INSÔNIA ∣ Juliana Calafange

Alice olhou o relógio, duas da manhã. Numa noite normal já estaria dormindo há horas. Nunca foi de dormir tarde, nem na juventude – quando ia a festas sempre voltava cedo pra casa. Imagine se o velho ia deixar filha moça chegar em casa depois das dez! Talvez por isso estivesse passando por essa situação... Continuar Lendo →

Coisas da Vida – Neusa Fontolan  

— Está passando o filme ‘BALEIAS E DRAGÕES’ no centro comunitário hoje. Vamos ver? – disse Sonia aos amigos. — Ué? Você não tem um super-compromisso hoje? Às vezes até penso que está tentando descobrir ‘OS SEGREDOS DA VIDA E MORTE’! – Maria respondeu admirada. — Sabe muito bem que o compromisso de hoje eu... Continuar Lendo →

Segredos de Vida e Morte – Amanda Gomez

A vida era perfeita, ela gostava de correr pela campo verde e cheio de flores. O vento batia em seus cachos dourados e fazia seu vestido de babados rodopiar. Sua risada era contagiante...assim como a dele. Costumavam juntar as mãos e adoravam o belíssimo contraste que elas faziam. A risada das duas crianças era o... Continuar Lendo →

Baleias e dragões – Elisa Ribeiro

  Dois garotos andavam de skate uns cem metros adiante. Vi-os assim que sai pelo portão da casa da Duda. Passaria necessariamente por eles a caminho de casa. – Tem certeza  que não quer almoçar com a gente, Julinha ? Depois minha mãe te deixa em casa. – Precisa, não, Duda. É pertinho, eu vou... Continuar Lendo →

O espelho de Morfeu – Priscila Pereira

    Era a primeira noite que passava em minha nova casa. Minha primeira casa; agora sim podia me sentir adulta. Comprei um casarão antigo, já mobiliado, que precisaria de inúmeros reparos e reformas, mas ao invés de desânimo pelo trabalho e dinheiro que isso custaria, me sentia animada pela aventura.     Escolhi um quarto que me chamou... Continuar Lendo →

Recompensa – Claudia Roberta Angst

Sem certezas, sem promessas, sem quase forças, ela virou-se na cama. Era agora a hora de parar de sonhar? Momento de levantar e começar a chorar? Diante de tantas portas trancadas, sempre lhe restava a atitude de arrombar e invadir. Para isso, não precisaria de convite ou tapete vermelho, apenas da sua tão temida ousadia.... Continuar Lendo →

Nem Sempre Foi Assim (Fheluany Nogueira)

(de Fheluany Nogueira)  A maior alegria de dona... ... Eta! Perdeu-se o nome!  É recomeçar... Dona Miúda, assim conhecida, foi a alfabetizadora de quase todos os letrados do lugar. Extremosa, severa com os pequerruchos. Tratava os alunos como aos filhos, preocupada em dar bons exemplos e ensinar valores. Nos gestos, como em tudo, produzia impressão... Continuar Lendo →

O Espeleólogo – Paula Giannini

(de Paula Giannini) Quando crescesse, queria ser espeleólogo, como o avô, um rapaz de apenas 38 anos. Jovem demais para ser avô. Velho demais para ser considerado um jovem. Sempre suado, visivelmente exausto, mas disposto a contar o seu dia ao neto, com um estudado sorriso e pormenores dignos da mais emocionante aventura. Assim havia... Continuar Lendo →

02 de fevereiro – Renata Rothstein

*Os acontecimentos a seguir são inteiramente verídicos, aconteceram em 2013, e só, porque até hoje não tive coragem de repetir o feito, na mesma data. Não obstante, essa praia faz parte da minha vida, do meu ser, da minha história* Ontem, dia 02 de fevereiro, resolvi que tinha que ir a praia, rezar e tals.... Continuar Lendo →

Uma Prece Para Maria

O fim da tarde se aproximava sonolento, e os últimos visitantes caminhavam entre as sepulturas, produzindo um som crocante do atrito dos seus sapatos com o piso de dolomitas. Em poucos minutos tudo estaria esvaziado, os funcionários desligariam a energia e fechariam o grande portão de lanças negras, e apenas eu continuaria lá, sentada no... Continuar Lendo →

Devia jogar squash, Sônia – Evelyn Postali

A primeira impressão nunca é a que fica, mas isso não poderia se tratar de Osvaldo. Cinco anos antes, quando chegou, a concorrência impusera um ritmo intenso em nossas ações. Era preciso correr atrás das matérias. Nada nos era dado de mãos beijadas.   — Osvaldo dos Santos Telles — apresentou-se, depositando a valise sobre... Continuar Lendo →

O Túnel da Vida – Vanessa Honorato

  "Nasceu! É uma menina!" - anunciou o médico, retirando as luvas e abaixando a máscara. "Pobre coitada" - sussurrou a avó, levando as mãos ao coração; senhora vivida, conhecia as dificuldades femininas e no fundo, tinha esperanças de que o bebê fosse um menino. Criada no interior em meio aos animais, seus únicos verdadeiros... Continuar Lendo →

Da água que rega o corpo – Sabrina Dalbelo

Envolto a um coração amargurado em que não brota nada, como solo árido, constante e frívolo, o corpo vagueia como zumbi sem destino. Coração seco não dá pernas firmes para o sujeito. Coração duro abatuma sentimento. Vê-se um corpo sem semente, em que não brota nada. Lá no solo do sertão, dizem, não brota nada... Continuar Lendo →

Mampituba – Rose Hahn

– Mãe, onde fica Mampituba? Ela olhou pela janela. Os postes na estrada viajavam apressados. Estavam a pelo menos 200 quilômetros de distância do rio que divide os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, subindo em direção a Serra Gaúcha. Pensava de onde diachos o guri ouvira falar do rio Mampituba, quando... Continuar Lendo →

Zorro – Ana Maria Monteiro

Recordo-me que crescia feliz, como quase todas as crianças crescem, sem nunca pensar nisso. Queria ser grande, ser como “os grandes”. Todos queríamos, nessa época em que ser criança era sinónimo de “não ter voto na matéria”, estar calado à mesa, cumprimentar qualquer desconhecido amigo do pai ou da mãe, com a maior cortesia; enfim,... Continuar Lendo →

Pra quando eu voltar – Anorkinda Neide

Era uma tarde fria que se estendia lânguida pela paisagem tranquila, instabilidade, tensão e uma quentura nauseante apenas a meu interior perturbava. Acabara de naufragar, eu que tão habituada estava a navegar sozinha por estas águas... Mas a tormenta hoje fora implacável! Há alguns dias eu observava o céu e sabia que ela viria forte,... Continuar Lendo →

Nana nenê – Sandra Godinho

  Nana nenê Que a cuca vem pegar Papai foi na roça Mamãe volta já   O nascimento dela era uma novidade, o primeiro filho, o primeiro sopro, o primeiro sono. Quis enxergar nela as marcas que insistimos em procurar nos recém-nascidos que a fazia nossa. A marca de nascença, o nariz de um, a... Continuar Lendo →

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