De vento, farinha e água – de Paula Giannini

Primeiro movimento Depois O senhor pode se sentar... É assim que eu vou falar... O senhor fique à vontade que aqui a casa é simples, mas é um coração de mãe. Não... Ele vai perguntar cadê a mãe. Mãe? Cadê? Todo o santo dia as gêmeas me perguntam. Cadê a mãe? E eu sei? Não... Continuar Lendo →

Gênese – de Paula Giannini e Amauri Ernani

10... Silêncio. 9... Naquele ano não haveria fogos, tampouco explosões. 8... Cachorros dormiam tranquilos e crianças corriam entre os adultos com balões de Led em formato de coração...  7... 6... 5... No céu, projeções em laser. Paz, amor, solidariedade, esperança. E saúde, a palavra que todos desejavam. Por que ninguém pensara nisso antes? Uma dança... Continuar Lendo →

Desencontro II – de Sandra Godinho

Desencontro II Tim tim. Foi assim que tudo começou. Um jantar a dois. Tête-à-tête. Mão-na-mão. O amor dando o tom, o substantivo e o verbo. Ao fundo, um conjunto qualquer tocava MPB e os garçons dançavam pelas mesas com taças de champanha. Ou assim eu registrei, nada como ter na cabeça olhos míopes, vinhos baratos... Continuar Lendo →

Finalmente, protagonista! – Amana

Quando Beto avisou que tinha comprado as passagens, uma para mim e outra para ele, por um momento, um segundo, fiquei feliz como criança. Poderia ir com o rapaz para a Bahia? Sim, poderia. Não sou jovem? Sou. Não tenho o mundo todo pela frente? Claro, a casa dos trinta estava longe de acabar. Mas... Continuar Lendo →

No trem da poesia – Anorkinda Neide

A proposta de uma viagem de trem nada convencional… Um sarau em trilhos de ferro, animação e poesia, música e festa. Personagens desenrolam suas tramas, pelo cenário sempre em mudança. O destino? Seguir sempre. Aos poetas passageiros não lhes interessa o desembarque, mas apreciar a paisagem…E um divertido romance surpreendeu e agitou aquele expresso! Capítulo... Continuar Lendo →

Última palavra (Renata Rothstein)

A palavra última Silencioso apelo O sangue rubro No chão desfolhado E a primeira vez Desaba um céu torto Violada hora e sei Descortinado o véu E a última palavra É vaga, incompleta Exagero, erro, eu Uma versão inversa Morta,  imersa em caos Vã revolta,  inócua Maltrata e esmaga Sibila sem pressa Olhos no invisível... Continuar Lendo →

ALTER EGO primeira parte – Iolandinha Pinheiro

Cheguei caminhando à minha casa. Acabara de levar uma forte pancada na cabeça e estava zonzo, mas exatamente por causa da pancada, não conseguia lembrar de como aquilo havia acontecido. Aliás, lembrava muito pouco sobre qualquer coisa, mas tinha certeza de que morava ali, não apenas porque havia reconhecido aquela fachada, mas também porque quando... Continuar Lendo →

Conceição (Capítulo I) – Renata Rothstein

Conceição. Sacola de feira roçando o braço suado, três filhos agarrados na barra da saia, as rugas da testa saltando de agonia debaixo daquele sol inclemente de verão. A mulher subia arquejando a ruela íngreme que levava à casa, feita de pau a pique, recém-pintada de laranja. Cal com corante laranja, pensa.. Era no ponto... Continuar Lendo →

Acrílica sobre Tela – Fheluany Nogueira

Não quero me adiantar. Tenho que começar do começo e deixar que os acontecimentos falem por si mesmos. Não os enfeitar, distorcê-los, nem contar mentiras. Avançar passo a passo, lenta e cautelosamente. Por onde começar? O agenciador perguntou-lhe como estava indo a pintura: — Não está indo... — Não se atrase. Estamos às vésperas da... Continuar Lendo →

Idiota – Giselle Fiorini Bohn

Ela fica dias e dias remoendo ressentimentos e rancores e repassando tudo o que vai dizer. Ele tem que saber o que ela sente, o quanto sofre, o quão terrível é seu descaso. E ela pensa e pensa e anda pela casa falando sozinha o dia inteiro e quando a noite chega ela não dorme... Continuar Lendo →

Notícias do limbo – Catarina Cunha

  Querido amor, Trago notícias do limbo. Aqui não faz sol e nem chuva, frio ou calor. Os dias são iguais às noites assim como estas letras simétricas. Peço, desde já, desculpas pela forma sonolenta do relato, mas outra forma não haveria como chegar aos teus olhos, quiçá ao coração. Gostaria imensamente que recebesse esta... Continuar Lendo →

Infecção A Cura – Paula Giannini

Infecção A Cura Avast, Norton, Windows, malware, antivírus. Defender. A palavra funcionava nas duas línguas. Defender. E vírus também. Blindou o celular. Serviço completo. Agora era passar álcool em gel, colocar capa no aparelho. E em si. Capa, máscara, luvas, tudo o que tinha direito. Desinfetar. Limpar. Higienizar. Sanitizar. Era assim que se dizia no... Continuar Lendo →

A Fábrica de Sonhos – Anorkinda Neide

A Fábrica de Sonhos Está fechada. Inimaginável, diziam alguns, os mais otimistas, que foram pêgos de surpresa diante do cancelamento das atividades de sua principal produtora de matéria-prima. E agora? Como ser feliz sem sonhos?Eles, os otimistas, não conseguiram se conformar. Como que do dia para a noite, numa breve distração e num piscar de... Continuar Lendo →

Anatomia de uma loucura – Sandra Godinho

  Juliana não podia entender o mal que tinha me causado com aquele beijo. Eu era um psicólogo que, assim como os padres, tinha de manter uma certa postura e, assim como os padres, tinha um dever a cumprir nessa sociedade condenada à danação. Demônios todo mundo tinha e eu, assim como todo mundo, tinha... Continuar Lendo →

Recordis (Marília)

Sempre acreditei na força de como algo dito pode atravessar distâncias, chegando onde é preciso. Então, resolvi virar bálsamo numa das tarefas favoritas: dedilhar letras até nascer dos trechos, texto. Aqui, no poder de consolo que existe em fazer-das-palavras-refúgio, te chamo para se esconder ou se encontrar, como preferir.Porque têm dias que a gente acorda... Continuar Lendo →

Feliciano Teixeira (Renata Rothstein)

Detestável amigo, Há tanto tempo não te vejo, primeiramente quero falar do prazer imenso que é, não ter notícias tuas. É péssimo. Trata-se a carta que não segue de um relato sobre fatos que jamais existiram, mas que por isso mesmo não considero descartáveis, ao contrário dos fatos e circunstâncias acontecidos que, estes sim, merecem... Continuar Lendo →

A PÓS ─ Claudia Roberta Angst

Às vezes, tudo o que você quer é um abraço. Um aconchego morno, um acalmar de sentidos, um toque pacificador. Não mais, não menos. Apenas isso: terminar nos braços da morte. Sim, estou falando dela, da famigerada e derradeira passagem nesta vida. Da indesejada das gentes, como diria o poeta. Conheci Marina Morena ainda na adolescência. Rindo... Continuar Lendo →

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