Corra, Alícia, corra – Fheluany Nogueira

Amanhã o espaço, não o tempo. Nutrirei meu corpo mais velho, com novas comidas, da roupa limparei o pó de cada dia, a mesma sede nos olhos, mais força. Em vão cansarei o corpo — andar, correr, dançar serão veículos de minha vibração, razão de meu pão. Existir por inteiro, ser capaz de atravessar o corredor com minhas pernas, com a energia de minha mente. Poderei… Eu quero. Continue lendo “Corra, Alícia, corra – Fheluany Nogueira”

A caçada – Sandra Godinho

 

Tempo fechando. Sol sem rasgar nuvem, chuva branca arriando no céu. Diacho de inverno trazendo desgraça, dificultando peixe. Família minguando de bucho vazio, só na farinha com água. As águas invadindo as terras, os bichos fugindo pros igapós, os peixes sem morder anzol. Ariscos, homens e animais na terra disconforme. Mais um avanço do chuveiro, a mata se afoga nas águas. Nem a maromba aguenta, matando boi, vaca, boiada inteira. O cachorro pirento, já é um quase nada. Nem dá mais sinal de onça, anta, calango. Sem sinal de vida, no morre-não-morre. Canarana alta triscando a canela, dificultando passo.

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História de amor – Ana Maria Monteiro

Daniel era um rapaz em torno de quem as raparigas volteavam como borboletas entontecidas. O caso não era para menos, nem de admirar: filho do homem mais rico lá da terra (embora esse pai tivesse um passado algo obscuro que ninguém questionava por razões óbvias), ele era o “homem perfeito”. Logo a começar, pela vasta herança que lhe calharia, mas como se tal não fosse suficiente, ele era alto, bonito e galante como os actores dos filmes americanos por quem todas as raparigas lá da terra suspiravam. Continue lendo “História de amor – Ana Maria Monteiro”

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