Asas de Vidro – Evelyn Postali

Nota: Chorinea amazon é uma borboleta cujas asas são transparentes. A imagem que ilustra essa publicação foi construída a partir de filtros de forma e cor sobre a fotografia de uma borboleta Amazon angel. Elas são encantadoras por si só, por serem borboletas e não apenas pela transparência de suas asas. A borboleta eu fotografei... Continuar Lendo →

Probleminha – Amana

Um gosto um tanto mórbido pela Matemática. Vivia entre números, racionais e irracionais. Apoteose? Não, sambar mesmo era na hipotenusa. A máscara da Bháskara sempre lhe coubera bem. Os ângulos? Para os agudos nada, para os rasos, quase tudo. Quase, dependia do grau de interesse. A menina nutria um amor tangente (ou pungente?) pelo professor... Continuar Lendo →

Sem Saída – Fernanda Caleffi Barbetta

Construi uma casacom todas as janelas paradentro,do banheiro via a salado quarto via a cozinha.Não deixei portas para oexteriorpara que ninguém entrasse,e eu não conseguia sair também.De fora,faziam buracos nos tijolos,que eu tapava,apressada, ansiosa, nervosa.Hoje, quebrei as paredesinternasaté derrubar a que davapara fora.Mas a rua estavadeserta.

Vidro (Amana)

Abraçou o irmão, abraçou o pai. A mãe garantiu: haveria outras vezes, sempre que quisesse. A menina entrou no carro se agarrando a essa promessa. Do banco do carro acenou, sensação de algo se partindo, e não era o vidro da janela. Talvez um frágil bibelô. Homem e menino então foram sumindo, mais e mais... Continuar Lendo →

Rasga-Ossos (Resenha) – livro de Sabrina Dalbelo, por Evelyn Postali

"há pontos de luzno céu dos seus olhosa iluminação reflete nos meusinsólitosquando te vejoinsisto em acender fogueirasà luz das estrelasno desertofurtivo olharcomo paciência de pérolavindo à tona do fundodo mundo" Publicado pela Penalux, em novembro de 2020.Composto em Sabon LT Std, impresso em papel pólen soft 80 g/m².Edição de França & Gorj.Editoração eletrônica de Karina... Continuar Lendo →

Tropeço – Elisa Ribeiro

Porque olhava adiantenão no espaço — o chão abaixo,o imediato à frente —mas no tempo           o mundo transfigurado          as dores próprias e as dele          que ainda não sabia, mas que viriam            e a névoa que lhe embaçaria... Continuar Lendo →

O tempo que o tempo tem* (Amana)

O tempo que o tempo tem é o tempo de um sorriso, do leve movimento dos lábios até se abrir por inteiro como o desabrochar de uma flor. O tempo que o tempo tem É um tempo só dele, não adianta tentar fazer de conta que não percebemos sua contagem Ele brinca, ah, esse tempo,... Continuar Lendo →

Tempo e espaço – Fernanda Caleffi Barbetta

Há espaços por entre as fendas do tempo,onde derramo, em cada vão, os meus instantes.Horas errantes a preencher todo Espaço,no vai-e-vem que torna o hoje como dantes. Será vão o tempo à espera de seus versos.Há de ser urgente o voo aguardado, jamais previsto.Que as asas sustentem o peso doce das palavrasSerão menos leves os... Continuar Lendo →

Mosaico – Amana

Tenho sorrido após as lágrimas Tenho chorado depois do riso forçado Muitos pedaços de mim estão perdidos Ou talvez só adormecidos Cansados esgotados Seria bom contabilizar quantos cacos? Qual é a forma do mosaico que hoje eu carrego? (27 set 2020)   Esse poema é dedicado a todos os que não conseguiram juntar seus cacos... Continuar Lendo →

Meio-dia, em Brasília (Elisa Ribeiro)

Quero-queros passeiam como se nada se passasseatenta aos meus passos, circundo os ninhosnão quero que pese sobre meus ombrosa culpa pelos ovos partidos. Ante os coletivos que circulam solitáriosvejo brotar marmitas em esquinas que não existem(cada um sobrevive como pode)nenhum carro paraeu, a pé, hesito em correr o risco— o dinheiro, o cartão, o toque,... Continuar Lendo →

a maior metáfora fui eu (Sabrina Dalbelo)

Ao vivo e, ao evocar os meus demônios, eu ofertarei meus medos, meus filhos e meu saco de moedas. Não posso te prometer um final luxuoso, nem aplausos, mas te darei meu nome e tudo o que dele fizeram. Não tenho lembranças nem crenças. As verdades, as abandonei todas. Trilhei um caminho torto e indigno... Continuar Lendo →

A poesia do outro (Fernanda Caleffi Barbetta)

Não vejo graça em ler o que escrevo.Gostoso é pousar os olhos nos escritos do outro.Igual comida que a gente mesmo faz,não tem sabor,falta tempero.O problema é que ler o outroàs vezes me dá gastura.Quando a coisa é boa mesmodá uma sensação amarga de desejar ter escrito aquiloe não poder mais.Plágio é crime.Outro dia, pedi... Continuar Lendo →

Em Praga, um cisne (Elisa Ribeiro)

Branco é o animal ferido,as asas de anjo encolhidas,prostrado no asfalto frio.Seu parceiro de uma vida,o coração partido,desliza sozinho no rio. Isso, o amor desfeitoantes do anjo caído,intriga o turistaque escorrega pelas ruas da cidadetambém sozinho,em despedida. Pensa em salvá-lo— tão alvo, tão liso —com aquele bico indefinidose de tédio, maldade ou riso.Mas vai molhar... Continuar Lendo →

Desejo – Fernanda Caleffi Barbetta

Postou-se ao meu lado,a respiração acelerada, ansiosa.Desejava que eu lhe notassea presença,que eu erguesse a cabeçae lhe encarasse os olhos,lhe fitasse os lábios.Mas retive minha atençãoaos seus sapatos,que, pouco a pouco,se afastaram,deixando para trása respiração acelerada, ansiosa,que talvez fosse minha desde o início.Ignorando o desejo,que talvez fosse somente meu,de que me notasse eme encarasse os... Continuar Lendo →

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