Para Inspirar – Os Porcos (Júlia Lopes de Almeida)

Quando a cabocla Umbelina apareceu grávida, o pai moeu-a de surras, afirmando que daria o neto aos porcos para que o comessem. O caso não era novo, nem a espantou, e que ele havia de cumprir a promessa, sabia-o bem. Ela mesma, lembrava-se. Encontrara uma vez um braço de criança entre as flores douradas do aboboral. Aquilo, com certeza, tinha sido obra do pai.

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A Casa dos Mil Lamentos- Iolandinha Pinheiro

A primeira criança a sumir se chamava Pedro. Aconteceu numa tarde de agosto enquanto a sua mãe estendia os lençóis secos no varal para tirar o mofo. O vento estava forte e os tecidos leves voavam e cobriam seu rosto ao serem retirados do cesto. Um minuto de distração e  a mulher parou de ouvir as risadas do garotinho que corria pelo terreiro. Pensou, a princípio, que o menino tivesse entrado na casa. Chamou, gritou, procurou pelas veredas, bateu nas portas dos vizinhos. Nada.

O lugar era pequeno, todos se conheciam.  Alguns amigos formaram equipes de busca pela mata e outros procuraram pelas estradas vicinais. A última pista que tiveram da criança foi o caminhãozinho colorido que estava com o menino no instante do desaparecimento. O brinquedo foi encontrado próximo à margem do rio. Dois homens mergulharam na esperança de encontrar o corpo, mas nem sinal do Pedrinho.

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História de Fantasma – Iolandinha Pinheiro.

 

SANTA BÁRBARA
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Das coisas que me lembro, do tempo em que trabalhei em Santa Bárbara, nada me abalou mais do que a terrível história de Esther, e das implicações decorrentes por tomar conhecimento destes fatos.

Na época eu era médica no hospital psiquiátrico da cidade, construído em um penhasco que se inclinava sobre o mar. Era uma construção antiga com paredes de tijolo duplo, que, como soube posteriormente, antes de ser transformado em hospital, havia sido um mosteiro jesuíta.

A vista que tínhamos da enfermaria feminina era um espetáculo, e, por isso mesmo, sempre abríamos os folhos das suas largas janelas para que as nossas pacientes, e nós mesmas pudéssemos aproveitar a paisagem azul que se estendia à nossa frente.

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– Presságio – Iolandinha Pinheiro

Moro numa pequena cidade sem parentes ou amigos. Escolhi viver desta forma. Ergui uma casa distante da vila, uma espécie de retiro voluntário na floresta tendo como vizinhos apenas os animais e as plantas. Nem por isso tive algum dia de tranquilidade na vida, e nem poderia, pois não o mereço.

O nobre leitor acredita em fantasmas? Se a mim fosse feita esta pergunta talvez respondesse que não, mas apenas para não parecer louco diante de meu interlocutor. Estaria mentindo. Eu acredito em fantasmas. A minha convicção se formou a partir de quando ainda era bem jovem, quando aos vinte e um anos candidatei-me ao cargo de faroleiro que havia ficado vago após a morte do meu antecessor.
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UM CONTO DE VINGANÇA- Vanessa Honorato

Clara abriu lentamente os olhos. Suas mãos tocaram o chão forrado por folhas secas e frias. Estava em um bosque estranho. A noite era sombria, iluminada precariamente pela Lua que brilhava no céu.
Ainda tonta, ela sentou-se, tentando relembrar o que tinha acontecido. Mas suas lembranças estavam atrapalhadas, como um filme borrado. Tudo que recordava era de um homem de olhos vermelhos com um machado nas mãos.

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O Livro de Jonas – Iolandinha Pinheiro.

De: Raul Miranda
Para: Levi Ricúpero

Olá, amigo.

Sei que você deve estar estranhando eu te mandar este e-mail, e já vou dizendo que nem precisa responder. Meu único objetivo é explicar o motivo que me levou a romper o noivado com a sua irmã. Diga que as joias são dela, foram dadas com todo o amor que sempre senti e sentirei, e que ela seja feliz com um homem bom que a mereça. Não posso mais casar com a Suzana e você vai entender tudo depois que eu lhe contar o que aconteceu.

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