A poesia do outro (Fernanda Caleffi Barbetta)

Não vejo graça em ler o que escrevo.
Gostoso é pousar os olhos nos escritos do outro.
Igual comida que a gente mesmo faz,
não tem sabor,
falta tempero.
O problema é que ler o outro
às vezes me dá gastura.
Quando a coisa é boa mesmo
dá uma sensação amarga de desejar ter escrito aquilo
e não poder mais.
Plágio é crime.
Outro dia, pedi ao meu amigo poeta
que escrevesse uma poesia minha
com a letra dele.
Em um papel branquinho,
com uma caligrafia rebuscada,
copiou os meus versos,
reproduziu minhas rimas.
Quando li,
deu aquela gastura,
a sensação amarga de não ter eu
aquela letra linda.

 

Desejo – Fernanda Caleffi Barbetta

Postou-se ao meu lado,
a respiração acelerada, ansiosa.
Desejava que eu lhe notasse
a presença,
que eu erguesse a cabeça
e lhe encarasse os olhos,
lhe fitasse os lábios.
Mas retive minha atenção
aos seus sapatos,
que, pouco a pouco,
se afastaram,
deixando para trás
a respiração acelerada, ansiosa,
que talvez fosse minha desde o início.
Ignorando o desejo,
que talvez fosse somente meu,
de que me notasse e
me encarasse os olhos,
me fitasse os lábios.

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