Tropeço – Elisa Ribeiro

Porque olhava adiantenão no espaço — o chão abaixo,o imediato à frente —mas no tempo           o mundo transfigurado          as dores próprias e as dele          que ainda não sabia, mas que viriam            e a névoa que lhe embaçaria... Continuar Lendo →

O tempo que o tempo tem* (Amana)

O tempo que o tempo tem é o tempo de um sorriso, do leve movimento dos lábios até se abrir por inteiro como o desabrochar de uma flor. O tempo que o tempo tem É um tempo só dele, não adianta tentar fazer de conta que não percebemos sua contagem Ele brinca, ah, esse tempo,... Continuar Lendo →

Tempo e espaço – Fernanda Caleffi Barbetta

Há espaços por entre as fendas do tempo,onde derramo, em cada vão, os meus instantes.Horas errantes a preencher todo Espaço,no vai-e-vem que torna o hoje como dantes. Será vão o tempo à espera de seus versos.Há de ser urgente o voo aguardado, jamais previsto.Que as asas sustentem o peso doce das palavrasSerão menos leves os... Continuar Lendo →

Mosaico – Amana

Tenho sorrido após as lágrimas Tenho chorado depois do riso forçado Muitos pedaços de mim estão perdidos Ou talvez só adormecidos Cansados esgotados Seria bom contabilizar quantos cacos? Qual é a forma do mosaico que hoje eu carrego? (27 set 2020)   Esse poema é dedicado a todos os que não conseguiram juntar seus cacos... Continuar Lendo →

A poesia do outro (Fernanda Caleffi Barbetta)

Não vejo graça em ler o que escrevo.Gostoso é pousar os olhos nos escritos do outro.Igual comida que a gente mesmo faz,não tem sabor,falta tempero.O problema é que ler o outroàs vezes me dá gastura.Quando a coisa é boa mesmodá uma sensação amarga de desejar ter escrito aquiloe não poder mais.Plágio é crime.Outro dia, pedi... Continuar Lendo →

Em Praga, um cisne (Elisa Ribeiro)

Branco é o animal ferido,as asas de anjo encolhidas,prostrado no asfalto frio.Seu parceiro de uma vida,o coração partido,desliza sozinho no rio. Isso, o amor desfeitoantes do anjo caído,intriga o turistaque escorrega pelas ruas da cidadetambém sozinho,em despedida. Pensa em salvá-lo— tão alvo, tão liso —com aquele bico indefinidose de tédio, maldade ou riso.Mas vai molhar... Continuar Lendo →

Desejo – Fernanda Caleffi Barbetta

Postou-se ao meu lado,a respiração acelerada, ansiosa.Desejava que eu lhe notassea presença,que eu erguesse a cabeçae lhe encarasse os olhos,lhe fitasse os lábios.Mas retive minha atençãoaos seus sapatos,que, pouco a pouco,se afastaram,deixando para trása respiração acelerada, ansiosa,que talvez fosse minha desde o início.Ignorando o desejo,que talvez fosse somente meu,de que me notasse eme encarasse os... Continuar Lendo →

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