Fortuna – Maria Santino

Faltava um quarto de hora pro meio dia, o sol ardia no firmamento, e Zezé na barraca de peixe, brincalhão e bondoso que só ele, cedia duas tainhas para o preto velho e coxo que ninguém queria perto. — Cabra besta! Ond’é que já se viu? Assim tu num lucra! Dizia o verdureiro avarento ao... Continuar Lendo →

Corra, Alícia, corra – Fheluany Nogueira

Amanhã o espaço, não o tempo. Nutrirei meu corpo mais velho, com novas comidas, da roupa limparei o pó de cada dia, a mesma sede nos olhos, mais força. Em vão cansarei o corpo — andar, correr, dançar serão veículos de minha vibração, razão de meu pão. Existir por inteiro, ser capaz de atravessar o... Continuar Lendo →

A Vida Sem Dora – Iolandinha Pinheiro

A primeira mulher que amei na vida se chamava Dora. Era minha vizinha e melhor amiga. Fazíamos tudo juntos, estávamos sempre na casa um do outro, e tínhamos uma vida feliz e perfeita até que meu mundo se precipitou e a perdi para sempre. Era o início dos anos oitenta. Morávamos numa vila na área... Continuar Lendo →

Tio Chico – Claudia Roberta Angst

Chamava-se Francisco. Como o santo, como o papa, como o rio. Não carregava alcunha alguma. Seus olhos cinzentos confundiam-se com o céu coberto daquela tarde. Se alguém prestasse atenção, notaria neles o tormento de uma tempestade em formação. Francisco nunca sorria. Achava desperdício mostrar os dentes. Mesmo porque alguns deles já lhe faltavam pelo gastar... Continuar Lendo →

A caçada – Sandra Godinho

  Tempo fechando. Sol sem rasgar nuvem, chuva branca arriando no céu. Diacho de inverno trazendo desgraça, dificultando peixe. Família minguando de bucho vazio, só na farinha com água. As águas invadindo as terras, os bichos fugindo pros igapós, os peixes sem morder anzol. Ariscos, homens e animais na terra disconforme. Mais um avanço do... Continuar Lendo →

História de amor – Ana Maria Monteiro

Daniel era um rapaz em torno de quem as raparigas volteavam como borboletas entontecidas. O caso não era para menos, nem de admirar: filho do homem mais rico lá da terra (embora esse pai tivesse um passado algo obscuro que ninguém questionava por razões óbvias), ele era o “homem perfeito”. Logo a começar, pela vasta... Continuar Lendo →

Noite de estreia – Elisa Ribeiro

Nenhuma  vontade  de sair do sofá, Entretanto, não havia como escapar. Conforme tacitamente previsto no trato (Esperava que  um dia virasse um contrato) Se não fosse, alguém ocuparia seu lugar. Banho quente para dar coragem Xampu e  oração:  que os cabelos assentassem Vestido bem justo. Vermelho, a cor Sapato  que na certa causaria dor Pretinho... Continuar Lendo →

Pirulito de açúcar – Paula Giannini

(de Paula Giannini) Da primeira vez que aconteceu, ainda não sabia, mas já estava grávida. O marido embarcava em um ônibus caindo aos pedaços e logo mandaria buscá-la. Entre as promessas e os sonhos de uma vida melhor para os filhos que um dia sonhavam em ter, a esperança de comida à mesa todos os... Continuar Lendo →

Poema ao vento – Priscila Pereira

Um vento forte, cheirando a hortelã, bateu em meu rosto, esvoaçou meus cabelos e trouxe voando um pedaço de papel. Nele li um poema: "O mesmo vento que traz a tempestade Leva o rancor e a melancolia embora. O mesmo vento que traz o perfume das flores Leva embora o choro de roubados amores. Deixe... Continuar Lendo →

Meu grito – Juliana Calafange

Precisava pular do peito e sair correndo. Urgia ganhar liberdade e ser ele mesmo, um grito com personalidade. Pulsava como uma borboleta querendo sair de seu casulo, como um jato de esperma tentando furar a camisinha, como um pássaro lutando para quebrar a casca do ovo. E depois de um esforço hercúleo, ganhou livre-arbítrio, me... Continuar Lendo →

Criação literária – Anorkinda Neide

Num contexto formado por textos, vivia a criação do Homem. Um castelo criado com sonhos, erigido por letras, que uma a uma levantaram as paredes da ficção. Voavam as inspirações, alimentando o ambiente numa atmosfera leve. Os amigos brincavam com rimas sempre que o tempo estava bom. Se o ar tornava-se sombrio, sem luminosidade, eles... Continuar Lendo →

O homem só – Renata Rothstein

Era um homem só. Apenas um solitário homem cansado. De tanto pensar, pesar os prós - Que prós? - e os contras, pesar os pesares e pesar a vida, esqueceu que havia um passado. Outra vida, que tinha vivido. Que tinha, enfim, desabado, desabafado, acabado. Passado (?). Despercebido anos no vício - que não era... Continuar Lendo →

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