Carta a uma amiga distante (Bia Machado)

Querida amiga, como vai?

Acho que posso chamá-la de Amiga, não posso? Estamos sempre tão distantes uma da outra, pela forma como vivemos a vida, pela forma como nos veem, por tantas diferenças que existem entre nós, mas ainda assim, saiba que tenho uma profunda admiração por você. Sempre acreditei que com você a vida fica mais bonita, você traz o frescor à vida que eu jamais trarei, pelo simples fato de que não fui feita para isso. Nasci da necessidade, imperiosa, de registrar, marcar, calcular, medir, economizar. Aliás, eu faço parte do tempo, das medidas, da forma das coisas, estou ali, em  cada simetria da natureza, como algo inevitável, quase uma fatalidade, ou talvez até como uma mágica… Como contariam estrelas, se eu não existisse? Imagine a vida dos humanos sem mim! Seria um verdadeiro caos. Agora, imagine a vida das pessoas sem você? Seria sem graça, seria mais triste, estaria sempre faltando alguma coisa, no mínimo o tal frescor que citei acima. Continue lendo “Carta a uma amiga distante (Bia Machado)”

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Finitude – Bia Machado

Correr nos campos brancos de neve. Do jeito que Herta fazia quando tinha sete anos. Tanto tempo depois, já não conseguia mais. Agora era apenas lentidão, passo a passo. Era mais do que o suficiente. O bastante para chegar ao lago.

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Pequenas dúvidas sobre Lurdinha – Bia Machado

Desde que Lurdinha se suicidara, a pequena cidade de Santa Cruz não sabia mais o que era sossego. Ninguém conseguia se decidir: a alma da moça que tinha sido abandonada no altar e se enforcara com o próprio véu agora deveria ser considerada santa milagreira ou fantasma? Se eu não tivesse visto como tudo aconteceu, não teria acreditado. Convenhamos, o que vou contar é coisa de novela. Mas eu vi.

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