SEM TONS – Alina

Nasceu totalmente desprovida de melanina, como se toda a cor da sua gente tivesse escorrido por um ralo imaginário. As raízes africanas só se revelavam nos traços fortes, nos lábios generosos, sedentos de um calcado a mais de ébano. Nada nela se escurecia, a não ser a rejeição que logo se apresentou como companheira fiel.

Coube à família, a missão de acolher a menina, criá-la em seu seio com os valores de seus ancestrais. Mas como aceitar aquele ser tão diminuto e ao mesmo tempo tão estranho a tudo que antes era familiar e natural? Todos ali se orgulhavam de ser o que eram, sem misturas que mesclassem outros tons ao padrão herdado.

Por falta de atenção ou talvez até uma ponta de ironia, batizaram a criança com o nome de Alina. No decorrer da infância, entre colegas de escola e até mesmo no convívio doméstico, a rima caiu como uma luva para que o bullying se esparramasse como praga. Era Alina, a albina.

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