Magali Batista, Magá (Renata Rothstein)

A vida bolorenta nas vielas de barro e cheirando a chorume continuava, como sempre, a mesma merda, depois da morte de Julinho Esmola.

Miséria chama miséria e a necessidade de pobre é aquela coisa – nunca tem fim.

Quando depois de trinta meses de trabalho, bico, aperta aqui e esse mês paga-se a água, no outro paga-se a luz e vamos que vamos, “Deus vai ajudar, eu tenho fé!”, aí quando finalmente o puto do economicamente desfavorecido consegue adquirir o que precisava, e pobre de verdade sabe que supérfluo é só em sonho, e mesmo assim nem sabe direito o que é sonhar, vem uma chuva e leva tudo. Triste.

É. Nada é mole, todo mundo diz que não tem nada, mas quando vem a tragédia, diz que perdeu tudo. Perder tudo quando não se tem nada é rotina lá nos becos por onde caminhava a exuberante Magá – a Magali Batista – morena formosa de lábios de mil promessas e curvas perigosas, sonho de consumo da bandidagem local, e de fora também, e dos pais de família respeitáveis que não perdiam uma missa sequer, nos domingos pela manhã. Continue lendo “Magali Batista, Magá (Renata Rothstein)”

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