Paredes Silenciosas – Evelyn Postali

“Todas as coisas têm fim. O mal do homem é pensar que pode ser eterno. Só eternizamos momentos.”

 

Alexandre Melo retornou da DH transtornado. Precisavam esperar pelo escrivão e o mandado. Patrícia Fraga viu o parceiro reclamar o tempo todo. Ela sabia com exatidão o que se passava na cabeça dele.

Encontraram a casa do pedreiro, porém não sabiam se Rosana Nogueira ainda respirava. A locatária identificou Rafael Soares, como seu inquilino. Abriu as portas de sua casa e da casa dos fundos para a busca e apreensão depois da explicação de Patrícia sobre o motivo de estarem aí.

A mulher, já nos seus setenta anos, precisou ser medicada. O nervosismo pela situação a fez gaguejar e acentuou a dificuldade de ficar de pé. Suas mãos tremiam, mal conseguindo segurar o copo com água.

— Vem uns caras para arrebentar a parede — o delegado informou, jogando o chiclete de um lado para outro. Caminhou pelo pequeno espaço consumindo as últimas fagulhas de ânimo.

— Quantas horas mais para ter uma maldita ordem judicial? O juiz, por acaso, sabe o que encontramos todos os dias nesse maldito trabalho?

— Os peritos recolheram todo o equipamento de vídeo encontrado — explicou a parceira. — Recolheram a impressora. Encontramos digitais, mas não sabemos se são das vítimas. Não há nada, nenhum objeto ou roupa além das que estão no armário e que, é bem provável, sejam dele. Precisamos conectar tudo para sustentar muito bem a acusação.

— E o jeito é fazer de acordo com a lei. Não dá para burlar isso, Alexandre — Monteiro tentou argumentar de forma serena. O medo, porém, mantinha-se firme ao lado de todos, cutucando as entranhas. Ao abrirem aquelas paredes, sabiam o que encontrariam. — O escrivão já deve estar vindo.

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