Passeio de Barco – Bia Machado

A FUNDURA DO RIO É TANTA que ninguém ia achar o corpo dele. Ia ficar lá embaixo, ia ser comido pelos peixes, pelas piranhas… Ou será que o boto salvava? Se é filho dele, salvava…

— Pai, não quis trazer a mãe por quê?

— Tua mãe tem medo desse barquinho aqui, não sabe, garoto?

— E é. Eu também, pai.

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Aritana, Santiago e um fantasma um tanto inconveniente (Bia Machado)

I

— Não sei se reparou no que a placa dizia, señorita… Señorita?

— Van Der Ley. Aritana Van Der Ley, sua criada.

O detetive achou engraçada a expressão da jovem sentada diante dele, parecendo analisá-lo de forma tão silenciosa e profunda, à espera do que ele diria.

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Para Inspirar – A Bela Adormecida (Martha Angelo)

A história que vou lhes contar agora é de uma era muito distante, uma época em que existiam rãs falantes e fadas poderosas…
Era uma vez, há muito tempo, um rei e uma rainha jovens e belos, mas infelizes, porque não conseguiam realizar o sonho de ter filhos.
— Se pudéssemos ter um filho! — Suspirava o rei.
— Ou uma linda menina! — Imaginava a rainha.
Mas os filhos não vinham, e o casal real ficava a cada dia, mais triste. Por todo o castelo, a melancolia era como aquele vento frio que, nas noites de inverno balançava as cortinas e passava assoviando por entre as frestas das janelas.

A vida ia passando também.

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Dandelions (Bia Machado)

Ali, naquela colina, caminhando na direção leste ao longo da praia, vive a criatura mais apaixonada que já conheci. Quem vai até lá, no amanhecer, pode ver Artemísia deitada, observando o céu em meio aos dentes-de-leão que ela mesma plantou, séculos atrás, em uma longínqua primavera, onde também plantou hortelã, tomilho, lavanda e anis. Poderia ver, aliás, se ela assim o desejasse.

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Carta a uma amiga distante (Bia Machado)

Querida amiga, como vai?

Acho que posso chamá-la de Amiga, não posso? Estamos sempre tão distantes uma da outra, pela forma como vivemos a vida, pela forma como nos veem, por tantas diferenças que existem entre nós, mas ainda assim, saiba que tenho uma profunda admiração por você. Sempre acreditei que com você a vida fica mais bonita, você traz o frescor à vida que eu jamais trarei, pelo simples fato de que não fui feita para isso. Nasci da necessidade, imperiosa, de registrar, marcar, calcular, medir, economizar. Aliás, eu faço parte do tempo, das medidas, da forma das coisas, estou ali, em  cada simetria da natureza, como algo inevitável, quase uma fatalidade, ou talvez até como uma mágica… Como contariam estrelas, se eu não existisse? Imagine a vida dos humanos sem mim! Seria um verdadeiro caos. Agora, imagine a vida das pessoas sem você? Seria sem graça, seria mais triste, estaria sempre faltando alguma coisa, no mínimo o tal frescor que citei acima. Continue lendo “Carta a uma amiga distante (Bia Machado)”

Pequenas dúvidas sobre Lurdinha – Bia Machado

Desde que Lurdinha se suicidara, a pequena cidade de Santa Cruz não sabia mais o que era sossego. Ninguém conseguia se decidir: a alma da moça que tinha sido abandonada no altar e se enforcara com o próprio véu agora deveria ser considerada santa milagreira ou fantasma? Se eu não tivesse visto como tudo aconteceu, não teria acreditado. Convenhamos, o que vou contar é coisa de novela. Mas eu vi.

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