, seja devido à umidade do ar, ora mais baixa, ora mais alta, seja pela quantidade de nuvens no céu a filtrar a luz solar que se permitia esgueirar por entre as copas das árvores ou mesmo devido ao humor de Alina, havia momentos em que tudo era mais colorido e brilhante, dias felizes ou o bosque recebia tons pasteis insípidos quando a menina chateava-se.

Alina havia completado na véspera quatorze anos de idade e por isso tudo estava radiantemente belo e feliz a sua volta. Ela tinha certeza de que o bosque comemorava com ela daquela paz e alegria de se tornar mocinha e parar de ser tratada como bebê pelas irmãs e pelos vizinhos da aldeia. A moça estava cheia de expectativas para sua vida adulta que ainda demoraria a chegar, mas estava a cada dia mais próxima, ela já podia vislumbrar no horizonte.

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Do outro lado do seu mundo – Anorkinda Neide

 

 

Do pouco que lembrava, ela sempre esteve ali. Naquele ambiente, vivendo
daquele modo. Era uma garota vivendo solitária em um local ermo, belo por sua natureza exuberante e completamente acolhedor a ela. Nada lhe faltava, nada lhe era difícil. Acostumada a fazer tudo sozinha, morava numa cabana rústica e confortável, pequena e perfeitamente ajustada a suas necessidades. A garota imaginava ter sido instruída por alguém, acreditava ter conhecido outras pessoas, mas ela não lembrava. Ela evitava pensar. Fazia todas suas atividades concentrada e bastante feliz. Tinha por amigos pequenos animais, passarinhos, esquilos, coelhos… ela conversava com eles. Havia momentos em que sua mente divagava à procura do passado, era quando ela desviava o foco e permitia-se divagar sobre a vida… Continue lendo “Do outro lado do seu mundo – Anorkinda Neide”

O hobby de Seu Adalberto – Anorkinda Neide

 

– Quanta aspereza há no mundo de hoje, não é?
A funcionária do banco que grampeava o recibo de pagamento na fatura do cliente, alçou as sobrancelhas e olhou direto nos olhos daquele senhor à frente dela e concordou:
– É mesmo!
Falou no automático, não conseguia ligar a frase proferida pelo cliente com nenhum acontecimento imediato ali do ambiente bancário em que se encontravam. Continue lendo “O hobby de Seu Adalberto – Anorkinda Neide”

Na morte refletida – Anorkinda Neide

 

 

Ela percebeu-se no espelho. Ainda aparentava o viço da mocidade, mas sentia que nada mais havia… Por que a morte parecia tão igual à vida mesmo sendo tão diferente?
Francine sempre fora muito analítica, uma pensadora, quando viu-se morta não perdeu o hábito. Até porque nada mais havia para fazer… A jovem vagava presa entre dois mundos.
Ela faleceu sem aviso. Alimentava os pássaros quando a visão escureceu e caiu amparada pelo gramado orvalhado… Por que a morte buscava os corpos jovens? Continue lendo “Na morte refletida – Anorkinda Neide”

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