Da água que rega o corpo – Sabrina Dalbelo

Envolto a um coração amargurado em que não brota nada, como solo árido, constante e frívolo, o corpo vagueia como zumbi sem destino. Coração seco não dá pernas firmes para o sujeito. Coração duro abatuma sentimento. Vê-se um corpo sem semente, em que não brota nada.

Lá no solo do sertão, dizem, não brota nada também. Mas não é por falta de sentimento, é porque a água se esqueceu de escorrer por lá. Não é culpa do corpo que não tenha água, só é culpa do corpo a falta de sentimento. Continue lendo “Da água que rega o corpo – Sabrina Dalbelo”

Gestação – Ana Maria Monteiro

Estarmos juntos era-nos tão natural quanto o existirmos. Nem imaginávamos que pudesse ser diferente.

Tudo era perfeito. E o nosso conhecimento mútuo, de tão intrínseco, dispensava o diálogo – compreendíamo-nos por osmose, ambos solutos e solventes.

Brincávamos muito. Éramos felizes, até por nem sabermos o que isso fosse.

Naquele dia…

Não, não naquele dia; não existiam dias, tudo era o momento.

Naquele momento ele apercebeu um movimento de que não me tinha dado conta.

“Vamos?”- foi o desafio sem palavras. Continue lendo “Gestação – Ana Maria Monteiro”

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑