Última palavra (Renata Rothstein)

A palavra última Silencioso apelo O sangue rubro No chão desfolhado E a primeira vez Desaba um céu torto Violada hora e sei Descortinado o véu E a última palavra É vaga, incompleta Exagero, erro, eu Uma versão inversa Morta,  imersa em caos Vã revolta,  inócua Maltrata e esmaga Sibila sem pressa Olhos no invisível... Continuar Lendo →

Conceição (Capítulo I) – Renata Rothstein

Conceição. Sacola de feira roçando o braço suado, três filhos agarrados na barra da saia, as rugas da testa saltando de agonia debaixo daquele sol inclemente de verão. A mulher subia arquejando a ruela íngreme que levava à casa, feita de pau a pique, recém-pintada de laranja. Cal com corante laranja, pensa.. Era no ponto... Continuar Lendo →

Feliciano Teixeira (Renata Rothstein)

Detestável amigo, Há tanto tempo não te vejo, primeiramente quero falar do prazer imenso que é, não ter notícias tuas. É péssimo. Trata-se a carta que não segue de um relato sobre fatos que jamais existiram, mas que por isso mesmo não considero descartáveis, ao contrário dos fatos e circunstâncias acontecidos que, estes sim, merecem... Continuar Lendo →

Celestino Vieira – Renata Rothstein

  Acordou, corpo cansado e dolorido, sobre o papelão sujo que fazia de cama, nas ruas. Dia quente, fim de setembro. Primeiro pensamento: “foda-se tudo” - sorriu, triste e determinado. Já nasceu causando desgosto. Celestino Vieira, preto e favelado, filho de pai desconhecido e estuprador, um peso nos ombros da mãe. Era o que ouvia... Continuar Lendo →

Iberê – Renata Rothstein

Mais um dia chegava ao fim, naquele distante Brasil. Tão distante, quanto belo e sofrido. Na terra das chuvas o pouco era sempre muito, pra bem, ou pra mal.Misto de cor, dor e beleza, que fugia a qualquer compreensão. Até mesmo os destinos, mais que noutro lugar qualquer, pareciam seguir um roteiro escrito por mãos sábias e um... Continuar Lendo →

Cravos Vermelhos (Renata Rothstein)

Desço do táxi, estendo duas notas amarrotadas ao motorista, balançando a cabeça em agradecimento.O taxista diz que as notas não valem mais, olha para mim com dó, me devolve o dinheiro, e segue seu caminho.Respiro fundo o ar frio do fim de tarde, o que me custa uma dor violenta aos pulmões doentes. Continuo tossindo... Continuar Lendo →

Luz e Sombra – Renata Rothstein

Terras de Ythisi, século VII D.C.                               Yanna caminhava resoluta pela encosta íngreme rumo ao cemitério de Tagar, sentindo o vento frio e cortante, tão frio e cortante quanto aqueles últimos tempos, feitos de surpresas e responsabilidades impostas, para as quais não havia se preparado. Continuou a subir a montanha cada vez mais rápido, e... Continuar Lendo →

Para Inspirar: Maternidade (Kátia Muniz)

Quando uma mulher diz que optou por não ser mãe, eu respeito a escolha e não estendo o assunto com questionamentos ou ponderações. Nem todas nasceram para a maternidade. Carregamos o potencial de gerarmos a vida, mas nem sempre se tem a vocação. Porém, a opção pela “não maternidade” deve ser pensada e repensada para... Continuar Lendo →

Luz (Renata Rothstein)

Caminho. Meu passo - tão invisível quanto solene sela sua autoridade na manhã que nasce, explosão de cores e esperanças.A porta a ponte o muro e o mundo abrem seus ansiosos olhos, e pouco a pouco exigem, permutam falaciosos sonhos banhados no ouro perdido do que já foi - e embora exaurida estendo minhas mãos... Continuar Lendo →

Vinte e nove de julho (Renata Rothstein)

Acordou decidida, naquele vinte e nove de julho. Ninguém mais ia guiar seus passos, indicar o caminho, como se fosse comandada por um general invisível, ou eletrônico, uma espécie de GPS dos infernos que só aparecia para deformar seus pensamentos, seus antigos planos, seu sonho de viver. Viver. Verbo tão vasto, que já se transformara... Continuar Lendo →

A Puta Pobre (Renata Rothstein)

Ela existia. Existia e só sabia disso porque sentia, de vez em quando, bofetões e algumas varadas que a faziam urrar, detestando o próprio corpo, o copo de cachaça barata, o bafo dos homens nojentos, hipócritas e mal-amados. Incapazes de conseguir uma mulher para trepar por vontade, iam ali, pagar pouco do pouco dinheiro bandido... Continuar Lendo →

Presenças – Renata Rothstein

Vitória Fernandes <vitoriafernandes@yahoo.com.br> Para Doutor Pedro Caro Doutor Pedro, Conforme o combinado, aqui vai o resumo do meu inferno em vida, na instituição para pessoas de pino frouxo em que minha amada família tão prontamente me enfurnou. . Bom, confesso que poderia ser pior, como daquela vez que fiquei pelas ruas. Ali eu quase consegui... Continuar Lendo →

Feliz Ano Novo! (Renata Rothstein)

Feliz 2018! E então chega o primeiro dia de um novo ano: novinho, leve e transparente como Thêmides, em preparação para o grande momento do esplendor. Tudo novo, de novo... E eu, que sempre pensei que só tivesse mesmo que jogar fora o calendário do ano passado e começar a utilizar o desse ano, fico... Continuar Lendo →

Júlio César (Renata Rothstein)

  O tempo quase parado no ar cinzento fazia voltas em torno de sua mente confusa e estranha, sempre fazendo Júlio questionar se ele existia, de fato. Tudo o que ele conseguia lembrar era muito pouco. O suficiente para aumentar seu sofrimento e a vontade frustrada de acabar de vez com aquele suplício, que vinha de... Continuar Lendo →

02 de fevereiro – Renata Rothstein

*Os acontecimentos a seguir são inteiramente verídicos, aconteceram em 2013, e só, porque até hoje não tive coragem de repetir o feito, na mesma data. Não obstante, essa praia faz parte da minha vida, do meu ser, da minha história* Ontem, dia 02 de fevereiro, resolvi que tinha que ir a praia, rezar e tals.... Continuar Lendo →

Lá vem a Ventania – Renata Rothstein

E lá vem a ventania Venta como ela quer De onde veio? não sei Sussurrou que lá de longe... Será que do pólo norte? Sei lá eu onde isso fica! Veio assim, não sei de onde Carregando gente bem forte Danada a tal de ventania Carrega o que ela quiser Carrega caminhão carrega barco Carrega... Continuar Lendo →

Joca Louva Deus – Renata Rothstein

Da vida, lembrava muito pouco. Quase nada, perto daquele troca-troca alucinógeno e alucinante em que vivia, desde muito cedo. Olhava com ares de nada para seu interlocutor e, balbuciando palavras quase ininteligíveis, ia explicando como fora parar ali, olhos perdidos no espaço, um espaço só dele, quase perfeito - não fossem as dores, muitas, e... Continuar Lendo →

O homem só – Renata Rothstein

Era um homem só. Apenas um solitário homem cansado. De tanto pensar, pesar os prós - Que prós? - e os contras, pesar os pesares e pesar a vida, esqueceu que havia um passado. Outra vida, que tinha vivido. Que tinha, enfim, desabado, desabafado, acabado. Passado (?). Despercebido anos no vício - que não era... Continuar Lendo →

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