Tropeço – Elisa Ribeiro

Porque olhava adiantenão no espaço — o chão abaixo,o imediato à frente —mas no tempo           o mundo transfigurado          as dores próprias e as dele          que ainda não sabia, mas que viriam            e a névoa que lhe embaçaria... Continuar Lendo →

Ciúme – Elisa Ribeiro

Quando era Maria Helena a primeira a despertar, abria só o olho direito, o outro, mantinha fechado. Virava-se, então, para o lado esquerdo da cama, aquele onde o marido não estava, e aproveitava para pensar um pouco na vida, sossegada. Paulo achava um milagre gostar tanto da mulher. Após tantos anos, ainda admirá-la apaixonado. Enquanto... Continuar Lendo →

Trinta minutos – Elisa Ribeiro (desafio)

Levantou-se assim que a mãe sentou de volta com mais meia dúzia de pães de queijo, uma montanha de ovos mexidos e a terceira chávena de café com leite.  Iria esperá-los lá fora, no alpendre, estava satisfeita. O pai fez que sim com a cabeça, a boca cheia de presunto com bacon. Odiava aquela parte... Continuar Lendo →

O quadro – Elisa Ribeiro (desafio)

Instalou-se bem cedo em um banco no meio da praça: cavalete, pincéis, tela e tintas. Luz e ângulo perfeitos, pôs-se a pintar: o céu, os passantes, os automóveis, os edifícios. Logo, alguns suspenderam a pressa da segunda-feira lenta para assistir-lhe o manejo dos pincéis, a forma como misturava as cores sobre a tela transformando em... Continuar Lendo →

Pas de quatre – Elisa Ribeiro (desafio)

Tomava café e fumava na janela de seu apartamento no oitavo quando a avistou no térreo do prédio em frente. Dançava, um vestido branco transparente e esvoaçante usando nada por baixo, imaginou, já sentindo os nervos involuntariamente se tensionarem. Nunca a notara antes, seria neta da velha horrenda que ali morava? Portava algo entre os... Continuar Lendo →

Ela – Elisa Ribeiro

A tímida luz crepuscular apenas se insinuava por trás das delicadas cortinas de voile lilás. Logo o despertador do celular a traria de volta de seu sono de princesa, lânguido sob a coberta cor-de-rosa macia e peluda que transbordava da cama como uma calda cremosa de morango se misturando às almofadas e aos bichinhos de... Continuar Lendo →

O astronauta – Elisa Ribeiro

tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano Walter Hugo Mãe, A máquina de fazer espanhóis Vendo-o atrapalhado em despir o casaco, antecipei-me. Peguei a bagagem de mão dele e coloquei-a sobre a esteira do raio-X.  “O que senhor trouxe nesse bolsa, pai?... Continuar Lendo →

Luz de mil lâmpadas – Elisa Ribeiro

A primeira vez Aconteceu quando tinha onze anos de idade e visitava junto com os colegas de classe o laboratório de química da universidade, atividade organizada pela professora de ciência do colégio. Distraía-se com o ambiente e os aparatos do laboratório menos do que os colegas, tampouco empolgava-se com as reações químicas vistosas que o... Continuar Lendo →

Múltipla Bia (Elisa Ribeiro)

Fui convidada a fazerum texto para uma amiga,achei melhor escreverem forma de poesia, o nome dela é Bianca,mais conhecida por Bia, mas não sou eu, reles poeta, que falo sozinha por ela, ela mesma é quem se narra, nem precisei descobri-la. Formada em pedagogiano momento é professora,mas em sua biografiarevela sem deixar dúvida,entre tantas outras... Continuar Lendo →

O medo do irmão – Elisa Ribeiro

Foi aos sete anos que comecei a entender o que era medo. Não o medo real, de algo que existe e ameaça, mas o medo do que não existe, invenção de alguém para produzir um efeito. Ou um resultado. Medo real, só fui sentir bem mais tarde, entrada nos anos, numa situação que eu não... Continuar Lendo →

Aos seis, um papagaio (Elisa Ribeiro)

Naquela época eu ainda achava que podia confiar nas pessoas mais velhas, que os mais fortes protegiam os mais fracos e que tios e tias  eram uma espécie de segundos pais. Pensava também que pequenos animais silvestres existiam para ser aprisionados em gaiolas de onde eu podia tirá-los para brincar quando quisesse. Havia me tornado... Continuar Lendo →

O plano B – Elisa Ribeiro

Marina chegou ao Café onde haviam combinado se encontrar com uns vinte minutos de atraso. Nisso, nos atrasos, ela persistia a mesma desde não sabia exatamente quando, na sua muito remota infância, percebera que chegar na hora ou atrasada, pra maioria das coisas, não fazia a menor diferença. A porta do Café estava fechada. O... Continuar Lendo →

Faro – Elisa Ribeiro

Eram jovens comuns que carregavam, cada um dentro de si, um breve passado de amores sonhados ou modestamente ensaiados, de modo que começavam desse jeito comum o que mais tarde lembrariam terem sido suas vidas. Quando se conheceram, entretanto, deu-se de pronto entre eles algo que antes  nunca haviam sentido. Uma atração fulminante, pressão que... Continuar Lendo →

Presente do passado – Elisa Ribeiro

De: Alice Hunt (alliehunt@gmail.com) Enviado: sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018   Querida filha, Como você não atende minhas ligações nem responde minhas mensagens, resolvi tentar por restabelecer nosso contato por e-mail. É até bom, escrevo em português bem melhor do que falo atualmente. Sei que a sua mágoa é grande. Entendo e respeito isso,... Continuar Lendo →

Baleias e dragões – Elisa Ribeiro

  Dois garotos andavam de skate uns cem metros adiante. Vi-os assim que sai pelo portão da casa da Duda. Passaria necessariamente por eles a caminho de casa. – Tem certeza  que não quer almoçar com a gente, Julinha ? Depois minha mãe te deixa em casa. – Precisa, não, Duda. É pertinho, eu vou... Continuar Lendo →

Ninhada – Elisa Ribeiro

  Era um sábado quando ela apareceu na quadra onde morávamos. Vagou por um tempo até escolher a sombra do pequizeiro na frente da nossa casa para descansar. Era feia, mal cuidada e parecia adoentada. Sei que era sábado porque não era dia de escola. Fiquei observando da janela do meu quarto o jeito como... Continuar Lendo →

Noite de estreia – Elisa Ribeiro

Nenhuma  vontade  de sair do sofá, Entretanto, não havia como escapar. Conforme tacitamente previsto no trato (Esperava que  um dia virasse um contrato) Se não fosse, alguém ocuparia seu lugar. Banho quente para dar coragem Xampu e  oração:  que os cabelos assentassem Vestido bem justo. Vermelho, a cor Sapato  que na certa causaria dor Pretinho... Continuar Lendo →

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